Fundamentos de Terapêutica Veterinária
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\u2022 Fase II: Iniciar com os 4 D's: Dieta, digoxina, diurético (furosemida) e dilatador (inibidor da ECA); 
 
Paciente recebendo diuréticos devem receber também um agente que iniba o sistema renina-angiotensina 
como, por exemplo, o enalapril. 
 
\u2022 Fase III: Acrescentar aos 4 D's um segundo vasodilatador (hidralazina) e, se necessário, realizar bloqueio 
seqüencial do néfron com espironolactona. Nos casos mais graves, hospitalizar o animal e introduzir 
oxigenioterapia e nitroglicerina. 
 
b. Endocardite bacteriana: 
\u2022 Animais com insuficiência cardíaca têm prognóstico desfavorável; 
\u2022 Deve-se proceder com a antibioticoterapia baseada na cultura e antibiograma, iniciando com administração 
endovenosa; 
\u2022 Quando houver a insuficiência cardíaca, iniciar com os 4D's; 
\u2022 Fornecer analgésicos, pois normalmente existem alterações articulares dolorosas concomitantes. 
 
c. Miocardiopatia dilatada canina: 
\u2022 Fase I: Educação do cliente, suplementação com taurina ou l-carnitina, digitálicos e inibidores da ECA; 
\u2022 Fase II: 4 D's, suplementação com taurina ou l-carnitina e bloqueadores-\u3b2 em doses baixas; 
\u2022 Fase III: Acrescentar ao esquema anterior um segundo vasodilatador (hidralazina ou isossorbida) e proceder, 
se necessário, ao bloqueio seqüencial do néfron com espironolactona. Nos casos mais graves, hospitalizar o 
animal e introduzir oxigenioterapia, nitroglicerina e inotrópicos endovenosos. 
 
d. Miocardiopatia hipertrófica felina: 
\u2022 Fase I: Diltiazem ou um \u3b2-bloqueador (atenolol, pois é administrado a cada 24 horas, facilitando a 
administração); 
\u2022 Fase II: Acrescentar ao esquema anterior um diurético (furosemida), um inibidor da ECA e aspirina (para 
prevenção do tromboembolismo aórtico); 
\u2022 Fase III: Furosemida, diltiazem, oxigenioterapia, dieta, nitroglicerina, inibidor da ECA, toracocentese em 
pacientes com efusão pleural e aspirina (para prevenção do tromboembolismo aórtico). 
 
e. Miocardiopatia arritmogênica (miocardiopatia do Boxer:): 
\u2022 Fase I: Avaliar a necessidade de um tratamento; 
 
 
\u2022 Fase II: Introduzir terapia antiarrítmica com procainamida e, caso não haja resposta adequada, procainamida 
+ propranolol (ou mexiletina) ou propranolol + quinidina + procainamida. 
 
f. Cor pulmonale: 
\u2022 Oxigenioterapia; 
\u2022 Repouso, pois estes animais estão hipertensos; 
\u2022 Se necessário, iniciar terapia com hidralazina; 
\u2022 Tratar a causa primária. 
 
g. Bradicardia sinusal: 
\u2022 Tratar a causa primária; 
\u2022 Iniciar terapia com atropina ou isoproterenol. 
 
h. Bloqueio atrioventricular (bloqueio AV II grau avançado e III grau): 
\u2022 Marcapasso; 
\u2022 Iniciar terapia com terbutalina em casos de BAV IIº. 
 
i. Síndrome do seio enfermo: 
\u2022 Marcapasso; 
\u2022 Iniciar terapia com terbutalina. 
 
j. Taquicardia sinusal: 
É uma resposta normal ao exercício, dor ou ativação simpática. Proceder com o tratamento da causa. 
 
l. Taquicardia atrial: 
\u2022 Iniciar terapia com digoxina + propranolol (droga de escolha para gatos) quinidina ou procainamida; 
\u2022 Corrigir potássio e magnésio, pois podem ser a causa da arritmia; 
 
m. Taquicardia ventricular: 
Tratar apenas quando houver instabilidade hemodinâmica e/ou elétrica; 
\u2022 Na emergência, introduzir terapia à base de lidocaína (diminui a duração do potencial de ação) e/ou 
procainamida (prolonga o período refratário em átrios e ventrículos); 
\u2022 Quando o paciente estiver estável, iniciar monoterapia com os antiarrítmicos da classe I (lidocaína, 
procainamida), II (bloqueadores-\u3b2) ou IV (verapamil ou diltiazem); 
\u2022 Quando o paciente está estável, mas a monoterapia não funciona, associar uma droga de classe diferente: 
mexiletina ou associação da procainamida com um \u3b2-bloqueador ou procainamida com mexiletina. 
 
