Fundamentos de Terapêutica Veterinária
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Fundamentos de Terapêutica Veterinária


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horas. São indicadas 
para o tratamento de infecções urinárias, entéricas e sistêmicas, sobretudo aquelas que exigem tratamento 
mais longo. Podem ser usadas em todas as espécies, incluindo carnívoros, pois seu tempo de eliminação 
prolongado não favorece o aparecimento de cristalúria. Neste grupo estão o sulfametoxazol, sulfafenazol, 
sulfamoxol, sulfametoxina e sulfametonidina; 
\u2022 Sulfonamidas sistêmicas de ação prolongada: Têm eliminação ultralenta, com meia-vida plasmática 
variando entre 17 e 150 horas. Apesar de ideais para carnívoros e cômodas para administrar, pelo grande 
intervalo entre doses, estas sulfas determinam níveis plasmáticos baixos, não penetram no líquido 
cefalorraquidiano e, na presença de insuficiência renal, podem determinar quadros de intoxicação grave. 
Bases: Sulfadoxina, sulfametoxipirazina e sulfadimetoxina; 
\u2022 Sulfonamidas de uso entérico: São aquelas que, devido a sua baixíssima absorção, têm sua ação restrita ao 
trato gastrointestinal. Após ingeridas, são hidrolisadas no lúmen do cólon em sulfanilamida ativa. Bases: 
Sulfaguanidina, ftalilsulfatiazol, succinilsulfatiazol, ftalilsulfacetamida e nitrossulfatiazol. 
 
 
\u2022 Sulfonamidas de uso tópico: São aquelas que, por serem pouco absorvidas e não irritantes para tecidos 
delicados, são indicadas para uso oftalmológico (sulfacetamida) ou em queimaduras (mafenida e sulfadiazina 
argêntica). 
 
6. FARMACOCINÉTICA: 
 
a. Absorção e vias de administração: 
Todas as sulfonamidas de uso sistêmico são prontamente absorvidas pelo trato gastrointestinal. As principais 
vias de administração são: 
\u2022 Oral: Usada em terapêutica massal ou individual. A administração de produtos que contenham um corretivo 
é fundamental, pois sabor amargo das bases pode reduzir o consumo de água pelo animal, acarretando em 
baixa ingestão da droga e desidratação, o que aumenta o risco de intoxicação. Herbívoros adultos só devem 
receber sulfas por esta via quando o objetivo terapêutico for a redução da flora do trato gastrointestinal, pois 
em outros casos esta redução pode determinar sérios problemas ao metabolismo do animal. Nos eqüinos, 
além da redução da flora, há também pouca absorção, pois a droga se liga a certas moléculas do conteúdo 
estomacal, tornando-se inabsorvível; 
\u2022 Endovenosa: Os sais sódicos, quando administrados por esta via, determinam níveis plasmáticos rápidos, 
mas de curta duração. A via, pela possibilidade de ocorrência de efeitos colaterais sérios, deve ser reservada 
somente para infecções graves e apenas para as primeiras administrações, continuando-se o tratamento por 
outra qualquer. A injeção deve ser lenta (mínimo de 10 minutos) e sempre dentro da veia, pois quando 
erroneamente aplicada no sítio perivascular pode determinar irritação e necrose; 
\u2022 Intramuscular: Embora existam apresentações apropriadas para esta via, quase sempre ocorrem irritação e 
necrose no sítio da injeção, principalmente em suínos e eqüinos; 
\u2022 Intraperitoneal: Via de boa absorção, mas que deve ser evitada, sobretudo quando a solução utilizada for 
muito alcalina.; 
\u2022 Intra-uterina: A associação da uréia a uma sulfa é foi utilizada, durante muito tempo, para tratamentos 
locais de infecções uterinas. A uréia aumenta a solubilidade da droga, inibe sua ligação a proteínas e 
neutraliza certos antagonistas da mesma. Hoje, com o surgimento de novas drogas e métodos mais 
adequados, a associação está em completo desuso; 
\u2022 Intramamária: A utilização de sulfonamidas em tratamentos de mamite tem uma eficiência variável de 
acordo com a susceptibilidade do agente, mas no geral não constituem a primeira escolha. 
b. Distribuição: 
As sulfas sistêmicas de ação curta ou intermediária se distribuem, através de difusão passiva, por todo o 
organismo, inclusive líquido cefalorraquidiano, placenta e leite. As demais sulfonamidas têm distribuição restrita 
no organismo. 
Observação importante: O fato de determinada droga atingir a glândula mamária quando administrada 
sistemicamente não significa que a mesma possa ser usada, por esta via, para o tratamento de mamites, como é o 
caso das sulfonamidas. 
c. Metabolismo: 
Ocorre em vários tecidos (principalmente o fígado) e por diversas vias metabólicas. O metabolismo é apenas 
parcial e uma parte da droga administrada é eliminada inalterada. Alguns autores responsabilizam os metabólitos 
por determinadas reações tóxicas das sulfonamidas, como lesões cutâneas e fenômenos de hipersensibilização. 
d. Excreção: 
As sulfonamidas são eliminadas pela urina, fezes, bile, leite, suor e lágrimas, mas a via renal é a principal. A 
acidificação da urina aumenta a meia-vida plasmática da maioria das sulfonamidas, mas também eleva o risco de 
cristalúria; ao contrário, a alcalinização as torna mais solúveis e acelera sua eliminação. 
Observação: Também para as sulfonamidas aplica-se a \u201cLEI DA SOLUBILIDADE INDEPENDENTE\u201d, ou 
seja, as solubilidades de diversas sulfas são independentes umas das outras. Isto possibilita que associações de 3 
ou mais sulfas sistêmicas de curta ação tenham um efeito terapêutico aditivo, mas reduzido risco de cristalúria. 
 
