Reflexões sobre o direito das obrigações
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Reflexões sobre o direito das obrigações


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etc.
Mas, sobretudo, na releitura axiológica de toda disciplina das obrigações principalmente no controle do valor dos interesses e na condução da estrutura formal da relação jurídica.
Os elementos da obrigação, o primeiro é o subjetivo que tem aspecto difuso, um sujeito ativo ou credor e o sujeito passivo ou devedor. Sendo que é justamente a pluralidade de sujeitos na relação obrigacional é que deriva a classificação das obrigações em solidárias e divisíveis. (vide os art. 257 ao art. 285 do C. C.).
Outra exigência é que tais pessoas sejam determinadas, ou pelo menos, determináveis, não se admitindo a indeterminação subjetiva que perdure para além da fase executória.
Além de pelo menos determináveis, exige-se também que as partes sejam capazes de se obrigar, diferenciando-se a capacidade negocial, da capacidade delitual, tendo-se em vista que a obrigação tanto pode resultar de um negócio jurídico como de um ato ilícito.
Conveniente recordar que se houver a confusão dos dois centros de interesse em uma só pessoa isto acarreta a extinção da obrigação, vide os arts. 381 e art. 384 do Código Civil.
Em regra, é que a obrigação já nasça entre sujeitos determinados, sendo esta, uma das formas de diferenciar, entre os direitos de crédito e os direitos reais.
Lembre-se, ainda, que com o abandono do excessivo personalismo que tanto marcou o direito romano primitivo, hoje é perfeitamente admissível a substituição subjetiva dos sujeitos da relação obrigacional, tal como ocorre, com a cessão de crédito[10] e na assunção de dívida[11].
Outro elemento essencial é o seu objeto, cabendo diferenciar o objeto imediato e um objeto mediato. Em verdade, o objeto imediato consiste em conduta do devedor, recebendo o nome de prestação debitória. Nesse diapasão, a obrigação poderá ser positiva ou obrigação negativa que corresponde a obrigação de não-fazer.
O objeto da obrigação de atender aos três requisitos: lícito, possível, determinado ou determinável. Tal qual o objeto do ato jurídico. Apura-se a ilicitude in concreto, que resulta da contrariedade aos princípios e valores consagrados no ordenamento. Sendo ilícito o seu objeto, a obrigação será nula, desobrigando-se o devedor.
Também a impossibilidade do objeto determina igualmente a invalidade da obrigação, mas deve-se atentar se a impossibilidade e atual ou superveniente e, ainda, diferenciar se a impossibilidade é absoluta ou relativa.
Desta forma, a impossibilidade absoluta contemporânea à formação da obrigação, determina nulidade; se, ao contrário, se for relativa, não acarretará tal efeito, pois poderá ser cumprida por outrem, uma vez que não se trate de obrigação personalíssima.
Do mesmo jeito, se a prestação era absolutamente impossível, mas se tornou possível até o implemento da condição a que o negócio estava subordinado, não será reputada inválida.
Refere-se à impossibilidade material de realização da prestação, uma vez que à chamada impossibilidade jurídica pode ser aplicada a mesma regra, de nulidade afirmada quanto à ilicitude do objeto da obrigação.
O objeto da obrigação há de ser determinável, e o momento da determinação do objeto se chama concentração do débito que será realizada por um dos sujeitos ou pela escola de um deles (obrigação alternativa) ou por terceiro (como se dá com o preço na compra e venda, cuja fixação do preço fica do arbítrio de terceiro), ou por fato impessoal como colação de Bolsa de Valores.
Um quarto requisito é a patrimonialidade que nos remete ao fato da prestação ser economicamente apreciável. É a patrimonialidade é fator diferenciador da obrigação em relação aos outros deveres reconhecidos nos demais ramos do Direito.
Todavia, insurge como objeção de que a patrimonialidade afastaria do domínio do Direito das obrigações a reparação de violações aos direitos não patrimoniais (é o caso da reparação por dano moral) contrapôs-se a afirmação de que o interesse do credor pode não ser patrimonial, mas a prestação, ao contrário, sempre apresentará este aspecto.
