Fundamentos de Terapêutica Veterinária
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Fundamentos de Terapêutica Veterinária


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apenas para pequenos hemorragias. Esponjas de gelatina, 
espuma de fibrina, adrenalina e cloreto ferroso são os representantes deste grupo. 
 
9. DEBRIDANTES: 
Removem os tecidos inviáveis, possuindo ação semelhante aos adstringentes, mas com maior potência. Os tipos 
de debridamento medicamentoso e suas respectivas drogas são: 
a. Debridamento enzimático: 
Indicado naqueles casos onde o debridamento cirúrgico não é possível, tais como animais de alto risco 
anestésico, áreas onde haja possibilidade de danos a tecidos adjacentes e feridas ou queimaduras contaminadas. 
As principais desvantagens do debridamento enzimático são o prolongado tempo de tratamento e o alto custo do 
mesmo. As enzimas utilizadas têm diferentes mecanismos de ação, mas a maioria é proteolítica e/ou fibrinolítica. 
As principais enzimas e suas apresentações comerciais são tripsina/quimiotripsina (Thiomucase creme), 
estreptoquinase/estreptodornase (Varidase), colagenase (Iruxol) e fibrolisina (Fibrase), todas de uso humano. 
 
 
 
b. Debridamento químico: 
De maneira geral, os debridantes químicos retardam a cicatrização, pois têm baixa especificidade para o tecido 
inviável, podendo lesar também o sadio. As principais drogas utilizadas são: 
\u2022 Hipoclorito de sódio: Utilizado em baixas concentrações (0,5%), numa solução denominada Líquido de 
Dakin; 
\u2022 Sulfonamidas + uréia: A uréia remove o excesso de água da ferida, determina um pH adequado para a 
atuação da sulfa e neutraliza certos antagonistas da mesma. Assim, tem-se uma associação das propriedades 
antibacterianas da sulfonamida com as debridantes da uréia. Não deve ser usada em feridas extensas, pois 
podem haver grandes perdas de fluidos, eletrólitos e proteínas. Apresentação comercial (V): Sulfinpó; 
\u2022 Polímero do ácido metacresolsulfônico: Possui pH muito baixo (1-3), promovendo completa remoção do 
tecido desvitalizado sem interferir com o tecido são. Deve ser usado diluído de acordo com a extensão da 
lesão. Tem ainda propriedades adstringentes e hemostáticas. Apresentação comercial (H): Albocresil. 
 
10. AGENTES DIVERSOS: 
 
a. Insulina: 
O uso tópico de insulina é tido como promotor de debridamento e cicatrização de feridas. É indicada apenas nas 
feridas crônicas e contaminadas, não atuando em ferimentos \u201cnovos\u201d como, por exemplo, os cirúrgicos. Durante 
as primeiras 24 horas, a insulina é um agente debridante e, a partir daí, estimula a deposição de gorduras, a 
síntese de proteínas (inclusive do colágeno) e restaura a glicólise das células desvitalizadas, acelerando o 
processo cicatricial. Usa-se uma associação de 10 UI de insulina NPH ou PZI por grama de Furacin Pomada (H, 
V); a mistura resultante deve ser mantida sob refrigeração e aplicada 2 vezes ao dia. Quando a área a ser tratada 
é muito extensa, a glicemia deve ser monitorada, pois como a insulina é bem absorvida pela pele lesada, podem 
ocorrer episódios de hipoglicemia. 
 
b. Açúcar: 
Uma pasta contendo açúcar cristal e uma pequena quantidade de glicerina pode ser usada em grandes úlceras 
necróticas ou isquêmicas. O açúcar atua como irritante, estimulando o tecido de granulação; seu pH ácido produz 
vasodilatação com conseqüente melhora do aporte sangüíneo e a hiperosmolaridade por ele produzida inibe o 
crescimento bacteriano. Quando se usa açúcar, deve estar-se alerta para um aumento da natural tendência do 
animal em lamber a área ferida. 
 
c. Dimetilsulfóxido (DMSO): 
O DMSO possui alguma atividade antinflamatória, antibacteriana e antifúngica, mas seu principal efeito 
terapêutico é a grande penetração na pele após aplicação tópica, por provocar modificações na permeabilidade da 
mesma. Assim, o DMSO aumenta de 5 a 25 vezes a absorção percutânea de uma série de drogas, sendo indicado 
principalmente como veículo para outras substâncias. Seu uso prolongado (mais de 14 dias) pode causar 
alterações na lente do animal. 
 
