Kapanji - volume 2

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mapartedaarticulaçãofêmoro-tibial;
- adiantedo 'pontot, a partedo côndilo e
da trócleaformam parte da articulação
fêmoro-patelar.
Portanto,o pontodetransiçãot representa
o pontomais adiantadodo contornocondiliano
quepodeentrardiretamenteemcontatocom a su-
perfícietibial.
O perfil ântero-posteriordas glenóides
(figs.2-47e 2-48)é diferentesegundoa glenóide
dequesetrate:
- a glenóideinterna(fig. 2-47) é côncava
paracima(o centroda curvaturaO está
situadoacima)comoum raio decurvatu-
ra de80mm;
- a glenóideexterna(fig. 2-48) é convexa
paracima(o centroda curvaturaO' está
situadoparabaixo)comoum raio de cur-
vaturade70 mm.
Enquantoa glenóideinternaé côncavanos
doissentidos,a externaé côncavatransversal-
menteeconvexasagitalmente(no ossofresco).O
resultadodestaafirmaçãoéqueseo côndilofemo-
ralinternoérelativamenteestávelnasuaglenóide,
o côndiloexternoestánumaposiçãoinstávelso-
brea lombadada glenóideexternae a suaestabi-
lidadeduranteo movimentodependeessencial-
menteda integridadedo ligamentocruzadoânte-
ro-externo(LCAE).
Por outraparte,os raios da curvaturados
côndilose dasglenóidescorrespondentesnãosão
iguais,portantoexisteumacertadiscordânciaen-
tre as superfíciesarticulares:a articulaçãodo
joelhoéumaverdadeiraimagemdasarticulações
nãoconcordantes.O restabelecimentodaconcor-
dânciadependedosmeniscos(verpág. 102).
r
Fig.2-47
Fig.2-42
--..\u2022..."\\ .\ Fig.2-43
Fig.2-44
O"
Fig.2-46
Fig.2-48
92 FISIOLOGIAARTICULAR
DETERMINISMO DO PERFIL CÔNDILO- TROCLEAR
Utilizandoummodelomecânico(fig.2-49),
em1967,foi demonstrado(Kapandji)queo con-
tornodatróc1eae oscôndilosfemoraisestãode-
terminadoscornolugaresgeométricosquedepen-
dem,porumaparte,dasrelaçõesestabelecidasen-
treosligamentoscruzadose suasbasesdeinser-
çãonatíbiaenofêmure,poroutraparte,dasre-
laçõesexistentesentreo ligamentopatelar,apate-
Iaeasasaspatelares(vermodeloli aofinaldovo-
lume).Quandomovemosummodelodestetipo
(fig.2-50),podemosvero desenhodoperfildos
côndilosfemoraise datróc1eacomosefossea
parteenvolventedasposiçõessucessivasdasgle-
nóidestibiaisedapatela(fig.2-51).
A partepóstero-tibialdocontornocôndilo-
troclear(fig. 2-51)se determinapelasposições
sucessivas,numeradasde1a5 (alémdetodasas
intennédias),doplatôtibial,"submetidas"aofê-
mur pelo ligamentocruzado ântero-externo
(LCAE) (traçospequenos)eo ligamentocruza-
do póstero-interno(LCPI) (grandestraços),ca-
daumdelesdescrevendoumarcodecírculocen-
tradopelasuainserçãofemoral,deraioigualao
seucomprimento;note-sequenumaflexãomáxi-
ma,aaberturaanteriordainterlinhafêmoro-tibial
demonstraa"distensão"doLCAE nofinaldafle-
xão,enquantoo LCPI estácontraído.
A parteanteriorpatelardocontornocôn-
dilo-troc1ear(fig. 2-52)estádeterminadapelas
posiçõessucessivas,numeradasde1a6(etodas
asintermédias),dapatela,unidasaofêmurpelas
asaspatelarese àtíbiapeloligamentopatelar.
Entreaparteanteriorpatelare apartepos-
teriortibialdoperfilcôndilo-troc1earexisteum
pontodetransiçãot (figs.2-45e 2-46)quere-
presentaa fronteiraentreaarticulaçãofêmoro-
patelare aarticulaçãofêmoro-tibial.
Modificandoas relaçõesgeométricasdo
sistemadosligamentoscruzados,épossíveltra-
çarumafamíliadecurvaturasdoscôndiloseda
tróclea,a qualdemonstraa "personalidade"de
cadajoelho:nenhumaseparececomaoutrano
planoestritamentegeométrico,daíadificuldade
emsecolocaremprótesesespecificamenteadap-
tadasacadaumadelas:elassomentepodemser
umaaproximaçãorelativamente,fiel.
A mesmadificuldadeseapresentano caso
daspIastias ou dasprótesesligamentares,por
exemplo(fig. 2:53), se a inserçãotibial do
LCAE sedeslocaparadiante,o círculodescrito
pelasuainserçãofeinoralvai deslocar-setam-
bémparadiante(fig.2-54),oquevaiinduzirum
novoperfil condiliano,nointeriordoqueesta-
vaantes,determinandoporsuavezaapariçãode
umjogomecânicoqueseriaumfatordedesgas-
tedassuperfíciescartilaginosas.
Mais tarde,em1978,A. Menschik,deVie-
na,realizoua mesmademonstraçãocommeios
puramentegeométricos.
