Manual do Jovem Advogado - 76PG - LIVRO (1)
76 pág.

Manual do Jovem Advogado - 76PG - LIVRO (1)


DisciplinaIntrodução ao Direito I86.611 materiais502.627 seguidores
Pré-visualização24 páginas
desconhecidos\u201d para muitos são aqueles 
classificados na seara da propriedade intelectual, tais como as marcas, patentes, desenhos industriais, 
cultivares e direitos autorais. Como sua própria denominação esclarece, os bens de natureza intelectual 
são produtos da inteligência humana, e justificam a tutela do ordenamento jurídico porque, conforme 
salienta Antonio Chaves, \u201cabraçam em seu conteúdo faculdades de ordem pessoal e faculdades de 
ordem patrimonial\u201d (Direito de Autor, Forense, vol. 1, p. 7). Assim, a administração dos interesses de 
quem produz obras de natureza intelectual, e de quem as explora, enquanto titular ou licenciado, 
sintetiza um grande campo de atuação para os advogados. Porém, mesmo vivendo em uma sociedade 
fortemente industrializada, ainda não compreendemos totalmente a importância da propriedade 
intelectual. 
 
Grande parte da responsabilidade pela ausência de \u201cintimidade\u201d do advogado com essas 
figuras pode ser imputada às faculdades de Direito, que, em sua grande maioria, ignora ou subestima a 
relevância de instrumentos que as empresas de maior parte manuseiam há muito tempo, e que pequenas 
e médias também começam a utilizar com mais freqüência, dado seu enorme potencial econômico. Mas 
não basta repreender a desídia dos estabelecimentos de ensino de Direito se o advogado não busca 
complementar o aprendizado (ainda que eventualmente limitado) obtido durante a Faculdade com 
informações mais específicas, encontradas em palestras, seminários, cursos e com a leitura de obras 
próprias. 
 
 
Propriedade Intelectual 
 
 
Conforme já mencionado acima, as marcas, patentes e desenhos industriais (Lei federal n.º 
9.279/96) e as cultivares (lei federal 9456/97) são os principais itens da propriedade intelectual, ao lado 
dos direitos autorais (lei federal 9.609/98 e 9.610/98), mas, dada a extensão de todos esses temas, 
concentraremos nossa abordagem nos direitos autorais. Nosso objetivo consiste justamente em 
apresentar um panorama bastante objetivo da legislação que aborda esse segmento da propriedade 
intelectual, obviamente sem a pretensão de esgotar a matéria, pois complexa e dependente de contínuo 
estudo para uma melhor compreensão. 
 
 
Rol dos Direitos Autorais 
 
 
Sob a nomenclatura direito de propriedade intelectual classificamos os direitos de 
propriedade industrial (marcas, patentes, modelos de utilidade e desenhos industriais), e o direito 
autoral. Enquanto os primeiros englobam as obras suscetíveis de exploração fabril, o último 
compreende, as seguintes criações do espírito humano, que podem ser exteriorizadas por qualquer meio: 
 
- textos de obras literárias, científicas e artísticas; 
 
- conferências, alocuções, sermões e obras de natureza semelhante; 
 45
 
- obras dramáticas e dramático-musicais, tais como peças de teatro; 
 
- coreografias e pantomímicas; 
 
- composições musicais, com ou sem letra; 
 
- obras audiovisuais, sonorizadas ou não, inclusive as cinematográficas (filmes, novelas de 
televisão, documentários etc); 
 
- fotografias; 
 
- desenhos, pinturas, gravuras, esculturas, litografia e arte cinética; 
 
- ilustrações, cartas geográficas e obras de igual natureza; 
 
- projetos, esboços e obras plásticas concernentes à geografia, engenharia, topografia, arquitetura, 
paisagismo, cenografia e ciência; 
 
- adaptações, traduções e outras transformações de obras originais, desde que apresentadas como 
criação intelectual nova; 
 
- programas de computador; 
 
- coletâneas, compilações, antologias, enciclopédias, dicionários, bases de dados e outras obras de 
seleção ou organização que constituam uma criação intelectual. 
 
