Kapanji - volume 2

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bio-fibularinferior (fig.3-39)revelaa ausência
desuperfíciescartilaginosas:portanto,setratade
umasindesmose.Na tíbia,umasuperfíciecônca-
va (1) maisoumenosrugosa,delimitadapelabi-
furcaçãodamargemexternadoosso,seopõea
umasuperfíciefibular(2)convexa,planaouinclu-
sivecôncava,debáixodaqualselocalizaafacear-
ticularfibular(3)datíbio-tarsiana,flanqueadape-
lainserçãodofascícuioposterior(4)doLLE. O li-
gamentoanterior(5)datíbio-fibularinferior,es-
pessoenacarado,sedirigeobliquamenteparabai-
xoeparafora(fig.3-40,vistaanterior);suamar-
geminferiorocupao ânguloexternodamortalha;
deformaquebisela(setadupla)aparteanteriorda
arestaexternadapoliadoastrágalonosmovimen-
tosdeflexãodotornozelo.O ligamentoposterior
(6),maisespessoemaislargo(fig.3-41,vistapos-
terior),seexpande,muitolonge,parao maléolo
interno.Pelomesmomecanismo,elefazchanfra-
durasobreaparteposteriordamesmaarestadu-
ranteosmovimentosdeextensãodotornozelo.
Além dos ligamentostíbio-fibulares,os
doisossosdapernaestãounidospeloligamen-
to interósseo,queseinserenamargemexterna
datíbiae nafaceinternadafíbula(traçoponti-
lhadogrossonasfigs.3-36e3-39).
A tíbio-fibularinferiornão coloca os dois
ossosemcontatodireto:permanecemseparados
porumtecidocelularadiposoeesteespaçosepo-
devernumaradiografiaanterior(frontal)correta-
mentecentradadotornozelo(fig.3-42).Normal-
mente,a projeçãoda fíbula (c) penetramais
(8mm)notubérculotibialanterior(a)do quea
suaseparação(2mm)dotubérculoposterior(b).
Seadistânciacbé maiordoquea distânciaac,
podemosfalardediástaseintertibio-fibular.
5
3
5
2
6
Fig.3-39
a c b
Fig.3-42
2. :\1EMBRO INFERIOR 173
3
2
1
Fig.3-37
1
5
6
Fig.3-41
174 FISIOLOGIAARTICULAR
FISIOLOGIA DAS ARTICULAÇÕES TÍBIO-FIBULARES
A flexão-extensãoda tíbio-tarsianaprovoca
automaticamentea entradaemjogo dasduasarti-
culaçõestíbio-fibulares:elasestãomecanicamen-
te unidas.
A articulaçãotíbio-fibular inferior é a pri-
meirainteressada.O seufuncionamentofoi escla-
recidoperfeitamenteporPol Le Coeur.Em primei-
ro lugar,a formadapolia do astrágalo(fig. 3-43,
vistasuperior)permitededuzirquea facearticular
tibial interna(Ti) é sagital,enquantoa externa,fi-
bular(Fi), pertenceaumplanooblíquoparadian-
teeparafora.Por conseguinte,a larguradapoliaé
menorparatrás(aa')queparadiante(bb'): a dife-
rençaé de5 mm.Paramanterasduasfacesarticu-
laresda polia estreitamenteligadas,a separação
intermaleolardevevariar dentrode certoslimi-
tes:mínimonaextensão(fig. 3-44,vistainferior),
máximonaflexão(fig.3-45).No cadáver,sepode
determinaraextensãodotornozeloapenascompri-
mindoos maléoloscomforçae no sentidotrans-
versal.
Além disso,sepodeconstatarnumaprepara-
ção anatõmica(figs. 3-44e 3-45)queestemovi-
mentode separaçãoe deaproximaçãodosmaléo-
los se acompanhade uma rotação axial do ma-
léolo externo,àsvezesfazendodecharneirao li-
gamentotíbio-fibularanterior(1). Esta rotaçãoé
facilmentepostaemevidênciapor umahasteque
atravessao maléoloexternoem sentidohorizon-
tal: entresuaposiçãonaextensão(nn', figo3-44)
e sua posiçãona flexão (mm', figo 3-45) existe
umadiferençade 30°emrotaçãointerna.Simul-
taneamente,o ligamentotíbio-fibular posterior
(2) secontrai.Contudo,estarotaçãoaxial do ma-
léÇ>loexternoémaislimitadanoservivo, semdei-
xardeestarpresente.Por outraparte,a faixasino-
vial (f) da articulaçãosedesloca:desce(1) quan-
do osmaléolosseaproximamnaextensão(fig. 3-
46) e sobe(2) naflexão(fig. 3-47).
Finalmente,a fíbularealizamovimentosver-
ticais(figs.3-48e3-49,afíbulaaparecerepresenta-
dacomoumarégua).De fato,unidoàtíbiapelasfi-
brasoblíquasparabaixoe paraforada membrana
interóssea(paramelhorcompreensãosó apareceo
desenhodeumafibra),a fíbula,separando-sedatí-
bia (fig. 3-49),sobeligeiramente,enquantodesce
quandoseaproximadela(fig.3-48).Paraconcluir:
Durante a flexãodo tornozelo(fig.3-50):
- o maléo10externose afasta do interno
(seta1);
- simultaneamente,elesobeligeiramente(se-
ta2), enquantoasfibrasdosligamentostí-
bio-fibularesedamembranainterósseatêm
atendênciaa tornar-sehorizontais(xx');
- finalmente,ele gira sobresi mesmono
sentidoda.rotaçãointerna(seta3).
