Fundamentos de Terapêutica Veterinária
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de infusão constante de 25-40 µg/kg/min ou então uma dose de 6-20 mg/kg/IM/q 4-6 h. Doses 
iniciais de mantença serão de 15 mg/kg/IV lento/q 4 h ou 17,5 mg/kg/VO/q 4 h. Nos casos de complexos 
ventriculares prematuros, a dose será de 6,6-22 mg/kg/q 4 h/VO. Já nas taquicardias ventriculares, a dose será de 
6,6-8,8 mg/kg/IV durante 5 minutos, seguindo-se infusão de 11-4 0µg/kg/min. 
 
c. Toxicidade e interações medicamentosas: 
A terapêutica com procainamida deve ser interrompida quando bloqueio cardíaco completo, prolongamento do 
complexo QRS, anorexia, náusea ou vômito ocorrerem. A hipotensão deve ser corrigida antes da administração 
da droga. 
A procainamida deve ser usada com extrema cautela em pacientes com intoxicação digitálica, doença hepática 
ou renal ou em pacientes com ICC. O fármaco pode potencializar os efeitos de outras drogas hipotensoras. 
d. Apresentação comercial humana: 
Procamide. 
 
3.1.3. Lidocaína: 
 
a. Mecanismos de ação / Farmacocinética: 
A lidocaína age ligando-se aos canais rápidos de sódio quando estes estão inativos, inibindo a restauração das 
cargas após a repolarização. Esta ação encurta o período refratário efetivo, deprime automaticidade e suprime os 
focos ectópicos aceleradores, aumentando significativamente o limiar para a fibrilação ventricular no cão. 
Embora diminua a excitabilidade e condutividade ventriculares, não afeta a contratilidade do miocárdio, pressão 
sanguínea arterial sistêmica ou o período refratário absoluto quando administrado em dosagens terapêuticas. 
A droga não é efetiva para uso oral, pois seriam necessárias doses muito altas que levariam à intoxicação antes 
que os níveis terapêuticos fossem alcançados. Após a administração endovenosa, a ação é geralmente iniciada 
em 2 minutos, com duração de 10-20 minutos. Injeções IM podem ser dadas a cada 1,5 horas no cão, mas devem 
ser reservadas apenas naqueles casos onde a infusão IV é impossível. A lidocaína é rapidamente metabolizada no 
fígado em metabólitos ativos e excretada pela urina. 
b. Indicações: 
Apesar de ser primariamente um anestésico tópico e local, a lidocaína é usada no tratamento imediato das 
arritmias ventriculares, principalmente taquicardia ventricular e complexos ventriculares prematuros em todas as 
espécies; após o controle inicial da arritmia, a droga deve ser substituída por outro antiarrítmico de ação mais 
prolongada. O gato tende a ser mais sensível à lidocaína, sendo desaconselhado seu uso nesta espécie. 
Como antiarrítmico, deve-se utilizar a lidocaína sem vasoconstrictor (epinefrina ou outro), pois os efeitos 
concomitantes destes poderiam interferir no tratamento, causando alterações potencialmente perigosas 
dependendo do quadro clínico do animal. As dosagens recomendadas para o cão são de 2-4 mg/kg, IV lento, 
passando para infusão constante de 25-80 µg/kg/min. As dosagens recomendadas para o gato são 0,5 mg/kg, IV 
lento. 
c. Toxicidade e interações medicamentosas: 
A lidocaína está contra-indicada em pacientes com hipersensibilidade conhecida aos anestésicos locais e 
bloqueio do nodo SA, AV ou intraventricular. Deve ser usada com cautela em pacientes com doença hepática, 
ICC, choque, hipovolemia, depressão respiratória grave ou hipóxia. Pacientes com bradicardia ou bloqueio 
 
 
cardíaco incompleto com complexos ventriculares prematuros devem receber a droga com cuidado, a não ser que 
a frequência cardíaca esteja inicialmente acelerada. 
Se as dosagens forem mantidas em níveis terapêuticos, os efeitos adversos são raros. Os sinais de intoxicação 
incluem depressão, ataxia, náuseas, vômitos, tremores musculares e convulsão, que geralmente cedem logo após 
a interrupção da terapia. 
d. Apresentações comerciais humanas: 
Lidocaína Simples, Lidocaína e Lidocord. 
 
