Fundamentos de Terapêutica Veterinária
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Fundamentos de Terapêutica Veterinária


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2. Farmacocinética: A droga é rapidamente absorvida pelo estômago e porção inicial do intestino delgado de 
monogástricos, embora esta absorção dependa de fatores como conteúdo estomacal, tempo de esvaziamento 
gástrico, pH e velocidade de desintegração do comprimido. A absorção é mais lenta nos ruminantes, mas 
aproximadamente 70% da dose oral chega à corrente circulatória. Algumas preparações possuem um 
revestimento que só permite a desintegração do comprimido no intestino e outras são tamponadas, evitando 
a irritação gástrica causada pelo seu pH muito baixo. O metabolismo é hepático, primariamente por 
conjugação com a glicina e com o ácido glicurônico. A exemplo da espécie humana, provavelmente nos 
animais domésticos a velocidade do metabolismo seja proporcional à velocidade da eliminação da droga. Os 
gatos, por terem dificuldade de metabolização por esta via, são mais susceptíveis a intoxicações, devendo ter 
ajustes nos intervalos entre doses. A excreção é quase totalmente renal, embora pequenos níveis da droga 
possam ser detectados no leite. 
 
 
3. Particularidades: A aspirina é um dos AINES que mais interfere com a integridade do TGI, principalmente 
quando há uso crônico e/ou em doses altas. Ação direta sobre as prostaglandinas, pH muito baixo e 
interferência com a coagulação podem determinar sangramentos digestivos sérios. O uso de formulações 
com revestimento entérico ou tamponadas minimiza estes efeitos. 
4. Contra-indicações, precauções e efeitos adversos: Devido à sua alta taxa de ligação à albumina 
plasmática, a aspirina deve ter sua dose reduzida em pacientes portadores de hipoalbuminemia. Gatos e 
recém nascidos, devido à sua dificuldade de metabolização, devem receber doses pequenas a intervalos 
grandes. Sinais de superdosagem em carnívoros incluem depressão, vômitos (às vezes com sangue), 
anorexia, hipertermia e taquipnéia. Inicialmente ocorre alcalose respiratória seguida de profunda acidose 
metabólica. Se nenhuma medida for adotada, fraqueza muscular, edema cerebral e pulmonar, hipernatremia, 
hipocalemia, ataxia e convulsões ocorrem, podendo culminar em coma e morte do animal. 
5. Interações medicamentosas: Os alcalinizantes urinários (p.ex. acetazolamida e bicarbonato de sódio) 
aumentam a excreção, enquanto que os acidificantes têm ação inversa. Os inibidores da anidrase carbônica 
podem agravar a acidose e aumentar a possibilidade de toxicidade dos salicilatos ao SNC. A furosemida 
compete com a excreção da aspirina, aumentando o risco de intoxicação. Os corticosteróides reduzem os 
níveis séricos da aspirina e aumentam os riscos de sangramento digestivo. Os antiácidos presentes nas 
formulações tamponadas podem quelar as tetraciclinas. Existem suspeitas de que a aspirina possa aumentar 
a nefrotoxicidade dos aminoglicosídeos. 
6. Apresentações comerciais (humanas): AAS, Ácido Acetilsalicílico, Aspirina, Buferin (tamponada) e 
Ronnal (com revestimento entérico). 
 
OUTROS SALICILATOS: O próprio ácido salicílico e o salicilato de sódio são drogas em desuso atualmente, 
porque não apresentam qualquer vantagem em relação à aspirina e são muito mais tóxicos que esta. Olsalazina e 
sulfasalazina (Azulfin e Salazoprin, H) são dois compostos empregados como antinflamatórios intestinais, 
\especialmente indicados em casos de colites crônicas. São pouco utilizados em medicina veterinária. 
 