Durante a extensãodotornozelo(fig.3-51),
aconteceo contrário..
- aproximaçãodo maléoloexternoaointer-
no(seta1).Estemovimentoé ativo:acon-
traçãodo tíbialposterior(TP), cujasfibras
se inseremnos dois ossos,fechaa pinça
bimaleolar(fig.3-52,secçãodoladodirei-
to, fragmentoinferior,assetascorrespon-
demàcontraçãodasfibrasdoTP). Assim,
apoliadoastrágaloestábemfixasejaqual
for o graudeflexão-extensãodotornozelo;
- descensodo maléoloexterno(seta2) com
verticalizaçãodasfibrasligamentares(yy');
-ligeira rotaçãoexternadomaléoloexterno
(seta3).
A articulaçãotíbio-fibularsuperiorrecebeo
contragolpedosmovimentosdomaléoloexterno:
- durantea flexãodo tornozelo(fig. 3-50)a
facearticularfibularsedeslizaparacimaea
interlinhaseentreabreparabaixo(separação
dosmaléolos)eparatrás(rotaçãointerna);
- durantea extensãodotornozelo(fig.3-51)
sepodemobservarosmovimentosinversos.
Estesdeslocamentossãomuitoleves,porém
existem:amelhorprovaéque,atravésdaevolução,
a articulaçãotíbio-fibularsuperioraindanãoestá
soldada.
Assim,pelojogo dasarticulaçõestíbio-fibula-
res, dos ligamentose do tíbial posterior,a pinça
bimaleolarseadaptapermanentementeàsvariações
delarguraedecurvaturadapoliadoastrágalo,asse-
gurandoa estabilidadetransversaldaarticulaçãotí-
bio-tarsiana.Entreoutrasrazões,paranãocompro-
meterestaadaptabilidadese abandonoua fixação
compregosnotratamentodadiástasetíbio-fibular.
2.MEMBRO INFERIOR 175
x
Fig.3-50 Fig.3-43
5mm
Fig.3-51
Fig.3-48Fig.3-49
Fig.3-47Fig.3-45
176 FISIOLOGIA ARTICULAR
As articulaçõesdo pé são numerosase
complexas;elasunemosossosdotarsoentresi
ecomosdometatarso.Sãoelas:
- - a articulaçãoastrágalo-ca1cânea,tam-
bémdenominadasubastragaliana;
- a articulaçãomédio-tarsianaou de
Chopart;
--a articulaçãotarso-metatarsianaou de
Lisfranc;
- e asarticulaçõesescafocubóidee esca-
focuneais.
Estasarticulaçõestêmumaduplafunção:
- Em primeirolugar,orientamo pé com
relaçãoaosoutrosdoiseixos(vistoque
aorientaçãonoplanosagitalcorrespon-
deà tíbio-tarsiana)paraqueo pépossa
orientar-secorretamenteno chão,seja
qualfor a posiçãodapernae a inclina-
çãodoterreno.
- Em segundolugar,modificamtantoa
formaquantoa curvaturada abóbada
plantarparaqueopépossaadaptar-seàs
desigualdadesdoterrenoe,destamanei-
ra,criarentreo chãoe aperna,transmi-
tindoopesodocorpo,umsistemaamor-
tecedorqueconcedeelasticidadeeflexi-
bilidadeaopasso.
Portanto,o papelquedesempenhamestas
articulaçõesé fundamental.Pelo contrário,
asarticulaçõesdosdedos,metatarsofalangea-
nase interfalangeanas,sãomuitomenosim-
portantesdoquesuasequivalentesnamão.
Porém,umadelasdesempenhaum papel
essencialno desenvolvimentodopasso:a arti-
culaçãometatarsofalangeanadohálux.
2. MEMBRO INFERIOR 177
178 FISIOLOGIA ARTICULAR
OS MOVIMENTOS DE ROTAÇÃO LONGITUDINAL
E DE LATERALIDADE DO PÉ
Além dos movimentosde flexão-extensão,
localizados,comojá vimos, na tíbio-tarsiana,o
pétambémpoderealizarmovimentosaoredordo
eixo verticaldaperna(eixoY, pág. 160)e do seu
eixo longitudinale vertical(eixo2).
Ao redordoeixoverticalY serealizamos
movimentosdeadução-abdução,no planohori-
zontal.
- adução(fig. 4-2): quandoa pontado pé
se dirige paradentro,parao plano de si-
metriado corpo;
- abdução(fig. 4-3): quandoa pontado pé
sedirigeparaforaeseafastadoplanode
simetria.
A amplitudetotaldosmovimentosdeadução-
abduçãorealizadosnopééapenasde35°(Roud)a
45°.Contudo,estesmovimentosdapontado péno
planohorizontalpodemserprodutodarotaçãoex-
terna-internadapernaGoelhoflexionado)oudaro-
taçãodetodoo membroinferiorapartirdo quadril
Goelhoestendido).Nestecaso,os movimentosde
adução-abduçãosãomuitomaisamplose podem
atingiraté90°,nasbailarinasclássicas.
Ao redordo eixolongitudinalZ, o pé gira