Kapanji - volume 2

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98vimoscomo a cápsulapenetranaincisura
intercondilianaparaformarumseptoduplono
eixodaarticulação.Por comodidade,dizemos
que a inserçãotibial da cápsula(fig. 2-156)
deixavaasinserçõesdosligamentoscruzados
forada articulação,quandonarealidadea in-
serçãoda cápsulapassapela inserçãodosli-
gamentoscruzados.Simplesmente,a espessu-
ra capsulardoscruzadosse"espalhe"pelafa-
ce exteriorda cápsulae, portanto,no interior
do septoduplo.
Em vista póstero-interna(fig. 2-157),
apóstersidoremovidoo côndilointernoesec-
cionadopartedacápsula,o ligamentocruzado
ântero-externoaparecenitidamente"incrusta-
do" na lâminaexternado septocapsular(o li-
gamentocruzadopóstero-internonãopodeser
vistono desenho).
Em vistapóstero-externa(fig. 2-158)nas
mesmascondiçõesquea anterior,o ligamento
cruzadopóstero-internoaparece"incrustado"
nalâminainternadoseptocapsular.
É necessáriodestacarquenemtodasasfi-
brascruzadastêmo mesmocomprimento,nem
a mesmaorientação(ver tambémfigo2-159):
portanto,duranteos movimentosnão se con-
traemtodassimultaneamente(verpág.130).
Além disso,estesesquemaspermitemdes-
tacaras capascondilianas,intactasno côndilo
interno(fig.2-158)e queseressecaramnocôn-
dilo externo(fig.2-157).
Em cortevértico-frontal(fig.2-156),que
passapelaparteposteriordoscôndilos,pode-se
observara divisãoda cavidadearticularem
compartimentos(o fêmure a tíbiasesepararam
artificialmente):
- o septocapsular,reforçadopelosliga-
mentoscruzadosnapartecentral,e se-
parandoa cavidadeem duasmetades,
externa0 interna;esteseptoéprolonga-
doadiantepelocorpoadiposo(verpág.
100);
- cadaumadasduasmetadesdaarticula-
ção estáseparada,por suavez, pelos
meniscosemdoisespaços,o superiorou
suprameniscal,que correspondeà in-
terlinhafêmoro-meniscal,eo interiorou
inframeniscal,que correspondeà in-
terlinhatíbio-meniscal.
A presençados ligamentoscruzadosé o
quemodificaprofundamentea estruturadesta
articulaçãotroc1ear(dopontodevistamecânico
nãotemnenhumsentidodenominá-Iabicondi-
liana).O LCAE (fig.2-159),tomandocomopo-
siçãodepartidasuaposiçãomédia(1),começa
horizontalizando-se(2) sobreo platôtibialdu-
ranteaflexãode45-50°,atéalcançarasuaposi-
çãomaiselevada(3)naflexãomáxima;quando
desce,sealojanaincisurainterespinhosa,como
seo platôdasespinhastibiaisestivesse"serra-
do", comoquandocortamospão(destaque).O
LCPI (fig.2-160),nopercursodaextensão(A) à
flexãomáxima(B), varreum setormuitomais
importante(aproximadamente60°)queoLCAE
e, comrelaçãoao fêmur"secciona"a incisura
intercondiliana,separandoasduasconvexidades
datróc1eafisiológicaconstituídapelosdoiscôn-
dilos.
Fig.2-156
2.MEMBRO INFERIOR 127
Fig.2-157
Fig.2-160
128 FISIOLOGIA ARTICULAR
DIREÇÃO DOS LIGAMENTOS CRUZADOS
Vistos em perspectiva(fig. 2-161), os liga-
mentoscruzadosaparecemrealmentecomo cru-
zadosno espaço,um com relaçãoao outro. No
planosagital(fig. 2-162) estãocruzados(fig. 2-
162),o ântero-externo(LCAE) é oblíquo para
cima e para trás,enquantoo póstero-internoé
oblíquo para cima e para diante.As suas dire-
ções tambémestão cruzadas no planofrontal
(fig. 2-163,vistaposterior)visto que as suasin-
serçõestibiais(pontospretos)estãoalinhadasno
eixo ântero-posterior(setaS), enquantoas suas
inserçõesfemoraisestãoa 1,7 cm de distância:
conseqüentemente,o póstero-internoé oblíquo
para cima e para dentro e o ântero-externoé
oblíquoparacimaeparafora. Pelo contrário,no
planohorizontal(ver figo2-185) eles sãopara-
lelose entramemcontatoentresi atravésda sua
margemaxial.
Os ligamentoscruzadosnão estãosomente
cruzadosentre si, mas tambémestão cruzados
com o ligamentolateraldo ladohomólogo.As-
sim sendo, o cruzado ântero-externose cruza
com o ligamentolateralexterno(fig. 2-165) e o
cruzadopóstero-internocom o ligamentolateral
interno(fig. 2-166). Portanto,existeuma alter-
nânciaregular na obliqüidade dos quatro liga-
mentos quando eles são consideradospor or-
dem,de fora p?fa dentroe vice-versa.
