93539070-Baruch-Spinoza-Etica-Demonstrada-a-maneira-dos-Geometras-PT-BR
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DisciplinaÉtica Filosófica e Ética Profissional254 materiais1.823 seguidores
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em que o objeto é semelhante [à coisa] (por hipótese) com um afeto de Alegria ou 
Tristeza. E (pela Prop. 14) quando a Mente for afetada por esta imagem, ela será imediatamente afetada pelo 
afeto em questão. Consequentemente, aquilo que percebemos ter esta [semelhança] será (pela Prop. 15), por 
acidente, causa de Alegria ou Tristeza e (pelo Cor. Prop. precedente) ainda que a semelhança ao objeto 
não seja a causa eficiente deste afeto, nós ainda assim amaremos ou odiaremos. QED
PROPOSIÇÃO XVII
Se imaginarmos que uma coisa que nos afeta habitualmente de um afeto de Tristeza é semelhante a uma outra que nos 
afeta habitualmente com um afeto de Alegria de igual magnitude, nós odiaremos e amaremos simultaneamente tal coisa.
Demonstração
Esta coisa é (por Hipótese) causa de Tristeza por si e (pelo Escólio da Prop 13) enquanto a imaginarmos 
com este afeto, a teremos em ódio. Além disso, enquanto a imaginarmos semelhante a outra, que habitualmente 
nos afeta com um afeto de Alegria de igual magnitude, nós a amaremos com um esforço de igual magnitude 
(pela Prop. precedente). Assim, teremos simultaneamente ódio e amor por esta coisa. QED
Escólio
O estado da Mente que se origina em dois afetos contrários é chamado de flutuação da alma (animi fluctuatio), que é para 
o afeto o que a dúvida é para a imaginação (ver Esc. Prop. 44 P II), e a flutuação da alma e a dúvida diferem entre 
si apenas em grau.
Mas deve-se notar que na Proposição precedente eu deduzi as causas das flutuações da alma de que algo 
é causa por si de um afeto e causa por acidente de outro, apenas por ser tal dedução mais fácil com relação ao 
que precede. Não nego, porém, que as flutuações da alma frequentemente se originam em que um objeto é 
causa eficiente dos dois afetos. Pois o Corpo humano (por Post. 1 P II) é composto de muitíssimos indivíduos 
de naturezas diversas e assim (pelo Axioma I\u2019\u2019 P II) pode ser afetado por um só corpo de muitíssimos e diversos 
modos. E ao contrário, como uma coisa pode ser afetada de muitos modos, uma mesma parte do corpo pode ser 
afetada [por aquele corpo] de diversos modos. Donde podemos conceber facilmente que um mesmo objeto 
possa ser causa de muitos afetos contrários.
PROPOSIÇÃO XVIII
A imagem de uma coisa passada ou futura afeta o homem com o mesmo afeto de Alegria e Tristeza que a imagem de 
uma coisa presente.
Demonstração
Um homem contempla uma coisa como presente quando é afetado por uma imagem dela, ainda que a coisa não 
exista (pela Prop 17 P II e Cor Prop 17 P II). E ele imagina uma coisa como passada ou futura quando 
esta imagem está junta com a imagem de um tempo passado ou futuro (ver Esc. Prop. 44 P II). A imagem da 
coisa considerada em si é a mesma quer ela se refira a um tempo futuro, passado, ou presente, isto é (pelo Cor. 
2 Prop. 16 P II), o estado, ou afeto, do Corpo é o mesmo, quer a imagem da coisa seja passada, futura, ou 
Tradução: Roberto Brandão
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B. de Spinoza \u2014 Ética demonstrada em ordem geométrica
presente. Assim, os afetos de Alegria e Tristeza são idênticos, quer a imagem da coisa seja passada, futura, ou 
presente. QED
Escólio I
Chamo aqui uma coisa de passada ou futura quando fomos ou seremos afetados por ela, por exemplo, quando a 
vimos ou veremos, quando ela nos restaurou ou restaurará, ou quando ela nos lesou ou lesará, etc. Quando a 
imaginamos assim, afirmamos sua existência, isto é, o Corpo não é afetado por nenhum afeto que exclua a 
existência da coisa. E assim (pela Prop. 17 P II) o Corpo é afetado pela imagem desta coisa do mesmo modo 
que seria se ela estivesse presente. Entretanto, o que mais comumente sucede é que as pessoas mais experientes 
hesitem quando contemplam coisas futuras ou passadas e considerem duvidosa a ocorrência de tais coisas. 
