Manual do Jovem Advogado - 76PG - LIVRO (1)
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DisciplinaIntrodução ao Direito I86.604 materiais502.609 seguidores
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ou outras provas que julgar necessárias, mediante requerimento das 
partes ou de ofício, tal como ocorre no Poder Judiciário. 
 
Em ocorrendo a revelia da parte demandada, os árbitros não ficarão impedidos de proferir a 
sentença. A sentença será proferida no prazo estipulado pelas partes, podendo ser prorrogado este prazo 
desde que haja consenso. Caso estas não tenham estipulado tal data, o limite máximo é de 6 (seis) 
meses, contados da instituição da arbitragem ou substituição do árbitro. 
 
Os requisitos da sentença arbitral estão descritos no artigo 26 da Lei, sendo itens obrigatórios: 
relatório; fundamentos da decisão; dispositivo em que os árbitros resolverão as questões; prazo para 
cumprimento da decisão, se necessário, e data e lugar em que a sentença foi proferida. 
 
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Se as partes, durante o procedimento arbitral, resolverem transacionar seus interesses, os 
árbitros poderão, a pedido daquelas, declarar tal fato mediante sentença arbitral, nos termos do artigo 26. 
 
A sentença arbitral é irrecorrível, somente podendo ser anulada pelo Poder Judiciário se algum 
dos requisitos estabelecidos pelo artigo 32 for constatado. O prazo para requer a nulidade da sentença 
arbitral é de 90 (noventa dias), a partir da notificação da decisão. Caso a sentença arbitral já esteja 
sendo executada pela parte contrária no Poder Judiciário, é possível argüir nos embargas à execução 
eventual nulidade da mesma. 
 
É possível, caso entenda a parte ter ocorrido um erro material na sentença arbitral, requerer 
que tal erro seja sanado pelos árbitros. Há também a possibilidade de a parte requerer que os árbitros 
esclareçam eventual dúvida, contradição ou obscuridade. 
 
A lei assegura (art. 34 e 35) que a sentença arbitral estrangeira poderá ser reconhecida ou 
executada no Brasil, desde que homologada pelo STF. 
 
Vale lembrar que o processo judicial poderá ser extinto sem julgamento de seu mérito caso 
haja convenção de arbitragem (artigo 267, VII do CPC), competindo à parte alegar tal fato em sede de 
preliminar (artigo 301, IX do CPC). 
 
Por derradeiro, destacamos que o recurso da sentença que julgar procedente o pedido de 
instituição de arbitragem somente será recebido no efeito devolutivo. 
 
Com as considerações acima procuramos expor alguns dos principais pontos da lei de 
arbitragem, uma importante alternativa para a solução de conflitos e controvérsias. Porém, para que o 
advogado tenha acesso a mais este campo de trabalho, é essencial que não perca mais tempo e se 
aperfeiçoe nos seus fundamentos, já que as empresas estão prestigiando cada vez mais este sistema, 
preferindo soluções negociadas a longos enfrentamentos judiciais. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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DIREITO DESPORTIVO: UM NOVO RAMO, UM NOVO CAMPO 
 
JONAS TADEU PARISOTTO 
 
 
O Homem pratica atividades desportivas há séculos. Muito antes da Era Cristã, as cidades 
gregas paralisavam conflitos e guerras para realizar os jogos que deram origem às olimpíadas. 
Entretanto, o surgimento do Direito Desportivo ocorreu apenas a partir do século XIX, com a criação de 
clubes de futebol na Inglaterra, e, segundo registros históricos, a sua primeira manifestação se deu em 
competições de ciclismo que atravessavam diversos países da Europa, promovidas pela Union Ciclist 
Internacionale, fundada em Paris, em 1885, sendo que as disposições e normas estatutárias desta 
entidade internacional eram reconhecidas e prevaleciam sobre qualquer outra. 
 
A partir do final do século XIX temos o surgimento de várias entidades: em 1894 foi fundado 
em Paris o Comitê Olímpico Internacional; a FIFA (Federação Internacional das Associações de 
Futebol), foi, por sua vez, fundada em Zurich, em 1904; a Fédération Internationale de Natacion 
Amateur, em Londres, em 1908; a International Amateur Athletic Federation, em Berlim, em 1913; a 
Fédération Internationale de Basketball Amateur, em Lausanne, em 1933, dentre tantas outras. 
 
