93539070-Baruch-Spinoza-Etica-Demonstrada-a-maneira-dos-Geometras-PT-BR
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DisciplinaÉtica Filosófica e Ética Profissional254 materiais1.823 seguidores
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coisa não 
necessária. QED
PROPOSIÇÃO XII
Um afeto com relação a uma coisa que sabemos não existir no presente, mas que imaginamos como possível, é, tudo 
mais igual, mais intenso do que com relação a uma coisa contingente.
Demonstração
Quando imaginamos uma coisa como contingente, não somos afetados da imagem de nenhuma outra coisa que 
ponha a existência da coisa (pela Def. 3). Mas, ao contrário (por hipótese) nós imaginamos certas [coisas] que 
excluem sua existência presente. Quando imaginamos que uma coisa é possível no futuro, imaginamos algo que 
põe sua existência (pela Def. 4), isto é (pela Prop. 18 P III), que acalenta a Esperança ou o Medo. Por isso 
um afeto com relação a uma coisa possível é mais veemente. QED
Corolário
Um afeto com relação a uma coisa que sabemos não existir no presente e que imaginamos como contingente é 
muito mais fraco do que se imaginássemos que a coisa está presente diante de nós.
Demonstração
Um afeto com relação a uma coisa que imaginamos existir no presente é mais intenso do que se a 
imaginássemos no futuro (pelo Cor. Prop. 9) e muito mais veemente do que se imaginássemos do que se o 
imaginássemos em um tempo futuro muito distante do presente (pela Prop. 10). Portanto, o afeto com relação 
a uma coisa cujo tempo de existência está muito longe do presente é muitíssimo mais fraco do que se a 
imaginássemos presente e, no entanto (pela Prop. precedente), ele é mais intenso do que se imaginássemos 
a coisa como presente. Portanto, um afeto com relação a uma coisa contingente é muito mais fraco do que se a 
imaginássemos presente. QED
PROPOSIÇÃO XIII
Um afeto com relação a uma coisa contingente, que sabemos não existir no presente, é, tudo mais igual, mais fraco do 
que um afeto com relação a uma coisa passada.
Demonstração
Quando imaginamos uma coisa como contingente, não somos afetados por nenhuma imagem de outra coisa que 
ponha sua existência (pela Def. 3), mas, ao contrário, (segundo a hipótese) imaginamos algo, que exclui sua 
existência presente. No entanto, quando a imaginamos em um tempo passado, supõe-se que imaginamos algo 
que a traz à memória ou que inspira a imagem da coisa (vide Prop. 18, P II, com seu Escólio) e, portanto, a 
Tradução: Roberto Brandão
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B. de Spinoza \u2014 Ética demonstrada em ordem geométrica
contemplamos como se estivesse presente (pelo Cor. Prop. 17 P II). Assim (pela Prop. 9) o afeto com 
relação a uma coisa contingente, que sabemos não existir no presente, é, tudo mais igual, mais fraco do que um 
afeto com relação a uma coisa passada. QED
PROPOSIÇÃO XIV
O conhecimento verdadeiro do bem e do mal, enquanto verdadeiro, não pode limitar nenhum afeto, mas apenas 
enquanto for considerado apenas como um afeto.
Demonstração
Um afeto é uma idéia pela qual a Mente afirma uma força de existir do Corpo maior ou menor do que antes 
(pela Def. Ger. Afetos). Como (pela Prop. 1), nada pode haver nela de positivo que possa ser destruído 
pela presença do verdadeiro, então o conhecimento verdadeiro do bem e do mal não pode, enquanto 
verdadeiro, limitar nenhum afeto. Mas, enquanto ele é um afeto (vide Prop. 8), poderá limitar outro afeto, mas 
somente na medida em que (pela Prop. 7), for mais forte do que o afeto a ser limitado. QED
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