Fundamentos de Terapêutica Veterinária
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Fundamentos de Terapêutica Veterinária


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Observação: De maneira geral, a administração de antiparasitários é curativa em carnívoros e profilática em 
grandes animais. 
 
3. PROPRIEDADES DESEJÁVEIS EM UM ANTIPARASITÁRIO: 
\u2022 Eficiência: Deve ser capaz de destruir a maior percentagem possível de parasitas, na maioria das fases de seu 
desenvolvimento. A eficiência recomendada é de 95%, sendo que abaixo de 75% o produto é considerado 
ineficiente; 
\u2022 Ser isento de efeitos colaterais: Alguns antiparasitários não têm boa seletividade, atingindo também as 
células do hospedeiro; 
\u2022 Baixa toxicidade ao hospedeiro e ao ambiente; 
\u2022 Não deixar resíduos nos produtos do animal; 
\u2022 Possibilidade de administração por várias vias; 
\u2022 Maior índice terapêutico possível; 
\u2022 Baixo custo; 
\u2022 Facilidade de administração. 
 
4. VIAS DE ADMINISTRAÇÃO: 
\u2022 Parenterais: IM ou SC; 
\u2022 Intra-rumenal: Pode ser perigosa, pela possibilidade de desenvolvimento de peritonite, embora os 
ruminantes tenham grande capacidade de \u201crestringir\u201d estas infecções, reduzindo seu risco; 
\u2022 Oral: Indicada para eqüinos, animais de companhia e no tratamento massal de aves, coelhos e suínos. Pode 
ser utilizada para bovinos, mas a dificuldade de aplicação, sobretudo quando muitos animais devam ser 
tratados, limita o emprego desta via; 
\u2022 Transcutânea ou percutânea: Utiliza formulações do tipo spot-on ou pour-on. Estas preparações contêm 
um veículo especial que permite a absorção da droga pela pele. Apesar de mais caras, facilitam bastante a 
vermifugação de grandes rebanhos; 
\u2022 Bolus: Forma farmacêutica pouco utilizada no Brasil, consiste num comprimido protegido por uma série de 
camadas que, sob ação dos microrganismos rumenais, vai liberando lentamente a droga. 
 
 
 
 
 
 
 
5. FATORES GERAIS RELACIONADOS AO HOSPEDEIRO E AO PARASITA: 
 
a. Hospedeiro: 
\u2022 Espécie e raça: Algumas espécies ou raças não podem receber determinadas drogas, como é o caso dos cães 
Collie em relação à ivermectina; 
\u2022 Idade: Relaciona-se à maturidade dos sistemas enzimático e imunológico; 
\u2022 Carga parasitária; 
\u2022 Peso; 
\u2022 Estado fisiopatológico do animal. 
b. Parasita: Resistência ao antiparasitário. 
 
II. DROGAS CONTRA NEMATÓIDES: 
 
1. BENZIMIDAZÓIS: 
 
a. MECANISMOS DE AÇÃO / ESPECTRO ANTIPARASITÁRIO: 
Como um grupo, os benzimidazóis atuam por inibição da fumarato-redutase, causando quebra na produção de 
energia com conseqüente paralisia muscular e morte do parasita. Mebendazol e flubendazol atuam inibindo o 
transporte da glicose e, provavelmente, fenbendazol e cambendazol possuam ambos os mecanismos. 
De maneira geral, a atuação destas drogas é exclusiva contra nematóides embora algumas delas, como o 
mebendazol, possam ser utilizadas no combate de certos tipos de tênias. 
 
b. FARMACOCINÉTICA: 
\u2022 Os benzimidazóis praticamente não são absorvidos, excetuando-se tiabendazol, albendazol e oxfendazol, que 
possuem absorção significativa; 
\u2022 A eficiência do grupo como um todo está relacionada ao o tempo de contato da droga com o parasita. Assim 
sendo, o tratamento de poligástricos é feito, na maioria dos casos, em dose única, devido às suas 
características digestivas, que permitem uma permanência maior da droga no trato gastrointestinal. Da 
mesma forma, é desejável que a droga apresente baixa solubilidade, pois sua parcela absorvida é 
terapeuticamente ineficiente (a fração insolúvel fica em contato direto com o parasita por maior tempo); 
\u2022 A fração absorvida tem metabolismo hepático e excreção renal. A porção não absorvida é eliminada 
juntamente com as fezes; 
\u2022 Uso em animais de produção: Como um grupo, recomenda-se um período de carência de, no mínimo, 2 
semanas entre administração do vermífugo e o abate para consumo. Para os que quase não são absorvidos, o 
período de carência é de 2 a 3 dias. 
 
