Fundamentos de Terapêutica Veterinária
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Fundamentos de Terapêutica Veterinária


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radicais livres das células da glia, das membranas de células vasculares e da mielina é um fenômeno 
progressivo que se espalha através das superfícies das membranas celulares. Isto leva ao prejuízo dos sistemas 
dependentes de fosfolipídeos, rompimento dos gradientes de íons e até mesmo a lise potencial da membrana 
celular. 
Os 21-aminoesteróides (lazaróides) parecem ser potentes inibidores da peroxidação lipídica de membrana 
induzida pelos radicais livres derivados do oxigênio. O mesilato de tirilazad, que tem sido amplamente estudado, 
parece apresentar múltiplas atividades, incluindo propriedade de estabilizar a membrana diretamente, inibir a 
peroxidação lipídica e proteger as proteínas celulares por mecanismos antioxidantes diretos. 
Entretanto, pensando nisto, não é possível, a partir de um único modelo experimental, predizer que o tirilazad 
atue apenas inibindo a peroxidação lipídica. Talvez o uso concomitante do tirilazad com outras drogas 
antiinflamatórias aumente a eficácia do tratamento das inflamações sistêmicas. 
 
 
LEITURA SUPLEMENTAR RECOMENDADA: 
 
 
COATES, J.R., SORJONEN, D.C., SIMPSON, S.T., et al. Clinopathology effects of a 21-aminosteroid 
compound (U 74389G) and high dose methylprednisolone on spinal cord function after simulated spinal cord 
trauma. Veterinary Surgery, v. 24, p. 128-39, 1995. 
HOWE, L.M. Treatment of endotoxic shock: Glucocorticoids, lazaroids, nonsteroidals, others.. Veterinary 
Clinics of North America \u2013 Small Animal Practice, v. 28, n. 2, p. 249-267, 1998. 
 
 
 
 
 
 
 
 
TERAPÊUTICA DA PELE E ANEXOS 
 
 
I. INTRODUÇÃO: 
 
A base farmacológica da terapêutica dermatológica é singular e interessante. Uma melhor compreensão da 
fisiologia do tecido cutâneo permite, hoje em dia, uma associação da considerável arte da dermatologia com a 
crescente base científica. Aspectos peculiares da dermatofarmacologia incluem o fato de que o tecido alvo, a 
pele, também é via de administração da droga. A pele pode funcionar como reservatório de drogas e como local 
de metabolismo das mesmas. 
O alvo em si mesmo é um órgão imunologicamente ativo e sua manipulação farmacológica pode ter efeitos 
profundos sobre os processos sistêmicos. 
Os efeitos dos medicamentos podem ser monitorizados direta e continuamente, embora nem sempre 
quantitativamente. A maioria das drogas utilizadas no tratamento de doenças dermatológicas também é 
empregada no tratamento de distúrbios de outros sistemas orgânicos. 
 
II. CONSIDERAÇÕES GERAIS PARA O USO DE DROGAS NA TERAPÊUTICA DERMATOLÓGICA: 
 
1. VEÍCULOS: 
A absorção percutânea é afetada principalmente de duas maneiras pelo veículo em que é dissolvida a droga: 
a. O veículo pode hidratar o extrato córneo, inibindo a perda transepidérmica de água. Quanto mais oclusivo o 
veículo (emulsões oleosas insolúveis em água, pomadas inertes e outros), maior a hidratação e a 
permeabilidade; 
b. Uma alteração no veículo pode mudar o coeficiente de liberação da droga entre este e a barreira. Uma baixa 
solubilidade da droga no veículo limita sua dissociação, podendo com isto reduzir a taxa de absorção. 
A inflamação cutânea recente e/ou úmida pode responder bem a veículos aquosos (p.ex. loções). A inflamação 
crônica de longa duração muitas vezes melhora com hidratação fornecida por veículos lipofílicos (creme e 
pomadas). Já os ungüentos e as pastas, por serem mais viscosos, formam uma camada espessa sobre a ferida, 
exigindo limpeza rigorosa antes de uma nova aplicação. Nas feridas úmidas, como as lesões dos espaços 
interdigitais, os pós (base e veículo inerte, como talco ou amido) funcionam adequadamente. 
 
2. PERMEABILIDADE DA PELE: 
A permeabilidade é inversamente proporcional à espessura do extrato córneo. Assim, porções de pele muito 
queratinizadas podem exigir a utilização de um emoliente para propiciar melhor atuação da base principal. 
 
