Fundamentos de Terapêutica Veterinária
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Fundamentos de Terapêutica Veterinária


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ionizada e não-ionizada da droga, visando obter-se a melhor absorção possível. 
 
d. Estabilidade: 
Temperatura e pH são os fatores que mais interferem na estabilidade das preparações para uso oftalmológico. A 
maioria destes produtos é mais estável num pH entre 5,0 e 7,0 e a temperaturas mais baixas. Quando as 
condições ideais de armazenamento não são obedecidas, vários fármacos perdem rapidamente sua atividade. 
 
e. Esterilidade: 
Sempre que possível, as preparações para uso oftalmológico deverão ser estéreis, sobretudo aquelas que 
penetrarão no globo ocular. De maneira geral, recomenda-se que os colírios e pomadas sejam usados apenas para 
um único tratamento, desprezando-se eventuais sobras; esta prática é, na maioria das vezes, forçada pelo 
reduzido tamanho das apresentações comerciais, que impedem uma segunda utilização. 
 
1.2. SOLUÇÕES: 
Os colírios sob a forma de soluções são as mais utilizadas formulações em oftalmologia. São de fácil aplicação, 
interferem pouco nos processos cicatriciais corneanos e permitem maior controle e variação na dosagem. Em 
contrapartida, as soluções têm um efeito fugaz, sendo rapidamente eliminadas após diluídas nas lágrimas e, 
portanto, exigem aplicações mais freqüentes. 
Quando se usam soluções, a dinâmica do fluxo de lágrimas tem grande importância no sucesso do tratamento. 
Assim, deve-se considerar os seguintes fatores: 
\u2022 Gotas instiladas na córnea são drenadas no máximo em 5 minutos. Quando altas concentrações de 
determinada droga são requeridas, a mesma deverá ser aplicada a intervalos tão curtos quanto 30 minutos; 
\u2022 Quando se instila mais de uma gota, tem-se um aumento da concentração da droga mas, em contrapartida, 
também um aumento do reflexo de lacrimejamento, fazendo com que a mesma seja mais rapidamente 
eliminada. Portanto, é preferível usar pequenas quantidades (1-2 gotas para pequenos animais e 4-6 para 
grandes) a intervalos menores; 
\u2022 A freqüência normal de piscadas pode ser muito aumentada quando se faz a contenção de determinados 
animais, sobretudo se a mesma é feita de maneira brusca. No cão, o número de piscadas por minuto pode 
subir de 5 para 20, acelerando a eliminação da solução aplicada; 
\u2022 O uso de veículos mais viscosos (p.ex. polietilenoglicol, álcool polivinílico ou polivinilpirrolidona) retarda a 
eliminação das soluções. 
 
1.3. SUSPENSÕES E EMULSÕES: 
As suspensões e emulsões têm um tempo de permanência no olho ligeiramente maior que as soluções. As 
partículas da fase sólida não devem ser muito grandes, sob pena de produzirem irritações nos tecidos oculares. 
 
1.4. SPRAYS: 
Os sprays são terapeuticamente equivalentes às gotas, mas têm a vantagem de serem menos susceptíveis a 
contaminações, causarem menor irritação e serem mais fáceis de se aplicar. 
ATENÇÃO: No Brasil, os sprays veterinários para uso oftalmológico não devem ser utilizados, pois lançam 
jatos muito fortes de partículas grandes, absolutamente desaconselháveis para o olho. 
 
1.5. POMADAS: 
As pomadas têm como vantagem principal uma maior permanência junto aos tecidos, por menor diluição às 
lágrimas e, conseqüentemente, menor drenagem, além de constituírem um veículo mais estável para 
determinados fármacos. Suas desvantagens, entretanto, incluem interferência na cicatrização corneana por 
\u201cencarceramento\u201d da úlcera, interferência na visão, retenção de exudatos, dificuldade de aplicação, tendência a 
superdosagem, fácil contaminação dos bicos dos tubos e contra-indicação expressa nas cirurgias intra-oculares 
ou traumatismos perfurantes, onde seu veículo pode causar grande irritação às estruturas internas do olho. Por 
tudo isto, os colírios devem ser sempre preferidos às pomadas. Alguns profissionais utilizam uma combinação 
 
 
das duas apresentações, instilando colírio durante o dia e fazendo a última aplicação com pomada, visando 
assegurar níveis melhores à noite. 
 
