Kapanji - volume 2

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mento,elepodeseresquematizadonumvolume
cujabaseé asuperfíciedesecçãoe a alturaé o
comprimento.O solear(Sol), cujasecçãoé de
20 cm2 e comprimentoé de 44 mm,temuma
potênciaumpoucoinferior(8,80)à (8,97)dos
gêmeos(Ge),cujasecçãoglobaléde23cm2eo
comprimentoéde39mm.Por outraparte,apo-
tênciados fibulares(cubocinza)representaa
metadedapotênciaglobaldosextensoresaces-
sórios.O fibularlaterallongoéduasvezesmais
potentedoqueo fibularlateralcurto.
Portanto,quandoo tendãocalcâneose
rompe,os músculosextensoresacessóriospo-
demestenderativamenteo tornozelo,com o
pélivre semapoio.Porémsóo trícepspermite
aelevaçãosobreapontado pé.A perdadaele-
vaçãoativasobreapontadopé- posiçãotam-
bémdenominada"espíritodaBastilha"- é, as-
sim,o testequepermitediagnosticararuptura
do tendãocalcâneo.
2.MEMBRO li"lFERIOR 221
Fig.4-121
222 FISIOLOGIAARTICULAR
OS MÚSCULOS ABDUTORES-PRONADORES: OS FIBULARES
Os músculosfibulares,quepassamdetrás
doeixotransversalXX' e paraforado eixode
HenkeUU', sãosimultaneamente(fig.4-122):
- extensores(seta1);
- abdutores(seta2), desviandoparafora
o eixo22';
- pronadores(seta3),orientandoparafo-
rao planogeraldaplantadopé.
O fibularlateralcurto (FLC), queseinse-
re (fig.4-123)no processoestilóidedo quinto
ossodometatarsoé,principalmente,abdutordo
pé:paraDuchennedeBoulogneinclusive,eleé
o únicoabdutordireto(vertambémfigo4-90).
Ele é,emtodocaso,maisabdutorqueo fibular
laterallongo.Eleparticipa(fig.4-124)naprona-
ção(seta3) da parteanteriordo pé, elevando
(setaa) os raiosmetatarsianosexternos.Nesta
ação,ele estáreforçadopelo fibular anterior
(FA) eo extensorcomumdosdedos(semrepre-
sentaçãoaqui),quetambémsãoabdutores-pro-
nadorese, aomesmotempo,flexoresdo torno-
zelo.Portanto,a açãoabdução-pronaçãopuraé
oresultadodaaçãosinérgica-antagonistadosfi-
bulareslateraisporumladoedofibularanterior
edoextensorcomumdosdedospelooutro.
O fibularlaterallongo(FLL) (figs.4-123e
4-125)desempenhaum papelprimordialtanto
nosmovimentosdopécomonaestáticae dinâ-
micadaabóbadaplantar:
1.Ele é abdutor,como o fibular lateral
curto,e suacontraçãodeslocaa parte
anteriordopéparafora(fig. 4-127),em
baioneta,enquantoo maléolo interno
estáproeminente;
2.Ele éextensordeformadiretaeindireta:
- diretamente(figs.4-124e 125),desce
acabeçadoprimeirometatarsiano;
- indiretamente:deslocandooprimeiro
metatarsianoparafora(fig.4-125,se-
ta5),aproximaosossosdometatarso
internosdosexternos.Contudo(fig.
4-126),o trícepssó estendedireta-
menteosmetatarsianosexternos(es-
quematizadosem forma de viga).
"Engatando"os metatarsianosinter-
nossobreosexternos(seta5),o fibu-
lar laterallongopermitequea força
do trícepsse repartapor todosos
raios da planta.A confirmaçãoestá
claranasparalisiasdo fibularlateral
longo,nasqueo trícepssóestendeo
arcoexterno:opégiraemsupinação.
A extensãopura do pé é, assim,o
resultadodacontraçãosinérgica-an-
tagonistadotrícepsedo fibularlate-
rallongo:sinérgicanaextensãoean-
tagonistanapronação-supinação.
3.Ele épronador(fig.4-124),demodoque
desce(setab) a cabeçadoprimeirome-
tatarsianoquandoa parteanteriordopé
não estáapoiadano chão.A pronação
(seta3) é o resultadodaelevaçãodo ar-
co externo(a)associadoaodescensodo
interno(b).
Veremos(pág.234)tambémcomoo fibu-
larlaterallongoacentuaacurvaturadostrêsar-
cosdaabóbadaplantareconstituiseuprincipal
suportemuscular.
Fig.4-126
Fig.4-127
224 FISIOLOGIA ARTICULAR
OS MÚSCULOS ADUTORES-SUPINADORES: OS TIBIAIS
Ostrêsmúsculosretromaleolaresinternos,
localizadospor trásdo eixoXX' e pelafrente
do eixo UU' (fig. 4-95)sãosimultaneamente
(fig.4-128):
- extensores(seta1);
- adutores(seta2),desviandoparadentro
o eixolongitudinaldopé;
- supinadores(seta3), orientandopara
dentroo planogeraldopé.
