Fundamentos de Terapêutica Veterinária
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Fundamentos de Terapêutica Veterinária


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qualidade da prescrição que se 
faz para o mesmo. Assim, precisa o clínico estar atento a certas implicações que envolvem este instrumento. 
A receita deve, sempre que possível, ser sucinta e inteligível; ao fazê-la, entretanto, não se deve privar dos 
preceitos da terminologia técnica. Informações complementares se farão sempre necessárias ao seu bom 
entendimento e serão fornecidas à parte, como esclarecimentos. 
Todo clínico necessita ter, no decorrer de suas atividades, o seu próprio receituário, familiarizando-se com 
determinadas drogas que possam ser usadas em diferentes situações. Os compêndios são bons auxiliares nestas 
ocasiões. 
 
1. FORMATO GRÁFICO: 
Uma receita médico-veterinária não deve ser feita em qualquer pedaço de papel. Além das implicações legais, tal 
ato demonstra um enorme descaso do profissional para com o cliente e é um atestado de desorganização. Os 
blocos de receita devem ser confeccionados numa gráfica, em papel ½ ofício e num padrão pré-determinado,. 
As receitas são constituídas das seguintes partes: 
a. Cabeçalho ou superscrição: Contém os dados do profissional. Obrigatoriamente, devem constar, nº de 
inscrição no Conselho Regional e endereço, podendo ser acrescidos outros dados como CPF/CGC, 
especialidade do profissional e outros; 
b. Identificação: Identifica o animal e seu proprietário; 
c. Inscrição: Indica a droga com sua concentração e quantidade prescrita. É sempre grifada e, opcionalmente, 
pode ser precedida de termos que indicam a via de administração, também grifados: Uso interno, uso 
parenteral, uso tópico e outros; 
d. Subscrição: Pode estar presente quando se prescreve um medicamento magistral, sendo o local onde se 
informa a forma farmacêutica e a quantidade a ser aviada; 
e. Instrução ou indicação: Informa ao proprietário sobre a maneira de se administrar o medicamento. 
Aconselha-se sempre o uso do tempo verbal imperativo nas instruções de uma prescrição; 
 
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f. Assinatura: É a parte final de uma prescrição. Caso o cabeçalho não identifique o profissional (p. ex. 
receituários de clínicas ou hospitais), esta assinatura deve ser obrigatoriamente seguida de aposição de 
carimbo com o nome e inscrição no Conselho Regional do mesmo. 
Observação: Opcionalmente, os blocos de receita podem ter um canhoto contendo a identificação do animal e 
um sumário dos achados clínicos e do tratamento efetuado. Este formato de bloco é especialmente útil para os 
profissionais de campo ou para aqueles que erroneamente não mantêm um arquivo com os dados de seus 
pacientes. 
 
EXEMPLO DE UMA RECEITA: 
 
 
José da Silva 
Médico Veterinário 
CRMV-MG 9999 - CPF 999 999.999/99 
Rua Joaquim Tiradentes, 99- Tel. 999-9999 
Belo Horizonte - MG 
 
 
 Para um Cão (Totó) Ficha nº 5893 
 
 Proprietário João de Souza da Silva 
 
 
 Uso int.: 
 
 
Plasil comp. __________________________________________ 1 cx. 
 
 Dar ao animal 1 comprimido a cada 6 horas, dentro de um pequeno pedaço de carne, até 
cessarem os vômitos. 
 
Assinatura 
CARIMBO 
 
Voltando à consulta, favor trazer esta receita. 
 
 
2. ASPECTOS A SEREM CONSIDERADOS NA PRESCRIÇÃO: 
 
a. PARA QUEM SE VAI RECEITAR: 
\u2022 Espécie: A ação das drogas nas várias espécies animais é extremamente variável. Apenas como exemplos, 
podemos citar a absoluta intolerância dos felinos à maioria dos antinflamatórios não-hormonais e a pouca 
eficiência da xilazina nos eqüinos; 
\u2022 Porte e peso: Deve-se considerar que, de maneira geral, a dose por kg é inversamente proporcional ao porte 
e ao peso do animal. Espécies maiores normalmente requerem uma dose proporcionalmente menor e animais 
obesos podem exigir um ajuste da dose de drogas de baixa lipossolubilidade; 
\u2022 Sexo: O sexo do animal é importante, sobretudo quando se usa, por exemplo, hormônios ou certas drogas 
com efeitos teratogênicos em animais gestantes; 
\u2022 Raça: Algumas drogas podem ter efeitos diversos em diferentes raças, como é o caso da extrema toxicidade 
da ivermectina aos cães Collie; 
\u2022 Idade: Animais muito jovens ou muito idosos, por possuírem respectivamente mielina em formação e 
sistema nervoso em processo de desmielinização, podem sofrer reações colaterais quando do uso de certas 
drogas. Da mesma forma, o metabolismo de algumas substâncias é alterado nestas faixas etárias, devendo ser 
considerado, em alguns casos, um ajuste da dose utilizada; 
 
