Fundamentos de Terapêutica Veterinária
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em geral devem ser reavaliados, e se for indicado um digitálico, a terapia poderá ser reinstituída em 
dosagens apropriadamente reduzidas (geralmente 50%). Os sintomas brandos de intoxicação por estes agentes 
podem ser tratados com a sua suspensão por um ou dois dias, reiniciando a terapia com redução de 50% na dose. 
Muitas drogas interagem com os digitálicos, resultando em alterações do metabolismo, excreção, volume de 
distribuição ou absorção de uma ou ambas as drogas. A interação digoxina-quinidina desloca a digoxina dos 
sítios de ligamento no miocárdio e músculo esquelético e diminui sua eliminação. Estas ações podem elevar as 
concentrações séricas da digoxina em até três vezes seus valores originais em todos os animais domésticos, com 
exceção ao cão. A dose da digoxina deve ser aumenta quando da administração concomitante com verapamil, 
amiodarona, captopril, espironolactona, triamtereno e, possivelmente, cimetidina. O propranolol, diltiazem e 
drogas parassimpatomiméticas podem exacerbar os efeitos vagais dos digitálicos. A intoxicação clínica por 
digitálico associada com eliminação reduzida da digoxina foi observada em administração concomitante com 
furosemida, aspirina e dieta pobre em sal em gatos. A aspirina aumenta as concentrações de digoxina no cão. 
e. Apresentações comerciais humanas: 
Digoxina, Lanoxin, Cedilanide, Digitoxina 
 
1.2. CATECOLAMINAS: 
 
Catecolaminas são compostos simpaticomiméticos com grupos hidroxila (-OH) fazendo substituição no anel 
aromático benzeno. Todas possuem meia-vida sérica breve, geralmente menos de dois minutos, e sofrem intenso 
metabolismo hepático em sua primeira passagem após a administração oral. São indicadas, portanto, apenas para 
o tratamento a curto prazo da insuficiência cardíaca grave. 
As catecolaminas aumentam a contratilidade principalmente pela estimulação dos \u3b2-receptores que, após uma 
seqüência de eventos bioquímicos, determinam um aumento na sensibilidade e/ou disponibilidade do cálcio 
intracelular, a via comum final pela qual a maioria das drogas inotrópicas positivas atua. 
 
1.2.1. Dopamina: 
a. Mecanismos de ação / Farmacocinética: 
A dopamina é um precursor da norepinefrina na via metabólica das catecolaminas. Receptores dopaminérgicos 
específicos estão localizados nos leitos vasculares renal, mesentérico, coronariano e cerebral, dilatando e 
aumentando o fluxo sanguíneo nestas áreas. 
A droga é rapidamente metabolizada no trato gastrointestinal após administração oral, obrigando seu uso através 
de infusão endovenosa contínua. 
b. Indicações: 
A dopamina tem três usos clínicos distintos, dependendo da dose administrada: 
\u2022 Tratamento da insuficiência renal oligúrica aguda, onde se usa doses baixas; 
\u2022 Apoio inotrópico e circulatório em pacientes com depressão cardiovascular, onde usa-se doses elevadas (até 
50 mcg/kg/min.) durante os esforços de ressuscitação e 
\u2022 Tratamento de choque cardiogênico relacionado a anestésicos, onde se inicia com uma dose de 1 
mcg/kg/min. e o paciente é monitorizado para aumentos na freqüência cardíaca, desenvolvimento de arritmias 
ventriculares ou supraventriculares e resposta da pressão sanguínea arterial. As velocidades de infusão são então 
criteriosamente aumentadas por incrementos de 3 a 5 mcg/kg/min. aproximadamente a cada 8 a 10 minutos, até 
que sejam atingidos os efeitos desejados ou que ocorram sintomas de intoxicação. 
c. Toxicidade e interações medicamentosas: 
A dopamina é contra-indicada em pacientes com feocromocitoma, fibrilação ventricular e taquiarritmias 
incorrigíveis. A dosagem da droga deve ser reduzida se aparecerem arritmias. 
Os efeitos colaterais são dose-dependentes, podendo ocorrer taquicardia, arritmias supraventriculares e/ou 
ventriculares, vômito, hipotensão, ou vasoconstricção. A intoxicação é tratada efetivamente pela redução ou 
interrupção da infusão, pois a meia-vida é menor que dois minutos. 
 
 
d. Apresentação comercial humana: 
Dopamin. 
 