 
 
7. CONTRA-INDICAÇÕES E REAÇÕES ADVERSAS: 
As sulfonamidas são contra-indicadas em pacientes com insuficiência hepática ou renal graves, discrasias 
sanguíneas ou sabidamente hipersensíveis à droga. Devem ser evitadas ou usadas com cuidado em animais com 
funções hepática ou renal diminuídas e naqueles com obstruções urinárias. Em altas doses, podem ser 
teratogênicas e, por isto, devem ser evitadas em gestantes. 
As sulfonamidas são drogas potencialmente perigosas, determinando efeitos adversos em 5% dos animais que as 
recebem. As principais alterações observadas são: 
\u2022 Vias urinárias: Sulfonamidas pouco solúveis podem cristalizar-se no interior dos túbulos renais, 
determinando cristalúria, hematúria e obstruções tubulares renais, sobretudo quando há pH urinário baixo e 
redução no consumo de água. Clinicamente, observa-se anorexia, depressão, cólica e estrangúria; 
\u2022 Sistema hematopoiético: Podem ocorrer anemia hemolítica aguda, agranulocitose, anemia aplástica e 
trombocitopenia, com a ocorrência de hemorragias generalizadas; 
\u2022 Intoxicação aguda: Ocorre principalmente com grandes doses ou injeções endovenosas rápidas. Pode-se 
observar sialorréia, cegueira, diarréia, hiperpnéia, excitação, fraqueza muscular, ataxia e rigidez espástica dos 
membros. Existem relatos de uma eventual susceptibilidade maior em cães da raça Doberman a reações 
agudas causadas pelas sulfonamidas; 
\u2022 Intoxicação crônica: São descritos na literatura vários efeitos colaterais de sulfonamidas nas diversas 
espécies, como: 
! Cães: Cianose, opacidade da lente, ceratoconjuntivite seca, reações de hipersensibilidade, alterações 
gastrointestinais e poliartrites; 
! Ruminantes: Icterícia e neurite periférica; 
! Aves: Redução do ganho de peso e da postura, ovos com casca defeituosa e lesões renais e hepáticas, 
que determinam aumento na mortalidade do lote. 
 
8. NORMAS GERAIS PARA A PRESCRIÇÃO DE SULFAS: 
 
\u2022 Utilizar apenas em infecções agudas produzidas por agentes susceptíveis; 
\u2022 Fornecer água em abundância e, se necessário, forçar seu consumo; 
\u2022 Verificar se não existem lesões hepáticas ou renais que possam dificultar o metabolismo ou a eliminação da 
droga; 
\u2022 Para carnívoros, preferir as sulfas de meia-vida plasmática longa e alta solubilidade. Se necessário utilizar 
sulfonamidas de curta ação, associar pelo menos duas delas. 
\u2022 Fornecer doses dobradas nas primeiras 24 horas, visando alcançar mais rapidamente o nível plasmático ideal. 
\u2022 Suspender imediatamente o tratamento se observados sinais de intoxicação, principalmente micção freqüente 
e urina sanguinolenta. 
 
9. APRESENTAÇÕES COMERCIAIS / DOSES: 
 
\u2022 Ftalilsulfatiazol: Anti-Diarréico Vallée (V), Ftalil (V), Ftalil (V), Dimicin (H) e Parenterin (H);