REVISÃO PROCESSO CIVIL- MAURÍCIO 2015
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REVISÃO PROCESSO CIVIL- MAURÍCIO 2015


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arbitrariedades do Poder Público.
REVISÃO 03.03.2015
PRINCÍPIOS NO DIREITO PROCESSUAL CIVIL
Princípio do contraditório (Fredie Didier Jr): Aplica-se o princípio do contraditório, derivado que é do devido processo legal, nos âmbitos jurisdicional, administrativo e negocial (não obstante a literalidade do texto constitucional). A Constituição Federal prevê o contraditório no inciso LV do art.5º: \u201caos litigantes, em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes.\u201d O princípio do contraditório é reflexo do princípio democrático na estruturação do processo. Democracia é participação, e a participação no processo opera-se pela efetivação da garantia do contraditório. O princípio do contraditório deve ser visto como exigência para o exercício democrático de um poder.
Princípio do contraditório (Humberto Theodoro Jr): O principal consectário do tratamento igualitário das partes se realiza através do contraditório, que consiste na necessidade de ouvir a pessoa perante a qual será proferida a decisão, garantindo-lhe o pleno direito de defesa e de pronunciamento durante todo o curso do processo. Não há privilégios, de qualquer sorte.
Contraditório formal (Fredie Didier Jr): A garantia de participação é a dimensão formal do princípio do contraditório. Trata-se da garantia de ser ouvido, de participar do processo, de ser comunicado, poder falar no processo. Esse é o conteúdo mínimo do princípio do contraditório e concretiza a visão tradicional a respeito do tema.
Contraditório substancial (Fredie Didier Jr): Trata-se do poder influência. Não adianta permitir que as partes simplesmente participem do processo. Apenas isso não é o suficiente para que se efetive o princípio do contraditório. É necessário que se permita que ela seja ouvida, é claro, mas em condições de poder influenciar a decisão do magistrado.
Princípio da ampla defesa (Cássio Scarpinella Bueno): (...) a garantia ampla de todo e qualquer acusado em sentido amplo (que é nomenclatura mais empregada para o processo penal) e qualquer réu (nomenclatura mais utilizada para o processo civil) ter condições efetivas, isto é, concretas de se responder às imputações que lhe são dirigidas antes que seus efeitos decorrentes possam ser sentidos. Alguém que seja acusado de violar ou, quando menos, de ameaçar violar normas jurídicas tem o direito de se defender amplamente. Neste sentido e considerando a ressalva que diz com relação ao contraditório no sentido de participação, de cooperação, de colaboração, a ampla defesa desempenha, na CF, o papel que tradicionalmente era reservado para o contraditório, quase que confundido, desta forma, com a ampla defesa.
 Princípio do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório: 
ADMINISTRATIVO. PENA DE CENSURA APLICADA A MAGISTRADO NO BOJO DE JULGAMENTO DE REPRESENTAÇÃO. PRINCÍPIO DA AMPLA DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. NÃO RESPEITADOS. NECESSÁRIO PRÉVIO PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. PREVISÃO EXISTENTE NO REGIMENTO INTERNO DO TRIBUNAL A QUO. 1. Para a aplicação de pena disciplinar, é imprescindível o prévio procedimento administrativo, por meio do qual sejam obedecidos os princípios do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório. 2. A apresentação de meras informações acerca dos fatos narrados na Representação não pode ser considerada como apta a configurar o devido respeito aos princípios do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório, uma vez que, para tanto, imprescindível teria sido possibilitar, no mínimo, a utilização de todos os meios de prova permitidos em direito. 3. O processo de sindicância, desde que utilizado como meio único para a apuração e aplicação de penalidades disciplinares, deve, obrigatoriamente, observar os princípios da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal. 4. Recurso ordinário em mandado de segurança conhecido e provido. (RECURSO EM MS Nº25.030-MS 2007/0207864-8. REL. MIN LAURITA VAZ, J. 06.09.2011, T5, STJ)
Princípio da publicidade (Fredie Didier Jr): Processo devido é processo público (...) Trata-se de direito fundamental que tem, basicamente, duas funções: a) proteger as partes contra juízos arbitrários e secretos (e, nesse sentido, é conteúdo do devido processo legal, como instrumento a favor da imparcialidade e independência do órgão jurisdicional); b) permitir o controle da opinião pública sobre os serviços da justiça, principalmente sobre o exercício da atividade jurisdicional. Essas duas funções revelam que a publicidade processual tem duas dimensões: s) interna: publicidade para as partes. Bem ampla, em razão do direito fundamental ao processo devido; b) externa: publicidade para os terceiros, que pode ser restringida em alguns casos.
