Kapanji - volume 2

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tornozeloo
modelomecânicodestecardãheterocinético,no
qualsepodemobservar:
- o esqueletodaperna(A) eo dapartean-
teriordopé(B);
- o eixoXX' datíbio-tarsiana,transver-
sal, porémligeiramenteoblíquo para
diantee paradentro;
- o eixo deHenke.oblíquode tráspara
diante,de baixoparacima e de fora
paradentro;
- umapeçaintermédia(C), quenãotem
equivalenteósseo,tetraedrodeformado,
cujasduasarestasopostasestãoocupa-
daspelosdoiseixosdocardã.
A faltade"ortogonalidade"desteseixoscria
direçõespreferenciaisnosmovimentosdocom-
plexoarticulardaparteposteriordopé,osmúscu-
los,queseorganizamconformeestesdoiseixos
(verpág.214),sópodemrealizardois tiposde
movimentos,ficando"proibidos"osquerestam:
- a inversão(fig.4-55),quedirigeo pé
paraa extensãoe orientaa plantapara
dentro;
- a eversão(fig.4-56),queflexionao pé
sobreapernaedirigesuaplantademo-
doqueficaorientadaparafora.
A compreensãodomecanismodeste"cardã
heterocinético"é fundamentalparainterpretar
asaçõesmusculares,a orientaçãodaplantado
pé,suaestáticae suadinâmica.
2.MEMBRO INFERIOR 199
Fig.4-53
2
A
Fig.4-54
2
Fig.4-56
200 FISIOLOGIA ARTICULAR
AS CADEIAS LIGAMENTARES DE INVERSÃO E EVERSÃO
Osmovimentosdeinversãoedeeversãodopées-
tãolimitadospordoistiposderesistências:
- osressaltosósseos,
- ascadeiasligamentaresdaparteposteriordopé.
LIMITAÇÃO DO MOVIMENTO DE INVERSÃO
Comojá vimos,duranteainversão,o deslocamen-
todo calcâneoparabaixoeparadentroprovocaum as-
censodoastrágaloparaapartesuperiordasuperfícieta-
lâmicaondenão encontranenhumressaltoósseo,en-
quantoaparteântero-inferiordotálamopermanecedes-
coberta;simultaneamente,a cabeçado astrágalofica
descobertapelo escafóideque se deslizaparabaixo e
paradentrosemserdetidopornenhumressaltoósseo.
Portanto,nenhumressaltoósseo limita o movi-
mentodeinversão,salvoo maléolointernoquemantém
a trócleado astrágaloparadentro.
A cadeialigamentarde inversãoé o único fa-
torquelimita estemovimentono percursono qual se
pode observarcomo se contrai (fig. 4-57), seguindo
duaslinhasde tensão:
A linha de tensãoprincipal parte do maléolo
externo,
-logo continuao fascículoanterior(1)doLLE
datíbio-tarsiana,
- se desdobraparao calcâneoe o cubóidepas-
sandopor:
- ligamentointerósseo(2),
- fascículocalcâneo-cubóidedo ligamentode
Chopart(3), seuramoexterno,
- ligamentocalcâneo-cubóidesúpero-externo
(4)ou dorsal,
-ligamento calcâneo-cubóideplantar(semre-
presentaçãoaqui),
- fascículoescafóidedoligamentodeChopart
(5),
- a partirdo astrágalo,a tensãose transmiteao
escafóideatravésdo ligamentoastrágalo-es-
cafóidedorsal(6).
A linha de tensãoacessóriaseinicia no maléolo
interno,
- continuao fascículoposteriordo LLI da tí-
bio-tarsiana(semrepresentaçãoaqui),
- e o ligamentoastrágalo-calcâneoposterior
(semrepresentaçãoaqui).
Como relevoligamentar,o astrágaloconstitui,du-
rantea inversão,doispontosdechegadaetrêspontosde
partidaligamentares.
LIMITAÇÃO DO MOVIMENTO DE EVERSÃO
Duranteo movimentodeeversão,a superfíciepos-
teriorprincipalda faceinferiordo astrágalo"desce"pela
pendentedo tálamoparabatercontraa facesuperiordo
calcâneo,no níveldosolodo seiodo tarso;a facearticu-
larexternadoastrágalo,deslocadaparafora,batecontrao
maléoloexterno,e o fraturaseo deslocamentocontinua.
Portanto,os ressaltasósseossãopreponderantes.
A cadeialigamentardeeversãotambéminclui
duaslinhas:
A linha de tensãoprincipal se inicia no maléolo
interno,utilizandoos doisplanosdo fascículoanterior
doLU datíbio-tarsiana,
- o plano supeificial, o ligamentodeltóide(1),
o une diretamentecom o escafóidee o calcâ-
neo, ambos unidos entre si pelo ligamento
glenóide(2);
- oplanoprofundoo uneaoastrágalopelofascícu-
lo tíbio-astragaliano(semrepresentaçãoaqui),e
aocalcâneoatravésdo ligamentointerósseo(3),
- por suavez,o ca1câneoéunidoaocubóideeao
escafóidepelo ligamentode Chopart(4); se
pode constatarque esteligamentoasseguraa
coesãoentreostrêsossosnopercursodainver-
sãotantoquantoda eversão,
- a união plantaré asseguradapelo grandeli-
gamentocalcâneo-cubóideplantar(semre-
presentaçãoaqui).
