REVISÃO PROCESSO CIVIL- MAURÍCIO 2015
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REVISÃO PROCESSO CIVIL- MAURÍCIO 2015


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todos os princípios que regem o direito processual, conforme visto. Dela também se extrai o princípio da efetividade: os direitos devem ser, além de reconhecidos, efetivados. Processo devido é processo efetivo. O princípio da efetividade garante o direito fundamental à tutela executiva, que consiste \u201cna exigência de um sistema completo de tutela executiva, no qual existam meios executivos capazes de proporcionar pronta e integral satisfação a qualquer direito merecedor de tutela executiva.
Princípio da cooperação (Fredie Didier Jr): Os princípio do devido processo legal, da boa-fé processual e do contraditório, juntos, servem de base para o surgimento de um outro princípio do processo: o princípio da cooperação. O princípio da cooperação define o modo como o processo civil deve estruturar-se no direito brasileiro. Esse modelo caracteriza-se pelo redimensionamento do princípio do contraditório, com a inclusão do órgão jurisdicional no rol dos sujeitos do diálogo processual, e não mais como mero espectador do duelo das partes. O contraditório volta a ser valorizado como instrumento indispensável ao aprimoramento da decisão judicial, e não apenas como uma regra formal que deveria ser observada para que a decisão fosse válida. A condução do processo deixa de ser determinada pela vontade das partes (marca do processo liberal dispositivo). Também não se pode afirmar que há uma condução inquisitorial do processo pelo órgão jurisdicional, em posição assimétrica em relação às partes. Busca-se uma condução cooperativa do processo, sem destaques a algum dos sujeitos processuais.
Princípio da cooperação (Cassio Scarpinella Bueno): A doutrina brasileira mais recente, fortemente influenciada pela estrangeira, já começa a falar em \u201cprincípio da cooperação\u201d, uma específica faceta- quiçá uma (necessária) \u201catualização\u201d- do princípio do contraditório, entendendo tal princípio como um necessário e constante diálogo entre o juiz e as partes, preocupados, todos, com o proferimento de uma melhor decisão para a lide. Neste sentido, o princípio da cooperação pode ser entendido como o princípio do contraditório, inserido no ambiente dos direitos fundamentais, que hipertrofia a tradicional concepção dos princípios jurídicos como meras garantias dos particulares contra eventuais abusos do Estado na sua atuação concreta. E por isto mesmo é que ele convida a uma renovada reflexão do próprio princípio do contraditório.
 Princípios do devido processo legal, boa-fé, efetividade, contraditório, cooperação e confiança
\u201c(...) 3. O processo civil moderno vem reconhecendo- dentro da cláusula geral do devido processo legal- diversos outros princípios que o regem- como a boa-fé processual, efetividade, o contraditório, cooperação e a confiança, normativos que devem alcançar não só as partes, mas também a atuação dp magistrado, que deverá fazer parte do diálogo processual. (...)\u201d \u2013RESP 1229905/MS, REL. MIN. LUIS FELIPE SALOMÃO, T4, J. 05.08.2014.
REVISÃO 11.03.2015
JURISDIÇÃO
Conceito (Fredie Didier Jr): A jurisdição é a função atribuída a terceiro imparcial (a) de realizar o Direito de modo imperativo (b) e criativo (c), reconhecendo/ efetivando/ protegendo situações jurídicas (d) concretamente deduzidas (e), em decisão insuscetível de controle externo (f) e com aptidão para tornar-se indiscutível (g).
Conceito (Cássio Scarpinella Bueno): A jurisdição pode ser entendida como a função do Estado destinada à solução imperativa, substitutiva e com ânimo de definitividade de conflitos intersubjetivos e exercida mediante a atuação do direito em casos concretos. Tal exercício de atuação do Estado, contudo, não se limita à declaração de direitos, mas também à sua realização concreta, prática, com vistas à pacificação social.