c. TOXICIDADE / CONTRA-INDICAÇÕES: 
Os benzimidazóis, por terem no geral absorção mínima, são drogas bastante atóxicas, sendo que, para alguns 
representantes do grupo, não se consegue estabelecer a DL50. 
Sinais de intoxicação, quando acontecem, não são sérios, podendo ocorrer diarréia e vômitos, principalmente em 
cães. As drogas que são absorvidas em quantidades significativas (tiabendazol, albendazol e oxfendazol) podem 
atravessar a placenta e produzir efeitos teratogênicos no terço inicial de gestação e efeitos embriotóxicos em seu 
final, devendo, portanto, ser evitadas em animais gestantes. 
 
d. ALGUMAS PARTICULARIDADES INDIVIDUAIS: 
\u2022 Albendazol: Em vacas, não deve ser administrado nos primeiros 45 dias de gestação ou nas lactantes. Cães 
podem apresentar anorexia e gatos letargia discreta e depressão. Altamente eficiente, é a droga de escolha 
para ruminantes; 
\u2022 Fenbendazol: Tem sido muito empregado no tratamento de animais e aves silvestres, eqüinos, bovinos e 
cães, por ser quase atóxico e extremamente eficiente. A pequena fração que é absorvida é metabolizada (e 
vice-versa) em oxfendazol. Carnívoros devem ser tratados com doses múltiplas (3 dias) e raramente 
apresentam vômitos como efeito colateral; 
\u2022 Mebendazol: Barato e eficiente, o mebendazol deve ser repetido após 3 semanas pois, por não atingir as 
larvas teciduais, podem ocorrer reinfestações; 
 
 
\u2022 Oxibendazol: É uma das melhores opções para eqüinos. Não deve ser usado em cavalos muito debilitados ou 
portadores de cólicas, toxemia ou doença infecciosa. É uma droga segura para éguas penhes; 
\u2022 Oxfendazol: É o mais absorvido dos benzimidazóis pelo trato gastrointestinal, sendo metabolizado (e vice-
versa) em fenbendazol. Deve ser usado com cautela em animais debilitados e é relativamente seguro para 
potros. Por ser uma droga muito tóxica e cara, está em desuso atualmente; 
\u2022 Tiabendazol: É uma droga segura na gestação, mas tem sido responsabilizada por alguns autores como 
causadora de toxemia em cabras. Pode competir com as xantinas pelo sítio metabólico hepático, 
determinando aumento dos níveis plasmáticos destas. Os cães podem apresentar como efeitos adversos 
vômito, diarréias, perda de peso, letargia e, muito raramente, necrólise epidérmica tóxica, sobretudo quando 
se faz tratamentos prolongados e com doses altas; animais da raça Dachshund são particularmente mais 
sensíveis. Ata também como acaricida e fungistático. Pela sua alta toxicidade, está em desuso atualmente. 
 
e. APRESENTAÇÕES COMERCIAIS: 
\u2022 Albendazol: Albendathor (V), Valbazen (V), Albendazol (H), Alben (H), Mebenix (H) e Zentel (H); 
\u2022 Cambendazol: Cambendazole (V) e Cambem (H); 
\u2022 Fenbendazol: Drontal Plus (V), Equifen (V) e Panacur (V); 
\u2022 Flubendazol: Não possui apresentações comerciais no Brasil; 
\u2022 Mebendazol: Duprazol Susp. (V), Telmin (V), Mebendazole (H,V), Pantelmin (H) e Necamin (H); 
\u2022 Oxfendazol: Synantic (V) e Systamex (V); 
\u2022 Oxibendazol: Equitac (V) Gelminthe (V) e Oxibendazole (V); 
\u2022 Parbendazol: Não possui apresentações comerciais no Brasil; 
\u2022 Tiabendazol: Bulvermin (V), Vermífugo Duprat (V), Foldan Pomada (H) Thiabendazol (H) e Helmiben (H); 
\u2022 Tiofonato: Não possui apresentações comerciais no Brasil. 
 
2. IMIDATIAZÓIS: 
 
2.1. TETRAMISOL / LEVAMISOL: 
 
a. MECANISMO DE AÇÃO / ESPECTRO ANTIPARASITÁRIO: 
Causam paralisia neuromuscular por bloqueio da fumarato-redutase e inibição das colinesterases. Atuam contra 
nematóides gastrointestinais e pulmonares, sendo a droga de escolha para estes últimos. 
O tetramisol é uma mistura racêmica dos isômeros levógiro e dextrógiro, ao passo que o levamisol é constituído 
apenas pelo levógiro. Como o isômero dextrógiro é mais tóxico e destituído de ação terapêutica, pode-se 
concluir que a escolha deve sempre recair sobre o levamisol. 
O levamisol apresenta ainda uma ação imunoestimulante, por restaurar o número de linfócitos T e estimular a 
fagocitose pelos monócitos. Este efeito é mais evidente em animais imunodeprimidos. 
 
b. FARMACOCINÉTICA: 
Ambas as drogas podem ser administradas