Eis aí, a tese mais aceita pela doutrina brasileira. Embora, também tal visão possa ser contestada, sob o argumento de que atualmente o direito prevê outras formas de reparação dos danos que não a simples condenação a uma reparação pecuniária.
É o caso da execução específica de obrigação de fazer, ou no caso da retratação pública de uma afirmação de tema afetado a honra ou a reputação comercial de alguém. Tal visão coaduna com a previsão de Código Civil Português de 1966, em seu art. 398, número 2.
O terceiro elemento da obrigação seria o vínculo jurídico, chamado por alguns, de elemento abstrato. O vínculo não se confunde com o conteúdo da relação jurídico obrigacional nem com a sua finalidade que é a satisfação de um interesse do credor digno de tutela.
Alguns autores ainda apontam como elemento essencial da obrigação o fato jurídico. Mas é um desvio de perspectiva posto que seja um aspecto exterior à própria relação.
Parte da doutrina ainda menciona como quinto elemento a garantia, não se trata de elemento autônomo na configuração de relação jurídica obrigacional. Em verdade, verifica-se que a garantia pode muitas vezes permanecer em estado potencial, não vislumbrada na hipótese de cumprimento espontâneo da obrigação, visto que então não ocorrerá a agressão judicial ao patrimônio do devedor. Não devemos vê-lo como elemento autônomo (é a opinião de Antunes Varela, Orlando Gomes e Fernando Noronha).
A obrigação perfeita é a chamada obrigação civil desde que integralmente presentes todos os seus elementos. Entre as obrigações imperfeitas temos a obrigação natural que corresponde àquela em que o credor não tinha ação para exigir do devedor o pagamento, mas, se o recebeu, podia retê-lo. 
Reconhece-se o debitum mas negava-se a obligatio. Sobre a obrigação natural há sob a ótica legislativa três posições distintas: a) completa omissão dos Códigos (é o caso do Código Alemão e Código Suíço); b) refere-se a esta modalidade de obrigação, sem apresentar definição (é o caso do Código Civil brasileiro); c) consagração legislativa expressa, regulando-se, igualmente seus efeitos (é o caso do Código Civil Português de 1966).
Diverge a doutrina quanto à natureza jurídica[12] e os efeitos a serem atribuídos à obrigação natural. Há autores, contudo, que negam o caráter obrigacional a este tipo de relação jurídica que representaria, em verdade, meros deveres morais ou sociais.
Por fim, outro entendimento enxerga a obrigação natural como terceiro gênero que se situa exatamente no meio do caminho da moral e o direito, se situa a obrigação civil ou jurídica e os deveres morais. É assim que definiu Caio Mário da Silva Pereira com amparo em Planiol, Ripert e Boullanger.
Quanto aos efeitos a obrigação natural se destaca em primeiro lugar a impossibilidade de repetição do que voluntariamente pago, reconhece-se, contudo ao credor, a possibilidade da soluti retentio (retenção do pagamento).
Em verdade, discute-se na doutrina se o ato em questão corresponde ao pagamento ou de ato de liberalidade daquele que o realiza. O cumprimento espontâneo da obrigação natural corresponde ao reconhecimento da legitimidade do vínculo jurídico obrigacional, o que descaracteriza como ato de liberalidade, conferindo-lhe aspecto de ato oneroso.
Prevalece o entendimento de que o estado de ânimo do solvens, ou seja, a irrepetibilidade terá lugar tão logo \u201co devedor cumpra espontaneamente, sem coação, ainda que erroneamente persuadido da natureza exigível da prestação\u201d.
No entanto, se ocorrer apenas o pagamento parcial, a obrigação permanece judicialmente inexigível quanto ao restante. Porém, saliente-se que a retenção não terá lugar se quem paga for incapaz, pois proteção legalmente conferida a este último prevalece sobre a existência de um vínculo jurídico privado de coerção \u2013 ou se for efetuada em prejuízo de terceiros que sejam credores civis do solvens.
Também se revela hesitante a doutrina quanto às demais formas de extinção das obrigações no que se refere à obrigação judicialmente inexigível.