Fundamentos de Terapêutica Veterinária
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pouca importância, especialmente as subclínicas. 
 
 
\u2022 Farmacocinética: A droga possui rápida absorção no trato gastrointestinal, sobretudo na presença de 
alimentos, e ampla distribuição no organismo, incluindo líquido cefalorraquidiano e feto. A excreção se dá 
por via renal e os níveis urinários são muito altos. 
\u2022 Contra-indicações / Efeitos colaterais: A nitrofurantoína é contra-indicada no terço inicial da gravidez, para 
recém-nascidos e na insuficiência renal. Raramente, pode causar alterações hepáticas e gastrointestinais, que 
normalmente são de caráter transitório. 
\u2022 Interações medicamentosas e laboratoriais: As fluoroquinolonas podem ter sua atividade antimicrobiana 
reduzida quando administradas concomitantemente à nitrofurantoína. A droga pode ainda alterar exames 
laboratoriais, causando glicosúria e hipoglicemia falsas. 
\u2022 Apresentações comerciais (humanas): Macrodantina, Uro-Furan e Urogen. 
 
2. FURAZOLIDONA (= Furaltadona ou furoxona): 
\u2022 Farmacologia / Indicações: A furazolidona atua, além da interferência nos sistemas enzimáticos, também 
por inibição da monoamino-oxidase. De maneira geral, não é considerada atualmente como droga de primeira 
escolha em nenhuma situação, mas pode ser usada com algum sucesso em infecções por Trichomonas, 
Histomonas meleagrides e Giardia, possuindo ainda efeito irregular nas eimerioses; alguns autores propõem 
ainda seu uso como opção para tratamento de enterites causadas por Gram-negativos. A droga é 
freqüentemente adicionada às rações como promotora de crescimento e existem apresentações comerciais 
para o tratamento das mamites, provavelmente de eficiência duvidosa. 
\u2022 Farmacocinética: As características farmacocinéticas da furazolidona não são bem estudadas. Sabe-se 
apenas que a droga é absorvida pelo trato gastrointestinal, mas não atinge níveis adequados para o tratamento 
de infecções sistêmicas. 
\u2022 Contra-indicações / Efeitos adversos: A furazolidona não possui estudos conclusivos sobre qualquer 
possível efeito sobre o feto, mas dada à sua similaridade com a droga anterior, seu uso na gestação deve ser 
evitado. Os eventuais efeitos adversos são mínimos e raros, normalmente se limitando a perturbações 
gastrointestinais (vômitos, diarréias e outros). 
\u2022 Apresentações comerciais: Giarlam (H), Colestase (H), NF-180 (V), Mastilac (V) e Furalidon-P (V). 
 
3. NITROFURAZONA: 
É usada no tratamento local de feridas contaminadas, tendo como principal vantagem a baixa freqüência de 
resistência bacteriana e a inocuidade aos tecidos lesados. Pode também ser utilizada para lavagens uterinas e de 
cavidades externas. Apresentações comerciais: Furacin (H, V) e Nitrofurazona (H). 
 
 
ANTIBIÓTICOS 
 
 
I. ANTIBIÓTICOS BETA-LACTÂMICOS: 
 
I.a. PENICILINAS: 
 
1. INTRODUÇÃO: 
As penicilinas são os mais antigos antibióticos, mas ainda muito utilizados devido à sua grande eficiência para o 
tratamento de diversas infecções. Inicialmente extraídas de cepas do fungo Penicillum notatum, atualmente a 
maioria é semi-sintética. 
 
2. MECANISMO DE AÇÃO, CLASSIFICAÇÃO E ESPECTRO ANTIMICROBIANO: 
As penicilinas são drogas bactericidas por inibição da síntese de mucopeptídeos da parede da célula bacteriana. 
Podem ser divididas em 2 grandes grupos, as naturais (benzilpenicilinas e derivados) e as semi-sintéticas (todas 
as demais). Quimicamente, podem ser classificadas em: 
a. Benzilpenicilinas: Drogas de espectro reduzido e, com exceção da penicilina V, não resistentes à ação do 
suco gástrico, devendo ser utilizadas apenas por via parenteral. Neste grupo, temos as penicilinas G sódica, 
potássica, procaína e benzatina, cuja diferença é a crescente meia-vida plasmática, e a fenoximetilpenicilina 
ou penicilina V. A penicilina G benzatina determina níveis plasmáticos muito baixos, só devendo ser 
utilizada em infecções cujo agente apresente sensibilidade comprovada à mesma. Têm atividade contra a 
 
