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TEXTO 02 - Primórdios do Behaviorismo Pavlov, Watson e Guthrie

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indicam que as pessoas são sensíveis aos esque-
mas de reforçamento de intervalo variável do mesmo modo que os animais usados 
nas experiências. A resposta das pessoas às conseqüências do seu comportamento é a 
base das terapias comportamentais – as quais manipulam, sistematicamente, aspec-
tos como recompensa e punição, no esforço de alterar comportamentos e emoções 
(Vargas, 2001).
O fato de as pessoas serem responsivas aos efeitos do reforçamento não significa 
que elas estão sempre conscientes das relações entre seus comportamentos e as suas 
conseqüências. Na verdade, é possível controlar as pessoas pela manipulação inteli-
gente de recompensas e punições, sem que elas percebam que estão sendo controla-
das – é o que fazem as sociedades, destaca Skinner.
Aplicações Educacionais de Contingências Positivas
Como Skinner (1971) destaca, as sociedades fazem uso extenso das contingências aver-
sivas, quando as contingências positivas seriam bem mais humanas e provavelmente 
mais eficientes. Ele escreve, por exemplo, que os métodos de controle das principais 
instituições sociais do mundo baseiam-se nas contingências aversivas. Esses métodos 
são bastante evidenciados nas escolas, onde as reprimendas, a suspensão, as notas bai-
xas e as ameaças de punição são quase sempre aspectos dominantes no cotidiano dos 
estudantes, em vez do elogio, dos gestos de delicadeza, da promessa de notas altas, ou 
da possibilidade de outro reforçamento importante.
Uma sala de aula é como uma caixa de Skinner gigante. Os professores fazem o 
papel dos pesquisadores: eles programam e administram recompensas e punições. 
Os estudantes fazem o papel dos ratos skinnerianos (ou pombos, para parecer menos 
ofensivo): suas respostas são modeladas pelas várias contingências controladas pelos 
professores (e por muitas outras contingências, como a aprovação dos pares ou o ridí-
culo, que fogem ao controle do professor). Como pesquisadores, os professores podem 
beneficiar-se quando sabem que o reforçamento é útil para provocar mudanças no 
comportamento, que os esquemas de reforçamento podem ser variados para valorizar 
mais o que é bom, que a punição não é muito eficaz para a aprendizagem, que alguns 
reforçadores são mais poderosos que outros, e que deveria haver o menor espaço de 
tempo possível entre a apresentação do comportamento e suas conseqüências. Por 
exemplo, se o comentário do professor a respeito do trabalho do aluno, das notas, for 
usado como reforçamento, deve ser dado aos estudantes o mais rápido possível.
Os professores também podem beneficiar-se de um conhecimento maior das fon-
tes de reforçamento. Tendemos a pensar em reforçadores como estímulos facilmente 
identificáveis. Bijou e Sturges (1959), por exemplo, descrevem cinco categorias de 
reforçadores: os consumíveis (como os doces), os manipuláveis (como os brinquedos), 
os estímulos visuais e audíveis (por exemplo, um toque de sino que significa “bom 
130 Teorias da Aprendizagem
trabalho”), os estímulos sociais (como o elogio) e as fichas (como vales que podem 
ser trocados por outros reforçadores). Esses estímulos todos são reforçadores por-
que, como definiu Skinner, aumentam a probabilidade da ocorrência uma resposta. 
Infelizmente, há alguns problemas com a definição de Skinner. Um deles é que ela é 
um tanto circular: o que é um reforçador? Um estímulo que aumenta a probabilidade 
de ocorrer uma resposta. Como sabemos que é um reforçador? Porque aumentou a 
probabilidade de uma resposta. Por que aumentou a probabilidade de uma resposta? 
Porque é reforçador. O que é um reforçador? E por aí vai.
Um segundo problema com a definição skinneriana é que ela não leva em conside-
ração o fato de que o reforçamento é relativo – ou seja, pode variar de um organismo 
para outro, e até de uma situação para outra para um mesmo organismo. Como ob-
serva Kimble (1993), o alimento é reforçamento no início de uma refeição, mas, já na 
metade dela, pode se tornar neutro e, no final, pode ser até punitivo.
