8th Divisões do Tempo e Espaço; Fernand Braudel
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pela posse da riqueza explorável do Oriente, énecessário que tnunle
rX <? ^ uma cidade, Gênova ou Veneza. Oprolongado duelo entre as duas não se decidira
-*,?\u2022* o fim da guerra de Chioggia (1378-1381), que-assistirá àbrusca vitoria de
J Veneza Os Estados-cidades daItália disputaram a supremacia com uma dureza tal
que os seus herdeiros, os Estados enações modernos, não virão aultrapassar.
Essas evoluções no sentido do triunfo ou do fracasso correspondem a verda
deiras convulsões. Se cai acapital de uma economia-mundo, fortes abalos se regis
tram ao longe, até a periferia. Aliás, é nas margens, colônias verdadeiras ou
'^ eudocolônias, que oespetáculo tende sempre aser mais revelador Veneza perde
o seu cetro, perde o seu Império: Negroponto, em 1540; Chipre (que era o seu
fiorão) em 1572; Cândia, em 1669. Amsterdam estabelece asua superioridade:
Portugal perde oseu Império do Extremo Oriente, mais tarde fica adois passos de
/-. perder oBrasil. AFrança, em 1762, perde oprimeiro lance sério no seu duelo con-
O ira a Inglaterra: renuncia ao Canadá e, praticamente, aqualquer futuro na índia.
Londres, em 1815, afirma-se na plenitude da sua força: a Espanha, no momento
M oportuno, perdeu ou perderá aAmérica. Do mesmo modo, depois de 1929, omun-
2 Jlo ainda na véspera centrado em Londres, começa ase recentrar em Nova York:
\u2022^ edepois de 1945, os Impérios coloniais da Europa serão, um após outfo. o inglês, o
O ^holandês, obelga, o francês, oespanhol (ou oque dele restava), agora oportuguês.Q ÍEsta repetição dos abandonos coloniais não é fortuita; trata-se de cadeias de depen-
< Idências que se romperam. Será muito difícil imaginar as repercussões que hoje
Q. ° «8 acarretariam para todo ouniverso ofim da hegemonia &quot;americana ?
Segunda regra (continuação efim):
Q
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£ acarretariam para todo o universo o tim ua negemoni
dominações urbanas mais ou menos completas
Aexpressão cidades dominantes não deve fazer crer que se trate sempre do
mesmo tipo de sucessos ede forças urbanas: ao longo da história, essas cidades
centrais vão sendo mais ou menos bem armadas e as suas diferenças e insuficiên
cias relativas, vistas de perto, introduzem a reinterpretaçoes bastante corretas.
Tomando a seqüência clássica das cidades dominantes do Ocidente. Veneza.
Antuérpia. Gênova. Amsterdam. Londres, das quais voltaremos afalar detidamen
te, verificaremos que as três primeiras não possuem oarsenal completo da domina,
çáo econômica. No fim do século XIV, Veneza é uma cidade mercantil em plena
expansão: mas~só cm parte éafe^dn e. nnimada oela indústria e. embora tenha um
enquadramento financeiro ebancário, este sistema de crédito so funciona no inte
rior da economia veneziana, é um motor endógeno. Antuérpia, praticamente des-
As divisões do espaço e do tempo
provida de marinha, abrigou o capitalismo mercantil da Europa e foi, para os tráfi
cos e para os negócios, uma espécie de albergue espanhol. Todos encontraram
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aos-tráfi- / £\u2022 .
aram lá o
ancária, a v xf^ \que levaram para lá. Çtênova exercerá, mais tarde, apenas uma primazia bancária, a y <
exemplo de Florença nos séculos XIII e XIV e, se desempenhou os papéis princi- V . y ^k
pais, foi por ter como cliente o rei da Espanha, dono dos metais preciosos, e tam
bém por terhavido, entre os séculos XVI e XVII, uma espécie de indecisão quanto j^
-à fixação do centro de gravidade da Europa: Antuérpia deixara de desempenhar \ J*p
esse papel, Amsterdam ainda n5o o desempenhava \u2014 era uma espécie de entreato.
i Com Amsterdam e Londres, as cidades-mundos já possuem o arsenal completo do. ^*
poderio econômico, tomaram tuio, desde o controle da navegação até a expansão- ^
mercantil e industrial ejodo o leque dos créditos.
