REVISÃO PROCESSO CIVIL- MAURÍCIO 2015
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REVISÃO PROCESSO CIVIL- MAURÍCIO 2015


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territoriais do seu Estado; ou seja, nos limites do território da sua jurisdição. A jurisdição, como manifestação da soberania, exerce-se sempre em um dado território. É com base neste princípio que surge a necessidade de as autoridades judiciárias cooperarem entre si, cada uma ajudando a outra no exercício da atividade jurisdicional em seu território. Surgem as cartas, como atos de comunicação entre órgãos jurisdicionais: a maior parte dos atos de interesse ao processo, que devam ser praticados fora dos limites territoriais em que o juiz exerce a jurisdição, dependerá da cooperação do juiz do lugar. Eis as cartas precatórias (juízes de mesma hierarquia no mesmo país) e rogatórias (juízes de países diversos), conforme o caso.
Jurisdição voluntária e contenciosa (Humberto Theodoro Jr): A jurisdição civil, aquela que é regulada pelo direito processual civil, compreende, segundo o art.1º do CPC, a jurisdição contenciosa e a jurisdição voluntária. Jurisdição contenciosa é a jurisdição propriamente dita, isto é, aquela função que o Estado desempenha na pacificação ou composição dos litígios. Pressupõe controvérsia entre as partes (lide), a ser solucionada pelo juiz. Mas ao Poder Judiciário são, também, atribuídas certas funções em que predomina o caráter administrativo e que, são desempenhadas sem o pressuposto do litígio. Trata-se da chamada jurisdição voluntária, em que o juiz apenas realiza gestão pública em torno de interesses privados, como se dá nas nomeações de tutores, nas alienações de bens de incapazes, na extinção do usufruto ou do fideicomisso etc.
Procedimentos de jurisdição voluntária no NCPC: 
Art.719- Quando este Código não estabelecer procedimento especial, regem os procedimentos de jurisdição voluntária as disposições constantes desta Seção.
Art.720- O procedimento terá início por provocação do interessado, do MP ou da Defensoria Pública, cabendo-lhes formular o pedido devidamente instruído com os documentos necessários e com a indicação da providência judicial.
(...) 7. O exercício da jurisdição, função estatal que busca composição de conflitos de interesse, deve observar certos princípios, decorrentes da própria organização do Estado moderno, que se constituem em elementos essenciais para a concretude do exercício jurisdicional, sendo que dentre eles avultam: inevitabilidade, investidura, indelegabilidade, inércia, unicidade, inafastabilidade e aderência. (...) (STJ- RESP 1.168.547/RJ, REL. MIN. LUIS FELIPE SALOMÃO, T4, J.11.05.2010)
REVISÃO 25.03.2015
AÇÃO
Teoria imanentista (civilista): O direito de ação é considerado o próprio direito material em movimento, reagindo a uma agressão ou uma ameaça de agressão (aspecto dinâmico). O direito de ação seria algo imanente, característica própria do direito material (civil) lesado. É a primeira das teorias que se invoca ao estudar o direito de ação, calcada na ideia de que não haveria direito de ação sem direito material, tendo sido Savigny seu maior defensor. Couture aponta que a essa ideia também deu desenvolvimento a doutrina francesa.
Teoria concreta da ação: Surgiu na esteira da polêmica entre Windscheid e Müther, um estudo que sepultou de uma vez por todas a teoria imanentista, sendo também conhecida como \u201cteoria do direito concreto de ação\u201d, criação de Wach, na Alemanha. Para seus defensores, o direito de ação é um direito do indivíduo contra o Estado (com o objetivo de uma sentença favorável) e, ao mesmo tempo, um direito contra o adversário (que estará submetido à decisão estatal e aos seus efeitos jurídicos), separando o direito em 2 (dois) planos, o substancial e o processual.
Teoria abstrata do direito de ação: Também chamada de \u201cteoria da ação em sentido abstrato\u201d, foi criada pelo alemão Degenkolb e pelo húngaro Plósz, os quais procuraram um fundamento para a ação, desvinculado e independente de qualquer direito anterior. Apoiavam Büllow quanto à autonomia do processo como relação jurídica diversa daquela submetida ao órgão jurisidicional. A ideia principal foi a de incorporar o entendimento assimilado pela \u201cteoria concreta\u201d de que direito de ação e direito material não se confundiam, mantendo a autonomia entre esses 2(dois) direitos e também afirmando que o direito de ação é independente do direito material, podendo existir o primeiro sem que exista o segundo.