O Princípio Premack
Premack (1965) apresenta uma abordagem um pouco diferente para identificar even-
tos reforçadores. Ele leva em conta a observação de que o reforçamento é relativo; 
também considera o fato de que os reforçadores podem ser atividades, ou respostas, 
mais do que apenas estímulos. A abordagem de Premack para identificar o reforça-
mento, chamada de princípio de Premack, afirma que o comportamento que ocorre 
com freqüência, e naturalmente, pode ser usado para reforçar o comportamento me-
nos freqüente. Permitir que o rato corra em uma roda de exercício, por exemplo, pode 
ser reforçamento para alguns ratos; outros acham mais reforçador mascar madeira. Da 
mesma forma, algumas crianças acham altamente gratificante assistir à televisão; ou-
O reforçamento do 
professor
Condicionamento Operante: O Behaviorismo Radical de Skinner 131
tras preferem brincar com os amigos; outras, ainda, preferem ler em silêncio. Perceba 
que cada caso é uma resposta. Mais do que isso, é uma resposta na qual o organismo 
se envolverá naturalmente, se lhe for dada a oportunidade de fazê-lo – quase que 
da mesma forma como o organismo bebe e come. Para descobrir qual poderia ser o 
melhor tipo de reforçador para um determinado organismo, sugere Premack, basta 
observar o que o organismo faz livremente. Por exemplo, um professor “antenado” 
pode perceber o que os estudantes fazem quando têm tempo livre na sala de aula, 
Tara lê, Amy e Sara conversam uma com a outra, William pede para apagar a lousa, e 
Trevor desenha histórias em quadrinhos. A aplicação do princípio de Premack sugere 
que permitir que Tara leia pode ser reforçador para ela, mas não necessariamente para 
os outros estudantes; permitir que Trevor desenhe seus quadrinhos pode ser o melhor 
reforçamento para ele.
A análise do comportamento, baseada nos princípios do condicionamento, é apli-
cada extensivamente nas escolas (ver, por exemplo, Alberto e Troutman, 2003; Har-
lan e Rowland, 2002). Também é usada por terapeutas numa variedade de situações. 
A aplicação deliberada e sistemática dos princípios do condicionamento operante 
na tentativa de mudar o comportamento é chamada de modificação do comporta-
mento. A modificação do comportamento é descrita e exemplificada mais adiante 
neste capítulo.
Aplicações de Conseqüências Aversivas
Skinner descreve dois tipos de controle aversivo (ou negativo): punição e reforçamen-
to negativo. Lembre que eles são fundamentalmente diferentes um do outro: enquanto 
o reforçamento negativo aumenta a probabilidade de uma resposta ocorrer de novo, a 
punição geralmente tem o efeito oposto.10
Argumentos Contra a Punição
Poucos tópicos na criação e educação de uma criança receberam mais atenção do que 
a punição. Muito dessa atenção resulta mais da prevalência da punição do que de sua 
eficácia – desde o trabalho de Thorndike (1931), é quase um consenso o fato de a 
punição ser menos eficaz para eliminar respostas indesejáveis do que o reforçamento 
para provocar aquelas desejáveis.
Do ponto de vista da teoria da aprendizagem, pode-se levantar várias objeções, 
práticas e teóricas, ao uso da punição. Primeiro, a probabilidade de que a punição 
resulte num comportamento adequado é bastante remota, principalmente porque a 
punição desvia a atenção para o comportamento indesejável e pouco faz para indicar 
qual seria o comportamento desejável.
10 “Por falar nisso”, disse a Velha Senhora como adendo, “você deve ter notado que o ambiente oferece 
às pessoas um vasto número de estímulos aversivos que parecem ser extremamente eficazes em modelar o 
comportamento. Panelas quentes, insetos que picam, cogumelos venenosos – todos rapidamente resultam 
em aprendizagem importante. Se não o fizessem, é provável que a espécie humana não tivesse sobrevivido 
tantas gerações. Portanto, embora você tenha de reconhecer a importância da ênfase no controle

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