Ética, Moral e Deontologia - Aspectos Gerais
16 pág.

Ética, Moral e Deontologia - Aspectos Gerais


DisciplinaEtica Geral e Profissional1.214 materiais18.348 seguidores
Pré-visualização5 páginas
do ser humano, todo conjunto de suas sociedades. 
Não podemos desconsiderar a ligação existente entre Ética e Moral, e que a Moral esteja embutida na Ética, portanto, os aspectos regionais de procedimento influenciam ao estabelecimento e a formação de uma concepção Ética do todo universal.
Dessa forma, a Ética se torna em sua formação, como um reflexo teórico de hábitos universais reiterados e sucessivos, moldados como sendo o caráter humano por convenção. São os fundamentos gerais de convivência, são valores teóricos sociais comuns, normas e princípios que a estabelecem como doutrina e que influenciam a conduta humana de como bem proceder, sendo mandamentos previamente estabelecidos no seu próprio contexto.
Segundo Reale (1999, p.29), ética é \u201ca ciência normativa dos comportamentos humanos". É um juízo eminentemente normativo, porém, apesar de ser considerada norma, não é obrigatória, e sim, uma regra de conduta facultativa pois a ela ninguém está obrigado na sua forma impositiva de concepção teórica. Dessa forma, não pode ser estabelecida como meio de resolução de conflitos sociais, mas, ante a sua própria existência, é instituída como um meio para a sua criação, sendo a forma de adaptação ás novas realidades e necessidades humanas, se tornando um horizonte a ser seguido, uma referência para que a humanidade possa viver direcionada aos objetivos comuns ora instituídos.
Como ciência que disciplina o comportamento humano, a Ética não se vincula as relações sociais como fonte de criação normativa, mas sim, ao fato de descobri-las e elucidá-las. É também considerada como sendo o bem saber viver, estabelecendo para tanto, validade a determinados juízos de valor que possam conceber uma clara liberdade no exercício da razão a luz da subjetividade contida nas decisões humanas. 
A Ética está contida em toda relação social e envolve conteúdos teóricos de aprovação ou repúdio para com as ações do homem, concebendo a cada uma delas um sentido de medida, não sendo, portanto, imperativa à própria razão, mas sim, imperativa à própria liberdade para exercê-la. O ponto comum exigível a todos, a justa convivência social, definições de procedimentos, critérios de convivência e seus limites são fundamentos que a definem.
Comumente, quando se reporta a uma reflexão da evolução dos conceitos de igualdade e de justiça, vê-se claramente que tal possibilidade está diretamente ligada ao estabelecimento de uma convergência nos procedimentos e nas ações dos indivíduos de uma sociedade. Para tanto, necessário se faz o estabelecimento de uma conduta singular como regra para que essa evolução seja possível, considerando aquilo mais aceitável e conveniente nas posturas admitidas, isto é, quando tais procedimentos não sejam impulsionados ou impostos de forma coercitiva para com os indivíduos. 
A ação humana é influenciável, e o comportamento ora assumido é resposta aos presentes estímulos, benéficos ou não, e que são oriundos do meio em que se vive. O que se pretende aqui, é obter um critério procedimental comum e aceito pelo conjunto humano que atinja a evolução do ser e de sua sociedade, onde tais procedimentos e normas de conduta venham a promover, na pratica enquanto objeto, e na teoria enquanto ciência, a realização integral do homem como ser social em sua natureza Racional-Ética. 
Nessa monta, o justo, eticamente falando, é o quanto estabelecido nas virtudes constituídas na relação social, nas condutas individuais inerentes à essa relação social de convivência, que possibilitem a concretização dos objetivos instituídos para o todo. 
Portanto, a Ética é uma convenção universal de ditames aceitos, algo que nos é imposto socialmente pelo modo de proceder geral, sendo para todos do universo social apenas uma só, porém, algo que pode ser adequado de acordo com o comportamento Moral de uma determinada sociedade. Dessa forma, a Ética é um gênero de conduta aceito universalmente, um gênero teórico da ação universal, considerada como sendo a teoria cientifica da prática Moral e do modo de pensar procedimental em sua forma mais ampla, aceitando todas as manifestações culturais dentro de qualquer sociedade.