Teoria eclética: Tem Liebman seu criador, consistindo, por conta do fato de o mestre italiano ser um dos muitos adeptos do abstrativismo, num desenvolvimento da teoria abstrata com alguns temperamentos. Aqui, o direito de ação existe de forma autônoma e independente em relação ao direito material, subordinando-se, porém, à existência das condições da ação, sem a existência dos quais não há ação, verdadeiramente. Em suma, seria, a ação, o direito a um julgamento de mérito, sendo que esse julgamento de mérito só ocorreria no caso preenchidos de forma a possibilitar ao juiz a análise da pretensão do autor.
Teoria da asserção ou da prospecção (in status assertionis): Surgida em tempos mais recentes, a teoria da asserção pode ser considerada uma teoria intermediária entre a \u201cabstrata\u201d e a \u201ceclética\u201d. Para seus defensores, sendo possível ao juiz, mediante \u201ccognição sumária\u201d, perceber a ausência de uma ou mais condições da ação, deve ser extinto o feito sem resolução do mérito, por \u201ccarência de ação\u201d (art.267, VI, CPC), mesmo porque já teria condições desde o limiar do processo de extingui-lo, e assim evitar o desenvolvimento de atividade inútil (princípio da economia processual). Por outro lado, caso o juiz precise no caso concreto de \u201ccognição mais aprofundada\u201d para então decidir sobre a presença das condições da ação, não mais haverá tais condições da ação, que passarão a ser entendidas como matéria de mérito. Aquilo que poderia ter sido, no início do processo, uma condição da ação, passa a ser matéria de mérito, gerando sentença de rejeição do pedido do autor (art.269, I, CPC), com a geração de coisa julgada material.
Análise das condições da ação à luz da petição inicial: \u201c(...)2. O entendimento desta Corte Superior é pacífico no sentido de que as condições da ação, incluindo a legitimidade ad causam, devem ser aferidas in status assertionis, ou seja, à luz exclusivamente da narrativa constante na petição inicial. 3. Agravo regimental não provido. (STJ-AgRg no AREsp 655.283/RJ, Rel. Ministro Luis Salomão, 4ªT, julgado em 10.03.2015, DJe 18.03.2015).\u201d
A ação e o Código Buzaid- Marinoni e Mitidiero: \u201cO Código Buzaid positivou entre nós a teoria eclética da ação, formulada por Enrico Tullio Liebman, para quem a ação é um direito ao processo e a um julgamento de mérito. Essa opção legislativa teve, no mínimo, três grandes consequências: a) no plano das questões a dialogar e a decidir (plano horizontal da cognição), erigiu um trinômio de questões: questões relativas ao processo (os chamados pressupostos processuais ou como preferimos, os requisitos para concessão da tutela jurisdicional do direito), questões relativas à ação (as condições da ação) e questões relativas ao mérito da causa; b) no plano da estruturação do processo, fez da ação direito a um julgamento de mérito (daí a razão pela qual a antiga redação do art.463, CPC, referia que, prolatada a sentença de mérito, o juiz \u201ccumpre e acaba o ofício jurisdicional\u201d, deflagrado pelo exercício da ação), e c) no prazo da eficácia das ações e das sentenças de procedência no Processo de Conhecimento, concebeu apenas três espécies: declaratórias (positivas e negativas), constitutivas (positivas e negativas) e condenatórias, sendo que eventual satisfação do direito declarado na sentença, sendo necessária, deveria ser pleiteada em um processo posterior e autônomo, o Processo de Execução.\u201d
Direito de ação x Ação- Fredie Didier Jr.: \u201cDireito de ação é o direito fundamental (situação jurídica, portanto) composto por um conjunto de situações jurídicas, que garantem ao seu titular o poder de acessar os tribunais e exigir deles uma tutela jurisdicional adequada, tempestiva e efetiva. É direito Fundamental que