Kapanji - volume 2

Kapanji - volume 2


DisciplinaCinesiologia3.693 materiais61.571 seguidores
Pré-visualização50 páginas
estaanteversãoestábastanteacentuadanacrian-
ça,o quelevaaumarotaçãointernadapel71a-
a criançacaminhacom"os pésparadentro"e
apresentacomfreqüênciaumpéplanovalgobi-
lateral-. Como crescimento,o ângulodeante-
versãovoltaa tero seuvalornorn1al,fazendo
comqueosproblemascitadosanteriormentede-
sapareçam.Contudo,énecessáriocitarumacir-
cunstâncianaquala anteversãopodepermane-
cerpereneeinclusiveexagerada:algumascrian-
çasadquiremo hábitodesentar-senochãoso-
breosseuscalcanharescomosjoelhostlexio-
nados;istolevaaumarotaçãointernadofêmur
e a umaanteversãoexageradadoscolosfemo-
rais,porquea plasticidadedoesqueletoaindaé
muitogrande.Umaformaderemediarestasi-
tuaçãoéobrigaracriançaarealizarumaatitude
inversa,ouseja,sentar-secomaspel71ascruza-
das,o melhorainda,naposiçãode Yoga,que,
comopassardotempo,amoldao colodofêmur
emretroversão.
Atépoucotempoatrásamedidadoângulo
de anteversãodoscolosfemoraissuscita,pelo
menoscomo métodoradiológicoclássico,algu-
masdificuldadesparainterpretarosresultados.
Atualmente,graçasà tomografiacomputadori-
zada,estamedidaserealizadeformasimplese
precisa.Portanto,convémutilizarestemétodo
quandoqueremosdiagnosticarrotaçõesdefei-
tuosasdosmembrosinferiores,vistoque,geral-
mente,~moléstia"origina-se"noquadril.
Fig.1-24
Fig.1-26
Fig.1-23
2. MEMBRO INFERIOR 23
Fig.1-25
24 FISIOLOGIA ARTICULAR
oMOVIMENTO DE CIRCUNDUÇÃO DO QUADRIL
Como no caso de todasas articulações
comtrêsgrausde liberdade,o movimentode
circunduçãodo quadrilsedefinecomoa com-
binaçãosimultâneade movimentoselemen-
taresrealizadosaoredordetrêseixos.Quan-
do a circunduçãoatingea suaamplitudemáxi-
ma,o eixodomembroinferiordescrevenoes-
paçoumconecujovérticeéo centrodaarticu-
lação coxofemoral:ele é o chamadoconede
circundução(fig. 1-29).
Esteconeestálongede serregular,por-
queasamplitudesmáximasnãosãoiguaisem
todasasdireçõesdo espaço;portanto,a traje-
tóriadescritapelaporçãodistaldomembroin-
feriornãoéumcírculo,masumacurvasinuo-
saquepercorrediversossetoresdoespaçode-
terminadospelaintersecçãodostrêsplanosde
referência:
A) Plano sagital,no qual se realizamos
movimentosdeflexão-extensão.
B) Planofrontal,no qualseexecutamos
movimentosdeabdução-adução.
C) Planohorizontal.
OsoitosetoresdoespaçonumeradosdeI a
VIII demonstramquea trajetóriaatravessasu-
cessivamenteossetoresIII, lI, I, IV, V eVIII*.
* Notadoautor:ossetoresVI, VII eVII nãosãovi-
síveisnafiguraporqueestãosituadosportrás,entreospla-
nosI e lI. Sãodeduzidosporraciocíniológico.
Observarcomo a trajetóriacontornao
membroquesuportao peso;seelesedesviasse,
a trajetóriasofreriaumlevedeslocamentopara
dentro.A setaR queprolongaomembroinferior
no setorIV parabaixo,paradiantee parafora
representao eixodo conedecircundução,que
correspondeàposiçãofuncionaledeimobiliza-
çãodoquadril.
Strasserpropôsprojetarestatrajetóriaso-
breumaesfera(fig. 1-30)cujo centroO está
ocupadopelocentroda articulaçãocoxofemo-
ral,cujoraioOL estáformadopelofêmure na
qualo eixodospólosEI é horizontal.Nestaes-
feraasamplitudesmáximaspodemserlocaliza-
dasgraçasaumsistemademeridianose depa-
ralelas(nãoilustradosnestafigura).
Este mesmosistemafoi propostoparaa
medidado ombro,emboranesteúltimo caso
sejacertamentemuitomais interessante,visto
quearotaçãosobreo eixolongitudinalé maior
parao membrosuperiordoqueparao inferior.
A partirdeumaposiçãodeterminadaOL dofêmur,a
articulaçãopoderealizarmovimentosdeabdução(setaAb)
oudeadução(setaAd) percorrendoo meridianohorizontal
(MH),movimentosderotaçãointerna(setarI) ouderotação
externa(rE)pelarotaçãoaoredordoeixoOL Quantoaos
movimentosdefiexão-extensão,estessãodedoistiposse-
gundoserealizamnosentidodoparalelo P - sedizentão
quea fiexãoFI é circumpolar- ou no sentidodo círculo
grandeC - emcujocasosediz quea f1exãoF2 é circun-
central-. Estasdistinçõesparecemnãotermuitautilidade
prática.
c
VI
V
--
B
Fig.1-29
E
2.MEMBRO INFERIOR 25
Fig.1-30
26 FISIOLOGIA ARTICULAR
ORIENTAÇÃO DA CABEÇA FEMORAL E DO CÓTILO
(as legendassão comunsa todasas figuras)
A articulaçãocoxofemoralé uma enartro-
se: assuassuperfíciesarticularessãoesféricas.