3.2. ANTIARRÍTMICOS DA CLASSE II: 
 
3.2.1. Propranolol: 
a. Mecanismos de ação / Farmacocinética: 
O propranolol é um \u3b2-bloqueador não-seletivo, bloqueando receptores \u3b21 e \u3b22 adrenérgicos no miocárdio, 
brônquios e musculatura vascular lisa. Adicionalmente, o propranolol possui efeito estabilizador de membranas, 
afetando o potencial de ação e com efeitos depressores diretos sobre o miocárdio. Os efeitos cardiovasculares 
incluem diminuição da frequência cardíaca, depressão da condução AV, diminuição do débito cardíaco no 
repouso e durante o exercício, diminuição da demanda de oxigênio no miocárdio, diminuição do fluxo sanguíneo 
renal e hepático, redução da pressão sanguínea e inibição da taquicardia induzida pelo isoproterenol. 
A droga é bem absorvida pela via oral e, como os demais agentes cardioativos, tem metabolismo hepático e 
excreção renal. 
b. Indicações: 
O Propranolol é usado primariamente em medicina veterinária como um antiarrítmico na terapia de complexos 
prematuros atriais, complexos prematuros ventriculares, complexos supraventriculares prematuros, 
taquiarritmias, taquicardias atriais ou ventriculares secundárias à digitalização e fibrilação atrial, melhorando 
ainda o desempenho cardíaco em animais com cardiomiopatia hipertrófica. Tem sido usado também na 
hipertensão sistêmica e em sintomas associados com tireotoxicose e feocromocitoma. As dosagens 
recomendadas para o cão são de 0,04-0,06 mg/kg/EV lento ou 0,2-1,0 mg/kg/q 8 h/VO. Para hipertrofia 
ventricular devido à estenose aórtica, usar 0,125-0,25 mg/kg/VO/q 12 h. Para arritmias ventriculares: 0,02-0,06 
mg/kg/EV, durante 2-3 minutos ou 0,2 mg/kg/VO/q 8 h, num máximo de 1mg/kg/dia. Para cardiomiopatia 
hipertrófica: 0,3-1,0 mg/kg/VO/q 8 h, num máximo de 120 mg/dia. Para hipertensão: 2,5-10 mg/VO/q 8-12 h. As 
dosagens recomendadas para o gato são de 0,04 mg/kg/EV lento ou 2,5-5,0 mg/kg/VO/q 8-12 h. 
c. Toxicidade e interações medicamentosas: 
Os efeitos tóxicos do propranolol estão quase sempre relacionados a excessivo \u3b2-bloqueio. Não deve ser usado 
em animais com asma, bradicardia, bloqueio cardíaco ou em pacientes com insuficiência cardíaca evidente e 
função deficiente do miocárdio. Outros efeitos colaterais potenciais são distúrbios gastrointestinais, fraqueza, 
distúrbios visuais, e trombocitopenia. Os \u3b2-bloqueadores podem reduzir a compensação simpática para a 
hipoglicemia, e podem necessitar de alterações na dosagem de insulina no paciente diabético, para impedir a 
hipoglicemia. O propranolol prolonga significativamente a meia-vida da lidocaína, devido a reduções no fluxo 
sanguíneo hepático, podendo assim predispor a intoxicação por esta droga na associação. A súbita suspensão das 
drogas \u3b2-bloqueadoras pode causar favorecimento na sensibilidade aos \u3b2-agonistas, podendo resultar em 
taquiarritmias e/ou hipertensão; a suspensão da administração, quando necessária, deve ser feita por redução 
gradativa ao longo de vários dias. 
d. Apresentações comerciais humanas: 
Inderal, Propranolol e Propranolol Ayerst. 
 
3.3. ANTIARRÍTMICOS DA CLASSE IV: 
 
3.3.1. Diltiazem: 
a. Mecanismos de ação / Farmacocinética: 
O diltiazem é um bloqueador dos canais de cálcio de mecanismo ainda desconhecido, mas sabe-se que inibe o 
influxo transmembrana de cálcio extracelular nas células miocardiais e musculatura vascular lisa, não alterando 
as concentrações séricas de cálcio. Este efeito leva a uma inibição da contratilidade cardíaca e da musculatura 
 
 
lisa, dilatando o sistema principal e as artérias coronarianas. Pressão sanguínea, resistência periférica total e pós-
carga são reduzidas. 
A droga é bem absorvida pelo tubo digestivo e possui metabolismo hepático e excreção renal. 
b. Indicações: 
O diltiazem é indicado no tratamento da fibrilação atrial, taquicardias supraventriculares, cardiomiopatia 
hipertrófica e taquiarritmias atriais, particularmente aquelas geradas por mecanismo de reentrância. As dosagens 
recomendadas para o cão são de 0,5-1 (até 1,5) mg/kg via oral, q8h, para o tratamento das taquiarritmias 
supraventriculares. Para