Fundamentos de Terapêutica Veterinária
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ser retardada pela associação da 
penicilina à probenecida, droga que bloqueia sua secreção tubular; este recurso, entretanto, se tornou 
desnecessário com o desenvolvimento das penicilinas de depósito. 
 
4. TOXICIDADE E SAÚDE PÚBLICA: 
As reações colaterais às penicilinas são raras em medicina veterinária, o que permite considerá-las como drogas 
muito seguras. Raramente, podem ocorrer reações de hipersensibilidade, variáveis entre simples erupções 
 
 
cutâneas a choque anafilático. As formas parenterais são mais passíveis de causarem reações adversas que as 
orais. Podem ocorrer efeitos colaterais cruzados com outros beta-lactâmicos. Algumas espécies exóticas (cobras, 
aves, tartarugas, cobaios e chinchilas) são muito sensíveis à penicilina G procaína. 
As penicilinas de depósito são potencialmente mais perigosas que as demais, pois uma vez injetadas, 
permanecem por períodos prolongados no organismo, dificultando o controle das reações colaterais. 
Com relação à saúde pública, a inobservância do período mínimo entre a aplicação da droga (que varia em 
função da meia-vida plasmática) e o consumo dos produtos do animal pode determinar sérias conseqüências para 
humanos, onde 1 a 5% da população apresenta sensibilidade à mesma. A ingestão de leite com resíduos de 
penicilina por um indivíduo hipersensível pode desencadear um processo anafilático grave no mesmo. 
 
5. APRESENTAÇÕES COMERCIAIS: 
a. Benzilpenicilinas: 
\u2022 Penicilina G: Agrovet (V, procaína + potássica + estreptomicina), Benzetacil Veterinário (potássica + 
procaína + benzatina), Benzetacil (H, benzatina), Propen (V, potássica + procaína), Pentabiótico (V, 
potássica + procaína + benzatina + estreptomicina), Wycillin (V, potássica + procaína) e Despacilina (H, 
igual ao Wycillin); 
Observações importantes: 
\u2022 Nas apresentações comerciais onde se associa mais de uma penicilina G, a dose deve ser sempre calculada a 
partir daquela que tem maior meia vida plasmática; 
\u2022 A maioria das apresentações comerciais que veterinárias associam penicilinas à estreptomicina contêm erros 
de formulação, que obrigam a administração de subdoses da penicilina ou doses elevadas da estreptomicina. 
CUIDADO!!! 
\u2022 Penicilina V: Cliacil (H) e Pen-Vê-Oral (H). 
b. Aminopenicilinas: 
\u2022 Amoxicilina: Amoxicilina (H), Amoxil (H), Clavulin (H, assoc. ao ácido clavulânico), Duprancil (V) e 
Clavamox (V, assoc. ao ácido clavulânico); 
\u2022 Ampicilina: Ampicilina (V, H), Amplacilina (V, H), e Binotal (H); 
\u2022 Hetacilina: Não possui apresentações comerciais no Brasil. 
c. Isoxazolilpenicilinas: 
\u2022 Cloxacilina: Anamastit (V) e Masticilin (V); 
\u2022 Dicloxacilina: Dicloxacilina (H); 
\u2022 Oxacilina: Oxacilina (H) e Stafcilin-N (H). 
d. Penicilinas anti-pseudomonas: 
\u2022 Carbenicilina: Carbenicilina (H); 
\u2022 Ticarcilina: Timentin (H); 
\u2022 Azlocilina: Não possui apresentações comerciais no Brasil; 
\u2022 Mezlocilina: Não possui apresentações comerciais no Brasil; 
\u2022 Piperacilina: Tazocin (H). 
 
I.b. CEFALOSPORINAS: 
 
1. INTRODUÇÃO: 
As cefalosporinas são beta-lactâmicos valiosos pela sua segurança, variedade de vias de administração, bons 
resultados clínicos e, sobretudo, por serem pouco atingidas pelas beta-lactamases. Sua desvantagem principal é o 
alto custo. 
 