No Brasil, com a chegada do futebol trazido da Inglaterra em 1878, e do surgimento de 
diversos clubes, foi fundada, em 1901, a Liga Paulista de Foot Ball, a primeira associação de futebol do 
Brasil e em 1914, surge a Federação Brasileira de Sports, que em 1916 passou a ser denominada 
Confederação Brasileira de Desportos (CBD), nome que manteve até 1979, quando adotou a 
denominação atual: Confederação Brasileira de Futebol (CBF), isto por imposição da FIFA, numa 
exigência de que todas as entidades nacionais de futebol fossem exclusivas desse esporte, ao contrário 
da Confederação Brasileira de Desportos (CBD) que abrangia outras modalidades esportivas. 
 
Deste modo, o desporto necessitou que se editassem normas que o disciplinassem, exigindo 
um ordenamento jurídico-desportivo capaz de dirimir os conflitos e controvérsias que surgissem. Assim, 
os primeiros dispositivos legais que se tem conhecimento são o Decreto-Lei nº 526/38, que criou o 
Conselho Nacional de Cultura, que tinha como subordinado a Educação Física; o Decreto-Lei nº 1056, 
de 1939, que instituiu a Comissão Nacional dos Desportos, e o Decreto-Lei nº 3199 de 1941, que criou o 
CND (Conselho Nacional de Desportos), de âmbito nacional, e os Conselhos Regionais de Desportos, de 
abrangência estadual. 
 
Com a evolução dos esportes no Brasil instituíram-se as normas gerais sobre desportos, 
através da Lei nº 6.251/75, e, no ano seguinte, a Lei nº 6.354, a \u201cLei do Passe\u201d, ainda parcialmente 
vigente, e em 1993, a Lei 8.672, conhecida como \u201cLei Zico\u201d, revogada pela Lei nº 9.615/98, a atual lei 
geral sobre desportos, e que, com suas alterações, ficou conhecida por \u201cLei Pelé\u201d. 
 
Com o advento da Constituição Federal de 1988, o desporto ganha status constitucional, 
cabendo a União legislar sobre normas gerais (art. 24, IX, § 1º) e assevera que é dever do Estado 
fomentar práticas desportivas formais e não-formais, como direito de cada cidadão (artigo 217), 
preconizando em seus incisos e parágrafos o dever do Estado de fomentar as práticas desportivas, a 
autonomia das entidades desportivas, o tratamento diferenciado para o desporto profissional e o não 
profissional e a Justiça Desportiva. E é justamente a promulgação da Carta Magna que se apresenta 
como marco deste novo segmento profissional. 
 
Como ensina o jurista Marcílio Krieger, \u201ca partir da promulgação da Carta Magna, o Direito 
Desportivo começa a se firmar como um ramo autônomo, aperfeiçoando-se e ampliando sua 
abrangência, indo buscar subsídios e amparos no Direito Civil (contratos de imagem; de franchising), no 
Direito do Trabalho (as relações de trabalho jogador/entidade de prática desportiva), Direitos Penal e 
Processual Penal (a punibilidade; a dosimetria da pena); Direitos Tributário, Previdenciário, Fundiário ... 
\u201d. Some-se a isto o Direito Constitucional, Empresarial, Internacional, do Consumidor, da Criança e do 
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Adolescente, Securitário e Eleitoral, dentre outros ramos que enriquecem o Direito Desportivo, sem 
retirar, contudo, sua autonomia. 
 
Atualmente a legislação desportiva federal vigente é Lei nº 9.615/98 \u2013 Lei Geral Sobre 
Desportos, com suas alterações, conhecida por \u201cLei Pelé\u201d; a Lei nº 6.354/76 \u2013 Relações do Trabalho do 
Atleta Profissional - \u201cLei do Passe\u201d (ainda parcialmente vigente); a Lei nº 8.650/93 \u2013 Relações do 
Trabalho do Técnico de Futebol; a Lei nº 10.671/03, Estatuto de Defesa do Torcedor; as Leis nº 
10.264/01 (\u201cLei Agnelo/Piva\u201d) e nº 10.891/04 (Bolsa Atleta) e o Código Brasileiro de Justiça Desportiva 
- CBJD. 
 
Com a vertiginosa consolidação como ramo autônomo de Direito, o Direito Desportivo vem a 
cada ano ganhando mais espaço entre os operadores do direito que corretamente o enxergam como um 
emergente campo de trabalho, principalmente para os advogados recém-formados, surgindo,