IV. TERAPÊUTICA ESPECÍFICA PARA ALGUMAS AFECÇÕES CUTÂNEAS: 
 
1. FERIDAS: 
O principal ato no tratamento de uma ferida é sua limpeza através de lavagem. A lavagem remove debrís, separa 
partículas dos tecidos e remove, dilui ou reduz o número de bactérias presentes. O melhor método é usar uma 
solução anti-séptica (p.ex. à base de iodopovidona), aplicada sob pressão com um irrigador ou, na ausência deste, 
com uma seringa grande acoplada a uma agulha calibrosa. Após completa limpeza da ferida, que deve ocorrer 2 
vezes ao dia, a mesma deve ser seca e receber fina camada de pomada antimicrobiana. Recursos auxiliares 
incluem antibióticos sistêmicos, insulina, açúcar e outros. A aplicação de bandagens só deve ser feita se há 
interferência do animal ou de outros fatores externos (p.ex. moscas) sobre a ferida, pois sua oclusão retarda a 
cicatrização. Os repelentes de insetos podem ser usados, mas sempre ao redor da ferida e nunca sobre ela. 
2. PIODERMATITES: 
As piodermatites incluem um conjunto de alterações cujo denominador comum é a presença de uma infecção 
cutânea piogênica. Cada tipo possui um tratamento particularizado, baseado na sintomatologia, mas algumas 
medidas podem ser empregadas em quase todos eles. 
 
 
\u2022 Corte dos pelos ao redor das lesões úmidas, visando uma melhor higienização e aeração da área, além de 
tornar mais fácil a aplicação tópica de medicamentos; 
\u2022 Limpeza diária da área lesada, preferivelmente com o uso de uma solução anti-séptica; 
\u2022 Prevenção da automutilação, com a colocação de colares protetores; 
\u2022 Utilização, nas dermatites \u201csecas\u201d, de ceratolíticos; 
\u2022 Utilização de antibioticoterapia, que deve, sempre que possível, ser precedida de antibiograma. 
Cefalosporinas de 2ª geração e sulfametoxazol-trimetoprim são boas indicações. 
3. ESCABIOSES: 
As escabioses são tratadas com sucesso através da ivermectina. Nas raças onde seu uso não é recomendado, 
pode-se optar pelo amitraz. O uso de um corticosteróide nos primeiros dias de tratamento é indicado, para 
reduzir mais rapidamente o prurido que aflige o animal. 
4. DEMODICOSES: 
A droga de escolha para o tratamento das demodicoses é o amitraz, aplicando-se um mínimo de 6 banhos 
semanais, até que se obtenha negativação dos raspados de pele. Animais que apresentem invasão bacteriana 
secundária devem receber antibioticoterapia, preferencialmente à base de uma cefalosporina. Nos processos 
localizados, pode ser usada uma solução mais concentrada de amitraz em propilenoglicol (1:30), aplicada 
diariamente. Como tratamento alternativo pode ser usada a ivermectina oral (0,2 mg/kg7q 24 h). 
5. DERMATOMICOSES: 
As dermatomicoses devem ser tratadas à base de griseofulvina ou cetoconazol oral, por um período mínimo de 
40 dias. O uso de antimicóticos tópicos geralmente não é efetivo, mas é a única opção para grandes animais, 
principalmente devido ao custo do tratamento. 
6. DERMATOFILOSE: 
A droga de escolha é a estreptomicina, administrada em aplicação única de 70 mg/kg/IM. Opcionalmente, pode-
se usar antimicóticos à base de iodo ou soluções de sulfato de cobre, mas o tratamento se torna mais demorado, 
difícil de executar e menos eficiente. 
7. ECTOPARASITOS: 
O combate a ectoparasitos é complexo, pois envolve fenômeno de resistência aos diversos produtos disponíveis, 
sendo impossível prever a sua eficácia. Como linhas gerais, temos: 
\u2022 Carrapatos: Mais complicados de todos os ectoparasitos em termos de controle, têm uma sensibilidade 
muito variável aos ectoparasiticidas. O combate deve ser feito associando-se a aplicação de substâncias 
químicas a métodos preventivos, como rotação de pastagens e detetização de ambientes domésticos, 
conforme o caso. Atualmente, as drogas mais efetivas são os piretróides, organofosforados, amitraz e 
lufenuron; 
\u2022 Pulgas: A exemplo dos carrapatos, as pulgas também têm grande resistência aos ectoparasiticidas atuais. O 
controle no ambiente é de fundamental importância, pois as