Fundamentos de Terapêutica Veterinária
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Fundamentos de Terapêutica Veterinária


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E ESPECTRO ANTIFÚNGICO: 
A nistatina é fungistática por alteração na permeabilidade da membrana. Atua exclusivamente contra infecções 
de pele e mucosas produzidas por Candida albicans, embora tenha algum efeito contra Eimeria e Microsporum. 
 
b. FARMACOCINÉTICA: 
Não há absorção pelo trato digestivo, pele ou mucosas e, portanto, seu efeito é apenas local. A eliminação, 
quando a droga é usada por via oral, é feita através das fezes. 
 
c. EFEITOS ADVERSOS: 
Raramente podem ocorrer, quando usadas altas doses, alterações gastrointestinais (anorexia, vômitos e diarréia). 
 
d. APRESENTAÇÕES COMERCIAIS: 
Micostatin (H, V) Nidazolin (H) e Nistatina (H). 
 
2. GRISEOFULVINA: 
 
a. MECANISMO DE AÇÃO / ESPECTRO ANTIFÚNGICO: 
A griseofulvina é fungistática por inibição no desenvolvimento da parede dos fungos e fungicida por inibição da 
mitose. É usada exclusivamente contra dermatófitos (Microsporum, Tricophyton e Epidermophyton), sendo a 
droga de escolha para o tratamento destes fungos. 
 
b. FARMACOCINÉTICA: 
A via de administração é exclusivamente oral. A absorção não é boa, mas pode ser melhorada pela utilização de 
apresentações ultramicrocristalinizadas e pela administração concomitante de gorduras (a griseofulvina é muito 
lipossolúvel). Como a ação da droga depende de sua impregnação na pele, das camadas mais profundas para as 
mais superficiais, o período mínimo de tratamento é de 40 dias. A fração não absorvida é eliminada com as fezes 
e apenas 1% da porção absorvida aparece, na forma inalterada, na urina, ficando o restante impregnado na pele. 
Observação: Quando for usada uma preparação ultramicrocristalinizada, reduzir à metade a dose indicada. 
 
c. TOXICIDADE: 
No homem podem ocorrer reações relacionadas às funções renal, hepática e hematopoiética. Para os animais 
domésticos a droga é pouco tóxica, raramente observando-se reações relacionadas ao trato gastrintestinal 
(vômitos, diarréias e cólicas) e discretas alterações hematológicas (leucopenia). Os animais tratados não devem 
ser expostos ao sol, sob risco de desenvolvimento de fotossensibilização. Nas gatas, a droga não deve ser usada 
durante a gravidez, pois determina nascimento de filhotes com fenda palatina. 
 
 
Observação: Algumas apresentações contendo nistatina têm a concentração da droga expressa em unidades 
internacionais. Para fazer a conversão considerar que 1 mg \u2245 5.000 U.I. 
 
 
d. APRESENTAÇÕES COMERCIAIS: 
Dufulvin (V), Fulcin (H) e Sporostatin (H). 
 
3. ANFOTERICINA B: 
 
a. MECANISMO DE AÇÃO E ESPECTRO ANTIFÚNGICO: 
A anfotericina B é fungicida por modificação na permeabilidade da membrana. Devido à sua alta toxicidade, é 
reservada para micoses profundas sérias (histoplasmose, esporotricose, aspergilose, criptococose, blastomicose, 
nocardiose e outras), embora seja eficiente contra vários outros fungos. A droga tem sido utilizada ainda no 
tratamento clínico da leishmaniose visceral, com resultados promissores. 
Recentemente foi lançada uma formulação de anfotericina B sob a forma lipossomal, com efeitos colaterais 
menos severos que os da droga original. 
 
b. FARMACOCINÉTICA: 
A anfotericina B é pouco absorvida pelo trato digestivo, pele ou mucosas, só possuindo, nestes territórios, efeito 
local. Quando se deseja efeito sistêmico, deve-se usar a via endovenosa, sempre diluída em glicose 5% e 
administrada lentamente. A distribuição e o metabolismo são desconhecidos, sabendo-se apenas que uma 
pequena quantidade da droga é detectada na forma ativa na urina. 
 
c. CONTRA-INDICAÇÕES E EFEITOS ADVERSOS: 
A anfotericina B não deve ser usada em animais gestantes ou portadores de insuficiência renal. Os principais 
efeitos adversos observados são: 
\u2022 Reações febris agudas, manifestadas uma a duas horas após a aplicação (o uso de corticóides e aspirina antes 
da administração pode minimizar estes efeitos); 
\u2022 Toxicidade cardiovascular, incluindo arritmias; 
\u2022 Distúrbios neurológicos e reações anafilactóides; 
\u2022 Náusea, vômito, anorexia, diarréia e perda de peso; 
\u2022 Hipopotassemia, hipomagnesemia, azotemia e acidose tubular renal; 
\u2022 Queda no hematócrito e anemia normocítica normocrômica. 
 
