lesao_ligamento_cruzado_anterior_atividade_esportiva
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DisciplinaReabilitação e Restauração1 materiais91 seguidores
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nos tecidos lesionados. O uso de crioterapia é eficaz porque reduz 
a velocidade de condução do nervo aferente e a transmissão da fibra delta relacionada com a 
dor. A transmissão sináptica das fibras sensoriais pode, também, ser impedida ou bloqueada, 
resultando numa analgesia/anestesia transitória após dez a quinze minutos de aplicação 
constante. Os fusos/células fusiformes dos músculos, que agem como aferentes da dor, 
também reduzem a capacidade de resposta ao alongamento. A crioterapia no tecido lesionado 
causa vasoconstrição, reduzindo o fluxo sanguíneo para a área lesionada. Esta constrição não 
ocorre só localmente, mas também de forma sistêmica desde que a temperatura do núcleo seja 
reduzida. A influência hipotalâmica pode aumentar a atividade autônoma, a fim de manter a 
temperatura do corpo, através da vasoconstrição periférica e da conseqüente redução do 
edema resultante do vazamento da membrana. Além disso, o tratamento com frio desacelera o 
metabolismo celular local, diminuindo a hipóxia e a morte das células na fase aguda. Este 
metabolismo reduzido diminui a liberação de mediadores químicos e o subseqüente edema. 
Segundo Ellenbecker (2002), a crioterapia é uma modalidade amplamente utilizada em 
seguida a uma reconstrução do ligamento cruzado anterior, tipicamente a crioterapia é 
utilizada depois do exercício, ou quando se faz necessária para controlar a dor e o edema, 
sendo mantida durante todo o protocolo de reabilitação pós-operatório. 
Conforme Tria (2002), os benefícios da aplicação do calor são secundários ao aumento 
da extensibilidade do tecido colágeno. O calor da mesma forma que a terapia com frio, tem 
efeito direto nas fibras gama das células fusiformes dos músculos. A atividade e a 
sensibilidade do pulso muscular ao alongamento são reduzidas e, em conseqüência, há alívio 
do espasmo muscular. Os aspectos básicos de comparação entre as modalidades do calor e 
frio são: o calor aumenta o fluxo de sangue, produz resposta inflamatória, aumenta a 
formação de edema, resulta em aumento da hemorragia, após trauma ou cirurgia, e diminui a 
rigidez; o frio diminui o fluxo sangüíneo, diminui a formação de edema e reduz o fluxo de 
sangue após o trauma através da vasoconstrição, mas pode aumentar a rigidez. Ambos 
reduzem o espasmo muscular e a dor. Não é aconselhável o uso de calor pelas razões 
anteriormente mencionadas. 
Segundo Ellenbecker (2002), na fase de reabilitação pós-operatória aguda, o início de 
bons exercícios de contrações isométricas do quadríceps estabelece o ritmo para a progressão 
do programa de fortalecimento. As contrações isométricas do quadríceps são realizadas de 
hora em hora, conforme as seguintes normas: repetição das contrações durante dez segundos, 
dez repetições, dez vezes por dia. 
Conforme Tria (2002), os exercícios isométricos são realizados em zero grau por 
segundo, ou seja, sem movimento articular visível. A velocidade é constante em zero, de 
modo que a resistência varia para igualar a força aplicada, as elevações da perna reta nos 
quatro planos do movimento do quadril são exemplos de exercícios de contração isométrica. 
A elevação da perna em linha reta é um dos movimentos chaves para a reabilitação na lesão 
do joelho. A desvantagem dos exercícios isométricos é que eles somente são eficazes para o 
fortalecimento no ângulo usado, portanto, devem ser efetuados em vários ângulos onde não 
haja dor. Os exercícios isotônicos são realizados em velocidades variadas de (trinta a noventa 
graus/s). As contrações excêntricas geram mais força, o que é útil durante o pós-operatório, o 
objetivo dos exercícios isotônicos proporcionam vários graus de resistência em toda a 
amplitude de movimento (TRIA 2002). 
