Fundamentos de Terapêutica Veterinária
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pelas vias oral, subcutânea ou transcutânea, sendo a absorção 
equivalente por todas elas. As duas drogas são parcialmente metabolizadas no fígado e eliminadas pela urina 
(principal), fezes e leite. 
 
c. TOXICIDADE / CONTRA-INDICAÇÕES: 
Os imidatiazóis são contra-indicados em animais lactantes, excessivamente debilitados ou portadores de 
insuficiência hepática ou renal. Deve ser usado com cautela (ou adiada a aplicação) em animais estressados por 
vacinação, descorna ou castração. 
Sinais de intoxicação são semelhantes àqueles produzidos por organofosforados, incluindo sialorréia, 
hiperestesia, irritabilidade, excitação, convulsões clônicas, depressão do SNC, dispnéia, hiperventilação, 
defecação e micção involuntárias; na intoxicação aguda, podem ocorrer arritmias e insuficiência respiratória. 
Mesmo em doses terapêuticas, os animais tratados apresentam certo grau de excitação e sialorréia, pelo que se 
recomenda mantê-los presos por 1-2 horas após a aplicação. Eqüinos e carnívoros são mais susceptíveis a 
intoxicações, principalmente os primeiros, onde a DL50 é apenas o dobro da dose terapêutica (7,5 mg/kg) e estas 
drogas são expressamente contra-indicadas. Em cães, o levamisol é utilizado exclusivamente como um 
imunoestimulante, numa dose bem baixa (2 mg/kg). Aves são mais resistentes, pois seu metabolismo é muito 
acelerado e, por isto, deve-se administrar doses altas a intervalos curtos. 
 
 
O período de carência é de 2 dias para consumo de leite e 7 dias para a carne. 
 
d. INTERAÇÕES MEDICAMENTOSAS: 
Os imidatiazóis têm sua toxicidade aumentada pelo uso concomitante de drogas nicotínicas (pirantel, morantel e 
dietilcarbamazina) e inibidores das colinesterases (organofosforados e neostigmina); a associação ao 
cloranfenicol pode ser fatal. A reação imune e a eficiência das vacinas contra Brucella abortus são aumentadas 
pela administração simultânea de levamisol. 
e. APRESENTAÇÕES COMERCIAIS: 
\u2022 Levamisol: Ripercol (V) e Ascaridil (H); 
\u2022 Tetramizol: Citec (V) e Tetramizol (V). 
 
2.2. FEBANTEL: 
 
Sua estrutura química é semelhante à do levamisol, mas quando metabolizado, produz substâncias semelhantes 
ao fenbendazol e ao oxfendazol. Atualmente, existe apenas no Brasil em alguns vermífugos compostos para 
carnívoros (p. ex. Drontal Plus). 
 
3. TETRAIDROPIRIMIDINAS: (Pamoato de pirantel): 
 
a. MECANISMO DE AÇÃO / ESPECTRO ANTIPARASITÁRIO: 
O pirantel determina um bloqueio neuromuscular despolarizante, causando relaxamento da musculatura e 
desprendimento do parasito. É especialmente indicado para o tratamento de nematóides gastrointestinais do cão, 
principalmente Ancylostoma e ascarídeos. 
 
b. FARMACOCINÉTICA: 
\u2022 Absorção / Vias de administração: A via de administração é a oral. O efeito é muito maior em 
monogástricos, devido ao seu pH estomacal que favorece a atuação da droga. 
\u2022 Metabolismo: A pequena quantidade da droga absorvida é metabolizada no fígado. 
\u2022 Excreção: O pamoato de pirantel é excretado quase que exclusivamente pelas fezes. 
 
c. TOXICIDADE / CONTRA-INDICAÇÕES: 
Devido à sua alta DL50, os efeitos colaterais são raros, limitando-se geralmente a perturbações do trato 
gastrointestinal. 
 
d. APRESENTAÇÕES COMERCIAIS: 
Canex (V), Drontal (V), Drontal Plus (V) e Ascarical (H). 
 
OBSERVAÇÃO: Outras tetraidropirimidinas menos usadas: 
\u2022 Pamoato de pirvínio: Pyr-Pan (H). 
\u2022 Tartarato de morantel: Não possui apresentações comerciais no Brasil. 
 
4. ORGANOFOSFORADOS (Triclorfon = Metrifonato): 
 
a. MECANISMO DE AÇÃO / ESPECTRO ANTIPARASITÁRIO: 
Atuam por inibição irreversível das acetilcolinesterases, determinando interferência na transmissão 
neuromuscular com conseqüente morte do parasito. Embora atinjam a uma ampla variedade de parasitos, sua 
toxicidade fez com que os mesmos deixassem de ser usados na maioria dos casos. Atualmente, ainda têm sido 
indicados para o tratamento de ectoparasitoses e da habronemose eqüina, embora não constituam a primeira 
escolha. 
 
