Kapanji - volume 2

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ção.Além disso,a parteanteriordo pé
realizaumapronação,porémé bastante
evidentequeestesmovimentosdeadu-
ção-pronaçãosão movimentosrelati-
vosaosdaparteposteriordopélocali-
zadosnaárticulaçãomédio-tarsiana.
4.Escavaçãodo arco interno(fig. 5-51).
Esteaumentodacurvaturadoarcointer-
no (seta2) é a conseqüênciadosmovi-
mentosrelativosdaparteposteriore an-
teriordopé.Ele semanifestapelaeleva-
ção do escafóidecomrelaçãoao chão,
fenômeno simultaneamentepassivo
(deslizamentoparaforadacabeçadoas-
trágalo)e ativo(contraçãodotibialpos-
terior).A modificaçãodacurvaturaglo-
baldaabóbadaplantarestáclarana im-
pressãoplantar,cujo golfo se afunda,
comonocasodeumpécavovaro.
A inclinaçãodapernaparafora (fig.5-55)
temquatroconseqÜênciassimétricas:
1. Rotaçãointernadapernasobreopé (se-
ta 3): retrocessodo maléolo interno
(compararcoma figo5-56,naqualo pé
sóentraemcontatocomo chãopelasua
bordaexterna),deslizamentodoastrága-
10 paradentro,cujacabeçasobressaina
margeminternadopé.
2.Adução-pronaçãodaparteposteriordo
pé (fig.5-57):aduçãoporrotaçãointerna
não totalmentecompensada,pronação
porvalgo(ânguloy) doca1câneo(com-
pararcomafigo5-58).
3.Abdllção-supinaçãodaparteanteriordo
pé (fig.5-55):ângulodeabdução(n) en-
treosplanosP eP".
4.Aplainamentodo arco interno(seta4),
comaumentodasuperfíciedaimpressão
plantar,comono casode umpé chato
valgo.
Fig.5-51
2.ME\fBRO DlFERIOR 243
Fig.5-56==
Fig.5-57
244 FISIOLOGIA ARTICULAR
ADAPTAÇÃO DA ABÓBADA PLANTAR AO TERRENO
o homemdacidadecaminhasempreso-
bre um terrenoliso e resistente,com os pés
protegidospelocalçado.Suasabóbadasplan-
taresdevemrealizarpoucosesforçosdeadap-
taçãoe os músculos,que são o seu suporte
principal,acabamporatrofiar-se:o péchatoé
aconseqüênciadoprogressoe certosantropó-
logosnãohesitamemprognosticartemposque
o homem"caminhará"comunspésreduzidos
acotos.Estateoriasebaseianaatrofiadosde-
dos e na perdada oposiçãodo hálux, ainda
presentenomacaco.
Contudo,aindanãochegouestemomento
eo homem,atémesmoo "civilizado",é capaz
deandarcomos pésnusnaareiaou entreas
pedras.Este"retornoaoestadonatural"bene-
ficiaconsideravelmenteaabóbadaplantar(en-
treoutros),quereencontrasuaspossibilidades
deadaptação.
Adaptaçãoàs asperezasdo terrenosobre
as quaiso pé se agarra(fig. 5-59)graçasao
afundamentodaabóbada.
Adaptaçãoàsinclinaçõesdo chãocomre-
laçãoaospés:
- o apoioanterioré maisamplonas in-
clinaçõespara fora (fig. 5-60)graças
aocomprimentodecrescentededentro
parafora dosraiosmetatarsianos;
- depésobreumainclinaçãotransversal
(fig. 5-61),o pé"debaixo"estáemsu-
pinação,enquantoo pé "de cima"está
emeversãoouemastrágalovalgo;
- a escalada(fig. 5-62)necessitadaan-
coragemdopédebaixo,emposiçãode
pé cavovaro,perpendicularà linha de
declive,enquantoo pé de cima entra
emcontatocomo chãoemflexãomá-
ximae paraleloà inclinação;
- a descida(fig. 5-63)àsvezesobrigaas
atitudesdo pé emeversãoparaconse-
guir umaaderênciamáxima.
Dessemodo,comoa palmada mão,que
permitea preensãograçasàs modificaçõesde
suacurvaturaedesuaorientação(vervolumeI),
a plantado pé pode,com algumaslimitações,
adaptar-seàsirregularidadesdoterrenoparaas-
seguraro melhorcontatopossívelcomo chão.
Fig.5-60
2. MEMBRO INFERIOR 245
246 FISIOLOGIA ARTICULAR
osPÉS CAVOS
A curvaturae a orientaçãoda abóbadaplantardepen-
demde um equilíbrio extremamentedelicadoentreasdife-
rentes ações musculares, que o modelo de Ombrédanne
(fig. 5-64) permiteanalisar:
- a abóbada estáaplainada pelo pesodo corpo(se-
tabranca)e pelacontraturadosmúsculosquesein-
seremna suaconvexidade:o tríceps(1), o tíbial e
fibular anteriores(2), o extensorcomumdosdedos
e o extensorpróprio do hálux (3); no casodosdois
últímos,com a condiçãode queasprimeirasfalan-
gesfiquemestabilizadaspelos interósseos(7);
- a abóbada está escavada pela contraturados
músculosqueseinseremna suaconcavidade:o tí-
bial posterior (4), os fibulareslaterais(5), os mús-
culos plantares(6) e os tlexoresdosdedos(8). Ela
tambémpode estarescavadapor um relaxamento
dos músculos da convexidade.Pelo contrário,um
relaxamentodos músculosda concavidadeprovo-
ca um aplainamentoda abóbada.