~xiste uma diferençade inclinaçãoentre
os dois ligamentoscruzados(fig. 2-162); com o
joelho emextensão,o ligamentocruzadoântero-
externo(LCAE) émaisvertical,enquantoo pós-
tero-interno(LCPI) é maishorizontal; acontece
o mesmocom adireçãogeraldaszonasdeinser-
ção femorais: a do póstero-internoé horizontal
(b), enquantoa do ântero-externoé vertical (a).
Uma normamnemotécnicalembraestefatogra-
ças ao adágio clássico: "O externoestáem pé
quandoo internoestádeitado."
Com o joelho flexionado (fig. 2-164), o
LCPI, horizontalizadodurantea extensão,seen-
direita verticalmente,descrevendoum arco de
círculo de mais de 60°com relação à tíbia, en-
quantoo LCAE seendireitapouco.
A relaçãode comprimentoentreambosos
ligamentoscruzadosvaria,dependendode cada
indivíduo, porém, junto com as distânciasdos
pontosde inserçãotibiais e femorais,constituia
característicaprópria de cadajoelho, visto que
determinaentreoutras,comojá vimos, o perfil
dos côndilos.
2.MEMBRO mFERIOR 129
LCPI
Fig.2-166
Fig.2-163
LU
LCAE
LCPI
Fig.2-165
a
LLE
~
Fig.2-161
130 FISIOLOGIA ARTICULAR
FUNÇÃO MECÂNICA DOS LIGAMENTOS CRUZADOS
Existeocostumedeconsiderarosligamen-
toscruzadoscomocordasquaselineares,fixas
porinserçõespontudas.Istosóéverdadeironu-
maprimeiraaproximaçãoe temavantagemde
esclareceraaçãogeraldeumligamento,porém
emnenhumcasopermiteconhecerassuasrea-
çõesfinas.Por estemotivo,é necessáriolevar
emcontatrêsfatores:
1.A ESPESSURADO LIGAMENTO
A espessurae o volumedo ligamentosão
diretamenteproporcionaisàsuaresistênciaein-
versamenteproporcionaisàssuaspossibilidades
dealongamento,podendo-seconsiderarcadafi-
bracomoumapequenamolaelementar.
2.A ESTRUTURA DO LIGAMENTO
Devidoàextensãodasinserções,nemtodas
asfibraspossuemomesmocomprimento.Conse-
qüênciaimportante:nãosesolicitacadafibraao
mesmotempo.Comonocasodasfibrasmuscula-
res,setratadeumverdadeirorecrutamentodas
fibrasligamentaresduranteo movimento,o que
fazvariarasuaelasticidadeeasuaresistência.
3.A EXTENSÃO E A DIREÇÃO DAS
INSERÇÕES
Defato,asfibrasnãosãosempreparalelas
entresi, se organizammuitoamiúdesegundo
planos"ladeados",torcidossobresi mesmos,
porqueaslinhasdeinserçãonãosãoparalelas
entresi, massim,comfreqüência,oblíquasou
perpendicularesnoespaço;alémdisso,adireção
relativadasinserçõesvariaduranteo movimen-
to,o quecontribuipara"orecrutamento";modi-
ficandoadireçãodaaçãodomovimento,consi-
deradoglobalmente.Estavariaçãona açãoda
direçãodoligamentonãoserealizasomenteno
planosagital,masnostrêsplanosdoespaço,o
quedemonstrasuasaçõescomplexase simultâ-
neasnaestabilidadeântero-posterior,naestabi-
lidadelateralenaestabilidaderotatória.
Assim sendo,a geometriados ligamentos
cruzadosdeterminao perfilcôndilo-troclearno
planosagitale tambémnosoutrosdoisplanos
doespaço.
Globalmente,osligamentoscruzadosasse-
gurama estabilidadeântero-posteriordojoe-
lho ao mesmotempoquepermitemos movi-
mentosde charneira mantendoas superfícies
articularesem,contato.
A suafunçãopodeser ilustradacom um
modelomecânico'(fig. 2-167)fácil de realizar:
duastábuasA e B (vistaspelocorte)unidasen-
tresi porfitas(abe cd)queseestendemdeum
ladode umadelasao ladoopostoda outra,de
formaquepodembascularumacomrelaçãoà
outra,aoredordeduaschameiras:quandoa se
confundecomc,eb seconfundecomd,porémé
impossívelo deslizamentodeumasobrea outra.
Os ligamentoscruzadosdojoelhotêmuma
montageme um funcionamentosemelhantes,
comadiferençadequenãoexistemapenasdois
pontosde chameira,masumasériede pontos
alinhadossobrea curvaturado côndilo.Como
acontecenomodelo,o deslizamentoântero-pos-
terioré impossível.
Seguindocom a demonstração,os liga-
mentosestão representadosde forma linear
(LCAE =ab,LCPI =cd)nasfiguraspequenas;
nasmaioresestãorepresentadasasfibrasextre-
masemédias,assimcomoaslinhasdeinserção.
Partindodaposiçãodealinhamentonormal
(fig. 2-168),ou de umaflexãomínimade 30°
(fig.2-169),naqualos ligamentoscruzadoses-
tãocontraídosigualmente,a