II. ACETAMINOFENO (= PARACETAMOL): 
 
1. Indicações: O acetaminofeno possui propriedades analgésicas e antipiréticas similares às da aspirina, mas 
não atua de maneira satisfatória como antinflamatório. Em medicina veterinária, é utilizado apenas em cães 
e eqüídeos. 
2. Farmacocinética: O acetaminofeno é rapidamente absorvido após ingestão oral e amplamente distribuído 
por todo o organismo. O metabolismo é hepático, principalmente por conjugação com o ácido glicurônico, o 
que desaconselha seu uso em felinos. A excreção é renal. 
3. Particularidades: Ao contrário da aspirina, o acetaminofeno interfere pouco na integridade da mucosa do 
TGI e na coagulação, constituindo uma opção terapêutica para pacientes portadores de úlceras gástricas e 
coagulopatias. Seu metabolismo é completamente diferente nos cães em relação aos humanos, motivo pelo 
qual nunca se deve utilizar doses humanas para estes animais, pois fatalmente levam a intoxicação aguda. 
4. Contra-indicações, precauções e efeitos adversos: O acetaminofeno é uma droga pouco tóxica se 
empregada nas dosagens recomendadas e por períodos de tempo curtos. Além dos efeitos colaterais comuns 
aos AINES, pode ser nefrotóxico, hepatotóxico e causar reações alérgicas cutâneas. Esta hepatotoxicidade é 
dose-dependente e pode ser fatal. Os felinos apresentam, com qualquer dosagem, metemoglobinemia 
severa, hematúria, icterícia, depressão e morte. 
5. Apresentações comerciais (humanas): Calpol e Tylenol. 
 
III. DICLOFENACO SÓDICO: 
 
O diclofenaco sódico é uma droga com alta potência antinflamatória e analgésica, amplamente utilizado na 
medicina humana para as mais variadas condições. Em veterinária, tem sido empregado experimentalmente em 
bovinos no tratamento de miosites e artrites não infecciosas, na dose de 1 mg/kg. O uso em carnívoros é 
absolutamente contra-indicado, pois ocorrem sangramentos gástricos após poucas administrações. Apresentações 
comerciais humanas: Cataflam e Voltarem. 
 
 
 
IV. CARPROFENO: 
 
1. Indicações: O carprofeno é um potente antinflamatório, indicado no tratamento de alterações músculo-
esqueléticas de cães e eqüídeos, embora nestes últimos o custo do tratamento o torne inviável. Possui 
também uma ação analgésica fraca e citações de literatura indicam sua segurança para gatos em dose única. 
2. Farmacocinética: O carprofeno é rapidamente absorvido após ingestão oral e amplamente distribuído por 
todo o organismo. Como nos demais AINES, há metabolismo hepático e excreção renal. 
3. Particularidades: O carprofeno inibe mais significativamente a COX-2 que a COX-1, o que o torna mais 
tolerado pelos cães. É um dos poucos AINES que pode ser utilizado por períodos tão longos quanto 2 
semanas sem que haja riscos sérios à saúde do animal. A meia-vida plasmática relativamente longa permite 
que seja administrado duas vezes ao dia, o que é um conforto para o proprietário. 
4. Contra-indicações, precauções e efeitos adversos: Em linhas gerais, o carprofeno apresenta os mesmos 
riscos dos demais AINES, mas somente com altas doses e tratamentos prolongados observam-se reações 
adversas. 
5. Apresentação comercial veterinária: Rimadyl. 
 
V. CETOPROFENO: 
 
1. Indicações / Particularidades: O cetoprofeno apresenta propriedades similares aos demais AINES, 
possuindo atividade antipirética, analgésica e antinflamatória. A droga é primariamente indicada para o 
tratamento de processos inflamatórios músculo-esqueléticos, principalmente em eqüinos e cães. Atualmente, 
tem sido empregada em inúmeras espécies, inclusive exóticas. 
2. Farmacocinética: A absorção oral é boa, mas sofre interferência do conteúdo gástrico. A via subcutânea 
deve ser evitada, pois com frequência determina reações locais. Os níveis plasmáticos determinados pelas 
diversas vias de administração parecem ser semelhantes. Há um metabolismo hepático e eliminação renal. 
3. Contra-indicações / Precauções/ Efeitos colaterais: O cetoprofeno é contra-indicado em pacientes com 
histórico de ulcerações gástricas ou portadores de alterações hematológicas e de medula óssea. O uso em 
animais gestantes é controverso e deve, sempre que possível, ser evitado. A droga é considerada como mais 
segura para eqüinos quando comparada a fenilbutazona e flunixina meglumina. Lesões ulcerativas do trato 
gastrointestinal, necrose renal e hepatite são achados raros, mas que podem ocorrer. 
4. Apresentações comerciais: Ketofen (V) e Profenid (H). 
 
VI. MELOXICAM: 
 
O meloxicam é um