1.2.2. Dobutamina: 
a. Mecanismos de ação: 
A dobutamina é um análogo sintético da dopamina e atualmente mais indicada que esta na terapia da 
insuficiência cardíaca, pois propicia os mesmos efeitos inotrópicos positivos, mas não possui seus efeitos 
vasodilatadores e não causa maiores alterações na pressão sanguínea. 
b. Indicações: 
O uso clínico da dobutamina está limitado a pacientes com insuficiência cardíaca grave, causada ou complicada 
por insuficiência ou depressão do miocárdio. Pode ser usada para tratar cães com insuficiência miocárdica aguda 
resultante de superdosagem anestésica, anormalidades metabólicas graves ou depressão miocárdica seguida de 
parada cardíaca. A droga deve ser administrada pela via endovenosa, por infusão contínua, na dosagem de 2,5 a 
10 µg/kg/min, podendo chegar até 40 µg/kg/min. O medicamento deve ser administrado por até 72 horas, sob 
monitoração. 
c. Toxicidade e interações medicamentosas: 
A dobutamina está contra-indicada em pacientes com estenose subaórtica hipertrófica ou qualquer moléstia 
cardíaca caracterizada por hipertrofia ventricular que poderia resultar numa obstrução do fluxo sob a estimulação 
por catecolamina. Deve ser usada com cautela em pacientes com fibrilação atrial, devendo estes ser previamente 
digitalizados. 
Os efeitos colaterais observados são similares aos decorrentes da administração da dopamina, taquiarritmias, 
vômito, nervosismo e convulsões (em gatos). A interrupção da droga é geralmente efetiva no alívio das arritmias 
ou outras manifestações tóxicas em 20 minutos, a menos que a superdosagem tenha resultado em dano 
permanente ao miocárdio. 
d. Apresentação comercial humana: 
Dobutrex. 
 
1.2.3. Isoproterenol: 
a. Mecanismos de ação / Farmacocinética: 
O isoproterenol é um agente \u3b21 e \u3b22 agonista, não possuindo atividades \u3b1 apreciáveis nas dosagens terapêuticas. 
Suas ações primárias são aumentar o inotropismo e cronotropismo, causar relaxamento na musculatura lisa 
bronquial e vasodilatação periférica. Tem ainda efeitos inibitórios na liberação de histamina e outras substâncias 
anafiláticas. Os efeitos hemodinâmicos incluem diminuição da resistência periférica total e aumentos do débito 
cardíaco, do retorno venoso e da descarga do marcapasso. A administração endovenosa resulta em efeitos 
imediatos, mas que persistem por pouco minutos. Após metabolismo no fígado e outros tecidos, aparece um 
metabólito fracamente ativo que é eliminado pela urina. 
b. Indicações: 
O isoproterenol é indicado no tratamento emergencial do bloqueio atrioventricular de alto grau ou completo, 
quando os anticolinérgicos se mostrarem inefetivos. Também é utilizado no tratamento do broncoespasmo. 
Emprega-se uma dosagem de 0,5 a 10 µg/min, via intravenosa. 
c. Toxicidade e interações medicamentosas: 
A droga é contra-indicada em pacientes com taquicardia e bloqueio atrioventricular causados por intoxicação 
digitálica. Deve ser usada com cautela em pacientes com insuficiência coronariana, hipertireoidismo, doença 
renal, hipertensão e diabetes. 
O isoproterenol pode causar taquicardia, ansiedade, tremores, excitabilidade, fraqueza e vômito. Devido à ação 
fugaz, os efeitos colaterais são usualmente transitórios e não requerem que a terapia seja suspensa, mas apenas 
uma diminuição na dosagem ou na velocidade de infusão. Como o isoproterenol é mais arritmogênico do que a 
dopamina ou a dobutamina, é raramente usado no tratamento da insuficiência cardíaca. 
 
 
 
 
2. VASODILATADORES: 
 
2.1. VASODILATADORES BALANCEADOS: 
 
2.1.1. Inibidores da enzima conversora da angiotensina: 
Os inibidores da ECA (enzima conversora da angiotensina) atuam bloqueando a conversão da angiotensina I em 
a angiotensina II. Esta última é um potente constritor arteriolar e venodilatador, que também funciona como 
estimulador da liberação de aldosterona pelo córtex da adrenal. Os inibidores