A Redação Eficaz - José Paulo Moreira de Oliveira
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A Redação Eficaz - José Paulo Moreira de Oliveira


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de	efeito,	com	o	objetivo	único	de	se	autopromover.
Resultado:	 textos	 incompreensíveis,	 repletos	 de	 palavras	 inusitadas,	 de
modismos	lingüísticos	e	de	termos	técnicos,	inseridos	para	compor	um	jogo
de	aparências.
Submisso
É	o	redator	preocupado	em	dizer	que	conhece	seu	lugar.	A	linguagem
previsível,	escorregadia	e	sinuosa	reflete	uma	preocupação	com	o	poder.	O
submisso	evita	correr	riscos	pelo	leitor,	não	surpreende.	Ele,	antes	de	tudo,
abusa	de	expressões	como	salvo	melhor	juízo,	que	o	eximem	de	qualquer
responsabilidade.	Resultado:	chavões	burocráticos,	clichês	e	frases	feitas	e
ausência	absoluta	de	objetividade.
Fuja	dos	clichês
\u2022Atingir	patamares,	alavancar	processos,	desenvolver	atitudes	proativas
e	otimizar	resultados.
\u2022Tirar	decisões,	priorizar	espaços,	encontrar	soluções	a	nível	de	país.
\u2022	Beach-soccer,	delivery,	sal	e,	coffe	break	e	evento	in	company,
atividades	que	devem	ser	inicializadas	para	melhorar	o	empowerment.
\u2022Sirvo-me	da	presente	para,	Tem	esta	a	finalidade	de,	Vimos	submeter	à
alta	apreciação	de	Vossa	Senhoria.
\u2022Sendo	o	que	se	nos	apresenta	para	o	momento,	sem	mais	e	no	aguardo,
subscrevemo-nos.
\u2022Para	o	perfeito	mix,	randomicamente	falando,	enquanto	seres	humanos,
posturas	emblemáticas.
Por	que	buscar	a	palavra	exata?
Escolher	a	palavra	exata	é	fator	decisivo	para	uma	comunicação	clara,
precisa,	concisa	e	coerente.
Claro	que	não	é	tarefa	fácil	encontrar	"le	~juste"	(expressão	cunhada	por
Voltaire).	No	entanto,	é	nossa	obrigação	insistir	nessa	busca.
Ainda	que	não	existam	fórmulas	mágicas	quando	se	trata	de	escolher
palavras,	algumas	observações	podem	nos	ajudar	a	desempenhar	com
eficácia	essa	tarefa.
1.Na	maioria	das	vezes,	o	contexto	-	ou	a	intenção	do	autor	-	determina	a
escolha	da	melhor	palavra:
O	MST	invadiu	/	ocupou	a	Fazenda	Dois	Irmãos.
(Invadiu	reflete	apropriação	indevida;	ocupou	atenua	a	idéia	da
posse.)
2.Algumas	palavras	ou	expressões	parecem	estar	presas	a	determinadas
situações	de	uso.	Usá-las	fora	desse	contexto	pode	levar	o	leitor	a	rir
de	você:
A	Polícia	Federal	capturou	duas	toneladas	de	pasta	de	coca,
escondidas	em	contêineres.	Foi	a	maior	apreensão	do	ano.
(Você	captura	pessoas	e	apreende	coisas.)
3.Outras	tantas	palavras	estão	intimamente	associadas	a	contextos
positivos	ou	negativos:
O	desempenho	marcante	do	ator	rendeu-lhe	(+)	vários	convites
para	filmar	em	Hollywood.
O	conservadorismo	da	política	de	juros	do	Banco	Central	tem-lhe
custado	(-)	várias	críticas	desfavoráveis.
4.Os	verbos	TER,	DAR,	FAZER	e	PÔR	normalmente	são	usados	como
"curinga".	Convém	substituí-los	por	termos	de	sentido	específico.
Tive-o	em	casa	por	uns	dias.
(Hospedar,	acolher,	receber,	alojar,	abrigar,	sustentar,	aturar.)
Deu	um	terreno	por	dois	apartamentos.	(Trocou,	permutou,
negociou,	barganhou.)
Fazia	bonecos	de	barro.
(Modelava,	moldava,	criava,	construía,	fabricava.)
O	economista	pôs	em	destaque	a	necessidade	de	uma	política	de
contenção	dos	gastos	públicos.
(Destacou,	ressaltou,	frisou,	evidenciou,	salientou.)
Mire-se	nos	ensinamentos	do	mestre	Rodrigues	Lapa
"A	arte	de	escrever	repousa	na	escolha	do	termo	justo,	para	expressão
de	nossas	idéias	e	sentimentos.	Em	outras	palavras:	só	escrevemos	bem
quando,	na	série	sinonímica,	encontramos	a	palavra	-	ou	o	grupo	de
palavras	-	que	melhor	se	ajustam	àquilo	que	queremos	exprimir.	É	nessa
escolha	que	reside,	em	grande	parte,	o	segredo	do	estilo."
Fonte:	Estilística	da	língua	portuguesa.	Rodrigues	Lapa,	Martins	Fontes
	
	
Greg	MANKIW
Greg	Mankiw	é	professor	de	economia	em	Harvard.	Sua	área	de	pesquisa
inclui	preços,	comportamento	do	consumidor,	mercado	financeiro,	política
fiscal	e	monetária	e	crescimento	econômico,	e	seus	artigos	são	publicados
freqüentemente	nos	principais	jornais	e	revistas	especializadas	no	mundo
inteiro.