d. INTERAÇÕES MEDICAMENTOSAS: 
\u2022 Potencialização dos efeitos depressores de medula óssea de outras drogas que podem causar discrasias 
sangüíneas; 
\u2022 Hipopotassemia grave quando em associação com digitálicos, bloqueadores neuromusculares e inibidores da 
anidrase carbônica; 
\u2022 Aumento da nefrotoxicidade produzida por diuréticos depletores do potássio e outras drogas nefrotóxicas. 
 
e. APRESENTAÇÃO COMERCIAL: 
Fungizon (H), Anphocil (H), AmBsome (H) Talsutin Creme (H) e Tericin AT (H). 
 
4. CETOCONAZOL: 
 
a. MECANISMO DE AÇÃO E INDICAÇÕES: 
O cetoconazol é fungistático ou fungicida, dependendo da concentração. Atua por inibição da biossíntese de 
elementos essenciais à formação da parede do fungo e do seu próprio metabolismo. A droga tem como principal 
indicação o tratamento de infecções por Malassezia, mas atua bem nas dermatomicoses, candidíases e certas 
micoses profundas (blastomices, coccidióides, criptococcus e histoplasma). Para o tratamento das 
dermatomicoses, o cetoconazol apresenta poucas vantagens em relação à griseofulvina, além de ser mais caro e 
tóxico. Existe ainda uma indicação do uso de cetoconazol no tratamento do hiperadrenocorticismo em 
carnívoros. 
 
 
 
 
 
 
b. FARMACOCINÉTICA: 
O cetoconazol é bem absorvido por via oral, mas requer pH baixo para sua completa dissolução, pelo que se 
indica a administração com o estômago vazio (Nunca usar antiácidos concomitantemente!). Após a distribuição 
no organismo, a droga sofre metabolismo parcial no fígado e é eliminada através do leite, bile e urina. 
 
c. CONTRA-INDICAÇÕES E EFEITOS ADVERSOS: 
As principais contra-indicações da droga são gravidez (é teratogênico), lactação, trombocitopenia e insuficiência 
hepática. 
Os efeitos adversos são freqüentemente observados e podem constar de: 
\u2022 Náusea, vômito, dor abdominal, diarréia e hepatotoxicidade; 
\u2022 Tontura, sonolência e fotofobia; 
\u2022 Exantema, prurido e erupção cutânea; 
\u2022 Icterícia, elevação das transaminases e alteração nas provas de função hepática, que normalmente ocorrem 
após tratamentos prolongados. 
 
d. APRESENTAÇÕES COMERCIAIS (humanas): 
Candoral, Cetoconazol, Cetonax e Nizoral. 
 
5. ITRACONAZOL: 
 
a. MECANISMO DE AÇÃO / INDICAÇÕES: 
O itraconazol é um agente fungistático que atua como os demais imidazólicos, ou seja, alterando a membrana 
celular dos fungos sensíveis. Atua contra leveduras, dermatófilos, Aspergillus, Histoplasma, Blastomyces e, no 
homem, Trypanosoma Cruzi. Nos eqüinos, a despeito de seu alto custo, pode ser usado para tratamento de 
osteomielite produzida por Coccidioides immitis. 
 
b. FARMACOCINÉTICA: 
A absorção do itraconazol é altamente dependente do pH gástrico, sendo recomendada sua administração com o 
estômago cheio. Tem um tropismo por áreas ricas em gordura, por ser muito lipossolúvel. O estado de equilíbrio 
é alcançado em 7 a 10 dias e níveis terapêuticos na pele persistem por 2 a 4 semanas após encerrado o 
tratamento. Não deve ser administrado concomitantemente com antiácidos e anti-histamínicos H2 (reduzem a 
absorção) ou fenitoína e rifampicina (reduzem seus níveis plasmáticos). O metabolismo é hepático e os 
metabólitos, farmacologicamente ativos, são eliminados pela urina. 
 
c. CONTRA-INDICAÇÕES E EFEITOS ADVERSOS: 
O itraconazol é teratogênico, devendo ser evitado em gestantes. 
Os principais efeitos colaterais observados relacionam-se ao trato digestivo (anorexia, vômitos e diarréia), 
havendo relatos de hepatotoxicidade. Nos gatos, os efeitos colaterais são mais evidentes e dose-dependentes, 
podendo ocorrer ainda perda de peso e lesão renal mais grave, incluindo icterícia. 
 
d. APRESENTAÇÕES COMERCIAIS (humanas): 
Itranax, Sporanox