n. Fibrilação atrial: 
O tratamento visa diminuir a frequência ventricular (<150 bpm), retardando a condução do impulso no nodo AV. 
\u2022 A digitalização do paciente é necessária, porém a monoterapia controla a frequência ventricular em apenas 
20% dos pacientes, sendo necessário, portanto, adicionar outras drogas; 
\u2022 Adicionar diltiazem (é um bloqueador de canal de cálcio de escolha na insuficiência cardíaca, pois deprime 
menos o miocárdio, pode reverter a fibrilação atrial e ainda é um vasodilatador) ou um bloqueador-\u3b2 
(propranolol ou atenolol, que são mais acessíveis em relação ao custo, mas não revertem a fibrilação atrial). 
 
o. Fibrilação ventricular: 
\u2022 Ressuscitação; 
\u2022 Desfibrilação; 
\u2022 Adrenalina; 
\u2022 Bicarbonato de sódio, que não deve ser feito no início da ressuscitação, pois pode agudizar a falência 
respiratória. 
 
 
 
p. Insuficiência cardíaca bilateral: 
\u2022 Iniciar os 4 D's (dieta, digoxina, diurético, dilatador); 
\u2022 Otimizar a terapia do problema primário; 
\u2022 Furosemida IV ou SC por 48-72 horas; 
\u2022 Toracocentese em pacientes com efusão pleural. 
 
q. Insuficiência cardíaca refratária: 
\u2022 Corrigir as complicações: Febre, infecções, hipertireoidismo (extracardíaca), ruptura de corda tendínea, 
regurgitação de mitral (intracardíaca); 
\u2022 Otimizar a terapia (4D's); 
\u2022 Adicionar novas drogas (tiazida ou espironolactona, para promover bloqueio seqüencial do néfron, e adição 
de um segundo vasodilatador, como a hidralazina); 
\u2022 Promover a terapia endovenosa. 
 
r. Conclusões: 
A terapia da insuficiência cardíaca visa diminuir o volume circulante, corrigir o déficit na contratilidade, corrigir 
as complicações e aumentar a sobrevivência. 
 
2. PARADA CARDÍACA / RESSUSCITAÇÃO CARDIOPULMONAR: 
 
O choque cardiogênico requer medidas imediatas de ressuscitação devido à evolução aguda. Os sinais de 
falência cardíaca incluem ausência de pulso arterial periférico e bulhas cardíacas; pela palpação pré-cordial, não 
se detectam batimentos cardíacos; as pupilas estão dilatadas e fixas. Há inconsciência, falta de reflexos, as 
membranas estão pálidas ou cianóticas, a respiração é agônica ou apnéica, o fluxo sanguíneo é pobre. A área 
operatória ou de ferimento recente não sangram e os tecidos têm aspecto cianótico. 
É importantíssimo lembrar que o paciente em parada cardiopulmonar não sobrevive mais que 4 minutos, mesmo 
que se inicie ressuscitação efetiva após este período. 
O objetivo principal da ressuscitação cardiopulmonar é prevenir a lesão cerebral irreversível e restaurar o 
funcionamento efetivo do coração e pulmão. Os procedimentos básicos de ressuscitação cardiopulmonar 
compreendem medidas de apoio respiratório e circulatório. 
 
 
Procedimentos básicos recomendados para a ressuscitação cardiopulmonar: 
 
1. Estabelecer e assegurar ventilação pulmonar #12 movimentos/minuto 
 
2. Instituir massagem cardíaca externa # pressão sobre a 6ª costela 
 Relação ventilação/massagem cardíaca: 
 - Uma ventilação: 5 compressões ou 
 - Duas ventilações: 15 compressões 
 
3. Expandir a volemia: 
 Solução de Ringer-lactato e Haemacel, na proporção de 3:1 
 
4. Estabelecer diagnóstico diferencial 
 - Parada cardíaca 
 -Fibrilação ventricular 
 
 
 
A parada cardíaca caracteriza-se por falta de atividade elétrica e contrátil do coração. As células marcapasso do 
nodo sino-atrial não conseguem iniciar os impulsos excitatórios, e os mecanismos de escape, envolvendo os 
tecidos marcapasso latentes do sistema cardíaco de condução, também não desenvolvem o impulso. Os 
procedimentos recomendados incluem: 
 
 
 
 
Protocolo de ressuscitação cardiopulmonar na vigência de parada cardíaca: 
 
1. Medidas iniciais: 
 - Ventilação pulmonar; 
 - Massagem cardíaca; 
 - Expandir a volemia 
 
2. Administração de adrenalina 1:10.000: 
 - 0,1 a 0,5 ml 
 - Continuar massagem cardíaca 
 
3. Combater a acidose: 
 - Solução hidroeletrolítica balanceada; 
 - Bicarbonato de sódio conforme gasometria 
 
4. a) Resposta negativa: 
 - Cloreto de cálcio 10% (IV) - 0,1 a 0,3 ml/kg;