93539070-Baruch-Spinoza-Etica-Demonstrada-a-maneira-dos-Geometras-PT-BR
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DisciplinaÉtica Filosófica e Ética Profissional254 materiais1.823 seguidores
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(como já mostramos), se ele existisse necessariamente, isto se seguiria da 
potência infinita de Deus e, portanto (pela Prop. 16 P I), da necessidade da natureza divina, enquanto 
considerada como afetada pela idéia de um certo homem, deveria ser deduzida toda a ordem da Natureza, 
enquanto concebida seja sob o atributo Extensão, seja sob o atributo Pensamento. Mas disso se seguiria (pela 
Prop. 21 P I) que o homem seria infinito, o que (pela primeira parte desta demonstração) é absurdo. Assim, 
não é possível que o homem não sofra mudanças além das que ele é causa adequada. QED
Corolário
Disso se segue que o homem está sempre sujeito às paixões, que ele segue a ordem comum da Natureza e a 
obedece e se acomoda a ela na medida em que a natureza exige.
PROPOSIÇÃO V
A força, o crescimento e a perseverança no ser de qualquer paixão, não se definem pela potência pela qual nós nos 
esforçamos por perseverar no existir, mas pela potência das causas externas comparadas à nossa.
Demonstração
A essência das paixões não pode ser explicada apenas por nossa essência (pelas Defs. 1 e 2 P III), isto é (pela 
Prop. 7 P III) a potência das paixões não se define pela potência pela qual nos esforçamos em perseverar em 
nosso ser, mas (como é mostrado pela Prop. 16 P II) deve necessariamente ser definida pela potência das 
causas externas comparadas à nossa. QED
PROPOSIÇÃO VI
A força de uma paixão ou afeto pode superar as outras ações do homem, ou sua potência, de modo que o afeto 
permaneça firmemente aderido ao homem.
Demonstração
A força e o crescimento de uma paixão qualquer e sua perseverança no existir, se definem pela potência da 
causa externa comparada à nossa (pela Prop. precedente) e (pela Prop. 3) pode superar a potência do 
homem. QED
PROPOSIÇÃO VII
Um afeto só pode ser limitado ou destruído por um afeto contrário e mais forte do que o afeto a ser limitado.
Demonstração
Um afeto, enquanto se refere à Mente, é uma idéia pela qual a Mente afirma uma força de existir maior ou 
menor de seu corpo (pela Definição Geral dos Afetos, que pode ser encontrada ao fim da Parte III). 
Portanto, quando a Mente é atormentada por algum afeto, o Corpo é afetado simultaneamente por uma afecção 
que aumenta ou diminui sua potência de agir. Em seguida, esta afecção do Corpo (pela Prop. 5) recebe sua 
força de perseverar em seu ser de sua própria causa, e esta só pode ser limitada ou destruída por uma causa 
corpórea (pela Prop. 6 P II) que afete o Corpo com uma afecção contrária (pela Prop 5 P III) e mais forte 
(pelo Axioma). Assim, a Mente será afetada (pela Prop. 12 P II) de uma idéia de afecção mais forte e 
contrária à primeira, isto é (pela Def. Ger. Afetos), a Mente será afetada de um afeto mais forte e contrário 
ao primeiro e que exclui ou destrói a existência do primeiro. Assim, um afeto só pode ser destruído, ou limitado, 
por um afeto contrário e mais forte. QED
Tradução: Roberto Brandão
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B. de Spinoza \u2014 Ética demonstrada em ordem geométrica
Corolário
Um afeto, enquanto se refere à Mente, só pode ser limitado ou destruído, por uma idéia de uma afecção do 
Corpo contrária e mais forte do que a afecção de que padecemos.
Pois o afeto de que padecemos só pode ser limitado ou destruído por um afeto mais forte e contrário (pela 
Prop. precedente), isto é (pela Def. Ger. Afetos), pela idéia de uma afecção do Corpo mais forte e 
contrária do que a afecção de que padecemos.
PROPOSIÇÃO VIII
O conhecimento do bem e do mal é apenas o afeto de Alegria ou Tristeza, enquanto temos consciência dele. 