2. MECANISMO DE AÇÃO / ESPECTRO ANTIMICROBIANO: 
As cefalosporinas compreendem um grupo de compostos de várias classes, mas com atividade e características 
farmacocinéticas similares. As \u201cverdadeiras\u201d cefalosporinas são derivadas da cefalosporina C, produzida pelo 
 
 
Cephalosporidium acremonium. Seu mecanismo de ação é idêntico ao das penicilinas, ou seja, inibição da 
síntese da parede bacteriana. 
De acordo com seu espectro e distribuição, as cefalosporinas foram classificadas em gerações. Assim, as de 
primeira geração têm um espectro reduzido, atuando basicamente apenas contra Gram-positivos, embora possam 
ter um efeito irregular e imprevisível sobre certos Gram-negativos. As cefalosporinas de segunda e terceira 
gerações têm amplo espectro, diferindo entre si pela distribuição ampla e melhor atuação contra Gram-negativos 
das últimas. Recentemente, apareceram as cefalosporinas de quarta geração, que têm uma atividade semelhante 
às de terceira, mas são mais resistentes à destruição pelas beta-lactamases. Deve-se ressaltar que as 
cefalosporinas de segunda geração não são derivadas da cefalosporina C e, por isto, classificadas por alguns 
autores como cefamicinas. 
As cefalosporinas podem ser usadas numa ampla gama de situações, com destaque às infecções cutâneas, ósseas 
e de tecidos moles, mamites e otites. 
 
3. FARMACOCINÉTICA: 
Algumas das cefalosporinas são bem absorvidas pelo trato digestivo, sobretudo as de primeira geração. 
Dependendo da apresentação, podem ser usadas por todas as vias usuais. A interferência produzida pela presença 
de alimentos no estômago na absorção das cefalosporinas é variável de acordo com a droga utilizada. Nas 
preparações parenterais, a via de administração recomendada pelo fabricante deve sempre ser seguida, pois além 
de diferenças importantes no pH, algumas apresentações para uso intramuscular contêm em suas fórmulas 
lidocaína, tornando extremamente perigoso o seu uso endovenoso. 
De maneira geral, as cefalosporinas se distribuem bem no organismo, mas não atingem o líquido 
cefalorraquidiano; a exceção a esta regra fica por conta das cefalosporinas de terceira geração, que estão entre os 
antimicrobianos de melhor distribuição no organismo. Níveis muito altos são observados no útero, sugerindo 
uma boa eficiência destas drogas para tratamento de infecções naquele local. 
Algumas cefalosporinas são parcialmente metabolizadas pelo fígado e excretadas pelos rins. 
 
4. EFEITOS ADVERSOS / TOXICIDADE: 
Os efeitos adversos são raros e geralmente pouco importantes clinicamente. Embora não haja estudos 
conclusivos nos animais, sabe-se que em humanos 15% dos pacientes hipersensíveis às penicilinas também 
apresentam esta característica em relação às cefalosporinas. 
Em medicina veterinária, raramente observam-se alterações do trato digestivo (anorexia, vômitos e diarréia), 
reações de hipersensibilidade, lesões hepáticas e renais e alterações hematológicas, caracterizadas por 
neutropenia e trombocitopenia. A aplicação intramuscular é dolorosa e em alguns casos podem aparecer 
irritações locais ou abscessos estéreis. A associação ao aminoglicosídeos ou a outras drogas nefrotóxicas pode 
provocar distúrbios renais graves. O uso na gravidez ainda não está completamente estudado, mas não há 
registros de efeitos teratogênicos. 
 
5. CLASSIFICAÇÃO / APRESENTAÇÕES COMERCIAIS: 
a. Cefalosporinas de primeira geração: 
\u2022 Cefacetril: Vetmast (V); 
\u2022 Cefadroxil: Cefradoxil (H) e Cefamox (H); 
\u2022 Cefalexina: Rilexine (V), Cefalexina (H) e Keflex (H); 
\u2022 Cefaloridina: Não possui apresentações comerciais no Brasil; 
\u2022 Cefalotina: Cefalotina (H) e Keflin Neutro (H); 
\u2022 Cefapirina: Não possui apresentações comerciais no Brasil; 
\u2022 Cefazolina: Cefamezim (H) e Kefazol (H); 
A cefazolina é a droga de escolha para uso parenteral, pois atinge rapidamente níveis plasmáticos adequados e 
causa menos dor no animal. 
\u2022 Cefradina: Não possui apresentações comerciais no Brasil. 
b. Cefalosporinas de segunda geração: 
\u2022 Cefaclor: Ceclor (H) e Faclor (H); 
 
 
\u2022 Cefamandol: Não possui apresentações comerciais no Brasil; 
\u2022 Cefamicina: Não possui apresentações comerciais no Brasil; 
\u2022 Cefonicida: Não possui apresentações comerciais no Brasil; 
\u2022 Ceforanida: Não possui apresentações comerciais no Brasil; 
\u2022 Cefotetan: Não possui apresentações comerciais no Brasil; 
\u2022 Cefoxitina: Cefoxitina Sódica (H) e Mefoxin (H); 
\u2022 Cefuroxima: Zinacef (H); 
\u2022 Loracarbef: Não possui apresentações comerciais no Brasil. 
c. Cefalosporinas de terceira geração: 
\u2022 Cefatamet: Globocef (H); 
\u2022 Cefixima: Plenax (H);