Linguística Textual - MUSSALIM • BENTES
43 pág.

Linguística Textual - MUSSALIM • BENTES


DisciplinaLinguística I5.220 materiais108.724 seguidores
Pré-visualização15 páginas
brasileira desde 
o surgimento da embolada, uma forma 
poético-musical do início do século. Os 
grandes emboladores do passado improvi-
savam combinando fonemas difíceis. Isso 
produzia rimas inesperadas, mas frases 
desconexas. Ao dar de ombros à estrutura 
narrativa da canção, os emboladores se 
anteciparam à poesia concretista. Hoje, 
essa habilidade de extrair um som bem 
ritmado de sequências de palavras tor-
nou-se um disfarce para a falta de conteú-
do. \u201cNo Brasil, os artistas sentem-se à 
vontade para associar palavras livremente 
porque isso não cria embaraços à audição\u201d, 
opina Luiz Tatit, músico e professor de 
Semiologia da Universidade de São Paulo.
Por último, há os que compõem na 
linha Claudinho & Buchecha. A falta de 
sentido das letras, nesse caso, decorre ex-
clusivamente da inaptidão para lidar com 
a língua portuguesa. Bons de suingue e 
talentosos para compor refrões pegajosos, 
os cantores de Só Love se expressam com 
o restrito vocabulário a que tiveram acesso 
na infância e na juventude pobres. Se para 
Caetano e Gil a ruptura com o sentido pode 
ser atribuída à tentativa de experimentar 
novas possibilidades para a canção \u2014 além 
de ser uma ótima desculpa para a preguiça 
mental \u2014, em Claudinho & Buchecha é só 
mais um sintoma de que o ouvinte pouco 
está ligando mesmo para o que seus ídolos 
cantam. Oh, yeah!
____________________
Celso Masson
Claudinho & Buchecha
Só Love
\u201cVenero demais o meu prazer
Controlo o calendário sem utilizar as 
mãos\u201d
Carma chinês
\u201cNão quero amar outra vez
A disputa é a arma do carma chinês\u201d
Carlinhos Brown
Omelete man
\u201cAnti-gama recarregada em ti
Tive nua a sentença
Anúncio que acabou em chic
Omelete man
Pro mentor mentecapto
O réu dele é rei
Quando o frio acatar
Queima mal e má
Adivinho melado melhor
Na lona rente\u201d
Carregar mais