Demonstração
Chamamos de bem e de mal o que é respectivamente benéfico e maléfico para a conservação de nosso ser (pelas 
Defs. 1 e 2), isto é (pela Prop. 7 P III), aquilo que aumenta ou diminui, ajuda ou limita nossa potência de 
agir. Assim, quando (pelas definições de Alegria e Tristeza em Esc. Prop. 11 P III) percebemos que alguma 
coisa nos afeta de Alegria ou de Tristeza, a chamamos de boa ou de má. Portanto, o conhecimento do bem e do 
mal é apenas a idéia de Alegria ou de Tristeza que se segue necessariamente ao próprio afeto de Alegria ou de 
Tristeza (pela Prop. 22 P II). Mas esta idéia está unida ao afeto do mesmo modo como a Mente está unida ao 
Corpo (pela Prop. 21 P II), isto é (como foi mostrado no Esc. da referida Prop.), esta idéia não se distingue 
verdadeiramente do próprio afeto, ou (pela Def. Ger. Afetos) da idéia de uma afecção do corpo, senão no 
seu conceito. Logo, este conhecimento do bem e do mal é somente o próprio afeto, enquanto somos conscientes 
dele. QED
PROPOSIÇÃO IX
Um afeto, cuja causa imaginamos presente é mais forte do que um afeto cuja causa imaginamos não estar presente.
Demonstração
Uma imaginação é uma idéia pela qual a Mente contempla uma coisa como presente (vide sua Def. no Esc. 17 
P II) e que indica mais o estado do Corpo humano do que a natureza das coisas externas (pelo Cor. 2 Prop. 
16 P II). Assim, um afeto (pela Def. Ger. Afetos) é uma imaginação, na medida em que ela indica o estado 
do corpo. Mas uma imaginação (pela Prop. 17 P II) é mais intensa quando não imaginamos nada que exclua 
a presença da coisa externa. Logo, um afeto, cuja causa imaginamos presente, é mais forte, ou mais intenso, do 
que um afeto cuja causa imaginamos não estar presente. QED
Escólio
Quando disse acima na Proposição 18 da Parte III, que nós somos afetados pela imagem de uma coisa 
futura ou passada com o mesmo afeto que se a imaginássemos presente, adverti expressamente que isto é 
verdade somente enquanto atentamos à própria imagem da coisa. De fato, ela tem a mesma natureza, quer 
imaginemos a coisa como presente ou não. Porém, não neguei que esta imagem fica mais fraca quando 
contemplamos como presentes outras coisas que excluem a existência presente da coisa futura. E deixei de 
assinalá-lo, porque havia me proposto tratar da força dos afetos nesta Parte.
Corolário
A imagem de uma coisa futura ou passada, isto é, de uma coisa que contemplamos com relação ao tempo futuro 
ou passado, excluído o presente, é, tudo o mais igual, mais débil do que a imagem de uma coisa presente. 
Consequentemente, o afeto com relação a uma coisa futura ou passada é, tudo o mais igual, mais fraco do que o 
afeto com relação a uma coisa presente.
PROPOSIÇÃO X
Somos afetados mais intensamente com relação a uma coisa futura que imaginamos acontecerá em breve, do que se 
imaginassemos que o tempo de sua existência ainda está longe do presente. E a memória de uma coisa que imaginamos 
ter ocorrido há pouco nos afeta mais intensamente do que se imaginassemos que ela ocorreu há muito.
Tradução: Roberto Brandão
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B. de Spinoza \u2014 Ética demonstrada em ordem geométrica
Demonstração
Quando imaginamos que uma coisa vai acontecer em breve, ou aconteceu há pouco, imaginamos algo que 
exclui menos a presença da coisa do que se imaginássemos seu tempo de existir estivesse como distante do 
presente, ou há muito ocorrido (como é evidente). Assim (pela Prop. precedente), somo afetados mais 
intensamente com relação a ela. QED
Escólio
Do que assinalamos na Definição 6, se segue que somos afetados com uma intensidade igualmente fraca por 
objetos que estão mais distantes do presente do que podemos determinar com a imaginação, mesmo se 
entendemos que tais objetos distam entre si de um longo intervalo de tempo.
PROPOSIÇÃO XI
Um afeto com relação a uma coisa que imaginamos como necessária é, tudo mais igual, mais intenso do que com relação 
a uma coisa possível, ou contingente, ou não necessária.
Demonstração
Quando imaginamos que uma é necessária, afirmamos sua existência e, ao contrário, negamos sua existência 
quando imaginamos que ela não é necessária (pelo Esc. Prop. 33 P I). Portanto (pela Prop. 9), um afeto 
com relação a uma coisa necessária é, tudo mais igual, mais intenso do que com relação a uma