Greg	tem	dois	livros	publicados:	The	Intermediatelevel	Textbook
Macroeconomics	e	Principies	of	Economics.	Os	dois	trabalhos	já	venderam
milhões	de	cópias	e	foram	traduzidos	em	dezessete	idiomas.
Seu	blog	(gregmankiw.blogspot.com)	foi	criado	"to	keep	in	touch	with	my
current	and	former	students.	Teachers	and	students	at	other	schools,	as
well	as	others	interested	in	economic	issues,	are	welcome	to	use	this
resource	.
Greg	dá	umas	dicas	interessantes	sobre	escrita	técnica.	Julguei
interessante	reproduzi-las	-	no	idioma	de	Shakespeare	-	acrescentando,
sempre	que	necessário,	alguns	comentários.
Vamos	ao	trabalho?
Saturday,	October	07,	2006
HOW	TO	WRITE	WELL
When	1	was	CEA	chair,	1	sent	the	following	guidelines	to	my	staff	as	they
started	drafting	the	Economic	Report	to	the	President,	and	1	thought	1
would	share	them	with	blog	readers.
ERP	Writing	Guidelines
\u2022Stay	 focused.	 Remember	 the	 take-away	 points	 you	 want	 the	 reader	 to
remember.	If	some	material	is	irrelevant	to	these	points,	it	should	probably
be	cut.
O	que	o	leitor	precisa	saber	e	para	que	o	leitor	precisa	dessas
informações.	Essas	são	as	questões-chave	que	devem	orientar	o
redator	na	seleção	das	idéias	que	irão	compor	o	texto	final.	Digressões
inoportunas,	históricos	excessivamente	longos,	intervenções	pessoais
freqüentes	e	exemplificação	exaustiva	podem	levar	o	leitor	a	se	perder
na	leitura.	Nesse	sentido,	a	triagem	deve	ser	rigorosa:	informações
acessórias	de	alguma	relevância	devem	constar	de	anexos
informativos;	material	considerado	irrelevante	para	o	contexto	deve	ir
para	o	lixo.
\u2022	Keep	sentences	short.	Short	words	are	better	than	long	words.
Monosyllabic	words	are	best.
A	frase	final	é	meio	chocante,	principalmente	se	levarmos	em	conta	que
ser	monossilábico,	em	nossa	cultura,	traz	os	matizes	de	frieza,	secura,
desinteresse	pelo	leitor.	Nada	disso	se	aplica	a	este	contexto.	Se
substituirmos	no	intuito	de	por	para;	em	conformidade	com	por
conforme;	tendo	em	vista	que	por	como	e	uma	vez	que	por	porque
(entre	tantos	outros)	o	texto	ganha	em	objetividade	e	concisão.	Lembre-
se	ainda	de	que	frases	longas	prejudicam	a	legibilidade.	Coloque	um
ponto?	O	leitor,	penhorado,	agradece.
\u2022The	passive	voice	is	avoided	by	good	writers.
Frases	na	voz	passiva	são	mais	longas,	e	seu	uso	freqüente	faz	o	texto
parecer	"enrolado".	Nas	referências	à	sua	empresa	e	aos	produtos	que
desenvolve,	convém	manter	a	voz	ativa.	(Pesquisa	do	Ibope	observou	/
A	CNI	promoveu	/	Parecer	da	COAL	identifica.)	Oportuno	ressaltar	que
a	voz	passiva	é	ferramenta	importante	para	se	obter	impessoalidade,
quando	não	se	quer	ou	não	se	pode	identificar	o	autor	da	ação.
(Problemas	foram	identificados	/	Observaram-se	comportamentos
atípicos	/	Identificaram-se	irregularidades	na	licitação.)
\u2022Positive	statements	are	more	persuasive	than	normative	statements.
É	melhor	dizer	o	que	aconteceu	do	que	aquilo	que	poderia	ter
acontecido.	Em	vez	de	"A	Indústria	não	quer	mais	um	dólar	defasado",
escreva	"A	Indústria	quer	uma	taxa	de	câmbio	mais	competitiva".
\u2022Avoidjargon.	Any	word	you	don't	read	regularly	in	a	newspaper	is
suspect.
1.O	objetivo	é	retirar	da	discussão	aqueles	produtos	de	interesse
defensivo	para	o	Brasil.	As	respostas	servirão	de	insumo	para	o
posicionamento	do	Governo.
2.	O	documento	de	trabalho	foi	circulado	pelo	Secretariado	da	OMC.
3.	A	pesquisa	capturou,	ainda,	que	as	perceptivas	apontam...
4.	Se	a	estabilidade	do	indicador	perseverar	até	o	fim	do	ano...
"Algo"	pode	também	significar	"um	pouco	usual".	O	preciosismo	gerou
duplicidade	de	sentido.
\u2022Never	make	up	your	own	acronyms	and	avoid	unnecessary	words.
Um	acrônimo	ou	sigla	é	um	agrupamento	das	letras	iniciais	de	várias
palavras	-	como	é	o	caso	de	BNDES,	IBGE,	CNI.	Acrônimos	são
especialmente	úteis	nas	telecomunicações,	uma	vez	que	permitem
condensar	várias	palavras	em	poucas	letras,	poupando	largura	de
banda	-	e,	em	alguns	casos,	dinheiro.
Só	devem,	entretanto,	ser	usados	quando	o	redator	tiver	a	certeza	de
que	são	plenamente	conhecidos	pelo	leitor.