Outra coisa que varia, de urr^i dominação para outra, éo quadro dopoder poli- _ O
tico. Desse ponto de vista, Veneza tinha sido um Esiado forte, independente; no
princípio do século XV. apoderara-se da Terra Firme, proteção vasta e próxima
dela desde 1294. dispunha de um Império colonial. Em contrapartida, Antuérpia
não terá, por assim dizer, nenhum poder político ao seu dispor. Gênova é apenas
um esqueleto territorial: renunciou â- independência política, apostando num outro
instrumento de dominação, que e o dinheiro. Amsterdam atribui-se. de certo modo.
a propriedade das Províncias L'r_das, queiram elas ou não. Mas, enfim, o seu &quot;rei
no&quot; não representa mais do que i Terraferma veneziana. Com Londres tudo muda,
pois a enorme cidade dispõe do nercado nacional inglês e, depois, do conjunto das
ilhas Britânicas, até o dia em que. o mundo mudando de escala, este aglomerado de
poder não será mais do que a pecuena Inglaterra em face de um mastodonte: os Es
tados Unidos.
Resumindo, acompanhada em suas linhas gerais, a história sucessiva das cida-
,des dominantes daTEuropa. aparj do século XIV, desenha antecipadamente aevo- ^p
luçao das economias-mundos suhacentes. mais ou menos ligadas e tensas, oscilan- \
do entre centragens fortes e centragens fracas. Essa sucessão esclarece também, de ' ,
&quot;passagem, os valores variáveis ciis armasda dominação: navegação, negócios, in- ^u, Ç
dústria, crédito, poder ou violência política...
Terceira regra: '
as diversas zonas são hierarquizcJas
As diversas zonas de uma economia-mundo estão voltadas para um mesmo
ponto, o centro: &quot;polarizadas&quot;, constituem já um conjunto com múltiplas coerèn-
cias. Como dirá a Câmara de Comércio de Marselha (1763): 'Todos os comércios
estão ligados e. por assim durer, de mãos dadas&quot;*1. Um século antes, em
Amsterdam, um observador já deduzia do caso da Holanda que havia &quot;uma tal liga
ção entre todas as partes do comércio do universo que ignorar algumas delas era
conhecer mal as outras&quot;'2.
E, uma vez estabelecidas, as ligações perduram.
Uma certa paixão fez de mi\u2014 um historiador do Mediterrâneo da segunda me
tade do século XVI. Em espírito, naveguei, aportei, fiz trocas, vendi em todos os
portos, durante um bom meio séc.Io. Depois precisei abordar a história do Mediter-
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A s d i v i s õ e s d o e s p a ç o í d o t e m p o
r â n e o d o s s é c u l o s X V I I e X V I I I . P e n s e i q u e a s u a s i n g u l a r i d a d e f o s s e m e d e s o r i e n
t a r , q u e m e s e r á n e c e s s á r i a u m a n o v a a p r e n d i z a g e m p a r a m e l o c a l i z a r n e l a . O r a ,
l o g o p e r c e b i q . e e s t a v a e m t e r r i t ó r i o c o n h e c i d o , e m 1 6 6 0 . e m 1 6 7 0 o u m e s m o e m
1 7 5 0 . O e s p a c e b á s i c o , o s i t i n e r á r i o s , o s t e m p o s d e t r a j e t o , o s p r o d u t o s , a s m e r c a
d o r i a s t r o c a d a s , a s e s c a l a s , t u d o , o u q u a s e t u d o , p e r m a n e c i a n o m e s m o l u g a r . A o
t o d o , a l g u m a s i i t e r a ç õ e s a q u i e a l i , m a s r e l e v a n t e q u a s e s ó a d a s u p e r e s t r u t u r a , o
q u e é a o m e s m a : e m p o m u i t o e q u a s e n a d a , a i n d a q u e e s s e q u a s e n a d a \u2014 o d i n h e i
r o , o s c a p i t a i s . : c r é d i t o , u m a d e m a n d a a u m e n t a d a o u d i m i n u í d a d e s t e o u d a q u e l e
p r o d u t o \u2014 p u d s s e d o m i n a r u m a v i d a e s p o n t â n e a t e r r a a t e r r a e c o m o q u e &quot; n a t u
r a l &quot; ' . E s t a , p o r é n . p r o s s e g u e s e m s a b e r a o c e r t o q u e o s v e r d a d e i r o s s e n h o r e s j á n ã o
s ã o o s d a v é s p e r a , p e l o m e n o s s e m s e p r e o c u p a r m u i t o c o m i s s o . S e o a z e i t e d a
A p ú l i a n o s é c r i ò X V I I I . é e x p o r t a d o p a r a o n o r t e d a E u r o p a p o r T r i e s t e , A n c o n a ,
N á p o l e s , F e r r a - i e , m u i t o m e n o s , p a r a V e n e z a 3 3 , p o r c e r t o i s s o c o n t a , m a s t e r á a l
g u m a i m p o r t â r u i a p a r a o s c a m p o n e s e s d o s o l i v a i s ?
É a t r a v é s d e s s a e x p e r i ê n c i a q u e e x p l i c o a c o n s t r u ç ã o d a s e c o n o m i a s - m u n d o s e
d o s m e c a n i s m e s g r a ç a