3. INFLAMAÇÃO: 
Alterações na "barreira" da pele por lesões ou inflamações tendem a aumentar a permeabilidade da mesma a 
diversas drogas. Como exemplo pode-se citar o aumento da absorção da hidrocortisona em animais jovens 
portadores de dermatite grave. 
 
III. MEDICAMENTOS PARA USO TÓPICO: 
 
1. EMOLIENTES: 
São gorduras ou óleos utilizados como hidratantes, protetores, para amolecer a pele e como veículos para outras 
substâncias. Criam ainda uma camada oclusiva sobre a pele, isolando-a parcialmente do ambiente e evitando seu 
ressecamento. Os principais produtos utilizados são os óleos vegetais (oliva, algodão, milho e amendoim), 
gorduras animais (lanolina), hidrocarbonetos (vaselina e parafina líquida) e cera de abelhas purificada. 
 
2. DEMULCENTES: 
Grupo de compostos de alto peso molecular, que formam soluções aquosas capazes de aliviar a irritação de 
mucosas e áreas descamadas. Quimicamente, classificam-se como gomas, mucilagens e amiláceos e, quando 
 
 
aplicados sobre a pele, revestem sua superfície e a protegem, de maneira mecânica, contra o contato do ar ou de 
agentes mecânicos. Neste grupo, estão incluídos a metilcelulose, glicerina, etilenoglicol e propilenoglicol. 
 
3. PROTETORES E ABSORVENTES: 
Embora as anteriores tenham também função protetora, o termo é reservado a substâncias insolúveis e inertes 
que formam uma capa aderente, contínua e flexível quando aplicados sobre a pele. Sua função é evitar o atrito, 
reduzir a irritação tecidual e absorver toxinas e detritos exudativos. Talco, óxido de zinco e magnésio, amido, 
ácido bórico, sais de bismuto e calamina (Caladryl, H) são alguns dos representantes do grupo, sendo esta última 
droga especialmente indicada para queimaduras superficiais. 
 
4. ADSTRINGENTES: 
Drogas de uso tópico que precipitam proteínas, atuando apenas na superfície das células. Deste modo, a 
permeabilidade das membranas é muito reduzida, mas a célula continua viável, embora possa haver lesões em 
células sadias se a concentração usada for muito alta. A ação final é uma redução da exudação e uma certa 
remoção de tecidos inviáveis. Em medicina veterinária, são utilizados principalmente o ácido tânico, acetato de 
alumínio (= solução de Burrow), nitrato de prata a 0,25%, permanganato de potássio 1:1.000-1:30.000 e ácido 
metacresolsulfônico (Albocresil) bem diluído. 
 
5. CERATOLÍTICOS: 
Substâncias que removem a queratina, podendo ser utilizadas isoladamente ou como adjuvantes de drogas que 
atuam nas camadas mais profundas da pele. São eficientes para o tratamento de calos, verrugas e grandes 
cicatrizes, a fim de promover a remoção de quelóides; podem também ser utilizados nas dermatofiloses. Os 
principais ceratolíticos são o resorcinol e os ácidos salicílico e benzóico. 
 
6. ANTI-SEBORRÉICOS: 
Os compostos anti-seborréicos podem ser ceratolíticos e/ou ceratoplásticos. Os agentes ceratolíticos removem a 
queratina, enquanto que os ceratoplásticos atuam promovendo a normalização da cinética da epiderme e da 
queratinização, geralmente por efeito citostático na camada basal da epiderme. São comumente usados na clínica 
dermatológica veterinária sob a forma de xampus e indicados para o tratamento de algumas dermatites 
seborréicas e dermatoses inespecíficas acompanhadas de secreção sebácea excessiva. Os principais agentes são o 
enxofre, sulfureto de selênio (Selsun, H), ácido salicílico (Sastid, H) e peróxido de benzoíla (Peroxydex, H e V). 
 
7. ANTIPRURIGINOSOS: 
Agentes antipruriginosos tópicos determinam alívio temporário, mas quase nunca funcionam como drogas 
isoladas, pois possuem efeito fugaz. Podem ser benéficos se usados em pequenas áreas de prurido localizado. De 
maneira geral, apenas os corticosteróides, tópicos ou sistêmicos, funcionam bem, sobretudo em carnívoros. 
 
8. HEMOSTÁTICOS: 
Indicados para ferimentos hemorrágicos da pele e mucosas. A causa primária deverá sempre ser removida, para 
que não haja o retorno do sangramento. São eficientes