Assim (vide Esc. Prop. 44 P II), os afetos que se originam em tais imagens de coisas não são constantes, sendo 
geralmente perturbados por imagens de outras coisas até que os homens se tornem mais certos de sua 
ocorrência.
Escólio II
Compreendemos assim o que são a Esperança (Spes), o Medo (Metus), a Segurança (Securitas), o Desespero 
(Desperatio), a Grata Surpresa (Gaudium) e Decepção (Conscientiae morsus). A Esperança é uma Alegria inconstante 
originada da imagem de uma coisa futura ou passada cuja ocorrência temos em dúvida. Já o Medo é uma Tristeza 
inconstante originada igualmente da imagem de uma coisa duvidosa. Mas se a dúvida é suprimida destes afetos, a 
Esperança se torna Segurança e o Medo, Desespero; a saber, Alegria ou Medo originados da imagem de uma coisa que 
temíamos ou esperávamos. A Grata Surpresa é a Alegria originada da imagem de uma coisa passada de cuja ocorrência 
tínhamos em dúvida. E a Decepção é a tristeza oposta à Grata Surpresa.
PROPOSIÇÃO XIX
Quem imaginar destruído aquilo que ama se entristecerá; e alegrar-se-á ao imaginá-lo conservado.
Demonstração
A Mente se esforça, na medida em que pode, por imaginar o que aumenta ou ajuda a potência de agir do Corpo 
(pela Prop. 12), isto é (pelo Esc. Prop 13), aquilo que ama. Ora, a imaginação é ajudada por aquilo que põe 
a existência do corpo, e é limitada pelo que exclui sua existência (pela Prop. 17 P II). Logo, as imagens das 
coisas que põe a existência da coisa amada ajudam o esforço da Mente em imaginar a coisa amada, isto é (pelo 
Esc. Prop. 11), afetam a Mente de Alegria. Ao contrário, as [imagens] que excluem a existência da coisa 
amada, limitam o esforço da Mente, isto é (pelo mesmo Escólio), afetam a Mente de Tristeza. Assim, quem 
ama se entristecerá ao imaginar destruída, etc. QED
PROPOSIÇÃO XX
Quem imaginar destruído aquilo que odeia se alegrará.
Demonstração
A Mente (pela Prop. 13) se esforça em imaginar coisas que excluam a existência daquilo que diminui ou 
limita a potência de agir do Corpo, isto é (pelo Esc. Prop. 13), ela se esforça em imaginar coisas que excluam 
a existência daquilo que odeia. A imagem das coisas que excluem a existência do que a Mente odeia ajudam o 
esforço da Mente, isto é (pelo Esc. Prop. 11), afetam a Mente de Alegria. Assim, quem imaginar destruído 
aquilo que odeia se alegrará. QED
PROPOSIÇÃO XXI
Quem imagina aquilo que ama afetado de Alegria ou de Tristeza, também será afetado de Alegria ou de Tristeza. E estes 
afetos serão maiores ou menores no amante na medida em que forem maiores ou menores na coisa amada.
Demonstração
A imagem das coisas (como demonstramos da Prop. 19) que põe a existência da coisa amada, ajudam o 
esforço pelo qual a Mente se esforça por imaginar a coisa amada. Mas a Alegria põe a existência da coisa alegre, 
e quanto mais [existência ou realidade puser], maior será o afeto de Alegria, já que (pelo Esc. Prop. 11) [a 
Alegria] é uma transição a uma perfeição maior. Logo, a imagem da Alegria da coisa amada ajuda o esforço da 
Tradução: Roberto Brandão
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Mente do amante, isto é (pelo Esc. Prop. 11), afeta o amante de uma Alegria que é maior na medida em que 
for maior o afeto da coisa amada. Isto era o primeiro ponto.
Uma coisa, enquanto é afetada de Tristeza, é como que destruída, e tanto mais, quanto maior for o afeto de 
Tristeza (pelo mesmo Esc. Prop. 11). Assim, (pela Prop. 19) quem imagina o amado afetado de Tristeza, 
também será afetado de uma Tristeza tanto maior, quanto maior for este afeto da coisa amada. QED
PROPOSIÇÃO XXII
Se imaginarmos alguém afetando de Alegria uma coisa que amamos, seremos afetados de Amor para com ele. Ao 
contrário, se imaginarmos que ele a afeta de Tristeza, seremos afetados de Ódio contra ele.
Demonstração
Quem afeta a coisa que amamos de Alegria ou de Tristeza também nos afeta de Alegria ou de Tristeza, se, 
evidentemente, imaginarmos a coisa amada afetada de tal Alegria ou Tristeza (pela Prop. Precedente). 
Ora, esta Alegria ou Tristeza é em nós, por