Kapanji - volume 2

Kapanji - volume 2


DisciplinaCinesiologia3.720 materiais61.800 seguidores
Pré-visualização50 páginas
eixo vertical(linhaem
pontose traços),enquantoosglúteosmínimoe
médio(setaspretas)tomamumadireçãooblíqua
paracimaeparatrás.
Fig.1-150
Fig.1-148
2..\fEMBROINFERIOR 67
68 FISIOLOGIAARTICFLAR
A INVERSÃO DAS AÇÕES MUSCULARES
Os músculosmotoresdeumaarticulação
comtrêsgrausde liberdadenão possuema
mesmaação,dependendodaposiçãodaarticu-
lação;asaçõessecundáriaspodem-semodifi-
care atémesmoseinverter.O exemplomais
típicoé a inversãodo componentede flexão
dosadutores(fig. 1-152):apartirdeumapo-
sição de alinhamentonormal (0°), todos os
adutoressetransformamemflexoresmenosos
feixesposterioresdoadutormagnoeprincipal-
mentedo "terceiroadutor"(A') queé,e conti-
nua sendo,extensoratéa extensãode -20°.
Contudo,o componentede flexão somente
persisteenquantonãosesobrepassaa inserção
superiordecadamúsculo:assimsendo,o adu-
tormédio(AM) éflexoratéos+50°,masapar-
tir de+70°setransformaemextensor.Do mes-
momodo,o adutormenoréflexoratéos+50°,
depoisdissosetransformaemextensor;quan-
toaoretointerno,o limitedaflexãoéde+40°.
Nesteesquemasevênitidamentequesomente
os flexorespodemlevaro movimentode fle-
xão atéo seulimite:para+120°o tensorda
fáscialata (TFL) esgotao seu comprimento
(encurtandoadistânciaaa'queé igualà meta-
dedocomprimentodassuasfibras);quantoao
psoas(Ps),eletambémalcançao limitedasua
eficácia,vistoqueo seutendãotema tendên-
ciaa se"descolar"daeminênciaílio-pectínea
(o esquemafaz compreender"por que"o tro-
cânterestásituadotãoatrás:o tendãodopsoas
possuiumtrajetosuplementarigualà espessu-
radadiáfisefemoral).
Para o quadrado crural, a inversãodo
componentedeflexãotambémémuitonítida(fi-
gura1-153:o ossoilíaco,transparente,deixaver
o fêmure o trajetodo quadradocrural):naex-
tensão(E), o quadradocruralé flexor,enquanto
na flexão(F) ele se transformaemextensor,o
pontode transiçãocorrespondeà posiçãode
alinhamentonormal.
A eficáciadosmúsculosdependedaposi-
çãoda articulação.A flexãoprévia(fig. 1-154)
colocaos músculosextensoresdo quadrilem
tensão:naflexãode120°,o alongamentopassivo
do glúteomáximocorrespondea um compri-
mentoFF' que em algumasfibrasalcançaos
100%,porsuavez,o alongamentodosísquio-ti-
biaiscorrespondea umcomprimentoJJ' próxi-
modos50%doseucomprimentoemalinhamen-
tonormal,masojoelhodevepermaneceremex-
tensão.Isto explicaa posiçãode partidados
corredores(fig. 1-155):máximaflexãodo qua-
dril, seguidadeumaextensãodejoelho(umse-
gundotemponãofiguradoaqui),quecolocaos
extensoresdequadrilemumatensãofavorávelà
poderosaimpulsãodesaída.Estatensãodosís-
quio-tibiaisé a que limitaa flexãodo quadril
quandoojoelhoestáestendido.
O esquema(fig. 1-154)mostra,ainda,que
daposiçãodealinhamentonormalà posiçãode
extensãoa-20°,avariaçãodocomprimentoJJo
dosísquio-tibiaisérelativamentefraca:istocon-
firmaa noçãodequea máximaeficáciadosís-
quio-tibiaisé naposiçãodesemiflexão.
Fig.1-152
Fig.1-155
Fig.1-154
2.MEMBRO INFERIOR 69
Fig.1-153
70 FISIOLOGIAARTICULAR
A INVERSÃO DAS AÇÕES MUSCULARES
(continuação)
Na posiçãodeflexãoacentuadadoquadril
(fig. 1-156),opiramidalmodificaassuasações
(fig. 1-157:vistaexterna):enquantonoalinha-
mentonormalé rotadorexterno-flexor-abdutor
(setabranca),na flexãoacentuadasetransfor-
ma (setatracejada)emrotadorinterno-exten-
sor-abdutor,a transiçãoentreestasduaszonas
deaçãosesituapertodaflexãode600,ondeele
ésomenteabdutor.Em flexãosempreacentuada
(fig. 1-158:vistapóstero-externadoquadrilfle-
xionado),nãosomenteo piramidal(Pm)éabdu-
tor,mastambémo obturadorinternopossuia
mesmaação(Obi), assimcomotodoo glúteo
máximo(G);aaçãodestesmúsculospermiteas-
sim,comosquadrisflexionadosa900,separaros
joelhosumdo outro.O glúteomínimo(Gm) é
umrotadorinternoevidentee setransformaem
adutor(fig.1-159),bemcomoo tensordafáscia
lata(TFL); o movimentoglobalrealizadoé uma
flexão-adução-rotaçãointerna(fig.1-160).
