REVISÃO PROCESSO CIVIL- MAURÍCIO 2015
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REVISÃO PROCESSO CIVIL- MAURÍCIO 2015


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a decisão prolatada por juiz suspeito, ao contrário do que se passa com aquela prolatada por juiz impedido, não dá lugar à ação rescisória. Segue-se, portanto, quanto ao regime de alegação, a regra geral do art.305, CPC).
Alguns julgados que enfrentaram o tema:
Impedimento e suspeição de outros sujeitos da relação jurídica processual- Fredie Didier Jr: \u201cÉ possível arguir a suspeição e o impedimento do serventuário, do perito e do intérprete (todos os motivos dos arts 134 e 135); do órgão do Ministério Público, quando não for parte (apenas os motivos dos incisos I a IV do art.135). Deve o excipiente apresentar petição escrita, fundamentada e instruída, arguição na primeira oportunidade, após o fato, que lhe couber falar nos autos; processamento em separado; não há suspensão da causa; o arguido é ouvido em 5 dias, facultada a produção de prova; nos tribunais, o relator processará e julgará o incidente.\u201d
Incompetência relativa territorial em contrato de adesão- Marinoni e Mitidiero: \u201cArgui-se, por meio de exceção, a incompetência relativa (arts.112 e 114, CPC) e a incompetência territorial fixada em contrato de adesão (art.114, pu, e 114, CPC). Já se decidiu, no entanto, que é possível conhecer de eventual alegação de incompetência relativa formulada como preliminar de contestação à vista da instrumentalidade das formas.\u201d
Acerca do tema já foi decidido:
REVISÃO 10.06.2015
RECONVENÇÃO
Conceito- Fredie Didier Jr. A reconvenção é demanda do réu contra o autor no mesmo processo em que está sendo demandado. É o contra-ataque que enseja o processamento simultâneo da ação principal e da ação reconvencional, a fim de que o juiz resolva as duas lides na mesma sentença.
Conceito- Marcus Vinícius Rios Gonçalves: Dentre as modalidades de resposta previstas no art.297, CPC, destaca-se a reconvenção, que se distingue das demais por não constituir em um mecanismo de defesa, mas de contra-ataque. Em regra, na contestação o réu não pode formular pretensões em face do autor, salvo a de que os pedidos por este formulados sejam julgados improcedente. A exceção são as ações dúplices, nas quais a lei o autoriza a fazer. Afora as ações dúplices, se o réu quiser formular pretensões em face do autor, terá de valer-se da reconvenção. A contestação não amplia os limites objetivos da lide: o juiz se limitará a apreciar os pedidos formulados pelo autor, acolhendo-os ou não. A reconvenção sim: o juiz terá de decidir não apenas os pedidos formulados pelo autor, mas também os apresentados pelo réu, na reconvenção.
Conceito- Luiz Guilherme Marinoni e Daniel Mitidiero: A reconvenção é uma ação inversa do demandado contra o demandante. O demandado, reconvinte, formula pedido de tutela jurisdicional do direito contra o demandante reconvindo, com o que se forma no processo uma acumulação objetiva ulterior de ações. A reconvenção pode conter pedido imediato contra o reconvindo de qualquer ordem: declaratório, constitutivo, condenatório, mandamental ou executivo lato sensu. A reconvenção deve ser proposta em peça processual autônoma (art.299, CPC). A jurisprudência tem conhecido, contudo, de reconvenção formulada no corpo da contestação, desde que perfeitamente identificável (STJ, 5ªT, REsp 549.587/PE, rel. Min. Félix Fischer, J. 23.03.2004). Pode o réu reconvir sem contestar. Se pretender tomar as duas atitudes, porém, terá de fazê-lo simultaneamente (art.299, CPC).
As condições e pressupostos de uma reconvenção são as mesmas de qualquer ação (legitimidade das partes, interesse de agir, possibilidade jurídica do pedido, capacidade de ser parte, capacidade de estar em juízo e capacidade postulatório). Entretanto, por se tratar de uma medida de caráter incidental, além dessas condições e pressupostos comuns a qualquer ação, deve preencher alguns pressupostos e condições específicas: a) tempestividade; b) existência de demanda originária; c) forma; d) identidade procedimental; e) competência.
