lesao_ligamento_cruzado_anterior_atividade_esportiva
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DisciplinaReabilitação e Restauração1 materiais91 seguidores
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Os pacientes fracos ou obesos e com joelho instável podem não se adaptar ao 
programa com uma órtese funcional. Em resumo, as órteses funcionais e de reabilitação dão 
estabilidade estática ao joelho, porém uma estabilidade dinâmica efetiva varia entre os 
pacientes, qualquer prescrição de órtese deve estar associada a um esforço educacional 
direcionado para a modificação da atividade a reabilitação da musculatura do membro inferior 
(TRIA 2002). 
Segundo Andrews (2000), os protocolos de reabilitação acelerada, que se concentram 
nos exercícios de cadeia fechada conforme sugerido por Shelborne e Nitz, tornam mais rápido 
o processo de reabilitação. É crucial a escolha dos exercícios que produzem menor estresse 
sobre o ligamento cruzado anterior. Howell sugeriu que as contrações isométricas ativas com 
quinze graus, trinta graus, quarenta e cinco graus e sessenta graus não produzem mais estresse 
sobre o ligamento cruzado anterior do que os testes instrumentais de frouxidão. 
Segundo Tria (2002) e Ellenbecker (2002), a amplitude de movimento é necessidade 
absoluta para se evitar complicações pós-operatórias. O objetivo da primeira semana pós-
operatória em um programa de reabilitação acelerado é a obtenção de zero a noventa graus de 
flexão. 
 Conforme Tria (2002) a amplitude de movimento de zero a cento e dez graus é 
esperada nas três primeiras semanas, amplitude de zero a cento e trinta graus até a sexta 
semana e amplitude total de movimento na décima semana. No entanto, para Fonseca (1992), 
a amplitude de movimento entre zero e cento e dez graus só deve ser alcançada entre um a 
dois meses pós-operatórios, devido ao processo cicatricial que deve ser respeitado para se 
evitar complicações pós-operatórias. 
Segundo Fonseca (1992), o treino específico para o esporte e retorno a atividade 
esportiva só serão possíveis nove meses após a cirurgia, enquanto que para Tria (2002) em um 
programa acelerado este retorno se dá por volta dos quatro a seis meses pós-operatórios. A 
extensão passiva completa deve ser conseguida imediatamente após a cirurgia. A extensão 
ativa completa deve ser atingida por volta da segunda à terceira semana do pós-operatório 
(ELLENBECKER, 2002). 
Segundo Andrews (2000), o padrão temporal para a progressão na reabilitação do 
ligamento cruzado anterior é bastante variável; entretanto, existem áreas que devem ser 
enfatizadas antes de permitir a progressão do atleta, independentemente do fator tempo. 
Imediatamente após a cirurgia deve ser enfatizado o controle de inflamação, a manutenção de 
uma extensão passiva plena, a promoção da mobilidade patelar e o aumento do recrutamento 
quadriciptal ajudará a promover maior mobilidade patelar e a prevenir a síndrome 
infrapatelar. No inicio do processo de reabilitação, a área patelar pode ficar extremamente 
hipersensível, por causa da incisão do local. A estimulação elétrica pode ser extremamente 
valiosa e facilitar a contração do quadríceps o suficiente para permitir a mobilização superior 
da patela. Durante a estimulação elétrica destinada a ajudar na mobilidade patelar, o joelho 
deve ser colocado numa extensão confortável máxima. A estimulação elétrica de intensidade 
mínima a moderada com a finalidade de aprimorar a mobilidade patelar não deve ser usada 
ate que o atleta esteja próximo da extensão passiva plena, pois com o joelho em flexão e com 
limitações da ADM, poderá ser facilitada uma co-contraçao da musculatura da coxa, em vez 
de uma contração isolada do quadríceps. 
Segundo Ellenbecker (2002), eletroestimulação neuromuscular para facilitação do 
quadríceps também se faz presente no tratamento da reconstrução do ligamento cruzado 
anterior e baseia-se na avaliação do tônus muscular do quadríceps e vasto medial oblíquo 
(VMO). Para Tria (2002) o uso de estimulação elétrica após a cirurgia do joelho somente 
pode ser justificado se o objetivo for à redução da atrofia após um período de imobilização. A 
estimulação elétrica traz como benefício à contração do quadríceps antes que o paciente 
consiga realizar a contração voluntária ou co-contração. 