3 MORAL
3.1 ETIMOLOGIA
Etimologicamente, a palavra Moral origina-se da palavra latina \u201cmores\u201d, "moralis", que significa \u201cCOSTUMES\u201d, \u201cHÁBITO\u201d, representando a prática do conjunto de princípios gerais de conduta estabelecidos em uma determinada sociedade. Encontra-se ligada intimamente ao aspecto cultural de uma região, de uma nação, sendo um mandamento de retidão de postura frente aos hábitos inerentes do cotidiano.
3.2 CONCEITUALIZAÇÃO E DESENVOLVIMENTO
A Moral está interligada a prática, a ação de um ditame procedimental, sendo assim, é considerada como o exercício da teoria moral estabelecida, a ação Ética do modo de proceder concebida apenas à sua execução. Enquanto ação humana, do ponto de vista do dever-fazer, a Moral é quem determina a ação estabelecida frente a teorização Ética, já quanto ao dever ser, a mesma estará condicionada aos valores ora determinados por essa teorização. Segundo Scheler (1941, p.267), \u201cTodo dever ser está fundado sobre os valores; ao contrário, os valores não estão fundados, de nenhum modo, sobre o dever ser.\u201d.
Refere-se a Moral, exclusivamente aos motivos de criação de uma conduta validada pelo costume e que prescrevem ou proíbem o estabelecimento de uma determinada ação que, obrigatoriamente, estará condicionada à axiologia contida na definição daquilo que é bom ou ruim, do bem e do mal. Dessa maneira, a Moral é quem prescreve a conduta em sua forma de ação acertada, estabelecida quando do entendimento comum de todos os membros de uma sociedade em sua forma especifica de ação.
Apesar de exprimirem o mesmo cerne idêntico, não há de se confundir Ética e Moral. A primeira é teoria, a segunda ação, e nesse sentido, a Moral é estabelecida como objeto da ciência Ética do comportamento humano, intrínseca a uma conjuntura mais regionalizada. 
As opiniões e posicionamentos individuais a respeito de um comportamento coletivo geral, são o reflexo da Moral enquanto atitude, e, portanto, a Moral pode ser determinada a uma especifica circunscrição social, não sendo dessa forma, absoluta em qualquer consideração de determinação do seu conceito para o âmbito universal. Segundo Kelsen (1999, p. 45):
[...] um valor absoluto apenas pode ser admitido com base numa crença religiosa na autoridade absoluta e transcendente de uma divindade - e se aceita, por isso, que desse ponto de vista não há uma Moral absoluta, isto é, que seja a única válida, excluindo a possibilidade da validade de qualquer outra [...] se se concede que em diversas épocas, nos diferentes povos e até no mesmo povo dentro das diferentes categorias, classes e profissões valem sistemas morais muito diferentes e contraditórios entre si, que em diferentes circunstâncias pode ser diferente o que se toma por bom e mau, justo e injusto e nada há que tenha de ser havido por necessariamente bom ou mau, justo ou injusto em todas as possíveis circunstâncias, que apenas há valores morais relativos.
Da mesma forma, pode-se afirmar que a Moral é estabelecida num determinado contexto de forma temporal em função de sua limitação frente aos costumes e que são inerentes a um dado momento histórico. A cultura, o comportamento, as concepções axiológicas do certo e errado, tendem a sofrer influências temporais que diretamente atuam sobre a maneira de proceder do indivíduo, e quando admitida qualquer modificação, a Moral é atingida. Daí sua relativização, seu aspecto relativo.
Dada essa relatividade, levando em consideração os recortes individuais e regionais existentes e vinculados aos costumes quando na tentativa de uma definição do que venha a ser Moral, faz-se possível a existência não de uma teoria Moral universal, mas sim, de uma espécie de teorização da Moral.
A referida teorização não se faz com referência às regras, procedimentos determinativos do comportamento humano a serem perseguidos pela sociedade, mas por uma teorização