~---~--~---------
2.MEMBRO INFERIOR 71
Fig.1-159
Fig.1-158
Fig.1-160
\
\ I}'I
1
t'...
~\
\
\I
1IIII
Fig.1-157
- -'Ir
72 FISIOLOGIAARTICULAR
ENTRADA EM JOGO SUCESSIVA DOS ABDUTORES
Segundoo graudeflexãodoquadril,apel-
ve,emapoio unilateral,estáestabilizadapor
diferentesmúsculosabdutores.
Como quadrilemextensão(fig. 1-161),o
centrode gravidadecai por trásda linha dos
quadriseestenãopoderealizarabásculaposte-
rior da pelvedevidoà tensãodo ligamentode
Bertin(vertambémpágina38)e à contraçãodo
tensordafáscialataque,aomesmotempo,éfle-
xordoquadril:portanto,o tensorcorrigeabás-
cula laterale a básculaposteriorda pelveao
mesmotempo.
Quandoapelveestámenosbasculadapara
trás(fig.1-162),o centrodegravidadecontinua
caindoportrásdalinhadosquadrise o glúteo
mínimocomeçaa agir:nãodevemosesquecer
queestemúsculotambémé abdutor-flexor,co-
moo tensor.
Quandoapelveestáemequilíbrionoplano
ântero-posterior(fig.1-163),ocentrodegravida-
decaina linhadosquadris,e nestecasoseráo
glúteomédioqueestabilizaapelvelateralmente.
A partirdomomentonoqualapelvebas-
culaparafrente,o glúteomáximointervém,ao
qual se juntam sucessivamenteo piramidal
(fig. 1-164),o obturadorinterno(fig. 1-165)e
o quadradocrural(fig. 1-166),à medidaquea
flexãodo troncoaumenta:estesmúsculossão
simultaneamenteabdutores- como quadril
emflexão- e extensores,o quepermiteque
secorrijaabásculadapelve,simultaneamente,
nosdoisplanos.
2.MEMBRO INFERIOR 73
Fig.1-166
Fig.1-162
Fig.1-164
Fig.1-165
Fig.1-163
Fig.1-161
74 FISIOLOGIA ARTICULAR
ojoelhoéaarticulaçãointermédiadomem-
bro inferior.É, principalmente,umaarticulação
comsóumgraudeliberdade- aftexão-exten-
são-, que lhe penniteaproximarou afastar,
maisoumenos,a extremidadedomembroà sua
raiz,ouseja,regularadistânciadocorpocomre-
laçãoaochão.Ojoelho trabalha,essencialmente,
emcompressão,pelaaçãodagravidade.
Deforma acessória,aarticulaçãodojoelho
possuium segundograu deliberdade:arota-
çãosobreo eixo longitudinaldaperna,quesó
aparecequandoojoelho estájlexionado.
Do pontodevistamecânico,a articulação
dojoelhoéumcasosurpreendente,vistoquede-
veconciliardoisimperativoscontraditórios:
- possuirumagrandeestabilidadeemex-
tensãomáxima.Nestaposiçãoo joelho
fazesforçosimportantesdevidoaopeso
do corpoe aocomprimentodosbraços
dealavanca;
- adquirirumagrandemobilidadeapartir
decertoângulode ftexão.Estamobili-
dadeé necessáriana corridae paraa
orientaçãoótimado pé comrelaçãoàs
irregularidadesdochão.
O joelhoresolveestascontradiçõesgraças
a dispositivosmecânicosextremamentesofisti-
cados;porém,comosuassuperfíciespossuem
um encaixefrouxo, condiçãonecessáriapara
umaboamobilidade,eleestásujeitoa entorses
e luxações.
Quandoestáemftexão,posiçãodeinstabi-
lidade,ojoelhoestásujeitoaomáximoa lesões
ligamentarese dosmeniscos.
Em extensãoé maisvulnerávela fraturas
articularese arupturasligamentares.
2.MEMBRO INFERIOR 75
76 FISIOLOGIA ARTICULAR
OS EIXOS DA ARTICULAÇÃO DO JOELHO
oprimeirograudeliberdadeestácondi-
cionadopeloeixo transversalXX' (fig.2-1,vis-
tainternae2-2,vistaexternadojoelhosemifie-
xionado),aoredordoqualserealizamosmovi-
mentosdefiexão-extensãonoplanosagital.Es-
teeixoXX', contidonumplanofrontal,atraves-
sahorizontalmenteoscôndilosfemorais.
Por causadaforma"emalpendre"do colo
femoral(fig.2-3),o eixodadiáfisefemoralnão
estásituado,exatamente,no prolongamentodo
eixodoesqueletodaperna,eformacomesteum
ânguloobtuso,abertoparadentro,de 170-175°:
setratadovalgofisiológico dojoelho.
Contudo,ostrêscentrosarticularesdoqua-
dril (H), dojoelho(O) e do tornozelo(C) estão
alinhadosnumamesmaretaHOC, querepresen-
tao eixo mecânicodo membroinferior. Na per-
na,esteeixoseconfundecomo eixodo esque-
leto;porém,nacoxa,o eixomecânicoHO for-
maumângulode6°como eixodo fêmur.
Por outrolado,o fato de que os quadris
estejammaisseparadosentresi queos torno-
zelosfaz comqueo eixo mecânico do membro
inferior seja ligeiramente oblíquo para baixo
epara dentro, formandoumângulode3°com
avertical.Esteânguloserámaisabertoquanto