Exercícios de flexibilidade são realizados antes e depois da reconstrução do ligamento 
cruzado anterior. Os alongamentos dos isquiotibiais e do gastrocnêmio/ solear são indicados 
no dia seguinte à cirurgia. O alongamento mais comum para os isquiotibiais é o alongamento 
para corredores de barreiras (modificado) e, os alongamentos ajudam a controlar a dor que 
ocorre por causa da resposta reflexa criado nos isquiotibiais quando o joelho é mantido na 
posição flexionada. O exercício de tração com toalha também pode ajudar a diminuir o 
desconforto na panturrilha, no tendão de calcâneo e no tornozelo (ELLENBECKER, 2002 e 
TRIA 2002). 
Segundo Tria (2002), o movimento passivo contínuo (MPC), o imobilizador de joelho 
em extensão para caminhar e a sustentação de peso na medida do tolerado sem muletas, deve 
ser realizado ainda no primeiro dia pós-operatório. O papel do MPC após as reconstruções dos 
ligamentos do joelho ainda é controverso. O MPC apresenta algumas desvantagens para o 
paciente, além do alto custo. O MPC não estimula a participação do paciente no movimento 
precoce; requer extrema atenção aos assentos da amplitude de movimento, que podem ser 
afetados pelo movimento do paciente; e a própria máquina pode provocar estresse indesejável 
sobre o enxerto. No entanto, o MPC também produz possíveis benefícios para o paciente, tais 
como: maior nutrição da cartilagem; maior absorção de hemartrose; redução das aderências; e 
ganho de amplitude de movimento. 
Conforme Ellenbecker (2002), a sustentação parcial do peso é permitida assim que 
sejam mínimos a dor e o edema e que o tônus do quadríceps seja satisfatório. É de extrema 
importância à descarga de peso por meio de uma marcha normal, o que evita a posição de um 
joelho travado e incentiva a flexão normal do joelho ao longo de todo o ciclo da marcha. O 
exercício e o apoio de peso podem ser progredidos mais rapidamente após uma reconstrução 
artroscópica com enxerto do tendão patelar. Assim que se inicia a sustentação parcial do peso, 
são iniciados os exercícios de cadeia cinética fechada, que tem por objetivo facilitar um 
controle adequado do quadríceps na marcha, durante a etapa de postura intermediária da 
perna, para evitar a ocorrência de hiperextensão do joelho (TRIA 2002 e FONSECA, 1992). 
Segundo Tria (2002), os exercícios de cadeia cinética fechada permitem uma 
reabilitação ideal do ligamento cruzado anterior reconstruído, minimizando forças 
potencialmente danosas sobre o enxerto e a lesão da articulação patelofemoral. Os exercícios 
de cadeia cinética fechada resultam em co-contração do quadríceps e dos ísquios, pois, como 
esta sendo aplicada uma carga à tíbia através do pé, são produzidos momentos de flexão do 
quadril e do joelho. O momento de flexão do joelho é compensado pela contração do 
quadríceps e o quadril é estabilizado pela contração dos ísquios. Os deslocamentos patelares 
são efetuados em todos os quatro planos (superior, inferior, medial e lateral) com uma pressão 
contínua aplicada à margem patelar apropriada, durante pelo menos dez segundos 
(ELLENBECKER, 2002). 
Conforme Fonseca (1992), para um programa de tratamento conservador a utilização 
da crioterapia, mobilização passiva, eletroestimulação para quadríceps e isquiotibiais, 
mobilização passiva de patela e exercícios para o tornozelo são essenciais para os dois 
primeiros dias de tratamento pós-operatório. 
Segundo Tria (2002), a dor está diretamente relacionada ao grau de edema e aumento 
da temperatura. Estes são mediados pela histamina, bradiquinina, prostaglandina e 
leucotrienos, que se formam nos limites da membrana da célula e unem os receptores dentro e 
ao redor do tecido lesionado. Além de causar dor, esses mediadores causam vasodilatação e 
extravasamento de líquido