 
 
 
 
 
 
b. FARMACOCINÉTICA: 
O triclorfon pode ser usado pela via intramuscular, para o tratamento de endoparasitoses, ou pela via tópica, para 
ectoparasitos. Quando usado topicamente, grande parte da droga é absorvida pela pele, podendo facilmente 
determinar intoxicações. 
 
c. TOXICIDADE: 
Os sinais clínicos manifestados na intoxicação por organofosforados relacionam-se com sua ação sobre o sistema 
nervoso autônomo. Podem ocorrer ataxia, cólica, diarréia, tremores musculares, sialorréia e broncoespasmo. O 
sinal patognomômico da intoxicação é a miose extrema. 
Nas intoxicações por organofosforados, o antídoto é a atropina, na dose de 0,2 a 2,0 mg/kg (aplicar ¼ da dose via 
EV lento e o restante SC). A observação da pupila também é útil no tratamento, pois a reversão da miose é um 
indicativo da eficiência do mesmo. 
 
d. APRESENTAÇÃO COMERCIAL: 
Neguvon Injetável (V). 
 
5. AVERMECTINAS: 
 
a. MECANISMO DE AÇÃO / ESPECTRO ANTI-HELMÍNTICO: 
As avermectinas atuam determinando um aumento na liberação de GABA, causando dificuldade de transmissão 
do impulso nervoso e conseqüente paralisia do parasita. Têm efeito positivo contra a maioria dos nematóides, 
bernes, miíases e sarnas (droga de escolha, com exceção da demodécica). A ação contra carrapatos é variável e 
são inefetivas contra cestóides, trematóides, pulgas, piolhos e sugadores em geral, nos quais o GABA não é 
essencial como neurotransmissor periférico. 
 
b. FARMACOCINÉTICA: 
As vias usuais de administração são a oral, subcutânea ou transcutânea. A absorção após administração oral é 
boa (mais rápida que por via SC), exceto nos ruminantes que, por inativarem parcialmente a droga no rúmen, 
absorvem apenas 25-30% do total. 
A distribuição é ampla mas, em doses normais, não atinge o SNC em quantidades significativas. Exceção a esta 
regra são alguns cães pastores (Collie, Old English Sheepdog e seus mestiços), onde uma maior permeabilidade 
da barreira hemato-encefálica faz com que a droga possa atingir o SNC, causando intoxicação. 
O metabolismo é hepático e a eliminação primariamente se dá pelas fezes, embora pequena quantidade possa 
aparecer na urina. 
 
c. TOXICIDADE: 
O índice terapêutico é muito grande (em algumas espécies, até 10 vezes a dose terapêutica), sendo que as aves, 
devido ao seu alto metabolismo, suportam doses de até 1,5 mg/kg. Os sinais de intoxicação incluem: 
\u2022 Eqüinos: Edema e prurido na linha ventral, resultantes de reações de hipersensibilidade produzidas pelas 
larvas mortas de Onchocerca spp; 
\u2022 Bovinos: Edema e desconforto no sítio da injeção; 
\u2022 Gatos: Geralmente os sinais aparecem 10 horas após a ingestão e consistem em agitação, vocalização, 
anorexia, midríase, paresia dos posteriores, tremores, desorientação, cegueira e ausência de reflexos oculares; 
\u2022 Aves: Anorexia, letargia e morte, sendo os periquitos australianos e bicos-de-lacre as espécies mais 
susceptíveis; 
\u2022 Em todas as espécies podem ser observados, na intoxicação aguda, letargia, desidratação, perda de peso, 
recumbência lateral e midríase. 
Não há um antídoto específico e o tratamento das intoxicações deve ser feito sintomaticamente. 
 
d. APRESENTAÇÕES COMERCIAIS: 
\u2022 Doramectina: Dectomax (V); 
\u2022 Ivermectina: Ivomec (V), Oramec (V), Eqvalan (V) e Cardomec (V); 
\u2022 Moxidectina: Cydectin (V). 
 
 
6. COMPOSTOS HETEROCÍCLICOS (PIPERAZINA): 
 
Droga de uso restrito na atualidade, tem um espectro antiparasitário reduzido, só apresentando boa eficiência 
contra ascarídeos. A exemplo de outras drogas já citadas, a piperazina também causa um bloqueio 
neuromuscular no parasito, mas insuficiente para matá-lo. Desta forma, são comuns as reinfestações e a presença 
de vermes vivos nas fezes. Atualmente, seu uso é restrito à terapêutica massal de aves e suínos. A toxicidade é 
baixa, mas pode causar alterações de SNC quando administrada