93539070-Baruch-Spinoza-Etica-Demonstrada-a-maneira-dos-Geometras-PT-BR
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DisciplinaÉtica Filosófica e Ética Profissional254 materiais1.823 seguidores
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amada seja afetada de Alegria concomitante à idéia de nós mesmos, isto é (pelo Esc. Prop. 13), 
para que ela nos ame também. QED
PROPOSIÇÃO XXXIV
Quanto maior o afeto com que imaginarmos a coisa amada afetada em relação a nós, mais nos glorificaremos.
Demonstração
Nós (pela Prop. precedente) nos esforçamos, na medida em que podemos, para que a coisa amada nos ame 
em retorno, isto é (pelo Esc. Prop. 13), para que a coisa amada seja afetada de alegria concomitante à idéia 
de nós mesmos. Assim, quanto maior é a Alegria com que imaginamos que a coisa amada é afetada com relação 
a nós, mais este esforço é ajudado, isto é (pela Prop. 11 e seu Esc.), mais somos afetados de Alegria. E 
quando afetamos de Alegria algo semelhante a nós, contemplamos a nós mesmos com Alegria (pela Prop. 30), 
Tradução: Roberto Brandão
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B. de Spinoza \u2014 Ética demonstrada em ordem geométrica
então, quanto maior o afeto que imaginamos a coisa amada está afetada em relação a nós, maior a Alegria com 
que contemplamos a nós mesmos, ou (pelo Esc. Prop. 30), mais nos glorificaremos. QED
PROPOSIÇÃO XXXV
Se alguém imaginar que um outro está unido à coisa amada com um vínculo de Amizade igual ou mais estreito do que 
[o vínculo] pelo qual apenas ele possuía com a coisa amada, será afetado de ódio com relação à própria coisa amada e 
inveja com relação ao outro.
Demonstração
Quanto maior é o amor com que alguém imagina a coisa amada afetada em relação a si mesmo, mas se 
glorificará (pela Prop. precedente), isto é (pelo Esc. Prop. 30), mais se alegrará. Por conseguinte, (pela 
Prop. 28) ele se esforçará, na medida em que puder, por imaginar a coisa amada ligada a si pelo vínculo mais 
estreito possível e este apetite será fomentado se imaginar que outro também deseja o mesmo para si (pela 
Prop. 31). Mas supõe-se que este esforço ou apetite é contrariado pela imagem da própria coisa amada 
concomitante à imagem daquele a quem a coisa amada se uniu. Assim (pelo Esc. Prop. 11), [o amante] será 
afetado de Tristeza, concomitante à idéia da coisa amada como causa e simultaneamente à idéia do outro, isto é 
(pelo Esc. Prop. 13), será afetado de ódio com relação à coisa amada e simultaneamente com relação ao 
outro (pelo Cor. Prop. 15), que ele invejará por se deleitar com a coisa amada (pela Prop. 23). QED
Escólio
Este ódio com relação à coisa amada acompanhado de Inveja é chamado de Ciúme (Zelotypia) que é a flutuação da 
alma originada do Amor e Ódio simultâneos, concomitante à idéia de um outro que é invejado. E este Ódio com relação à 
coisa amada será maior na mesma proporção em que a Alegria à qual o Cimento, em razão do Amor recíproco 
da coisa amada, estava acostumado a ser afetado, e também em proporção com o afeto que ele era afetado com 
relação àquele que ele imagina ligado à coisa amada. Pois se ele o odiasse, por isso mesmo odiará a coisa amada 
(pela Prop. 24) ao imaginá-la afetada de Alegria por quem odeia, e também (pelo Cor. Prop. 15) por se 
ver forçado a unir a imagem da coisa amada à imagem daquele que odeia. É o que ocorre comummente no 
Amor pelas mulheres, pois quem imagina uma mulher que ama se prostituindo com outro, se entristece, não 
apenas por ver seu apetite limitado, mas também por sentir aversão por ela ao ser forçado unir a imagem da 
coisa amada à imagem das partes pudicas e às excreções do outro. E deve-se acrescentar ainda que o ciumento 
não mais é recebido pela coisa amada com a mesma expressão com que se habituara, o que o entristece ainda 
mais, como mostrarei.
PROPOSIÇÃO XXXVI
Quem recorda algo com que se deleitou uma vez, deseja possuí-lo nas mesmas circunstâncias em que com ele se deleitou 
na primeira vez.