O tibialposterior(TP),o maisimportante
dostrês,seinsere(fig.4-129)no tubérculodo
escafóide(corcinza).Atravessandoa tíbio-tar-
siana,a subastragalianae a médio-tarsiana,ele
atuasimultaneamentenestastrêsarticulações:
- deslocandoo escafóidepara dentro
(fig.4-130),éumpotenteadutor(para
DuchennedeBoulogneémaisadutordo
quesupinador).Destaforma,éumanta-
gonistadiretodofibular lateralcurto,
quedeslocao tarsoanteriorparafora
(fig.4-131)peloquintometatarsiano;
- graçasàs suasexpansõesplantaresnos
ossosdotarsoedometatarso(verfigo4-
91),é supinadore desempenhaumpa-
pelprimordialnosuporteeorientaçãoda
abóbadaplantar(verpág.234).Foi pos-
sível incriminara ausênciacongênita
destasexpansõesdo tibialposteriorna
determinaçãodeumpéchatovalgo.Os
52°deamplitudedasupinaçãosedistri-
buemem340nasubastragalianaeem180
namédio-tarsiana(BiesalskieMayer);
- nãosó é extensor(fig.4-132)datíbio-
tarsiana(setaa),mastambémestendea
médio-tarsianadescendoo escafóide
(setab): o movimentodaparteanterior
dopéprolongao dotornozelo(verpág.
163,figo4-5).
Em suasaçõesdeextensãoe deadução,o
tibialposteriorestáreforçadopeloflexorpróprio
doháluxepelofiexorcomum.
O tibialanterioreo extensorprópriodohá-
lux(fig.4-132)passampelafrentedoeixotrans-
versalXX' epordentrodoeixodeRenkeUU'
(fig.4-95).De modoquesãojiexores,adutores
esupinadoresdotornozelosimultaneamente.
O tibial anterior (fig.4-128)é maissupi-
nadordoqueadutor.Ele ageelevandotodosos
elementosdoarcointerno(fig.4-132):
- elevaa basedo primeirometatarsiano
sobreo primeirocuneiforme(setac),
peloquala cabeçadoprimeirometatar-
sianoascende;
- elevao cuneiformesobreo escafóide
(setad) e o escafóidesobreo astrágalo
(setae) antesde flexionara tíbio-tar-
siana(setaf).
Ao aplainaro arcointernoduranteasupina-
ção,éantagonistadiretodofibularlaterallongo:
- asuaaçãoadutoraémaismoderadaque
adotibialposterior;
- éfiexordotornozeloesuacontraçãosi-
nérgica-antagonistacomo tibialposte-
rior determinauma adução-supinação
purasemflexãonemextensão;
- suacontraturacomportaumpéastrága-
10varocomflexãodededos(fig.4-134),
principalmentedohálux.
O extensorpróprio do hálux (fig.4-133)
éumadutor-supinadormaisfracodoqueo tibial
anterior.Ele podesubstituiro tibial anteriorna
flexãodo tornozelo,porémentãose encontra
comfreqüênciaumháluxemgarra.
A potênciadossupinadores(2,82kg) supe-
ra à dospronadores(1,16kg): semapoio,o pé
giraespontaneamenteemsupinação.Estedese-
quilíbriocompensaatendêncianaturaldopéem
apoioa virarempronação(verpág.236)quan-
do o pesodo corpoprovocaqueo péentreem
contatocomo chão.
Fig.4-128
Fig.4-134
Fig.4-129
Fig.4-133
Fig.4-130
2. MEMBRO INFERIOR 225
Fig.4-131
226 FISIOLOGIA ARTICULAR
A abóbadaplantaré umconjuntoarqui-
tetônicoqueassociacom harmoniatodosos
elementosósteo-articulares,ligamentarese
muscularesdopé.Graçasàssuasmodificações
decurvaturae à suaelasticidade,a abóbadaé
capazde adaptar-sea qualquerirregularidade
do terrenoe transmitirao chãoas forçase o
pesodocorponasmelhorescondiçõesmecâni-
casenascircunstânciasmaisdiversas.Ele de-
sempenhao papelde amortecedorindispen-
sávelparaaflexibilidadedamarcha.As altera-
çõesquepodemacentuaroudiminuirsuascur-
vaturasrepercutemgravementeno apoio no
chão,demodoqueobrigatoriamentealterama
corridae a marcha,ou mesmoo simplesfato
deestardepé.
2. MEMBRO INFERIOR 227
228 FISIOLOGIA ARTICULAR
A ABÓBADA PLANTAR EM CONJUNTO
Considerada no seu conjunto, a estrutura
da planta do pé pode definir-se corno urna
abóbadasustentadapor três arcos. Os arqui-
tetos e engenheiros realizaram urna abóbada
semelhante(fig. 5-1, pavilhão do CNIT na La
Défense):se fixa no chãopor trêspontos,A, B
e C, que estãodispostossobreum plano hori-
zontal (fig. 5-2), nos vérticesde um triângulo
eqüilátero.Um arcoquedelimita os lados late-
rais da abóbadafoi colocadoentredois apoios
consecutivosAB, BC ou CA. O peso da abóba-
da recai (fig. 5-3) sobre a chaveda abóbada
(seta)e sereparteatravésdosdois arcobotantes
para os pontos de apoio A e B, tambémdeno-
minados"estribosdoarco".
Alguns autoresposterioresa Lapidus, co-
rno De Doncker e Kowalski,