Segundo Tria (2002), os exercícios isocinéticos proporcionam uma acomodação à 
resistência, permitindo que o paciente trabalhe em seu nível submáximo, com níveis de 
movimento dolorosos e, no nível máximo, nos arcos de movimento sem dor. Os isocinéticos 
também preparam o paciente para contrações de velocidade mais alta, que são usadas nas 
atividades esportivas. 
Conforme Ellenbecker (2002), quando o paciente progride para cinquenta a setenta e 
cinco por cento da descarga de peso, são iniciadas elevações dos dedos do pé para 
fortalecimento do gastrocnêmio/solear, exercícios isométricos com paciente sentado. O treino 
de equilíbrio e propriocepção são iniciados assim que o paciente começa a sustentar 
parcialmente o peso. A progressão do treinamento para a aquisição de equilíbrio leva ao uso 
de sistemas mais sofisticados. Nas fases finais da reabilitação são iniciados exercícios 
pliométricos, com o objetivo de dar maior base funcional para o retorno à atividade. 
De acordo com Tria (2002), a propriocepção é iniciada depois que o paciente é 
liberado das muletas, usando-se agachamento suave, elevações dos calcanhares e prancha 
proprioceptiva cinestésica ou prancha de equilíbrio biomecânico para tornozelo. 
Segundo Tria (2002), os exercícios pliométricos são concebidos de modo a aumentar a 
força muscular através da contração excêntrica de um músculo previamente alongado. A 
contração excêntrica inicial causa distensão muscular permitindo a contração concêntrica 
mais vigorosa, o músculo é treinado para mudar de contração excêntrica para concêntrica 
rapidamente, teoricamente aumentando a propriocepção devido às contrações recíprocas do 
quadríceps e dos ísquios. O paciente pode começar na bicicleta ergométrica assim que tem 
sustentação parcial de peso, e desde que a amplitude de movimento seja adequada para que 
possa completar as repetições. Um programa completo de exercícios cardiovasculares é um 
componente importante das fases mais avançadas da reabilitação e deve enfatizar o sistema 
cardiovascular sem comprometer a articulação. A maioria dos pacientes começa correndo em 
linha reta entre o quarto e sexto mês pós-operatório. Depois de ter retornado as atividades 
diárias e/ou esportivas o paciente é encorajado a continuar com o programa de manutenção 
(TRIA 2002 e ELLENBECKER, 2002). 
 
 
3.1. Reeducação proprioceptiva nos joelhos com lesão de LCA 
 
A perda de informação proprioceptiva no joelho, em decorrência de lesão do 
ligamento cruzado anterior, contribui para o agravamento da instabilidade devido à 
diminuição da sensação de posição e pela ausência do estímulo para a contração muscular 
reflexa. Por outro lado, apesar da lesão do ligamento cruzado anterior e da perda de 
informação aferente dos mecanorreceptores localizados nesse ligamento, existem nas demais 
estruturas do joelho inúmeras outras fontes de informação proprioceptiva, que através de 
treinamento específico de coordenação neuromuscular podem suprir a demanda da reação 
muscular necessária para o controle dinâmico da articulaçãolesada. Existe, portanto, forte 
indicação de se reprogramar a ação proprioceptiva do joelho lesionado no seu ligamento 
cruzado anterior. É consenso que o treinamento muscular simples não aumenta a velocidade 
da reação muscular, mas que o controle muscular dinâmico tem o potencial de diminuir o 
tempo de resposta da reação muscular e quanto menor esse tempo, menor será o stress sobre 
as estruturas ósseas, musculares, meniscais e ligamentares do joelho (Clarete; Vieira; Souza 
1994). 
O método de aplicação da reeducação proprioceptiva nos joelhos com lesão do 
ligamento cruzado anterior é baseado em quatro fatores: 1)exercícios com estímulos especiais; 
2)progressividade e dificuldade dos exercícios; 3)critérios de habilidade; avaliação 
proprioceptiva. 
1) Os exercícios com estímulos especiais são aqueles que usam o desequilíbrio provocado e 
controlado para produzir maior número de informações proprioceptivas ao nível do joelho. Os 
exercícios usam equipamentos simples para produzir os estímulos (planos inclinados, prancha 
oscilante de Dotte, aparelho de Freeman, tábua de equilíbrio, cama