Demonstração
Qualquer coisa que um homem viu em simultâneo à coisa com que se deleitava (pela Prop. 15) é, por 
acidente, causa de Alegria. E (pela Prop. 28) ele desejará possuí-la simultaneamente com a coisa de que se 
deleitou, ou, dito de outro modo, desejará possuir a coisa com todas as circunstâncias com as quais se deleitou 
da primeira vez.
Corolário
Se o amante vier a descobrir que falta uma destas circunstâncias, ele se entristecerá.
Demonstração
Pois quando descobrir que falta uma das circunstâncias, ele imaginará algo que exclui a existência da coisa. E 
como pelo amor ele deseja esta coisa, ou (pela Prop. precedente) estas circunstâncias, ele se entristecerá 
quando ele imaginar que algo falta. QED
Escólio
Este desejo que diz respeito à ausência do que amamos se chama Querer Insatisfeito (Desiderium).
Tradução: Roberto Brandão
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PROPOSIÇÃO XXXVII
O Desejo, seja ele originado da Tristeza ou da Alegria, do Ódio ou do Amor, é maior quanto maior for o afeto.
Demonstração
A Tristeza (pela Prop. 11) diminui ou limita a potência de agir do homem, isto é (pela Prop. 7), o esforço 
pelo qual o homem se esforça por perseverar em si diminui ou é limitado. Portanto (pela Prop. 5), [a tristeza] é 
contrária a este esforço e o homem afetado pela Tristeza se esforça acima de tudo por removê-la. Mas (pela 
Definição de Tristeza) quanto maior a Tristeza, maior é a parte da potência de agir do homem a que ela tem que se 
opor. Portanto, quanto maior a Tristeza, maior será a potência de agir do homem pela qual ele se esforçará por 
removê-la, isto é (pelo Esc. Prop. 9), maior será o Desejo ou apetite pelo qual ele se esforçará for remover a 
Tristeza. E como a Alegria (pelo mesmo Esc. Prop. 11) aumenta ou ajuda a potência de agir do homem, 
demonstra-se facilmente que o homem afetado de Alegria deseja apenas conservá-la e que o Desejo será maior 
quanto maior for a Alegria. Finalmente, como Ódio e Amor são afetos de Tristeza ou Alegria, segue-se do 
mesmo modo, que o esforço, o apetite ou o Desejo, quer sejam eles originados no Ódio ou no Amor, são maiores 
na proporção do Ódio e do Amor. QED
PROPOSIÇÃO XXXVIII
Se alguém começar a odiar a coisa amada de forma que o Amor seja completamente abolido, ele a perseguirá de um ódio 
maior do que se nunca a tivesse amado e tanto maior quanto maior tiver sido o Amor.
Demonstração
Se alguém começar a odiar a coisa que ama, seus apetites serão mais limitados do que se não tivesse amado. Pois 
o Amor é uma Alegria (pelo Esc. Prop. 13) que o homem se esforça, na medida em que pude (pela Prop. 
28), por conservar (pelo mesmo Escólio), contemplando a coisa amada como presente e (pela Prop. 21) 
afetando-a, na medida em que pode, de Alegria. E este esforço (pela Prop. precedente) será tanto maior 
quanto maior for o amor, assim como será maior o esforço para que a coisa amada ame em retorno (vide Prop. 
33). Mas estes esforços são limitados pelo ódio com relação a coisa amada (pelo Cor. Prop. 13 e por Prop. 
23). Por causa disso, o amante (pelo Esc. Prop. 11) será afetado de uma Tristeza que será tão maior quanto 
maior foi o Amor, isto é, além da Tristeza que foi causa do Ódio, uma outra se originou da coisa ter sido amada. 
Por conseguinte, contemplará a coisa amada com um afeto de Tristeza maior, isto é (pela Prop. 13), a 
perseguirá de um ódio maior do que se não a tivesse amado e tanto maior quanto maior tenha sido o amor. QED
PROPOSIÇÃO XXXIX
Quem tem Ódio por alguém, se esforçará por fazer-lhe mal, a não ser que tema que isto origine um mal maior. Ao 
contrário, quem ama alguém se esforçará, pela mesma lei, por lhe fazer bem.
Demonstração
Ter ódio por alguém é (pelo Esc. Prop. 13) imaginá-lo como causa de Tristeza e (pela Prop. 28) quem tem 
ódio por alguém esforça-se por afastá-lo ou destruí-lo. Mas, se ele teme que disso resulte algo de mais triste, ou 
(o que é o mesmo) em um mal maior, e que crê que este possa ser evitado não fazendo a quem odeia o mal a que 
meditava, então ele desejará (pela Prop. 28) se abster em fazer o mal. E se absterá (pela Prop. 37) com um 
esforço maior do