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\u2022 Tipo de doença: Algumas patologias podem contra-indicar o uso de determinadas drogas ou requerer ajustes 
em suas doses. A maioria das drogas metabolizadas no fígado e/ou excretadas através dos rins devem ser 
cuidadosamente usadas em portadores de insuficiência renal ou hepática respectivamente. 
b. OBJETIVO DA RECEITA: 
Pode ser curativo, sintomático, profilático, dietético ou diagnóstico. 
c. APRESENTAÇÃO DA DROGA: 
c.1. Forma do medicamento: 
As drogas são comercialmente apresentadas sob várias formas, que podem ser: 
\u2022 Líquidas: 
\u2217 Soluções: Misturas homogêneas do soluto (base) com o solvente (veículo). Podem, em alguns casos, 
apresentar-se sob a forma de gotas; 
\u2217 Suspensões: Misturas heterogêneas entre soluto e solvente, sendo que o primeiro se deposita no 
fundo da solução, necessitando homogeneização; 
\u2217 Emulsões: Substâncias oleosas dispersas em meio aquoso, também apresentando separação de 
fases; 
\u2217 Xaropes: Soluções aquosas onde açúcares, em altas concentrações, são utilizados como corretivos; 
\u2217 Elixires / Tinturas: Soluções para uso oral onde o álcool atua respectivamente como veículo ou 
solvente; 
\u2217 Colírios: Soluções ou emulsões para uso nasal, oftalmológico ou otológico; 
\u2217 Loções: Soluções aquosas, alcoólicas ou hidro-alcoólicas para uso tópico; 
\u2217 Linimentos: Similares aos anteriores, mas com veículo oleoso; 
\u2217 Pour-On / Spot-On: Forma farmacêutica na qual o medicamento é aplicado sobre a pele do animal e 
difunde-se por toda a superfície corporal ou é absorvido através da pele. Alguns autores costumam 
diferenciar as duas formas de acordo com o local de aplicação, respectivamente ao longo da linha 
dorsal ou em um pequeno ponto (geralmente na cernelha) da mesma. 
\u2022 Sólidas e semi-sólidas: 
\u2217 Comprimidos: Mistura de droga(s), aglutinante(s) e excipiente prensados mecanicamente; 
\u2217 Drágeas: Similares aos anteriores, mas com revestimento gelatinoso que impede sua desintegração 
nas porções superiores do trato digestivo; 
\u2217 Cápsulas: Droga e excipiente não prensados e colocados num invólucro gelatinoso; 
\u2217 Pílulas: Apresentação onde o aglutinante (excipiente) é viscoso; 
\u2217 Supositórios: Apresentações semi-sólidas para uso retal; 
\u2217 Óvulos e velas: Apresentações semi-sólidas para uso ginecológico, cuja diferença entre si é a forma. 
\u2022 Pastosas: 
São as geléias, cremes, pomadas, ungüentos e pastas, em ordem crescente de viscosidade. Além disto, estas 
apresentações se diferem pelos veículos, que são gelatinosos nas geléias, gordurosos nas pomadas e ungüentos e 
aquosos ou oleosos nos demais. 
Observação importante: A escolha da forma do medicamento deve sempre levar em conta o tamanho do 
animal, a espécie e a possibilidade de administração pelo proprietário. Pode haver dificuldades, por exemplo, na 
administração de grandes comprimidos para animais muito pequenos ou de drogas orais para gatos. Por outro 
lado, a grande maioria dos proprietários tem dificuldade em administração de drogas injetáveis. 
c.2. Concentração: 
É variável em função do porte do animal. Deve-se sempre procurar adequar a apresentação ao porte, para se 
evitar erros de dosagem que inevitavelmente surgirão pela fragmentação excessiva do medicamento. 
d. VIAS DE ADMINISTRAÇÃO: 
\u2022 Vias digestivas: São aquelas cuja aplicação do medicamento se dá no tubo digestivo, ou seja, oral (PO ou 
VO) intra-rumenal e retal. Podem ser indicadas