Fundamentos de Terapêutica Veterinária
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II: Doses de antibióticos para terapia local em infecções oculares 
 
ANTIBIÒTICO SUBCONJUNTIVAL (mg) 
INTRACAMERAL 
(mg) 
INTRAVITREAL 
(mg) 
TÓPICO 
(mg/ml) 
Amicacina 12,5 0,25 0,1-0,5 10 
Ampicilina 100 5 10 
Anfotericina B 0,005-0,01 
Bacitracina 10.000 U.I. 500-1.000 U.I. 
Canamicina 10-20 0,5 
Carbenicilina 100 2 4-8 
Cefalotina 5 
Cefazolina 100 2,5 50 
Clindamicina 1 1 
Cloranfenicol (succinato) 100-200 1-2 2 10 
Estreptomicina 0,5-5 
Framicetina 250 
Gentamicina 20-40 1 8-15 
Lincomicina 50-75 1,5 
Neomicina 100-500 2,5 2,5 
Oxacilina 1000-4000 U.I. 
Penicilina G potássica 600 U.I. 1000-4000 U.I. 1000-4000 U.I. 10.000 UI/ml 
Polimixina B 100.000 U.I. 
Tetraciclina 2-5 2,5 5-10 
Tobramicina 5-10 0,5 0,1-0,5 10 
 
II. ANTIMICROBIANOS: 
 
Os antimicrobianos, dada à freqüência das infecções que acometem ao globo ocular, constituem uma importante 
classe de drogas para uso em oftalmologia. Devido às particularidades da eliminação das drogas, já discutidas 
anteriormente, é prudente lembrar que os colírios e pomadas utilizados em infecções devem ser aplicados no 
mínimo 6 vezes ao dia, visando garantir níveis terapeuticamente corretos. Vale destacar ainda que, a despeito da 
seriedade das infecções oculares causadas por Gram-negativos, a maioria das bactérias constituintes das floras 
normal e patogênica do olho é formada por Gram-positivos. 
 
1. ANTIBACTERIANOS: 
 
a. Amicacina: É uma canamicina modificada que, devido à sua acetilação, está protegida da ação de várias 
enzimas bacterianas que atacam a outros aminoglicosídeos. Pode ser utilizada pela via tópica (ação apenas 
superficial) ou intravitreal e, por ser o aminoglicosídeo mais efetivo, deve ser reservada para infecções 
sérias causadas por Gram-negativos; 
b. Amoxicilina: Penicilina semi-sintética que, quando utilizada por via sistêmica na dose de 20-30 mg/kg/q 8-
12 h, determina níveis razoáveis nas estruturas vascularizadas do globo ocular; 
c. Canamicina: Droga altamente eficiente contra Moraxella bovis, sendo freqüentemente uma única injeção 
subconjuntival de 100 mg suficiente para resolver o quadro; 
d. Cefazolina: Em termos de espectro antimicrobiano, é similar à anterior, embora seja a cefalosporina mais 
susceptível à ação das beta-lactamases. Após reconstituída, conserva-se por 4 dias em refrigeração. Pode ser 
usada pelas vias tópica, subconjuntival, intravitreal ou sistêmica. Por esta última via, é a droga de escolha 
para o tratamento de endoftalmites pós-traumáticas ou pós-operatórias; 
e. Cloranfenicol: É um bacteriostático de amplo espectro, atuando contra uma grande variedade de bactérias, 
ricketsias e clamídias, embora tenha pouca ação contra Pseudomonas. Devido à sua solubilidade \u201cdupla\u201d, é 
a droga de escolha para o tratamento de infecções intra-oculares, pois chega ao interior do olho por qualquer 
via. Apresentações (H): Cloranfenicol Colírio, Clorfenil, Fluo-Denicol, Isopto Fenicol e Dexafenicol; 
f. Espiramicina: Embora menos efetiva que os demais macrolídeos, tem a excepcional propriedade de se 
concentrar nos tecidos e secreções oculares, sendo que seu pico na lágrima, 8 horas após uma simples 
injeção, é 10 vezes maior que no plasma e detectável por até 72 horas. Pode ser utilizada, pela via 
parenteral, para o tratamento da ceratoconjuntivite infecciosa dos ruminantes; 
g. Gentamicina: Ativa principalmente contra Gram-negativos e Staphylococcus, tem, como os demais 
aminoglicosídeos, o problema do rápido aparecimento de resistência bacteriana, recomendando-se que a 
mesma seja reservada para o tratamento de infecções sérias como, por exemplo, aquelas produzidas por 
 
 
Pseudomonas. A penetração no globo ocular após administração sistêmica não é boa, mas pode-se associar 
esta via à tópica para um efeito melhor. Apresentações (H): Garasone, Gentacort e Garamicina Colírio. 
h. Neomicina: Droga de espectro restrito (apenas Gram-negativos) e não absorvível, tem seu uso limitado aos 
processos superficiais de conjuntiva e córnea. Normalmente é associada à polimixina B, visando a obtenção 
de uma formulação de amplo espectro. Apresentações (H): Neomicina Colírio, Decadron Coírio, Maxitrol, 
Conjuntin, Dexavison, Flumex-N e Pertrin. 
i. Quinolonas: São drogas de amplo espectro, mas que atuam predominantemente contra Gram-negativos. São 
bastante efetivas, mas apresentam resistência cruzada entre si. Os representantes do grupo que atualmente 
possuem apresentação comercial oftalmológica no Brasil são a ciprofloxacina (Biamotil, H) e a norfloxacina 
(Chibroxin, H); 
j. Sulfonamidas: A sulfacetamida em solução a 30% ou pomada a 10% é um bacteriostático de amplo 
espectro largamente utilizado em oftalmologia humana e veterinária. Pesquisas recentes em coelhos 
demonstraram que a droga retarda bastante a cicatrização de processos ulcerativos da córnea, devendo, 
portanto, ser evitada nestes casos. Apresentações (H): Sulfanil e Isopto Cetapred; 
k. Tetraciclinas: As tetraciclinas são bacteriostáticos de amplo espectro, sendo particularmente indicadas nas 
clamidioses felinas e ceratoconjuntivite infecciosa dos ruminantes. A minociclina, além de ser a droga de 
maior atividade do grupo, penetra razoavelmente bem no globo ocular, podendo ser utilizada pela via 
sistêmica para o tratamento de infecções intra-oculares. As tetraciclinas podem também ser usadas, pela via 
oral, como paliativos para manchas produzidas por epífora em cães brancos. Apresentação comercial (H): 
Terramicina Pomada Oftálmica. 
l. Tobramicina: Tem um espectro semelhante ao da gentamicina, mas é 4 vezes mais potente que esta contra 
Pseudomonas aeruginosa. Deve ser reservada para infecções realmente sérias. Apresentação (H): Tobrex. 
 
2. ANTIVIRAIS: 
 
a. Idoxuridina (IDU): Em medicina veterinária, a idoxuridina é primariamente indicada para o tratamento da 
ceratite herpética felina e de algumas ceratites eqüinas. Não penetra na córnea e exige, para que seja efetiva, 
aplicação a cada 2 horas, no mínimo 6 vezes ao dia, até fluoresceína negativa. Apresentação comercial: Idu 
(H). 
b. Aciclovir: Em humanos, é mais efetivo que a idoxuridina, sobretudo pela sua boa penetrabilidade na córnea. 
Estudos recentes indicam, entretanto, uma relativa insensibilidade do herpesvírus felino à droga. 
 
3. ANTIFÚNGICOS: 
 
a. Nistatina: Usada exclusivamente para o tratamento de infecções produzidas por Candida. Como não 
existem no Brasil apresentações para uso oftalmológico, utiliza-se pomada ginecológica, cujo veículo é bem 
tolerado pelo olho; 
b. Anfotericina B: As ceratites micóticas podem ser combatidas com uma solução a 0,15% de anfotericina B 
em água destilada (não usar solução fisiológica como solvente, pois há incompatibilidade química), 
conservada em frasco escuro sob refrigeração. A solução destina-se exclusivamente a uso tópico, pois a 
aplicação subconjuntival ou intra-ocular tem um caráter destrutivo. 
 
III. ANTINFLAMATÓRIOS: 
 
Apesar do caráter protetor das inflamações, a grande infiltração de leucócitos e a presença de exudatos em certas 
áreas do olho podem determinar sérias conseqüências, que devem ser evitadas com o uso de antinflamatórios. 
 
1. CORTICOSTERÓIDES: 
 
1.1. Ações principais: 
(a) Redução da resposta vascular por diminuição da vasodilatação e da permeabilidade capilar; (b) redução da 
migração leucocitária ao sítio da inflamação e (c) interferência na síntese e liberação de mediadores 
inflamatórios. Além destas ações relativas à inflamação, os corticóides atuam ainda reduzindo a pigmentação e a 
neovascularização corneanas existentes em certas afecções. 
 
 
 
1.2. Efeitos adversos: 
(a) Redução da proliferação de queratócitos e da deposição de colágeno na córnea lesada, retardando em até 14 
vezes o tempo de reparação tecidual de eventuais lesões corneanas; (b) interferência nos mecanismos de defesa