2. VIA SUBCONJUNTIVAL: 
 
A via subconjuntival é indicada quando se deseja que uma droga de baixa lipossolubilidade atinja estruturas 
anteriores do olho em níveis adequados, o que seria difícil para a maioria dos fármacos pela via tópica. Por esta 
via, a droga é rapidamente absorvida e eliminada pela circulação ciliar, persistindo apenas pequenas quantidades 
após 30 minutos. A via é indicada em 3 situações: (a) No tratamento de processos inflamatórios e/ou infecciosos 
do globo ocular, para a aplicação de corticosteróides ou antibióticos; (b) na aplicação de anestésicos locais, para 
a realização de procedimentos cirúrgicos menores e (c) na administração de midriáticos, visando romper 
sinéquias, principalmente as posteriores. As desvantagens da via subconjuntival são o alto grau de absorção 
sistêmica da droga e a irritação local produzida, podendo haver a formação de granulomas. 
Para a aplicação, deve-se sedar ou conter muito bem o animal e, depois de instilado anestésico tópico, puxar a 
conjuntiva bulbar com uma pinça delicada e introduzir a agulha (bem fina, tipo insulina) 2-3 mm abaixo da 
cápsula de Tenon, logo após o limbo. Utilizam-se sempre soluções isotônicas, num volume nunca maior que 1,0 
ml, mas normalmente entre 0,25 e 0,5 ml. As doses de alguns antibióticos que podem ser usados por esta e por 
outras vias estão expressas na TAB. II. 
 
3. VIA INTRACAMERAL: 
 
As injeções ou lavagens intracamerais são indicadas principalmente nas infecções graves do segmento anterior 
ou durante cirurgias, visando o controle de hemorragias ou da abertura pupilar. São sempre realizadas sob 
anestesia geral e com freqüência determinam reações locais como lesão endotelial, edema de córnea e alterações 
na lente e íris. 
 
4. VIA RETROBULBAR: 
 
É indicada para (a) anestesia regional do olho; (b) nas cirurgias, para infiltração retrobulbar de soro fisiológico, 
visando produzir exoftalmia para aumentar o campo cirúrgico; (c) na administração de drogas cujo alvo é o 
segmento posterior e (d) na administração de álcool absoluto, para produzir analgesia nos olhos amauróticos e 
dolorosos do glaucoma absoluto. Por esta via, a concentração de determinadas drogas no segmento posterior 
parece não ser maior que pelas que pelas vias subconjuntival ou sistêmica. Para a realização da injeção, após 
anestesia geral do animal, uma agulha longa deve ser inserida no quadrante inferotemporal e dirigida ao centro 
da órbita. 
 
5. VIA SISTÊMICA: 
 
A grande maioria das drogas administradas pela via sistêmica não determina níveis satisfatórios no interior do 
olho, não só pela presença da barreira hemato-ocular, que impede sua entrada, como também pelo sistema de 
transporte ativo da retina, que rapidamente elimina o fármaco. Na prática, apenas drogas lipossolúveis de baixo 
peso molecular são elegíveis para uso sistêmico. Nas inflamações, várias drogas podem ter seus níveis intra-
oculares aumentados por interrupção na união das células do corpo ciliar; este fato, entretanto, não melhora 
significativamente a ação da droga, pois nas inflamações a biodisponibilidade das mesmas está bastante 
reduzida, diminuindo seu efeito terapêutico final. 
 
6. OUTRAS VIAS: 
 
\u2022 Subpalpebral: Erroneamente chamadas de injeções subconjuntivais, as subpalpebrais são aquelas realizadas 
no fórnix conjuntival, após anestesia tópica. Devido à rapidez da eliminação das drogas por esta via, pouca 
diferença prática existe entre ela e a tópica. Normalmente, a via subpalpebral é utilizada para anestesia 
regional das pálpebras dos eqüinos, para possibilitar um melhor exame clínico ou para a realização de 
pequenos procedimentos cirúrgicos, como tarsorrafia. 
\u2022 Nasolacrimal: Também bastante utilizada em eqüinos, onde uma sonda é colocada e mantida no ducto 
lacrimonasal, permitindo irrigações freqüentes do globo ocular. Similar a este método é a colocação de uma 
sonda sob a pálpebra superior, após abertura de orifício cirúrgico na mesma. 
 
 
 
 
 
TABELA