A linha de tensãoacessóriaseoriginano maléo-
10externo,
- por umlado,o fascículoposteriordoLLE da
tíbio-tarsiana(semrepresentaçãoaqui)parao
astrágaloe,daí,parao calcâneograçasaoliga-
mentoastrágalo-calcâneoexterno(5);
- por outrolado,atravésdo fascículomédiodo
LLE datíbio-tarsiana(6) diretamenteparao
calcâneo.
Em resumo,o relevoastragalianorecebeduasche-
gadase é a origemdeduassaídasligamentares.
Globalmente,pode-sededuzirquea inversãorom-
pe os ligamentose,emparticular,o fascículoanteriordo
LLE datíbio-tarsianae quea eversãofratura osmaléo-
los e o externoemprimeirolugar.
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Fig.4-57
2. NfEMBRO INFERIOR 201
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202 FISIOLOGIAARTICULAR
AS ARTICULAÇÕES CÚNEO-ESCAFÓIDES, INTERCUNEIFORMES
E TARSOMETATARSIANAS
(asexplicaçõessãocomunsàsdaspágs.188e 196)
Todas estasarticulaçõessão artródiasque
realizam movimentos de deslizamento e de
aberturade escassaamplitude.
Em vista anteriordo par do escafóidee do
cubóide(fig.4-59) sepodemdistinguirtrêsfaces
articulares(lc, IIc, lHc) quearticulamo escafói-
decomo primeiro,o segundoe o terceirocunei-
formes,e outrastrêsfacesarticularesquearticu-
lam o cubóidecom o quintometatarsiano(5ºm),
quartometatarsiano(4ºm)e terceirocuneiforme
(lI!' c); alémdisso,o cubóidefixa a extremidade
esquerdado escafóide(articulaçãoescafocubói-
de,setasbrancas).
Uma vista em perspectivaântero-extema
(fig. 4-60) permiteobservarcomo o bloco dos
trêscuneiformes(Cj, Cl e C3) se articulacom o
escafóidee o cubóide:a setaduplaindica como
o terceirocuneiformerepousasobreo cubóide,
numa face articular (U!'c) localizadana frente
da facearticularda articulaçãocom o escafóide
(articulaçãocubóide-cuneal).
As articulaçõesintercuneiformescom-
preendem(fig. 4-61, vistasuperiordasarticula-
ções cúneo-escafóides,intercuneiformese a de
Lisfranc parcialmente)cadaumafacesarticula-
rese ligamentosinterósseos:entreo primeiroe o
segundocuneiformeo ligamentointerósseofoi
seccionado(19);entreo segundoe o terceirocu-
neiforme,esteligamento(20)sedeixouintacto.
A articulaçãotarsometatarsiana,ou in-
terlinhadeLisfranc, permiteobservar(fig.4-63,
vistasuperior),por umlado,ostrêscuneiformes
(CI' Cl e C) paradentroe o cubóide(cub) para
fora; por outro lado, a basedos cinco metatar-
sianos(Mj, Ml, M3, M~e MJ Ela é constituída
por uma sucessãode artródiasintimamenteim-
bricadas.Em vista dorsal da articulaçãoaberta
(fig. 4-62 segundoRouviere) se podemdistin-
guir as diferentesfaces articularesdo tarso e as
facesarticularesque correspondemà base dos
metatarsianos.A base do segundometatarsiano
(lvf) seencaixanamortalhadostrêscuneiformes
compostapor: face articularexterna(lImC) do
primeirocuneiforme(C), face articularanterior
(lImC) do segundocuneiforme(C) e face arti-
cular interna (lImC3) do terceiro cuneiforme
(C). Além disso,élaestámantidapor potentesli-
gamentos,fáceisdedi~tinguir(fig. 4-61), quando
seabreaarticulaçãoparacima,sefaz girar sobre
o seueixo o primeiro metatarsiano(seta 1) e se
deslocaparafora o terceirometatarsiano(seta2).
Entãopodemosobservar:
- por dentro,opotenteligamentodeLis-
franc (18),queseestendedafaceexter-
na do primeiro cuneiformeà face inter-
nadabasedo segundometatarsiano.É a
chaveda desarticulação;
- por fora, um sistemaligamentarque
inclui fibrasdiretas(21) entreCl e Ml e
(22)entreC3 e M3 e fibrascruzadas(23)
entreC3 e Ml e (24) entreCl e M3.
Por outra parte, a solidez da articulação
tarsometatarsianaé asseguradapor numerosos
ligamentos(fig. 4-63, vista dorsal e figo 4-64,
vistaplantar)que se expandemda basede cada
metatarsianoatéo ossocorrespondentedo tarso
e paraa basedos metatarsianosvizinhos. Espe-
cialmente,na face dorsal (fig. 4-63) existemli-
gamentosquese expandemda basedo segundo
metatarsianoparatodosos ossosvizinhos, e pa-
ra a face