Monitoramento_in_situ_da_Biodiversidade_versao_final_05.12.2013
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Monitoramento_in_situ_da_Biodiversidade_versao_final_05.12.2013


DisciplinaConservação e Preservação I7 materiais112 seguidores
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um grupo utilizado 
em monitoramentos, especialmente em locais onde há 
uso de recursos naturais por populações humanas locais. 
Em geral, espécies cinegéticas pertencem às famílias 
Tinamidae, Cracidae, Columbidae e Anatidae. Muitas 
delas, são aves grandes, com voo limitado e que nidificam 
no chão. Essas características biológicas as tornam alvo 
fácil para caçadores, e em geral as aves cinegéticas são 
rapidamente eliminadas de localidades sujeitas à pressão 
de caça. Muitas dessas aves estão ameaçadas de extinção 
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no Brasil, como os macucos (gênero Tinamus) e mutuns 
(gênero Crax). Por esses motivos, monitorar a ocorrência e 
abundância de aves cinegéticas pode fornecer informações 
importantes sobre potenciais pressões de caça dentro dos 
limites de áreas protegidas.
 Um exemplo de aves que podem ser selecionadas 
localmente são os psitacídeos. Araras, papagaios e periquitos 
são bons indicadores biológicos porque dependem de 
grande oferta de frutos para alimentação e de sítios 
específicos para reprodução, como ocos de determinadas 
espécies de árvores. Além disso, são de fácil amostragem, 
porque têm cores vistosas e vocalização característica. 
O monitoramento de psitacídeos se torna ainda mais 
importante quando consideramos que 16 espécies desse 
grupo estão ameaçadas de extinção no Brasil.
 Outro grupo de aves que pode ser selecionado 
para o monitoramento é o das espécies localmente 
comuns. Monitorar espécies comuns e abundantes em 
hábitats pode fornecer informações importantes. Espécies 
comuns contribuem com a maior parcela da biomassa de 
teias tróficas, sendo fundamentais para o funcionamento e 
equilíbrio dos ecossistemas. Além disso, a inclusão de aves 
comuns atribui um caráter regional ao monitoramento 
de cada UC, permitindo inferências específicas à gestão e 
manejo local.
 Além das vantagens específicas de cada um dos 
grupos de aves selecionados, um facilitador comum a esses 
três grupos é que todos são bem conhecidos popularmente. 
Isso possibilita a implantação de um modelo participativo 
no monitoramento de aves com o auxílio de comunidades 
locais envolvidas nas atividades da UC.
 Métricas adicionais podem ser incorporadas ao 
monitoramento de aves, de acordo com o contexto de cada 
área protegida. Por exemplo, incluir módulos adicionais 
como a abundância de espécies selecionadas (tais como 
espécies endêmicas ou ameaçadas), subsidiando dados 
importantes à gestão.
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Mamíferos de médio e grande porte
Por que são bons indicadores?
 O Brasil tem a maior riqueza de mamíferos do 
mundo, com mais de 530 espécies descritas e grande 
número de endemismos. Cerca de 15% dessas espécies 
encontram-se ameaçadas. As pressões antrópicas mais 
associadas a essa ameaça são a perda e fragmentação de 
hábitats, mas a caça e os atropelamentos também causam 
diminuições expressivas em populações de mamíferos.
 No monitoramento in situ da biodiversidade, muitos 
mamíferos de médio e grande porte são considerados bons 
indicadores de qualidade de hábitat em ampla escala, uma 
vez que necessitam manter extensos territórios de áreas 
naturais contínuas para alimentação e reprodução. Por 
exemplo, a área de vida de onças-pintadas no Cerrado do 
Brasil Central pode chegar a 265 km2 (www.jaguar.org.br). 
Muitas vezes, pressão antrópica de fragmentação em áreas 
contínuas divide o hábitat em unidades menores que as 
necessárias para a sobrevivência de mamíferos médios e 
grandes. Além disso, algumas espécies de mamíferos servem 
como reservatório de agentes infecciosos, ressaltando a 
importância desse grupo em questões de interação com a 
comunidade local e saúde pública. Mamíferos têm, ainda, 
grande variabilidade alimentar \u2013 com espécies estritamente 
herbívoras até outras carnívoras e predadores de topo \u2013 
participando assim do fluxo de energia em vários níveis da 
cadeia trófica e do equilíbrio dinâmico das teias alimentares.