 
maioria das espiroquetas, cocos aeróbicos e bacilos Gram-positivos (gêneros Bacillus, Clostridium, 
Fusobacterium e Actinomyces), podendo ser associadas aos aminoglicosídeos ou às cefalosporinas para 
aumentar seu espectro; 
b. Isoxazolilpenicilinas: De espectro similar às benzilpenicilinas, possuem como característica principal a 
resistência às beta-lactamases, o que as torna drogas de escolha para o tratamento de infecções cujo agente 
reconhecidamente produz estas enzimas. Nas demais infecções, seu uso é desaconselhado, pois tem uma 
potência sabidamente menor que as benzilpenicilinas. Algumas são resistentes ao suco gástrico, podendo ser 
administradas por via oral. Neste grupo, as representantes são meticilina, nafcilina, oxacilina, cloxacilina e 
dicloxacilina. São indicadas apenas nas infecções por cocos Gram-positivos, especialmente Staphylococcus 
produtores de beta-lactamases; 
c. Aminopenicilinas: Ampicilina, amoxicilina, hetacilina, bacampicilina, pivampicilina, talampicilina, 
epicilina e ciclaciclina são os representantes deste grupo. Diferem-se das anteriores por apresentarem 
resistência ao suco gástrico e terem amplo espectro, atuando contra muitas cepas de aeróbicos Gram-
negativos, como E. coli, Klebsiella e Haemophilus, embora sem se constituir na droga de primeira escolha 
nestes casos. Destas drogas, a amoxicilina é a mais viável na medicina veterinária, pois a administração 
pode ser feita a intervalos maiores e sua absorção não sofre interferência do conteúdo gástrico, como 
acontece nas demais. 
A resistência bacteriana às penicilinas se dá principalmente pela produção de beta-lactamases, enzimas que 
destroem o anel beta-lactâmico da droga, inativando-a. Visando reduzir este processo, elas têm sido associadas 
ao clavulanato de potássio (=ácido clavulânico) ou ao sulbactam, que inativam estas enzimas e ampliam o 
espectro da associação. Assim, estas penicilinas combinadas passam a ser eficientes contra cepas anteriormente 
resistentes de E. coli, Pasteurella spp., Staphylococcus spp, Klebsiella, Proteus e outros. 
d. Penicilinas anti-pseudomonas: Drogas novas e caras, devem ter seu uso evitado em medicina veterinária, 
pois constituem hoje uma das poucas opções para o tratamento de infecções hospitalares sérias em humanos 
produzidas por Gram-negativos. Neste grupo, estão incluídas as carboxipenicilinas (ticarcilina e 
carbenicilina) e as ureidopenicilinas (piperacilina, azlocilina e mezlocilina). Estas drogas têm espectro 
similar às aminopenicilinas, mas possuem atividade contra vários Gram-negativos da família 
enterobacteriaceae, incluindo Pseudomonas aeruginosa. 
Como os bactericidas, as penicilinas são mais ativas contra bactérias em multiplicação. 
3. FARMACOCINÉTICA: 
a. Absorção / Vias de administração: 
A absorção é rápida pelas vias parenterais, mas pela via oral é incompleta e variável, exceto para as penicilinas 
ácido-resistentes. Dependendo da apresentação, pode-se usar as vias VO, SC, IM, EV, intra-articular, 
intramamária e tópica. Embora não descrito em animais, a via tópica pode, no homem, determinar a 
sensibilização do organismo à droga, fazendo com que ocorra anafilaxia se a mesma for aplicada posteriormente 
por qualquer via parenteral. 
Algumas penicilinas têm sua concentração expressa em unidades internacionais. Quando houver a necessidade 
de conversão, saber que 1 mg = 1.667 UI. 
b. Distribuição: 
A distribuição é ampla por todo o organismo, embora hajam variações nas concentrações atingidas nos diversos 
tecidos e líquidos corporais. Próstata, líquido cefalorraquidiano e humor aquoso apresentam níveis baixos das 
penicilinas, fazendo com que as mesmas sejam pouco efetivas para o tratamento de infecções nestes locais 
c. Metabolismo / Eliminação: 
Apenas 10% da droga circulante no plasma é metabolizada por uma via desconhecida, sendo o restante 
eliminado de forma inalterada pelos rins (90%), bile e leite. A eliminação pode