A imperatividade da jurisdição (Cassio Scarpinella Bueno): Como desdobramento necessário da afirmação do parágrafo anterior, aliado à circunstância de que a jurisdição é manifestação do poder do Estado- do \u201cdever-poder\u201d do Estado Democrático de Direito, à luz do modelo de Estado adotado que a CF/88 impôs no caso brasileiro-, a substitutividade da jurisdição leva, necessariamente, à compreensão de sua imperatividade. O Estado-juiz, para realizar suficiente e adequadamente o objetivo maior de pacificar os litigantes, imporá o resultado que, mediante o devido processo, entender aplicável ao caso, independentemente da concordância dos litigantes. Houvesse qualquer ânimo de espontaneidade à submissão da atividade jurisdicional, a seus resultados e a seus efeitos e, certamente, não haveria razão para tratar do direito processual civil como ramo do direito público, como uma das funções do Estado. A atuação jurisdicional, toda ela, é ato de autoridade, devidamente constituída e, como tal, deve ser acatada, deve ser observada na exata medida em que ela tenha aptidão de surtir seus regulares efeitos. Os litigantes, desta forma, devem se sujeitar ao que for decidido. Caso não o façam, o próprio Estado-juiz poderá lançar mão de determinados atos voltados precipuamente para tanto.
A função jurisdicional como manifestação de Poder (Fredie Didier Jr): A jurisdição é manifestação de um Poder e, portanto, impõe-se imperativamente, aplicando o Direito a situações concretas que são submetidas ao órgão jurisdicional. Ao lado da função legislativa e da função administrativa, a função jurisdicional compõe o tripé dos poderes estatais. Embora monopólio do Estado, a função jurisdicional não precisa necessariamente ser exercida por ele. O próprio Estado pode autorizar o exercício da função jurisdicional por outros agentes privados, como no caso da arbitragem, mais adiante examinado.
A imutabilidade da jurisdição (Cassio Scarpinella Bueno): Uma vez prestada a atividade jurisdicional, substituída a vontade e os interesses dos litigantes pela \u201cvontade funcional\u201d e pelo interesse do próprio Estado- interesse (dever) de pacificar a sociedade-, imposta se for o caso, a solução no caso concreto- como consequência do monopólio da força física-, a atividade jurisdicional tende a se tornar imutável no sentido de impedir que ela seja rediscutida por quem quer que seja, inclusive pelo próprio Estado-juiz. É este o \u201cselo\u201d de imutabilidade de determinadas decisões proferidas pelo Estado-juiz no âmbito da função-, que é chamado de \u201ccoisa julgada material\u201d ou, neste contexto de \u201ccoisa julgada\u201d, que tem previsão expressa no art.5º, XXXVI, da CF.
A inevitabilidade da jurisdição (Cassio Scarpinella Bueno): Por \u201cinevitabilidade da jurisdição\u201d deve ser entendida a circunstância de não ser legítimo recusar-se a atividade jurisdicional a nenhum título. Desde que ela seja provocada (...), sua atuação e a imperatividade da solução daí decorrente é inevitável. É esta faceta interessante de ser colocada em destaque a partir da compreensão do art.5º, XXXV, da CF.
Indelegabilidade (Fredie Didier Jr): O exercício da função jurisdicional não pode ser delegado. Não pode o órgão jurisdicional delegar funções a outro sujeito. Essa vedação se aplica integralmente no caso de poder decisório: não é possível delegar o poder decisório a outro órgão, o que implicaria derrogação de regra de competência, em violação à garantia do juiz natural. Há, porém, hipóteses em que se autoriza a delegação de outros poderes judiciais, como o poder instrutório, o poder diretivo do processo e o poder de execução das decisões.
Inafastabilidade (Fredie Didier Jr): Prescreve o inciso XXXV, do art.5º da CF: \u201ca lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito\u201d. Trata, o dispositivo, da consagração, em sede constitucional, do direito fundamental de ação, de acesso ao Poder Judiciário, conquista histórica que surgiu a partir do momento em que, estando proibida a autotutela privada, assumiu o Estado o monopólio da jurisdição. Ao criar um direito, estabelece-se o dever- que é do Estado: prestar a jurisdição. Ação e jurisdição são institutos que nasceram um para o outro.
Territorialidade (Fredie Didier Jr): Os magistrados só têm autoridade nos limites