A cabeçafemoral (fig. 1-31,vista anterior)
estáconstituídapor 2/3 deumaesferade 40 a 50
mm de diâmetro.Pelo seucentrogeométricoO
passamos trêseixosdaarticulação:eixo horizon-
tal (1), eixovertical(2),eixo ântero-posterior(3).
O colo femoralservedesuporteparaa cabeçafe-
moral e asseguraa suauniãocom a diáfise.O ei-
xo do colo femoral(setaCf) é oblíquoparacima,
paradentroe paradiante,formandoassimo eixo
diafisário (D), ângulo denominado"de inclina-
ção",de 125°no adulto;eleformaum ângulocom
o planofrontal(fig. 1-37,vistasuperior)denomi-
nado "dedeclinação", de 10 a 30°,abertopara
dentroeparadianteetambémdenominadoângu-
lo de anteversão.Desta forma (fig. 1-34, vista
póstero-intema),o planofrontalverticalquepassa
pelocentrodacabeçafemoralepeloeixodoscôn-
dilos (planoP) deixaa diáfisefemorale a suaex-
tremidadesuperiorquasetotalmenteatrásdesi;
ditoplanoP contémo eixomecânicoMM' do
membroinferior,quejunto com o eixo diafisário
(D) forn1aumângulode5 a7°(verpág.76).
A formadacabeçaedocolovariasegundoos
indivíduos,demaneiraqueos antropólogoscons-
tataramqueelaerao resultadodeumadetermina-
da adaptaçãofuncional.Portanto,se distinguem
doistiposextremos(fig. 1-35segundoBellugue):
- um tipo "longilíneo" no qual a cabeça
representamais de 2/3 de uma esferae
os ânguloscérvico-diafisáriossãomáxi-
mos(I =125°,D =2SO). A diáfisefemo-
ral é fina e a pelvepequenae alta.Uma
morfologia como estafavorecegrandes
amplitudesarticularese correspondea
uma adaptaçãoà velocidadeda corrida
(esquemasa e c);
- um tipo "brevilíneo": a cabeçamal ul-
trapassaa semi-esfera,os ângulos são
pequenos(I =115°,D =10°),a diáfiseé
mais larga e a pelve maciça e larga. A
amplitudearticularnãoé tãogrande,po-
rém o que a articulaçãoperde em velo-
cidadeganhaemrobustez(b e d).É uma
morfologia de "força".
A cavidade cotilóide (fig. 1-32,vistaexter-
na) recebea cabeçafemoral;ela estásituadana
face externado osso ilíaco, na união das três
partesqueo compõem.Ela temaformadesemi-
esferalimitadano seucontornopelo rebordoco-
tilóide(C). Apenas a periferia do cótilo estáre-
coberta de cartilagem: é a meia.:luaarticular
(Ml), interrompida na sua parte inferior pela
profunda incisura($quio-púbica.A partecentral
do cótilo está situada para trás em relação à
meia-luaarticulare,portanto,nãoentraemcon-
tato com a cabeçafemoral: é o fundocotilóide
(Tf) queumafina lâminaósseaseparadasuper-
fície endopélvicado osso ilíaco (fig. 1-33,osso
transparente).Veremos mais adiante(pág. 32)
como a orla acetabular(La) se encaixano re-
bordo cotilóide (Rc).
O cótilo nãoestáorientadodiretamentepara
fora,massimparabaixoeparadiante(asetaC'
representao eixo do cótilo). Sobreum cortever-
tical (fig. 1-36)estaorientaçãoparabaixo pode
sernitidamentevista:o eixo do cótilo formaum
ângulode30 a40°comahorizontal,istofaz com
quea partesuperiordo cótilo ultrapassea cabeça
parafora; estaultrapassagemsemedepeloângu-
lo de coberturaW, quegeralmenteé de 30°(ân-
gulo de Wiberg). No nível do teto do cótilo a
pressãodacabeçaémaioreacartilagemdelaeda
meia-luaarticularé maisgrossa.Sobreum corte
horizontal (fig. 1-37) aparecea orientaçãopara
diante:o eixo do cótilo (C') formaum ângulode
30 a 40°com o plano frontal.Distingue-setam-
bémo fundo (Tf) paratrásdameia-lua(Ml) e da
orla encaixadono rebordocotilóide (Rc). O pla-
no tangenteao rebordocotilóide (Pr) é oblíquo
paradiantee paradentro.
Na prática,pararealizarestesdoistiposdecortepo-
demosutilizar:
- parao cortevértico-frontal,a tomorradiogra-
fia, queofereceumaimagemsemelhanteàdafi-
gura1-36;
- parao cortehorizontal,ao exameescanográfico
doquadril,quenosdáumaimagemsemelhantea
dafigura1-37e permitemediro ângulodeante-
versãodocóti10edocolofemoral,queémuitoútil
parao diagnósticodasdisplasiasdoquadril.