Evidentemente,todaestateoriadodetermi-
nismogeométricodo perfilcôndilo-troc1earse
baseianahipótesedaisometria,istoé,dainva-
riabilidadedocomprimentodosligamentoscru-
zados,daqualsesabeatualmente(verabaixo)
quenãoestáconfirmadapelosfatos.Isso não
significaquenãoexpliquecorretamenteasCOllS-
tataçõese possaservirdeguiano conceitodas
operaçõessobreosligamentoscruzados.
Mais recentemente,P. Fraine cols.,utili-
zandoummodelomatemáticobaseadonoestu-
doanatômÍcode20joelhos,confirmaramano-
çãodecurvatura-envolventee depolicentrismo
dos movimentosinstantâneos,insistindonas
constantesinter-relaçõesfuncionaisdos liga-
mentoscruzadose laterais.O traçadodosveta-
resdevelocidadeemcadapontodecontatofê-
moro-tibial,feitoporcomputador,reproduzexa-
tamenteaenvolventedocontornocondiliano.
Fig.2-54
Fig.2-50
2. MEMBRO INFERIOR 93
Fig.2-52
94 FISIOLOGIA ARTICULAR
OS MOVIMENTOS DOS CÔNDILOS SOBRE AS GLENÓIDES
NA FLEXÃO-EXTENSÃO
A formaarredondadadoscôndilospoderiafa-
zer pensarqueelesrolamsobreas superfíciesti-
biais;estaé umaopiniãoerrônea.De fato,quando
umaroda gira semresvalarno chão(fig.2-55)a
cadaponto do chão correspondesó umpontoda
roda;a distânciapercorridano chão(OOU) é,por-
tanto,exatamenteigual à parteda circunferência
"desenvolvida"no chão(compreendidaentrea re-
ferênciatriangulare o retângulo).Se fosseassim
(fig.2-56),apartirdecertograudeflexão(posição
II), o côndilo basculariaparatrásda glenóide-
produzindoumaluxação- ou entãoserianeces-
sárioqueo platôtibial fossemaislongo.A possi-
bilidadede um rolamentopuronãoseriapossível
dadoqueo desenvolvimentodo côndiloéduasve-
zesmaiordo queo comprimentodaglenóide.
Supondoagoraquea roda resvalesemrolar
(fig. 2-57): todaumaporçãodecircunferênciada
roda corresponderiaa umsópontono chão.É o
queacontecequandoumaroda"derrapa"aodesli-
zar-se sobreuma superfíciegelada.Tal desliza-
mentopuroéconcebívelparailustrar(fig.2-58)os
movimentosdo côndilonaglenóide:todosospon-
tosdo contornocondilianocorresponderiama um
únicopontona glenóide;porémsepodeconstatar
que,destemodo,ajlexãoficaria limitadaprematu-
ramente,vistoqueamargemposteriordaglenóide
(seta)representaumobstáculo.
Tambémé possívelimaginarquea roda gire
e resvaleao mesmotempo(fig. 2-59):eladerra-
pa,porémavança.Nestecaso,àdistância-percorri-
da no chão (00') correspondeum maior compri-
mentona roda (entreo losangoe o triângulopre-
tos)quesepodeapreciardesenvolvendo-anochão
(entreo losangopretoe o triângulobranco).
Em 1836a experiênciados irmãos Weber
(fig.2-60) demonstrouque,na realidade,ascoisas
ocorriamda seguintemaneira:em váriasposições
entrea flexãoe aextensãomáximas,elesmarcaram
ospontosdecontatoentreo côndiloe aglenóidena
cartilagem.Destaforma,puderamconstatarqueo
ponto de contatona tlôia recuavacom a jlexão
(triângulopreto:extensão- losangopreto:flexão)
e,poroutraparte,queadistânciaentreospontosde
contatomarcadosno côndiloeraduasvezesmaior
queaqueseparavaospontosdecontatodaglenóide.
Portanto,estaexperiênciademonstra,semdúvida
nenhuma,queo côndilorodaeresvalasobrea gle-
nóidesimultaneamente.De fato,estaéaúnicama-
neiradeseevitaraluxaçãoposteriordocôndiloper-
mitindosimultaneamenteumaflexãomáxima(160°:
compararaflexãonasfigs.2-58e2-60).
(Estas experiênciaspodemser Feproduzidas
como modelomincluídono finaldovolume.)
Experiênciasmais recentes(Strasse,1917)
demonstraramquea proporçãoderolamentoe de
deslizamentonãoeraa mesmadurantetodoo mo-
vimentodeflexão-extensão:apartirdeumaexten-
sãomáxima,o côndilocomeçaa rolar semresva-
lar e depoiso deslizamentocomeçaprogressiva-
menteapredominarsobreo rolamento,demanei-
ra quenofim dajlexãoo côndiloresvalasemrolar.
Finalmente,o comprimentodorolamentopu-
ro,noinício daflexão,édiferentesegundoo côn-
dilo considerado:
- no casodo côndilointerno(fig. 2-61)este
rolamentoocorreapenasnosprimeiros10
a 15grausdeflexão;
- nocasodocôndiloexterno(fig.2-62)o ro-
lamentoprossegueatéos 20°deflexão.