Fundamentos de Terapêutica Veterinária
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Colírio Anestésico (H). 
b. Proximetacaína (= Proparacaína): Produz pouca ou nenhuma irritação inicial. Uma vez aberto o frasco da 
solução, a mesma deve ser mantida refrigerada para retardar sua oxidação; soluções amarronzadas devem ser 
descartadas. Apresentações comerciais (humanas): Anestalcon e Visonest. 
 
4. ANESTÉSICOS INJETÁVEIS: 
São indicados para anestesia infiltrativa (bloqueio do tronco nervoso), principalmente para exame clínico de 
grandes animais, cujo poderoso músculo orbicular dificulta este procedimento. Também são usados em animais 
muito jovens, velhos ou debilitados, onde a anestesia geral é contra-indicada. 
As drogas mais utilizadas são lidocaína e bupivacaína, sendo que a última determina um grande período de 
anestesia com excelente analgesia trans e pós-operatória. A associação à epinefrina aumenta o tempo de ação e 
melhora a hemostasia. No caso das anestesias retrobulbares, pode-se associar a hialuronidase, que aumenta a 
difusão do anestésico. 
 
VII. CORANTES: 
 
1. FLUORESCEÍNA SÓDICA: 
A fluoresceína sódica é um líquido atóxico aos tecidos oculares, que tem coloração amarelo-laranja em solução 
mais concentrada e verde-brilhante quando mais diluída. É apresentada sob a forma de colírio, tira de papel 
impregnada (que deve ser umedecida com uma gota de soro fisiológico ou água destilada antes da aplicação) ou 
injetável (utilizada como contraste). 
Clinicamente, a fluoresceína é usada em: 
\u2022 Diagnóstico de úlceras e erosões da córnea: Como a fluoresceína é hidrofílica, não atravessa o epitélio 
corneano íntegro, mas, na presença de qualquer lesão, penetra no estroma e o cora de verde brilhante. Para a 
realização do exame, aplica-se 1 gota do corante a 2% sobre a córnea e, após 1 minuto, remove-se o excesso 
lavando-se com soro fisiológico; a seguir, observa-se a impregnação ou não, preferivelmente sob luz azul 
(filtro UV ou cobalto dos oftalmoscópios). 
\u2022 Diagnóstico de perfurações oculares: É o chamado teste de Seidel, onde 1 gota de fluoresceína é aplicada 
sobre a provável perfuração e, através do oftalmoscópio, observa-se a presença ou não de eventuais fluxos de 
humor aquoso, que aparecem como \u201criachos\u201d de líquido mais claro cruzando a área corada. 
\u2022 Avaliação da integridade do ducto lacrimo-nasal: Uma gota de fluoresceína é instilada no olho e, após 1-5 
minutos, deve chegar à narina. Não é teste de confiança nos animais de focinho curto, pois o corante pode 
passar direto à nasofaringe antes de chegar à narina. Da mesma forma, aqueles que têm focinhos longos 
podem exigir um tempo maior para a chegada da droga à narina. 
\u2022 Angiografia fluoresceínica: Neste caso, injeta-se no animal determinada quantidade de fluoresceína a 10-
25% e fotografa-se, com sofisticada aparelhagem, a passagem do corante pelos vasos retinianos. É utilizado 
para avaliação da vascularização da retina e detecção de eventuais áreas lesadas na mesma. 
A fluoresceína é um corante de difícil conservação, pois inativa alguns dos agentes anti-sépticos usuais (p.ex. 
cloreto de benzalcônio) ou é incompatível com outros (p.ex. clorexidina), tornando-se assim muito vulnerável a 
contaminações, sobretudo por Pseudomonas aeruginosa. Por isto, deve-se dar preferência aos bastões em relação 
aos colírios. Como a droga é termo-estável, os colírios podem ser autoclavados após cada utilização. 
 
2. ROSA BENGALA: 
Derivado da fluoresceína, o rosa bengala é um corante pouco utilizado atualmente, devido à sua pouca 
especificidade. Ao contrário daquela, possui atividade antibacteriana e antiviral, não devendo preceder a coletas 
de material para cultura. É também epiteliotóxica, sendo que seu uso concomitante com anestésicos locais pode 
potencializar esta ação. No geral, o rosa bengala cora de vermelho brilhante células epiteliais degeneradas e 
muco. Clinicamente, é indicado nas seguintes situações: 
\u2022 Diagnóstico da ceratoconjuntivite seca em seu início, quando o teste de Schirmer ainda não é conclusivo. A 
córnea se cora levemente, mas a conjuntiva apresenta-se bastante impregnada; 
\u2022 Diagnóstico de lesões puntiformes miliares da córnea e conjuntiva; 
 
 
\u2022 Diagnóstico de lesões resultantes do uso de drogas (p.ex. anestésicos locais), ceratites de exposição e certos 
tipos de ceratite pigmentar. 
Alguns clínicos têm associado a fluoresceína ao rosa bengala, aproveitando com sucesso as propriedades de cada 
droga. 
 
