93539070-Baruch-Spinoza-Etica-Demonstrada-a-maneira-dos-Geometras-PT-BR
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DisciplinaÉtica Filosófica e Ética Profissional254 materiais1.825 seguidores
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sobre o que foi dito sobre este assunto na Parte I, da Proposição 16 até o 
final. Pois ninguém poderá perceber corretamente o que quero mostrar se não tomar extremo cuidado em não 
confundir a potência de Deus com a potência e o direito dos Reis.
PROPOSIÇÃO IV
A idéia de Deus, donde se seguem infinitas coisas de infinitos modos, só pode ser única.
Tradução: Roberto Brandão
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. 
B. de Spinoza \u2014 Ética demonstrada em ordem geométrica
Demonstração
Um intelecto infinito compreende somente os atributos de Deus e suas afecções (pela Prop. 30 P I). Ora Deus 
é único (pelo Cor. 1 Prop 14 P I). Portanto a idéia de Deus, donde se seguem infinitas coisas de infinitos 
modos, só pode ser única. QED
PROPOSIÇÃO V
O ser formal das idéias reconhece como causa Deus apenas enquanto considerado como coisa pensante e não enquanto 
ele é explicado por qualquer outro atributo. Isto é, as idéias, tanto dos atributos de Deus como das coisas singulares, 
reconhecem por causa eficiente não seus ideados, ou, dito de outro modo, as coisas percebidas, mas o próprio Deus 
enquanto ele é coisa pensante.
Demonstração
Isto é evidente a partir da Proposição 3. Pois nela concluímos que Deus pode formar uma idéia de sua 
essência e de tudo o que dela se segue necessariamente. E isto do simples fato de ser Deus coisa pensante e não 
de ser ele objeto de sua própria idéia. Portanto, o ser formal das idéias reconhece por causa Deus enquanto ele é 
coisa pensante.
Mas há outro modo de demonstrá-lo. O ser formal das idéias é um modo do pensamento (como é evidente), isto 
é (pelo Cor. Prop 25 P I) um modo que exprime de maneira precisa a natureza de Deus enquanto coisa 
pensante, e (pela Prop. 10 P I), que não envolve o conceito de nenhum outro atributo de Deus. 
Consequentemente (pelo Axioma 4 P I), é efeito apenas do atributo pensamento e não de nenhum outro. 
Então, o ser formal das idéias reconhece por causa Deus, enquanto considerado como coisa pensante, etc. QED
PROPOSIÇÃO VI
Os modos de um atributo qualquer têm por causa Deus enquanto o consideramos apenas pelo o atributo de que são 
modos e não enquanto os consideramos por outro [atributo].
Demonstração
Pois cada atributo se concebe por si e sem os outros (pela Prop. 10 P I). Então, os modos de cada atributo 
envolvem o conceito de seu atributo e não o de um outro. Assim (pelo Axioma 4 P I), eles têm por causa 
Deus somente enquanto considerado pelo atributo de que são modos, e não enquanto o consideramos por outro. 
QED
Corolário
Disso se segue que o ser formal das coisas que não são modos do pensamento não se segue da natureza divina 
por que [Deus] primeiro conheceu as coisas. Mas são as coisas ideadas que se seguem e resultam de seus 
atributos do mesmo modo e com a mesma necessidade com que, mostramos que as idéias seguem-se do atributo 
Pensamento.
PROPOSIÇÃO VII
A ordem e a conexão das idéias é a mesma que a ordem e a conexão das coisas.
Demonstração
Isto é evidente pelo Axioma 4 P I. Pois a idéia do causado, qualquer que seja, depende do conhecimento da 
causa de que ele é efeito.
Corolário
Disso se segue que a potência de pensar de Deus é igual a sua potência atual de agir.
Isto é, tudo o que se segue formalmente da natureza infinita de Deus, segue-se objetivamente em Deus, da idéia 
de Deus, na mesma ordem e na mesma conexão. 