A insuficiência ou a contratura de só um dos
músculos destrói todo o equilíbrio e provoca uma de-
formação; Duchenne de Boulogne afirma que, destepon-
to de vista, é melhor que a paralisia afetea todos os mús-
culos antesque a um só, porqueassim o pé conservauma
forma e uma atitude quasenormais. Estes desequilíbrios
muscularespodem ser estudadosno modelo mecânicodo
pé (no final do volume).
Distinguem-setrêstipos de pés cavos:
1.O pé cavo "posterior" (fig. 5-65), denominado
desta maneira porque a alteração se localiza no
arcobotante posterior: insuficiência do tríceps
(1). Os músculos da concavidade predominam
(6) determinando o pé cavo; os flexores do tor-
nozelo (2) flexionam o pé. De modo que apare-
ce umpé cavoastrágalo"posterior"(fig. 5-66)
que, por outraparte,pode inclinar-se lateralmen-
te em valgo(fig. 5-67) devido a uma contratura
dos abdutores (extensor comum, fibulares late-
rais e anterior).
2. O pé cavo "médio" (fig. 5-68), pouco freqüente,
devido à contratura dos músculos plantares (6)
por palmilhas muito rígidas, por exemplo, ou por
retração da aponeuroseplantar (doença de Led-
derhose).
3. O pé cavo "anterior", do qual existemdistintas
variedadescujo ponto em comum é umaatitude
emequino(fig. 5-69) com duascaracterísticas:
- o equinodaparteanteriordopé (e) por des-
censodos arcobotantesanteriores,
- o desnivelamento(d) entreos calcanharesan-
terior e posterior,mais ou menosredutível em
apoio.
Segundoo mecanismo,se define a variedade do pé
cavo anterior:
- a contraturado tíbial posterior (4) e dos fibulares
laterais(5) origina o descensodaparteanteriordo
pé (fig. 5-70). A contraturados fibulares laterais
pode ser suficientepor si mesma para provocar
um pé cavo (fig. 5-71), que então se inclina em
valgo: pécavovalgoequino;
- um desequilíbrio das metatarsofalangeanas(fig.
5-72) é umacausafreqÜentedo pé cavo: a insufi-
ciênciadosinterósseos(7) deixaqueos extensores
dos dedospredominem(3) querealizamumahi-
perextensãodaprimeirafalange;provocandoa se-
guir um descensoda cabeçados metatarsianos(b),
que descepor suavez a parteanteriordo pé e daí
vemo pé cavo;
- o descensodascabeçasmetatarsianastambémpo-
de serdevido(fig. 5-73) a uma insuficiência do ti-
bial anterior (2): o extensor comum (3) o tenta
substituir,de modo que bascula as primeiras fa-
langes; os músculos plantares,sem contrabalan-
çar,agravama curvaturae o trícepsdeterminaum
ligeiro eqÜino:o predomínio do extensorcomum
dosdedosoriginaumainclinação lateral em valgo
(fig. 5-7'+):pécavovalgoeqiiino;
- uma causafreqÜentede pé cavo é o calçado mui-
to apertadoou o saltoalto (fig. 5-75): os dedos
tropeçamcom a pontado sapatoe se hiperesten-
dem (a). fazendocom que as cabeçasmetatarsia-
nas(b) baixem;soba intluência do peso do corpo
(fig. 5-76) o pé desliza sobre o plano inclinado e
o calcanharse aproximados dedos (a), acentuan-
do a curvaturada abóbada.
A análisedaimpressãoplantar facilitao diagnósticode
pécavo(fig.5-77):comrelaçãoà impressãonormal (I), o iní-
ciodopécavo(lI) secaracterizaporumaproeminênciaconve-
xanabordaexterna(m)eporumaumentodaprofundidadedo
"golfo" (n)dabordainterna;a seguir(m),o fundo do "golfo"
alcançaabordaexterna(p)dividindoa impressãoemdois;nos
péscavosinveterados(IV). alémde tudosesomaa desapari-
çãodaimpressãodosdedos(q)devidoà garradosdados.
Contudo, convém saberque no pé chato valgo das
criançaseadolescentessepodeobservarumaimpressãodepé
cavocominterrupçãoda bandade apoio externa:o valgo do
calcâneo.o aplainamentodo arcointernoprovocaumaligeira
"descolagem"do externo,queperdecontatocom o chãopor
suapartemédia,o quepodeinduziraerros.Todavia,é fácil re-
conhecerestacausadefalsaimpressãodopécavo:
- todos os dedosentramem contatocom o chão;