VIII. SUBSTITUTOS DA LÁGRIMA: 
 
Também conhecidos como lágrimas artificiais ou drogas lacrimomiméticas, são usadas nas seguintes situações: 
a. Ceratoconjuntivite seca onde o teste de Schirmer se situa entre 7 e 10 mm (usar um mínimo de 6 vezes ao 
dia); nos quadros que apresentam menos de 5 mm, deve-se aumentar a freqüência de aplicação e associar 
outras drogas; 
b. Nas ceratites de exposição ou nas cirurgias, para evitar ressecamento; 
c. Como coadjuvante no tratamento de úlceras de córnea de etiologia irritativa. 
As principais drogas empregadas como lacrimogênicas são: 
\u2022 NaCl a 0,9%: Não é a melhor opção, pois tem um efeito muito fugaz. 
\u2022 Derivados da celulose: São compostos que aumentam a viscosidade e o tempo de contato das soluções. 
Sendo substâncias inertes, são pouco irritantes ao olho e não interferem com a cicatrização. Neste grupo estão 
metilcelulose, hidroxietilcelulose, hidroxipropilcelulose e hidroxipropilmetilcelulose. 
\u2022 Polímeros: Têm propriedades mucomiméticas superiores às anteriores, mas são muito mais irritantes. 
Dextran e polivinilpirrolidona são os polímeros mais utilizados. 
\u2022 Álcool polivinílico: Embora inferior aos derivados da celulose, tem uma aderência muito maior que estes. 
\u2022 Lanolina: Pode ser usada como lubrificante e para evitar o ressecamento da superfície ocular durante uma 
cirurgia. 
 
IX. DROGAS LACRIMOGÊNICAS: 
São drogas que estimulam a produção de lágrimas, através de mecanismos variados. As principais drogas deste 
grupo são: 
1. PILOCARPINA: 
A pilocarpina estimula a inervação parassimpática da glândula lacrimal, aumentando a secreção de lágrimas. O 
sucesso do tratamento depende diretamente do tecido lacrimal remanescente e, paradoxalmente, quanto mais 
próximo de zero for o teste de Schirmer, melhores os resultados observados. A droga pode ser administrada na 
comida (1 a 2 gotas de solução oftalmológica a 2% para cada 15 kg. Pode determinar diarréia e bradicardia, o 
que exige redução da dose. O tratamento deve ser avaliado após 30 dias.) ou instilada topicamente, através da 
seguinte fórmula: 
 Pilocarpina 1-2% 6 ml 
 Acetilcisteína 20% 2 ml 
 Gentamicina 10% 2 ml 
 Lágrimas artificiais 6 ml 
A fórmula deve ser mantida sob refrigeração e aplicada 8 vezes ao dia no início, decrescendo a freqüência 
progressivamente até atingir 1-3 vezes após 60 dias. 
 
2. CICLOSPORINA: 
Recentemente introduzida na oftalmologia, o uso da ciclosporina baseia-se na descoberta de que, na maioria das 
ceratoconjuntivites secas, existe uma infiltração mononuclear difusa ou multifocal na glândula lacrimal, 
sugerindo um distúrbio imunomediado. A ciclosporina atua como um imunossupressor de células T além de 
provavelmente ter um efeito lacrimogênico direto nas glândulas lacrimal e da nictitante. Para a utilização 
oftalmológica, utiliza-se pomadas ou soluções a 2% em óleo de milho ou oliva (2 gotas ou uma aplicação de 
pomada 2 vezes ao dia). A exemplo da pilocarpina, os resultados do tratamento serão melhores quanto mais 
próximo de zero for o teste de Schirmer e aparecem após 2-4 semanas de tratamento. Irritação dos tecidos 
perioculares e oculares e aumento da susceptibilidade a infecções são alguns efeitos adversos que podem ser 
observados. Apresentação comercial veterinária: Optimune. 
 
 
 
 
X. DROGAS ANTICOLAGENASES: 
 
As colagenases são enzimas proteolíticas que destroem o colágeno, impedindo a cicatrização de áreas lesadas, 
especialmente