Fundamentos de Terapêutica Veterinária
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Fundamentos de Terapêutica Veterinária


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larvas e pulgas adultas podem permanecer por 
meses sem se alimentar. A escolha da droga deve recair sobre piretróides, organofosforados, lufenuron ou 
nitempiram. O controle a longo prazo deve incluir a administração mensal do fipronil; 
\u2022 Piolhos: Os piolhos são pouco resistentes aos ectoparasiticidas, devendo a escolha recair sobre aqueles 
menos tóxicos (p. ex. piretróides ou carbamatos); 
\u2022 Miíases: O tratamento das miíases baseia-se na limpeza inicial da ferida, com remoção do maior número de 
larvas possível, e na aplicação de um larvicida qualquer. Bons resultados têm sido obtidos pela aplicação de 
uma mistura de 6 ml de Neguvon Injetável (V) em 94 ml de Furacin Solução (H ou V). A fórmula associa 
propriedades antibacterianas, larvicidas e repelentes e deve ser injetada, através de uma seringa sem agulha, 
no interior da ferida, na dose máxima diária de 1 ml por kg de peso vivo; 
\u2022 Bernes: As larvas que aparecem em pequenos animais devem ser manualmente removidas, pois quando 
morrem no interior da ferida podem causar abscessos e granulomas. Para grandes animais, pode-se pincelar 
a área com uma solução de organofosforado ou piretróide em veículo oleoso; 
\u2022 Bicho-de-pé: Aplicar ivermectina ou imergir as áreas afetadas em solução de organofosforado ou piretróide. 
8. OTITES: 
Grande polêmica envolve o tratamento das otites, com métodos diversos sendo utilizados por cada profissional. 
Em linhas gerais, o tratamento consiste de: 
 
 
a Limpeza com soluções à base de clorexidina 0,5% em propilenoglicol e aplicação de antibioticoterapia 
tópica (p.ex. Otospan, Otosynalar, Panolog, Nataleno ou similar); 
b Nos casos mais graves, associar antibioticoterapia sistêmica, preferencialmente precedida de antibiograma; 
c Nas otites causadas ou agravadas por Malassezia, limpeza e acidificação do pavilhão auditivo com solução 
de ácido lático (2,5%) e ácido salicílico (0,1%) em propilenoglicol, que cria um pH desfavorável à 
sobrevivência da levedura. Após esta limpeza, pingar Tolmicol (H); 
d Para as otites parasitárias, pode-se fazer aplicação otológica de fipronil (Frontline Spray, V). 
9. MANIFESTAÇÕES ALÉRGICAS: 
As alergias cutâneas crônicas dos pequenos animais são bastante difíceis de serem combatidas, pois as mesmas 
possuem outros mediadores químicos além da histamina, fazendo com que os anti-histamínicos se mostrem 
pouco eficientes na maioria dos casos. O tratamento deve visar sempre a remoção da causa primária e o controle 
da sintomatologia, que pode ser feito através da administração inicial de ácidos graxos omega 3 e omega 6 
(Allerdog, V) e, quando não eficientes, corticosteróides (preferir as drogas de ação intermediária, como 
prednisona e prednisolona). Já as reações de hipersensibilidade imediata, tais como aquelas produzidas por 
picadas de insetos, respondem bem ao uso de anti-histamínicos e, nestes casos, a droga de escolha é a 
prometazina (Fenergan, H), que pode ser associada a corticóides. 
10. SEBORRÉIAS: 
As síndromes seborréicas devem ter sua causa primária removida e o animal banhado regularmente com xampus 
à base de sulfureto de selênio (Selsun, H) ou um produto ceratolítico (Peroxydex ou Sastid, H). 
 
 
LEITURA SUPLEMENTAR RECOMENDADA: 
 
 
BELFIELD, W.O.; GOLINSKY, S.; COMPTON, M.D. The use of insulin in open-wound healing. Veterinary 
Clinics Medicine \u2013 Small Animal Clinician, maio, 1970. 
SCOTT, D.W.; MILLER, W.H.; GRIFFIN, C.E. Dermatologic therapy. In. Small Animal Dermatology. 
Philadelphia, Sounders, pp. 174-277, 1995. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
TERAPÊUTICA OFTALMOLÓGICA 
 
 
As drogas, para atingirem seu local de ação e produzirem o efeito desejado, necessitam atravessar determinadas 
barreiras que, na maioria das vezes, apresentam seletividade à passagem de algumas delas. O olho, um dos 
tecidos mais nobres do organismo, não foge a esta regra, apresentando vários obstáculos à passagem de 
xenobióticos, incluindo drogas. Estes obstáculos são representados pelo fluxo contínuo da lágrima na superfície 
corneana e pelas barreiras epiteliais (epitélios conjuntival, corneano, ciliar e pigmentar da retina) e endoteliais 
(vasos da retina e da íris). Se por um lado estas barreiras impedem a entrada de substâncias tóxicas no olho, por 
outro dificultam a ação terapêutica de determinados fármacos. Por tudo isto, a potência farmacodinâmica e as 
propriedades farmacocinéticas de uma droga devem ser muito bem conhecidas antes de sua administração, para 
se evitar que a mesma, por não alcançar seu sítio de ação, não desempenhe seu papel terapêutico. 
 
I. VIAS DE ADMINISTRAÇÃO E PROPRIEDADES REQUERIDAS DAS FORMULAÇÕES: 
 
Na escolha da via de administração, deve-se levar em conta a estrutura alvo, a existência de barreiras intactas ou 
não, disponibilidade de apresentações comerciais, comportamento do animal e cooperação do proprietário. Com 
relação à estrutura a ser atingida, normalmente usa-se a via tópica para conjuntiva e superfície corneana, via 
tópica e/ou sistêmica para camadas profundas da córnea, íris e corpo ciliar e via sistêmica para o segmento 
posterior e órbita. 
 
1. VIA TÓPICA: 
 
1.1. PROPRIEDADES REQUERIDAS PARA DROGAS DE USO TÓPICO: 
 
a. Características físico-químicas da droga: 
A córnea é um \u201csanduíche\u201d trilaminar formado por (a) externamente, um epitélio pavimentoso estratificado de 
caráter lipofílico, com células unidas por firmes junções; (b) o estroma, formado por fibras colágenas 
mergulhadas numa substância intersticial rica em água e, portanto, hidrofílica e (c) um endotélio lipofílico. 
Como se vê, a droga ideal para atravessar a córnea deve ter uma solubilidade bifásica, ou seja, ser ao mesmo 
tempo lipo e hidrossolúvel; para que isto seja possível, a molécula deve apresentar uma porção polar e uma 
apolar, ter baixo peso molecular e estar num pH ideal. 
Após a aplicação sobre o olho, a porção não drenada de determinada droga pode penetrar na córnea ou ser 
absorvida pelos vasos conjuntivais, sobretudo se a conjuntiva estiver inflamada. Esta penetração pode ser 
aumentada através de alguns recursos: 
\u2022 Alteração da superfície corneana: O espaço intercelular pode ser transitoriamente expandido por agentes 
quelantes (p.ex. o EDTA sódico) e a permeabilidade epitelial modificada por agentes tensoativos (p.ex. 
cloreto de benzalcônio), aumentando consideravelmente a absorção de certas drogas. No caso dos agentes 
tensoativos, deve-se lembrar que seu uso crônico pode determinar perda da camada epitelial superficial, 
retardamento da cicatrização de processos ulcerativos e \u201cquebra\u201d do filme pré-corneano (lágrima), com 
conseqüente ressecamento do globo ocular; 
\u2022 Veículo adequado: O uso de veículos mais viscosos aumenta o tempo de permanência da droga nos tecidos, 
favorecendo sua absorção. Também a utilização do cloreto de cetilpiridínio como veículo favorece a ação das 
drogas, pois o mesmo inibe a albumina pré-lacrimal que se liga a determinados fármacos, reduzindo sua 
biodisponibilidade. 
 
b. Tonicidade: 
A tonicidade das soluções utilizadas deve, sempre que possível, ser similar à da lágrima que, no homem, 
corresponde a 1,4% de NaCl (variações entre 0,5 e 2,0% são bem toleradas sem causar grande desconforto). 
Como a absorção das drogas pela córnea é dependente de um gradiente de concentração, seria de se esperar um 
melhor efeito de soluções mais concentradas; tal fato não ocorre, entretanto, devido à irritação e 
conseqüentemente maior lacrimejamento produzido por estas soluções, que faz com que as mesmas sejam 
rapidamente diluídas e drenadas. 
 
 
 
 
c. pH: 
Embora o olho suporte grandes variações de pH (entre 3,5 e 10), o ideal é que este seja o mais próximo possível 
da lágrima, que é 7,4. É importante também que seja mantido um pH no qual haja equilíbrio entre as formas