Fundamentos de Terapêutica Veterinária
222 pág.

Fundamentos de Terapêutica Veterinária


DisciplinaTerapêutica Veterinária512 materiais23.107 seguidores
Pré-visualização50 páginas
por via oral na mesma dose do manitol, sempre misturado a igual 
quantidade de alimento, suco ou leite para melhorar a palatabilidade e reduzir a possibilidade de vômitos. 
Sua ação inicia-se 1 hora após a administração e persiste por 10 horas, devendo, portanto, ser fornecida a 
cada 12 horas. Tem um efeito diurético muito menor que o manitol, mas pode, pelo uso crônico, determinar 
obesidade no animal. 
OBS.: 1 ml de glicerina corresponde a aproximadamente 1,25 g. 
A principal indicação dos agentes osmóticos é o glaucoma agudo, pois seu uso não é muito prático nos casos 
crônicos. Nos episódios superagudos, pode-se fazer uma aplicação inicial de manitol e continuar o tratamento 
com glicerina. O manitol é também indicado no pré e transoperatório, sobretudo da catarata, onde a redução da 
pressão intra-ocular e do volume do vítreo diminuem os riscos de prolapso da íris. A restrição de água 4 horas 
após a administração de agentes osmóticos aumenta sua eficiência, por determinar uma redução do líquido 
extracelular. 
Pacientes com insuficiência cardíaca ou sob efeito de anestésicos gerais não devem receber agentes osmóticos, 
pois a sobrecarga do sistema cardiovascular pode determinar edema pulmonar. Como efeitos colaterais dos 
agentes osmóticos, podem ocorrer náuseas, vômitos e alterações na consciência produzidas pela desidratação do 
SNC. Evitar o manitol na insuficiência renal e a glicerina no diabetes melitus. 
 
5. ABLAÇÃO FARMACOLÓGICA DO CORPO CILIAR: 
 
Indicada para olhos irreversivelmente cegos, buftálmicos e dolorosos. Administram-se drogas citotóxicas ao 
epitélio secretor do corpo ciliar, reduzindo-se desta maneira a produção de humor aquoso. A droga de escolha é a 
gentamicina, injetada intravitrealmente na dose de 10-25 mg, associada a 0,5-1,0 mg de dexametasona. A 
ocorrência de efeitos colaterais graves é freqüente, manifestados por hemorragia intra-ocular, destruição 
retiniana, catarata e phthisis bulbi. 
 
V. MIDRIÁTICOS E CICLOPLÉGICOS: 
 
Midriáticos são drogas que causam midríase por ação direta na musculatura da íris, ao passo que os cicloplégicos 
o fazem indiretamente, por paralisia do corpo ciliar. Várias drogas determinam ambos os efeitos, embora nem 
todo midriático seja também cicloplégico. 
 
1. INDICAÇÕES: 
Os midriáticos são indicados na preparação do paciente para exame fundoscópico, no tratamento da uveíte 
anterior e no pré, trans e pós-operatórios, sendo que os adrenérgicos podem ainda ser utilizados no diagnóstico 
da síndrome de Horner. Os cicloplégicos são utilizados quando há dor ocular resultante de espasmo do corpo 
ciliar. 
 
2. CONTRA-INDICAÇÕES: 
Animais com ângulo iridocorneano raso devem receber midriáticos com cautela, pois pode haver um aumento 
súbito da pressão intra-ocular. No glaucoma já estabelecido, os midriáticos são completamente contra-indicados. 
 
3. ANTAGONISTAS COLINÉRGICOS: 
Drogas que causam paralisia do esfíncter da íris por inibição da ação da acetilcolina e que, em adição à midríase, 
produzem também cicloplegia. São usados para inibir os efeitos dolorosos da inflamação do segmento anterior e 
prevenir a formação e as conseqüências de sinéquias. 
a. ATROPINA: 
É o mais potente midriático/cicloplégico, chegando a produzir um efeito de até 144 horas, dependendo da 
concentração utilizada. Não é a droga de escolha para exame fundoscópico, pois além do efeito longo, tem início 
de ação demorado. É utilizada nas inflamações severas (principalmente uveítes), para induzir midríase e 
cicloplegia. Dependendo da dose e devido ao gosto amargo da droga, pode ocorrer salivação persistente por até 1 
hora após a administração. Em alguns animais, pode ocorrer irritação local com quemose, hiperemia conjuntival, 
epífora e, raramente, efeitos sistêmicos; nestes casos, pode ser necessária sua substituição pelo ciclopentolato. 
Apresentação comercial (H): Atropina Colírio. 
 