Escólio
Antes de prosseguir, devemos recordar aqui o que demonstramos mais acima [na Parte I]. A saber, que tudo o 
que o intelecto infinito pode perceber como constituindo a essência de uma substância, tudo isto pertence a uma 
substância única e que, consequentemente, a substância pensante e a substância extensa são uma só e mesma 
Tradução: Roberto Brandão
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B. de Spinoza \u2014 Ética demonstrada em ordem geométrica
substância compreendida ora por um atributo, ora por outro. Também [devemos lembrar] que um modo da 
extensão e a idéia deste modo são uma só e mesma coisa, mas expressa de dois modos. Alguns Hebreus 
parecem tê-lo visto, como que através de uma bruma, ao estabelecer que Deus, o intelecto de Deus e as coisas 
que entende são uma só e mesma coisa. Por exemplo, um círculo existente na natureza e a idéia deste círculo 
existindo, que existe em Deus, são uma só e mesma coisa, que é explicada por atributos diferentes. Portanto, 
quer concebamos a natureza sob o atributo Extensão ou sob o atributo Pensamento, ou sob qualquer outro 
atributo, encontraremos uma só e mesma ordem, uma só e mesma conexão causal, isto é, as mesmas coisas se 
seguindo uma da outra. 
Quando dissemos que Deus é causa de uma idéia, por exemplo, de um círculo, apenas enquanto é coisa 
pensante e [causa] do próprio círculo, apenas enquanto é coisa extensa, a razão foi que o ser formal da idéia do 
círculo só pode ser percebido através de outro modo do pensamento que é sua causa próxima, e este modo 
através de um outro, e assim ao infinito. Assim, enquanto as coisas forem consideradas como modos do 
pensamento, devemos explicar a ordem de toda a natureza, ou a conexão das causas, apenas através do atributo 
Pensamento, e enquanto elas forem consideradas como modos da extensão, devemos explicar a ordem de toda a 
natureza apenas através do atributo Extensão, e entendo que o mesmo se dá para os outros atributos. Deus é 
realmente causa das coisas como elas são em si, enquanto ele consiste de infinitos atributos. Pelo momento não 
posso explicar estes assuntos com mais clareza.
PROPOSIÇÃO VIII
As idéias das coisas singulares, ou modos, que não existem, devem ser compreendidas na idéia infinita de Deus, da 
mesma forma como as essências formais das coisas singulares, ou modos, estão contidas nos atributos de Deus.
Demonstração
Esta proposição é evidente da Proposição precedente, mas pode ser entendida com mais clareza a partir 
de seu escólio.
Corolário
Disso se segue que quando as coisas singulares só existem na medida em que estão compreendidas nos atributos 
de Deus, seu ser objetivo, ou suas idéias, só existem na medida em que existe a idéia infinita de Deus. E quando 
se diz que as coisas singulares existem, não mais apenas na medida em que estão compreendidas nos atributos 
de Deus, mas tendo duração, suas idéias também envolvem existência, pelo que se diz que elas têm duração.
Escólio
Se alguém desejar um exemplo para melhor explicação deste ponto, não poderei dar nenhum que explique 
adequadamente, pois se trata de algo único. Tentarei, porém, ilustrar o assunto dentro do possível. Sabemos que 
o círculo é de natureza tal que todos os retângulos construídos a partir de segmentos de linhas retas que nele se 
cortam em algum ponto são iguais uns aos outros. Logo, um círculo contém infinitos retângulos iguais uns aos 
outros. Entretanto, nenhum deles pode ser dito existir se o círculo não existir também e a idéia de um destes 
retângulos só pode ser dita existir enquanto compreendida pela idéia do círculo. Concebamos agora que desta 
infinidade de retângulos só existam dois, E e D. Certamente suas idéias agora também existem e não apenas 
enquanto compreendidas pela idéia do círculo, mas também enquanto elas envolvem a existência destes 
retângulos, o que faz com elas se distingam de outras idéias de retângulos.
FALTA ILUSTRAÇÃO
PROPOSIÇÃO IX
A idéia de uma coisa singular existente em ato tem como causa Deus, não enquanto é infinito, mas enquanto ele é 
considerado como afetado por outra idéia de uma coisa singular existente em ato. E Deus também é causa desta [idéia], 
enquanto ele é afetado por uma terceira, e assim por diante ao infinito.
Demonstração
A idéia de uma coisa singular existente em ato é um modo singular do pensamento, distinto dos outros (pelo 
Cor. e Esc. Prop. 8) e, portanto (pela Prop. 6), ela tem como causa Deus somente enquanto ele é coisa 
pensante. Mas não (pela Prop 28 P I) enquanto ele é coisa pensante absoluta, mas enquanto o consideramos