93539070-Baruch-Spinoza-Etica-Demonstrada-a-maneira-dos-Geometras-PT-BR
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DisciplinaÉtica Filosófica e Ética Profissional254 materiais1.823 seguidores
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suposto, concomitante à idéia de uma causa externa. Logo (pelo 
Esc. Prop. 13), se imaginarmos alguém afetando de Alegria ou Tristeza uma coisa que amamos, seremos 
afetados de Amor ou Ódio para com ele.
Escólio
A Proposição 21 nos explica o que é a Compaixão (Commiseratio), que podemos definir como a Tristeza 
originada de um dano a outrem. Ignoro, porém, que nome devemos atribuir à Alegria originada de um bem a 
outrem. Chamaremos de Apreço (Favorem) o Amor por quem fez o bem a outrem e, por outro lado Indignação 
(Indignationem) o Ódio por quem faz mal a outrem. Finalmente, note-se que compadecemos não apenas da coisa que 
amamos (como mostramos na Prop. 21), mas também daquela por quem anteriormente não sentíamos afeto 
algum, conquanto a julguemos similar a nós (como mostrarei abaixo). Por isso mesmo, apreciamos quem faz 
bem a um semelhante e nos indignamos de quem provoca dano a um semelhante.
PROPOSIÇÃO XXIII
Se alegrará quem imaginar afetado de Tristeza o que odeia, e ao contrário se entristecerá ao imaginá-lo afetado de 
Alegria; e estes afetos serão maiores ou menores conforme o afeto contrário for maior ou menor naquilo que odeia.
Demonstração
Enquanto a coisa odiosa é afetada de Tristeza, ela é como que destruída, e tanto mais quanto maior for a Tristeza 
que a afeta (pelo Esc. Prop. 11). Assim, quem (pela Prop. 20) imaginar a coisa que odeia afetada de 
Tristeza, será, ao contrário, afetado de uma Alegria que será tanto maior quanto maior for a Tristeza imaginada 
da coisa odiosa, o que era o primeiro ponto.
A Alegria põe a existência da coisa alegre (pelo mesmo Esc. Prop. 11) e tanto mais quanto maior for a 
Alegria concebida. Se alguém imagina o que odeia afetado de Alegria, tal imaginação (pela Prop. 13) limitará 
o seu esforço, isto é (pelo Esc. Prop. 11), o afetará de Tristeza, etc. QED
Escólio
Esta Alegria dificilmente pode ser sólida e sem nenhum conflito da alma. Pois (como mostraremos na Prop. 
27), quando alguém imagina uma coisa semelhante a si afetada de Tristeza, se entristece também, e, ao 
contrário se a imagina afetada de Alegria. Mas aqui só tratamos do Ódio.
PROPOSIÇÃO XXIV
Se imaginarmos que alguém afeta de Alegria uma coisa que odiamos, também seremos afetados de ódio com relação a 
ele. Se, ao contrário, o imaginarmos afetando-a de Tristeza, seremos afetados de Amor com relação a ele.
Demonstração
Esta Proposição é demonstrada do mesmo modo que Proposição 22, à qual remeto.
Tradução: Roberto Brandão
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B. de Spinoza \u2014 Ética demonstrada em ordem geométrica
Escólio
Este e outros afetos de Ódio similares se referem à Inveja (Invidia), que, por esta razão, é o próprio Ódio, na medida 
em que ele dispõe o homem a se regozijar do mal de outrem e de se entristecer de seu bem.
PROPOSIÇÃO XXV
Nós nos esforçamos por afirmar, de nós e da coisa amada, tudo o que imaginamos afetar de Alegria a nós ou a ela. E, ao 
contrário, [nos esforçamos] por negar, em nós ou na coisa amada, tudo o que imaginamos afetar de Tristeza a nós ou à 
coisa amada.
Demonstração
Aquilo que imaginamos afetar de Alegria ou Tristeza a coisa amada, também nos afeta de Alegria ou de Tristeza 
(pela Prop. 21). Ora, a Mente (pela Prop. 12) se esforça, na medida em que pode, por imaginar o que nos 
afeta de Alegria, isto é (pela Prop. 17 PII e Cor.), por contemplá-lo como presente. E, ao contrário (pela 
Prop. 13), [ela se esforça] por excluir aquilo que nos afeta de Tristeza. Logo, nos esforçamos por afirmar, de 
nós ou da coisa amada e de nós tudo o que imaginamos afetar a nós e à coisa amada de Alegria, e ao contrário. 
QED 
PROPOSIÇÃO XXVI
Nós nos esforçamos por afirmar o que imaginamos afetar a coisa que odiamos de Tristeza. E, ao contrário, [nos 
esforçamos por] negar o que imaginamos afetá-la de Alegria.