 
 
b. TROPICAMIDA: 
Midriático e cicloplégico potente de rápido início de ação, mas de curta duração. É a droga de escolha para 
exames clínicos, pois a sua atuação fugaz não afeta significativamente a pressão intra-ocular, podendo ser 
utilizada em olhos glaucomatosos. É bastante atóxica, embora possa eventualmente determinar salivação, 
principalmente em gatos. Apresentação: Mydriacyl (H). 
c. CICLOPENTOLATO: 
Pode ser utilizado isoladamente ou em combinação com a fenilefrina a 10%. Raramente pode produzir quemose. 
Não é muito utilizado em medicina veterinária. Apresentação comercial (H): Colírio Cicloplégico. 
 
3. AGONISTAS ADRENÉRGICOS: 
a. FENILEFRINA: 
Ativa os receptores \u3b1-adrenérgicos, produzindo midríase por estimulo do músculo dilatador da íris. Devido ao 
seu efeito sobre os vasos sangüíneos da conjuntiva e da nictitante, é também indicada nas hiperemias 
conjuntivais e nas protrusões bilaterais da nictitante em gatos; nesta espécie, a fenilefrina é ineficiente quando 
usada isoladamente, mas potencializa o efeito de outros fármacos. A droga pode causar certo desconforto à 
aplicação e o tratamento prolongado pode determinar irritação local. A aplicação em olhos portadores de úlceras 
de córnea pode resultar em opacidade e vacuolização transitórias do estroma. No diagnóstico da síndrome de 
Horner, quantidades insignificantes, insuficientes para determinar alterações na pupila de animais normais, são 
capazes de produzir midríase. 
b. EPINEFRINA: 
A epinefrina é primariamente um antiglaucomatoso e não um midriático. Pode manter a midríase e controlar 
pequenas hemorragias durante cirurgias oftalmológicas quando usada em solução intracameral a 0,01%. No 
diagnóstico da síndrome de Horner, é empregada em concentração entre 0,01 e 0,001%. Pode determinar efeitos 
sistêmicos e nunca deve ser usada em animais anestesiados por halotano, onde a interação entre as duas drogas 
pode resultar em arritmia cardíaca grave. 
 
VI. ANESTÉSICOS LOCAIS: 
 
1. INDICAÇÕES CLÍNICAS: 
\u2022 Exame do olho e anexos, principalmente em animais com blefaroespasmo ou naqueles cuja anatomia torna 
este exame difícil (p.ex. eqüinos); 
\u2022 Avaliação pré-operatória do entrópio, eliminando o componente espástico que pode levar à hiper-correção; 
\u2022 Insensibilização do olho antes de raspagem conjuntival, tonometria, canulação dos puncta ou injeção 
subconjuntival; 
\u2022 Em combinação com sedativos, remoção de corpos estranhos, tumores conjuntivais menores, calázio e 
nódulos linfóides hiperplásicos na nictitante; 
\u2022 Diagnóstico diferencial entre a dor córneo-induzida e outras manifestações dolorosas do globo ocular. 
 
2. EFEITOS COLATERAIS E CONTRA-INDICAÇÕES: 
\u2022 Tóxicos ao epitélio corneano por alterações estruturais nos desmossomos, proteínas intracelulares e 
permeabilidade da membrana, causando irregularidades ou micro-erosões que, quando concomitantes a 
edemas da córnea, podem transformar-se em úlceras; 
\u2022 Podem determinar quemose e protrusão da nictitante por reação de hipersensibilidade, sobretudo em felinos; 
\u2022 Predispõem o animal a traumatismos e ressecamento do globo ocular, por abolirem reflexos e reduzirem a 
produção de lágrimas; 
\u2022 Retardam a cicatrização de úlceras por inibição da mitose e da migração celular; 
\u2022 Inibem o crescimento bacteriano, não devendo ser usados antes de coleta de material para cultura; 
\u2022 Efeitos sistêmicos são raros, mas podem ocorrer em gatos e cães pequenos quando aplicados sobre 
superfícies com grandes traumatismos. 
Conclusão: Por todos os fatores acima descritos, conclui-se que os anestésicos tópicos jamais devem ser usados 
para combater dor ocular e nunca receitados para a administração pelo proprietário. 
 
 
 
 
3. PRINCIPAIS DROGAS TÓPICAS: 
a. Tetracaína: Usada em concentração de 0,5%, determina anestesia corneana e conjuntival em 10-20 
segundos, com duração de 10-20 minutos. Normalmente instila-se 2 gotas e, após 10 minutos, mais 2 gotas. 
Apresentação comercial: