Kapanji - volume 2

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e umaforçaQ2' qirigidano prolongamentodo
ligamentomenisco-patelar.Por sua vez, esta
forçaQ2' aplicadasobreatuberosidadeanterior
datíbiapodedecompor-seemdoisvetoresper-
pendicularesentreeles:umaforçaQ3 dirigida
parao eixodeflexão-extensão,queencaixaatí-
bia sobreo fêmur,e umaforçatangencialQ4'
únicocomponenteeficazpara realizara exten-
são:faz comquea tíbiasedeslizeparadiante
sobreo fêmur.
Se a patelaé extirpada- operaçãodeno-
minada"patelectomia"- e sesegueo mesmo
raciocínio(fig.2-217):aforçaQ doquadríceps,
supondoquesejaidêntica,sedirigetangencial-
menteparaatróc1eaediretamentesobrea tube-
rosidadetibial anterior;sepodedecomporem
doisvetores:Q5' forçadecoaptaçãoqueencaixa
a tíbiasobreo fêmur,e Q6' forçaeficazparaa
extensão;o componentetangencialQ6 diminui
consideravelmenteenquantoo componentecen-
trípetoQ5 aumenta.
Se compararmosagoraas forçaseficazes
em ambasas hipóteses(fig. 2-218),se pode
constatarqueQ4 é50%maiorqueQ6: apate/a,
afastandoo tendãoquadricipitalcomoumcava-
lete,aumentanitidamentea eficáciadoquadrí-
ceps.Tambémsepodeconstatarquenaausência
depatelaa forçadecoaptaçãoQ5 aumenta,po-
rémesteefeitofavorávelécontrariadopelaper-
dadeamplitudedafiexão,devidotantoaoen-
curtamentodo aparelhoextensor,quantoà sua
fragilidade.Assim,a patelaé muitoútil, o que
explicaamáreputaçãoeaescassafreqüênciada
patelectomia.
Fig.2-216 Fig.2-215
2.MEMBRO INFERIOR 147
Fig.2-217
148 FISIOLOGIA ARTICULAR
FISIOLOGIA DO RETO ANTERIOR
oretoanteriorsomenterepresentaaquinta
parteda forçatotaldo quadrícepse não pode
realizaraextensãomáximasozinho,porémofa-
todeserummúsculobiarticularlheconfereum
interesseespecial.
Graçasa seutrajetoparadiantedoeixode
flexão-extensãodo quadrile do joelho, o reto
anterioré tantoflexordo quadrilquantoexten-
sordojoelho(fig.2-220),porémsuaeficáciaco-
mo extensordejoelho dependeda posiçãodo
quadril,assimcomoa suaaçãocomoflexordo
quadrilestárelacionadacoma posiçãodo joe-
lho. Isto se deve(fig.2-219)a quea distância
entrea espinhailíaca ântero-superior(a) e a
margemsuperiordatrócleaé menoremflexão
(ab)doqueemextensão(ab).Estadiferençade
comprimento(e)determinaumalongamentore-
lativodomúsculoquandoo quadrilestáemfle-
xãoe o joelho seflexionasobo pesodaperna
(lI); nestascondições,paraobtera extensãodo
joelho(lU), osoutrostrêsfascículosdo quadrí-
cepssãomuitomaiseficazesqueo retoanterior,
já distendidopelaflexãodoquadril.
Pelo contrário,seo quadrilpassadeuma
posiçãode alinhamentonormal(I) à extensão
(IV), a distânciaentreasduasinserçõesdore-
toanterioraumenta(ad)umcertocomprimen-
to (f) quecontraio retoanterior(encurtamen-
to relativo),e aumentaoutrotantoa suaeficá-
cia.Isto é o queacontecedurantea marchaou
a corrida, ao distendero membroposterior
(fig. 2-223):pelaaçãodosglúteoso quadrilse
estende,enquantoo joelho e o tornozelotam-
bémse estendem;assim,o quadrícepsdesen-
volvea suamáximapotência,graçasà eficácia
aumentadadoretoanterior.O glÚteomáximoé
sinérgico-antagonistado retoanterior:anta-
gonistano quediz respeitoaoquadrile sinér-
giconojoelho.
Na fase de apoio unilateralda marcha,
quandoo membrooscilanteavança(fig.2-222),
oretoanteriorsecontraipararealizaraflexãodo
quadrileaextensãodojoelhoaomesmotempo.
Então,constata-sequeacondiçãobiarticulardo
retoanterioré útil nosdoistemposdamarcha:
nafasedeimpulsodomembroposteriorenafa-
sedeavançodomerp.brooscilante.
Durantea açãodeficardepé,partindoda
posiçãodecócoras,o retoanteriordesempenha
umpapelmuitoimportante,vistoqueé o único
dosquatrofascículosdoquadrícepsquenãoper-
de suaeficáciaduranteo movimento.De fato,
enquantoo joelho seestende,o quadril,soba
açãodoglúteomáximo,tambémseestende,no-
vamenteo retoanteriorsecontrainasuainser-
ção superior,conservandoassimum compri-
mentoconstantenoiníciodaação.Nestecasose
constataoutravezafunçãoexercidacomotrans-
missordeforçaporummúsculopotentedaraiz
domembro,o glúteomáximo,sobreumaarticu-
laçãomaisdistal,o joelho,porummúsculobi-
articular,o retoanterior.
Finalmente,aocontrário,a flexãodojoelho
sobaaçãodosísquio-tibiaisfavoreceaflexãodo
quadrilpeloretoanterior.Issopodeserútil no
salto,comosjoelhosflexionados(fig.2-221):os
retosanteriorespossuemmuitaeficácianaflexão
dosquadris.É outroexemplodarelaçãoantago-
nismo-sinergiaentreosísquio-tibiais,quesãofle-
xoresdojoelhoe extensoresdoquadril,e o reto
anterior,flexordoquadrileextensordojoelho.
2. MEMBRO INFERIOR 149
Fig.2-219
Fig.2-223 - Fia. 2-222 Fig.2-221
150 FISIOLOGIA ARTICULAR
OSMÚSCULOS FLEXORES DO JOELHO
Os fiexoresdo joelho formampartedo
compartimentoposteriordacoxa(fig.2-224);
setratadosmúsculosísquio-tibiais:bícepsCfU-
ral (B), semitendinoso(ST), semimembranoso
(SM),osmúsculosda "patadeganso":retoin-
terno(Ri), sartório(Sa)e o semitendinoso(que
tambémformapartedosísquio-tibiais),opoplí-
teo(verpág.seguinte);osgêmeos(Ge)nãosão
realmentefiexoresdojoelho,massimextenso-
resdotornozelo(verpág.218).
Contudo,osgêmeosdesempenhamumpa-
pelimportantenaestabilizaçãodojoelho:sein-
serempor cimadoscôndilos,quandose con-
traem,durantea fasedopasso,istoé,quandoo
joelhoeotornozeloseestendemaomesmotem-
po,deslocamos côndilosparafrente,deforma
quesãoantagonistas-sinergistasdoquadríceps.
Todosestesmúsculos,excetodois,sãobi-
articulares:aporçãocurtadobícepse o poplí-
teoquesãomonoarticulares(verpáginaseguin-
te).Portanto,os fiexoresbiarticularespossuem
umaaçãosimultâneadeextensãodo quadrile
suaaçãosobreo joelhodependedaposiçãodo
quadril.
O sartório(Sa)é fiexor,abdutore rotador
externodoquadril,aomesmotempoqueéfiexor
e rotadorinternodojoelho.
Oretointerno(Ri)éprincipalmenteadutore
acessóriodafiexãodoquadril,aomesmotempo
queé fiexordojoelho,demaneiraquetambém
formapartedosratadoresinternos(verpág.152).
Os ísquio-tibiaissãotantoextensoresdo
quadril(verpág.52)quantoflexoresdojoelho,
esuaaçãonojoelhoestácondicionadapelapo-
siçãodoquadril(fig.2-225).Quandoo quadril
seflexiona,a distânciaabqueseparaasinser-
çõesdestesmúsculosaumentaregularmente,
vistoqueo centrodo quadrilO, ao redordo
qualo fêmurgira,nãoseconfundecomo pon-
to a,aoredordoqualseorientam;destemodo,
quantomaisseflexionao quadril,maioréoen-
curtamentorelativodosísquio-tibiaisemaisse
contraem.Quandoo quadril estáflexionado
40°(posiçãolI), o encurtamentorelativoainda
pode ser compensadopelaflexão passivado
joelho (ab=ab'),porémnocasodeumaflexão
de 90°(posiçãolU) o encurtamentorelativoé
tal, queemboHlo joelho estejaflexionadoem
ânguloreto, aindapersisteum encurtamento
relativoimportante(f). Se a flexãodo quadril
ultrapassaos 90°(posiçãoIV), é muitodifícil
manterosdoisjoelhos(fig. 2-226)emmáxima
extensão:a elasticidadedosmúsculos,quedi-
minuibastantecoma faltadeexercício,quase
nãoabsorveo encurtamentorelativo(g).A en-
trada em tensãodos ísquio-tibiais pela fIe-
xão do quadril aumentaa sua eficáciacomo
fIexores do joelho: quando,no percursode
umaescalada(fig.2-227),umdosmembrosin-
ferioresavança,a flexãodo quadrilfavorecea
flexãodo joelho. Ao contrário,a extensãodo
joelho favorecea açãodosísquio-tibiaiscomo
extensoresdoquadril:éo queseproduzduran-
te os esforçosde endireitamentodo troncoa
partirdeumaposiçãodeinclinaçãoparafrente
(fig. 2-226), e tambémdurantea escalada,
quandoo membroinferior, situadoanterior-
mente,passaa serposterior.
Se agora(fig.2-225),o quadrilseestende
completamenteo quadril(posiçãoV), osísquio-
tibiaissealongamrelativamente(e),o queex-
plicaquea fiexãodojoelhosejamenosintensa
(verfigo2-13);issoressaltaa utilidadedosmús-
culosmonoarticulares(poplíteoe porçãocurta
dobíceps),queconservamamesmaeficáciain-
dependentementedaposiçãodoquadril.
A potênciaglobaldosfiexoresdojoelhoé
de15kg,ouseja,umpoucomaisdeumterçoda
doquadríceps.
2. MEMBRO INFERIOR 151
Fig.2-224
Fig.2-226
Fig.2-227
152 FISIOLOGIA ARTICULAR
OSMÚSCULOSROTADORESDO JOELHO
Os flexoresdojoelhosão,aomesmotem-
po,os seusrotadores;sedividememdoisgru-
possegundoo