Demonstração
Esta proposição se segue da Proposição 23, como a Proposição precedente se segue da 
Proposição XXI.
Escólio
Vemos assim que acontece facilmente que o homem perceba, de si mesmo e do que ama, mais do que é justo e, 
ao contrário, que ele perceba do que odeia, menos do que é justo. Esta imaginação, quando diz respeito ao 
próprio homem, que percebe de si mais do que é justo, se chama de Soberba (Superbia), que e é uma espécie de 
Delírio em que o homem sonha com olhos abertos poder tudo o que sua imaginação alcança, julga tais coisas 
reais e exulta com elas. E não pode imaginar o que exclua a existência de tais coisas e limite sua potência de agir. 
Assim, a Soberba é a Alegria originada em que o homem pensa de si mais do que é justo. E a Alegria originada em que um 
homem pensa de outro mais do que é justo, chamo de Sobreestima (Existimatio); e o Menosprezo (Despectus) [é a Alegria 
que] se origina em que se perceba de outrem menos do que é justo.
PROPOSIÇÃO XXVII
Pelo simples fato de imaginarmos uma coisa semelhante e nós, mas por quem não temos afeto algum, ser afetada de um 
afeto qualquer, nós também seremos afetados por um afeto semelhante.
Demonstração
As imagens das coisas são afecções do Corpo humano cujas idéias nos representam os corpos externos como 
presentes (pelo Esc. Prop. 17 P II), isto é (pela Prop 16 P II), cujas idéias envolvem a natureza de nosso 
corpo e simultaneamente a presença de corpos externos. Se, portanto, a natureza do corpo externo for 
semelhante à natureza do nosso Corpo, a idéia do corpo externo que imaginamos envolverá uma afecção do 
nosso Corpo semelhante à afecção do corpo externo. Consequentemente, se imaginarmos alguém semelhante a 
nós afetado de um afeto, esta imaginação exprimirá uma afecção de nosso Corpo semelhante a este afeto. Mas se 
odiamos algo semelhante a nós, então (pela Prop. 23) seremos afetados de um afeto contrário e não 
semelhante.1 QED
1 Embora conste do texto original, a última sentença é um comentário que não faz parte da demonstração 
propriamente dita, que se conclui na sentença anterior. Caberia melhor em um Escólio. 
Tradução: Roberto Brandão
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B. de Spinoza \u2014 Ética demonstrada em ordem geométrica
Escólio
Esta imitação de afetos, quando se refere à Tristeza, se chama Compaixão (vide Esc. Prop. 22), mas quando 
se refere ao Desejo, chama-se Emulação (Aemulatio), que é o desejo de uma coisa que é gerado em nós ao imaginarmos 
que outros semelhantes a nós têm o mesmo Desejo.
Corolário I
Se imaginarmos alguém, por quem não temos afeto algum, afetar de alegria uma coisa semelhante a nós, 
seremos afetados de Amor com relação a ele. Mas se imaginarmos afetando-a de Tristeza, seremos afetados de 
ódio para com ele.
Demonstração
Demonstra-se pela Proposição precedente do mesmo modo que a Proposição 22 se demonstra pela 
21.
Corolário II 
Não podemos ter ódio por quem temos compaixão, pois sua infelicidade nos afeta de Tristeza.
Demonstração
Se pudéssemos ter ódio, então (pela Prop. 23) nos alegraríamos de sua Tristeza, o que é contrário à Hipótese.
Corolário III
Nós nos esforçamos, na medida em que podemos, por liberar da infelicidade a coisa de que nos compadecemos.
Demonstração
Quem afeta de Tristeza a coisa de que nos compadecemos, também nos afeta de uma Tristeza similar (pela 
Prop. precedente). Assim, nos esforçamos por pensar no que tolhe a existência desta coisa ou a destrói 
(pela Prop. 13), isto é (pelo Esc. Prop. 9), apeteceremos destruí-la, ou seremos determinados a destruí-la. 
Logo, nos esforçamos por liberar da infelicidade a coisa de que nos compadecemos. QED
Escólio
Chamo de Benevolência (Benevolentia) a vontade, ou apetite, de fazer o bem que se origina em querermos fazer o 
bem a uma coisa de que nos compadecemos, ou seja, é o Desejo originado da compaixão. Quanto ao Amor e ao 
Ódio com relação a quem fez bem ou mal a coisa que imaginamos semelhante a nós, vide Esc. Prop 22.
PROPOSIÇÃO XXVIII
Nós nos esforçamos por promover tudo o que imaginamos conduzir à