Manual de Conduta Ginecológica
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Manual de Conduta Ginecológica


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não mostra benefício em detrimento 
da citorredução primária (cada ciclo administrado no pré-operatório levaria a 
perda de 4,1 meses em sobrevida).
- Estudo fase III (Vergote et al. - EORTC 55971 - NEJM, 2010) não mostrou 
diferença em sobrevida livre de doença e global em pacientes ECIII \u2013 IV e 
houve menor morbi-mortalidade no grupo da neoadjuvância. Citorredução 
ótima ainda como principal fator prognóstico. Provável benefício em pacientes 
com grandes volumes tumorais, idosas e com baixo performance status.
\u2022 REABORDAGEM CIRÚRGICA OU \u201cSECOND \u2013 LOOK\u201d
\u2022 Pacientes que após a quimioterapia mostram resposta clínica completa e 
todos os exames propedêuticos são negativos. 
\u2022 Encontra-se em desuso. Deve ser individualizado.
\u2022 >50% dos pacientes com second-look negativo evolui com recidiva.
\u2022 CITORREDUÇÃO DE INTERVALO
\u2022 Doença inicial extensa e considerada irressecável. Após 3 ciclos de 
quimioterapia é realizada reabordagem cirúrgica. 
\u2022 Estudos fase III (EORTC e GOG) com resultados opostos em relação a ganho 
em sobrevida. Menor resíduo tumoral na cirurgia primária após esforço 
máximo e especializado no estudo GOG que não mostrou benefício.
\u2022 CITORREDUÇÃO SECUNDÁRIA / RESGATE
\u2022 Assim como na cirurgia primária, caso seja obtida citorredução ótima em 
pacientes consideradas platina sensíveis, há benefício em sobrevida.
\u2022 Estudos fase III em curso (GOG 213 e DESKTOP 3).
\u2022 CIRURGIA DAS COMPLICAÇÕES E PALIATIVA
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RADIOTERAPIA NO CÂNCER EPITELIAL DE OVÁRIO
\u2022 Alguns estudos antigos demonstraram o valor da radioterapia abdomino-pélvica 
quando o resíduo tumoral após a cirurgia é microscópico ou menor que 2 cm.
\u2022 Modalidade abandonada a favor do tratamento quimioterápico.
\u2022 Limitações: radiossensibilidade variável, volume tumoral usualmente grande e de 
difícil delimitação, baixa tolerância de intestino delgado e rins.
\u2022 Paliativa: pode oferecer bons resultados na remissão sintomática de massas residuais 
ou recidivas após quimioterapia.
QUIMIOTERAPIA NO CÂNCER EPITELIAL DE OVÁRIO
\u2022 Atualmente a recomendação para tratamento inicial adjuvante mais aceita é a 
combinação de PACLITAXEL +CARBOPLATINA para pacientes com estádios IAG3 
; IBG2 ou G3 ; IC ; II ; III ; histologia células claras.
\u2022 Paclitaxel 175 mg/m2 em 03 horas seguido de Carboplatina AUC 5 a 7 em 1 hora 
D1 a cada 21 dias por 6 ciclos. 
\u2022 Nas pacientes com neuropatia periférica, considerar o uso de Docetaxel 75mg/m2 
em substituição ao paclitaxel.
DOENÇA AVANÇADA (EXTRA-PÉLVICA) - EC III / IV
\u2022 A QUIMIOTERAPIA TEM PAPEL DE DESTAQUE.
\u2022 70% dos pacientes com doença avançada recidivam.
\u2022 Carboplatina = maior mielotoxicidade e menor neuro e nefrotóxicidade que a 
Cisplatina. Mesma taxa de sobrevida.
\u2022 Docetaxel = maior mielotoxicidade e menor neurotoxicidade periférica que o 
Paclitaxel.
\u2022 PLATINA + TAXANOS = melhor sobrevida global, livre de progressão e maior taxa 
de resposta.
 
QUIMIOTERAPIA PARA DOENÇA RECIDIVADA
\u2022 A recorrência tumoral após terapia inicial é o pior fator prognóstico adverso com 
pouca chance de cura e pior taxa de resposta.
\u2022 A resposta à quimioterapia de resgaste é dependente da resposta inicial à platina 
e do intervalo livre de doença (quanto maior o intervalo livre de doença, maior a 
resposta à terapia de resgaste).
SENSIBILIDADE À PLATINA
\u2022 São considerados sensíveis a platina pacientes que recorreram após 6 meses do 
término da quimioterapia inicial.
\u2022 Os pacientes sensíveis são candidatos a receber novamente esquemas baseados em 
platina com taxas de resposta de até 70 %.
QUIMIOTERAPIA INTRAPERITONEAL 
\u2022 Pacientes ECIII e submetidas a Citorredução Ótima: Estudos Fase III; mais recente 
CÂNCER DE OVÁRIO
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GOG172 = uso de Quimioterapia Intraperitoneal com cateter usando cisplatina 
mostrou benefício em sobrevida.
\u2022 Uso Quimioterapia Intraperitoneal Hipertérmica (Estudos Fase II) \u2013 Principais 
candidatas: portadoras de doença peritoneal exclusiva recidivada e passível de 
citorredução secundária ótima.