Princípio da duração razoável do processo (Fredie Didier Jr): A EC 45/04, que reformou constitucionalmente o Poder Judiciário, incluiu o inciso LXXVIII no art.5º da CF/88: \u201c a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação.\u201d A mesma emenda constitucional acrescentou a alínea \u201ce\u201d ao inciso II do artigo 93 da CF/88, estabelecendo que \u201cnão será promovido o juiz que, injustificadamente, retiver autos em seu poder além do prazo legal, não podendo devolvê0los ao cartório sem o devido despacho ou decisão.\u201d Processo devido é, pois, processo com duração razoável.
Duração razoável e celeridade (Fredie Didier Jr): Não existe um princípio da celeridade. O processo não tem de ser rápido/ célere: o processo deve demorar o tempo necessário e adequado à solução do caso submetido ao órgão jurisdiconal. Bem pensadas as coisas, conquistou-se, ao longo da história, um direito à demora na solução dos conflitos. A partir do momento em que se reconhece a existência de um direito fundamental ao devido processo, está-se reconhecendo, implicitamente, o direito de que a solução do caso deve cumprir, necessariamente, uma série de atos obrigatórios, que compõem o conteúdo mínimo desse direito. A exigência do contraditório, o direito à produção de provas e aos recursos certamente atravancam a celeridade, mas são garantias que não podem ser desconsideradas ou minimizadas. É preciso fazer o alerta, para evitar discursos autoritários, que pregam a celeridade como valor, Os processos da inquisição poderiam ser rápidos. Não parece, porém, que se sinta saudade deles.
Princípio da igualdade (Sidnei Amendoeira Jr): Já, com relação ao princípio da igualdade, o que sempre imperou era que \u201cas partes e os procuradores devem merecer tratamento igualitário, para que tenham as mesmas oportunidades de fazer valer em juízo as suas razões.\u201d No entanto, todos sabemos que nem sempre as partes são iguais e que não basta que a lei trate a todos da mesma forma para assegurar uma igualdade; desse modo estaríamos diante de uma igualdade meramente formal. É preciso mais, que as partes, atinja o equilíbrio. Note-se, então, que se o princípio da igualdade corresponde a tratar desigualmente os desiguais, para que isso ocorra não basta o juiz formalmente oferecer oportunidades iguais de defesa e participação para as partes; deve ele ir além e diretamente participar, por exemplo, da colheita da prova, determinando a sua produção ex officio, ainda que esteja diante de direito disponíveis.
Princípio da eficiência (Fredie Didier Jr): O processo, para ser devido, há de ser eficiente. O princípio da eficiência, aplicado ao processo, é um dos corolários da cláusula geral do devido processo legal. Realmente, é difícil conceber como devido um processo ineficiente (...) Ele resulta, ainda, da incidência do art.37, caput, da CF/88. Esse dispositivo também se dirige ao Poder Judiciário- como indica, aliás, a literalidade do enunciado, que fala em \u201cqualquer dos Poderes\u201d. Assim, o princípio do processo eficiente é resultado de uma combinação de dois dispositivos da CF: art.5º, LIV, e art.37, caput.
Princípio da efetividade (Fredie Didier Jr): Da cláusula geral do devido processo lega- podem ser extraídos