Requisitos: a) conexão: a reconvenção deverá, obrigatoriamente, ter conexão com os fundamentos de defesa ou com os fundamentos da demanda proposta pelo autor; b) inexistência de impedimento ou suspeição: pode haver casos em que o julgador não é suspeito e não tem impedimento para julgar a demanda, entretanto, na reconvenção, apresenta-se impedido ou suspeito para julgar. No caso de haver o impedimento ou suspeição, desloca-se o processo, tanto o principal quanto a reconvenção; c) legitimidade das partes: somente o réu da ação originária poderá ser autor da ação reconvencional, enquanto nesta somente poderá ser réu o sujeito que figurar como autor da ação originária.
Reconvenção e pedido contraposto são espécies de um mesmo gênero: demanda do réu contra o autor. Distinguem-se pela amplitude da cognição judicial a que dão ensejo. O pedido contraposto é demanda mais simplificada do que a reconvenção, havendo uma restrição legal quanto à sua amplitude, sendo previsto nos Juizados Especiais Cíveis (art.31, L.9.099/95), no procedimento da produção antecipada de prova (art.382, §3º, CPC) e nas ações possessórias.
Não cabimento- Luiz Guilherme Marinoni e Daniel Mitidiero: Não cabe reconvenção no processo autônomo de execução (Livro II, CPC) e no processo cautelar.
Súmula 292, STJ: A reconvenção é cabível na ação monitória, após a conversão do procedimento em ordinário.
Não se admite reconvenção nos feitos expropriatórios:
 
Reconvenção e contestação- simultaneidade:
Honorários advocatícios na ação principal e na reconvenção: 1- Constatada a existência de omissão na decisão embargada, os embargos de declaração devem ser acolhidos para sanar o vício. 2. Os honorários na ação principal são independentes daqueles fixados na ação de reconvenção. 3. Embargos de declaração acolhidos com efeitos infringentes. (EDcl no AgRg no Ag 1366252/GO, Rel. Min. João Otávio de Noronha, 4ªT, J. 07.06.2011.
Ação que visa impedir protesto- Possível reconvenção para cobrança: (...) 6.É possível, no bojo de ação que visa impedir o protesto de título, a reconvenção pelo credor para a cobrança da dívida (...)\u201d AgRg no AREsp 27.041/GO, Rel. Min. João Otávio de Norornha, 4ªT, J. 08.05.2014.
17.06.2015 NÃO TEVE REVISÃO
 REVISÃO 24.06.2015
PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE RECURSAL
Juízo de admissibilidade X Juízo de mérito- Fredie Didier Jr: Toda postulação se sujeita a um duplo exame do magistrado: primeiro, verifica-se se será possível o exame do conteúdo da postulação; após, e em caso de um juízo positivo no primeiro momento, examina-se a procedência ou não daquilo que se postula. O primeiro exame \u201ctem prioridade lógica, pois tal atividade (análise do conteúdo da postulação) só se há de desenvolver plenamente se concorrerem os requisitos indispensáveis para tornar legítimo o seu exercício.\u201d No juízo de admissibilidade, verifica-se a existência dos requisitos de admissibilidade. Distingue-se do juízo de mérito, que é aquele \u201cem que se apura a existência ou inexistência de fundamento para o que se postula, tirando-se daí as consequências cabíveis, isto é, acolhendo-se ou rejeitando-se a postulação. No primeiro, julga-se esta admissível ou inadmissível; no segundo, procedente ou improcedente.\u201d Por isso que se fala em admissibilidade do recurso, da petição inicial, da denunciação da lide etc. O juízo de admissibilidade é sempre preliminar ao juízo de mérito: a solução do primeiro determinará se o mérito será ou não examinado.
Juízo de admissibilidade- Luiz Guilherme Marinoni e Daniel Mitidiero: Antes de o órgão jurisdicional verificar se a irresignação veiculada no recurso é fundada ou infundada, tem de examinar a possibilidade de conhecer o recurso interposto pela parte. Isto é de aferir se é admissível ou não o recurso. O correto preenchimento dos requisitos de admissibilidade do recurso constitui questão preliminar ao julgamento do mérito do recurso. Se os requisitos de admissibilidade do recurso estão presentes, então o órgão jurisdicional deve conhecê-lo.
Juízo de admissibilidade positivo