TUMORES OVARIANOS DE BAIXO POTENCIAL DE MALIGNIDADE
TUMORES \u201cBORDERLINE\u201d
\u2022 Correspondem de 10 a 15 % de todos os tumores epiteliais do ovário. 
\u2022 Idade média de diagnóstico 10 anos antes do tumor epitelial invasor.
\u2022 1/3 dos casos idade < 40 anos.
\u2022 70% dos tumores borderline de ovário são ECI. 
\u2022 Recidiva tardia pode ocorrer (>10 anos).
\u2022 Sobrevida global em 10 anos: 80-85%.
\u2022 Em alguns casos reside a hipótese da doença extra-ovariana ser proliferação 
multifocal celômica e não doença metastática.
\u2022 Comprometimento linfonodal em estadios iniciais incomum.
\u2022 CA-125: elevado 40% ECI e 91% ECIII.
PATOLOGIA
\u2022 Os mais comuns são os serosos e mucinosos. Variante micropapilar tem pior 
prognóstico. Outros subtipos : transicional e endometrióide.
\u2022 São caracterizados pela ausência de infiltração estromal.
TRATAMENTO
\u2022 A cirurgia é o tratamento de eleição para todos os pacientes, estadiadora completa 
e com objetivo de citorredução a depender do achado transoperatório.
\u2022 Linfadenectomia pélvica e retroperitoneal por amostragem de cada cadeia 
linfonodal. Não há impacto em sobrevida.
\u2022 Não há benefício da quimioterapia como tratamento complementar.
\u2022 Cirurgia com preservação de fertilidade deve ser oferecida como opção às pacientes 
jovens sem prole constituida e com tumores iniciais. 
\u2022 ECI com preservação de fertilidade: recorrência de 15% (2,5% na cirurgia radical) 
sem impacto na sobrevida global.
\u2022 Cistectomia: pode ser realizada na presença de tumor bilateral (associada a 
anexectomia contralateral) ou em pacientes com ovário único (cirurgia prévia) - 
recidiva em 12-58%.
TUMORES MALIGNOS DE CÉLULAS GERMINATIVAS
\u2022 60 \u2013 75 % é diagnosticado no EC I.
\u2022 Derivam das células germinativas primordiais ovarianas 
\u2022 A maioria dos tumores germinativos ocorrem na segunda e terceira décadas de 
vida. 
TUMORES OVARIANOS DE BAIXO POTENCIAL DE MALIGNIDADETUMORES OVARIANOS DE BAIXO POTENCIAL DE MALIGNIDADE
TUMORES \u201cBORDERLINE\u201dTUMORES \u201cBORDERLINE\u201d
TUMORES MALIGNOS DE CÉLULAS GERMINATIVASTUMORES MALIGNOS DE CÉLULAS GERMINATIVAS
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\u2022 Massa abdominal e dor podem ser os principais sintomas devido a crescimento 
rápido, distensão da cápsula ovariana, hemorragia e necrose.
\u2022 Devido à prevalência em idade jovem, a manutenção da fertilidade é fato importante 
na escolha do tratamento. 
\u2022 Em pacientes jovens, a dosagem do B-hCG e da alfafetoproteina devem sempre 
ser realizadas.
\u2022 Podem se apresentar com histologia mista.
DISGERMINOMAS
\u2022 Tumor germinativo maligno mais comum (40%).
\u2022 Pode estar associado a disgenesia gonadal e ao gonadoblastoma.
\u2022 Podem chegar a grandes volumes.
\u2022 Podem estar associados a outros tumores germinativos formando os tumores mistos.
\u2022 Pode haver elevação, porém normalmente discreta de Beta-hCG.
\u2022 Estádio Ia: 65-75% casos / Ib: 10-15% / II e III: 15% / IV: 5% 
\u2022 10 \u2013 15 % bilateral.
\u2022 A disseminação é mais importante pela via linfática e após hematogênica. Via 
transcelomica não é preferencial.
Histologia
Disgerminoma
Tumor do Seio 
Endodérmico
Teratoma Imaturo
Carcinoma 
Embrionário
Coriocarcinoma
Poliembrioma
Tumores mistos
Incidência
40 %
22 %
20 %
Raro
Raro
Raro
10 \u2013 15 %
b-HCG
+/-
--
--
+
+
+/-
AFP
--
+
+/-
+
--
+/-
DHL
+
+/-
+/-
+/-
--
+/-
Bilateralidade
10 \u2013 15 %
Raro
Raro, teratoma 
benigno comum 
no outro ovário
Raro
Raro
Raro
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CÂNCER DE OVÁRIO
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TRATAMENTO
\u2022 Estadiamento e tratamento inicial cirúrgico como no tumor epitelial de ovário com 
linfadenectomia pélvica e retroperitoneal sistemáticas.
\u2022 Deve-se preservar a fertilidade em pacientes jovens.
\u2022 São bastante sensíveis à quimioterapia e à radioterapia.
\u2022 Após a cirurgia a maioria dos pacientes deve ser submetida a poli-quimioterapia 
com 3 agentes