 Vale lembrar, muitas espécies de mamíferos são 
consideradas espécies-bandeira, carismáticas e contam 
com a simpatia popular. Esse caráter ajuda na sensibilização 
sobre a importância dos monitoramentos e na captação de 
recursos para a conservação da biodiversidade.
 Quanto à implantação, o módulo básico de 
amostragem é simples e bastante viável. Em geral, 
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mamíferos de médio e grande porte são bem conhecidos 
popularmente e muitos deles são de fácil identificação visual 
ou por pegadas. Guias e fotos podem auxiliar na identificação 
dos indivíduos avistados, diminuindo a dependência de 
especialistas no processo de amostragem. Um exemplo 
aplicável a isso é o caso dos mamíferos cinegéticos, que 
são um grupo ameaçado em vários biomas brasileiros. O 
monitoramento das populações de espécies cinegéticas é 
importante para sua conservação em UCs que enfrentam 
pressões de caça. Esse conhecimento das populações locais 
sugere a possibilidade de implantação de um modelo 
participativo no monitoramento de mamíferos de médio e 
grande porte, especialmente aqueles cinegéticos.
 Além do módulo básico de monitoramento 
de mamíferos por avistamento, o caráter modular da 
proposta de um Sistema Brasileiro de Monitoramento 
da Biodiversidade permitiria a inclusão de métricas 
adicionais que podem complementar a base de dados 
biológicos, de acordo com os propósitos de gestão de 
cada unidade de conservação. Adicionalmente, métricas 
de comunidade podem fornecer importantes resultados 
sobre o funcionamento e diversidade de mamíferos nos 
ecossistemas da UC.
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Borboletas frugívoras
Porque são bons indicadores?
 Especificamente para a região tropical, o grupo das 
borboletas frugívoras é considerado um ótimo bioindicador 
de alterações ambientais. Borboletas são sensíveis a 
alterações do ambiente, porque dependem de micro-
hábitats específicos e de recursos adequados para sua 
sobrevivência. Muitas espécies são estritamente associadas 
a determinadas condições presentes em hábitats mais 
conservados, enquanto outras são associadas a áreas 
perturbadas. Assim, alterações na qualidade de hábitat 
\u2013 causadas, por exemplo, por desmatamento, queimadas 
e mudanças climáticas \u2013 atuam nas populações de 
borboletas e podem ser captadas pela série de dados do 
monitoramento ambiental.
 Outra característica biológica que as tornam 
úteis em biomonitoramentos, é que borboletas frugívoras 
têm ciclo de vida curto. Dessa maneira, alterações 
ambientais causam, em curto intervalo de tempo, 
mudanças nas populações de borboletas que podem ser 
percebidas rapidamente ao longo do monitoramento. Essa 
possibilidade de rápida percepção de mudanças por meio do 
monitoramento in situ de borboletas frugívoras possibilita 
a definição de medidas mitigadoras do problema, antes que 
outros componentes da biota sejam afetados.
 Em questão de implantação, borboletas frugívoras 
compõem um dos grupos com maior potencial. A 
amostragem em campo depende de armadilhas simples e 
de fácil confecção e manutenção. O uso de armadilhas tem 
a vantagem adicional de minimizar o efeito do coletor nos 
dados. Outra grande vantagem é que a métrica selecionada 
no monitoramento de borboletas frugívoras é a proporção 
5150
de tribos. Isso se torna uma vantagem na prática, pois 
diminui a dependência de especialistas do grupo, uma vez 
que não há a necessidade da identificação taxonômica mais 
refinada até o nível de espécie. 
 Além do módulo básico que utiliza a métrica da 
proporção de tribos, módulos adicionais têm a capacidade 
de potencializar a utilização de borboletas frugívoras como 
indicadores biológicos, de acordo com a possibilidade de