 
 Esse rol, transcrito do artigo 7º da Lei federal 9.610/98, diploma legal que regula os direitos 
autorais no Brasil, apresenta o conjunto de itens que podem ser objeto de proteção, tais como filmes, 
músicas, livros, artigos literários e pinturas, dentre outros, isso independentemente de registro (art. 18), 
que é facultativo (art. 19). Essa é uma característica que distingue os direitos autorais das marcas e 
patentes, já que o registro destas é indispensável para se obter sua proteção legal. 
 
 
Softwares (Programas de Computador) 
 
 
Ainda sobre o referido rol de direitos autorais, é relevante informar que os programas de 
computador (software), apesar de relacionados no inciso XII do art. 7º, recebem tratamento específico na 
forma da lei 9.609/98, sendo conceituados como uma \u201cexpressão de um conjunto organizado de 
instruções em linguagem natural ou codificada, contida em suporte físico de qualquer natureza, de 
emprego necessário em máquinas automáticas de tratamento da informação, dispositivos, instrumentos 
ou equipamentos periféricos, baseados em técnica digital ou análoga, para fazê-los funcionar de modo 
e para fins determinados.\u201d 
 
A Lei federal 9.610/98 disciplina que a proteção aos direitos autorais decorrentes de software 
vigerá pelo prazo de 50 (cinqüenta) anos, a contar do ano seguinte à sua publicação, ou, sendo ausente 
esta, da data de sua criação (art. 2º, § 2º). Assim como as demais obras autorais, a salvaguarda aos 
programas de computador independe de registro (art. 2º, § 3º), que é facultativo (art. 3º). A mencionada 
lei disciplina a utilização dos programas através do contrato de licenciamento (art. 9º), exigindo, nos 
casos de transferência de tecnologia via softwares, que os contratos, para que produzam efeitos contra 
terceiros, sejam registrados no INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial), conforme art. 11. 
 
 46
Por derradeiro, os artigos 12 a 14 tratam das sanções penais e ações civis que podem ser 
impostas aos que desrespeitarem a lei. 
 
 
Projetos de Engenharia e Arquitetura 
 
 
Também constantes do rol do art. 7º da Lei federal 9.610/98, os projetos de engenharia, 
topografia e arquitetura (inciso X) foram lembrados pelo legislador; assim, o projeto de uma residência, 
de um prédio comercial ou de um equipamento são protegidos pela lei de direitos autorais, sendo 
recomendável ao autor, nestes casos, se valer da faculdade da legislação para o fim de registrar seus 
projetos no órgão correspondente (CREA). Além de assegurar sua autoria, é uma importante prova em 
casos de utilização ou modificação indevida. 
 
 
Criações não protegidas pela legislação de Direitos Autorais 
 
 
No seu artigo 8º e incisos a Lei federal 9.610/98 dispõe sobre os itens que não são 
consideradas obras de direito autoral: idéias, procedimentos normativos, sistemas, métodos, projetos ou 
conceitos matemáticos; esquemas, planos ou regras para realizar atos mentais, jogos ou negócios; 
formulários em branco e suas instruções, textos de tratados ou convenções, leis, decretos, regulamentos, 
decisões judiciais e atos oficiais; informações de uso comum, como agendas, cadastros e legendas; 
nomes e títulos isolados e o aproveitamento industrial ou comercial das idéias contidas nas obras. 
 
 
Direitos Morais do Autor 
 
 
A lei considera como autores de obras intelectuais somente as pessoas físicas (art. 11); 
examinando, porém, a distinção existente entre direitos autorais morais e patrimoniais, veremos que as 
pessoas jurídicas poderão ser titulares destes últimos. A lei 9.610/98 classifica como direitos autorais 
morais (art. 24 e incisos), os seguintes direitos, que competem ao autor: 
 
- reivindicar, a qualquer tempo, a autoria de sua obra; 
 
- ter o seu nome indicado ou anunciado como o de autor da obra; 
 
- conservar a obra inédita; 
 
- assegurar a integridade da obra, posicionando-se de forma contrária a alterações sem seu 
consentimento; 
 
- modificar a obra, antes ou depois de utilizada; 
 
- o de retirar de circulação a obra ou de suspender utilização autorizada,