Teoria_da_Constitui__o
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Teoria_da_Constitui__o


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sem Constituição. Uma Constituição em sentido real ou material todos os países, em todos os tempos a possuíram. 
	Esse conceito diz respeito ao conteúdo da norma constitucional, são as normas mais importantes, únicas merecedoras de serem designadas rigorosamente como matéria constitucional. 
	5.2. Conceito formal:
	A partir deste conceito, Constituição é o conjunto de normas escritas reunidas num documento solenemente elaborado pelo Poder Constituinte, tenham ou não valor constitucional material, ou seja, digam ou não respeito às matérias tipicamente constitucionais. 
	O que se afigura relevante aqui é a formalidade que caracteriza essas normas, ou seja, são constitucionais pelo simples fato de aderirem ao texto constitucional. 
6. CLASSIFICAÇÃO DAS CONSTITUIÇÕES:
	6.1. Quanto ao conteúdo: 
	- Material: será aquele texto que contiver as normas fundamentais e estruturais do Estado, a organização de seus órgãos, os direitos e garantias fundamentais. Como exemplo, podemos citar a Constituição do Império do Brasil que em seu art. 178 prescrevia ser somente constitucional o que dissesse respeito aos limites e atribuições dos poderes políticos e aos direitos políticos e individuais dos cidadãos. 
- Formal: será aquela Constituição que elege como critério o processo de sua formação, e não o conteúdo de suas normas. 
6.2. Quanto a origem: 
 - Outorgadas: são as Constituição impostas, de maneira unilateral, pelo agente revolucionário que não recebeu do povo a legitimidade para em nome dele atuar. No Brasil, as Constituição outorgadas foram a de 1824, 1937 e 1967. Essas Constituições recebem o nome de Carta Constitucional.
		Alguns autores entendem que o texto de 1967 teria sido \u2018promulgado\u2019, já que votado nos termos do art. 1º, §1º, do AI n. 4/66. Contudo, em razão do autoritarismo implantado pelo Comando Militar da Revolução, entende o AUTOR que a Carta de 1967 foi outorgada. 
	- Promulgada (democrática, votada, popular): é aquela Constituição fruto do trabalho de uma Assembléia Nacional Constituinte, eleita diretamente pelo povo, para, em nome deles atuar. 
	- Cesarista: no dizer de JOSÉ AFONSO DA SILVA, não é propriamente outorgada, mas tampouco é demcorática, ainda que criada com participação popular. É aquele formado por plebiscito popular sobre um projeto elaborado por um Imperador. A participação popular, nesses casos, não é democrática, pois visa apenas ratificar a vontade do detentor do poder. 
	- Pactuadas: surgem através de um pacto, são aqueles em que o poder constituinte originário se concentra nas mãos de mais de um titular. Segundo PAULO BONAVIDES, a Constituição pactuada é aquela que exprime um compromisso instável de duas forças políticas rivais: a realeza absoluta debilitada, de uma parte, e a nobreza e a burguesia, em franco progresso, doutra. Exemplos: a Magna Carta de 1215; a Constituição francesa de 1791; as Constituições da Espanha de 1845 e 1876; a Constituição grega de 1844 e a Constituição da Bulgária de 1879. 
6.3. Quanto à forma:
- Escrita (instrumental): seria a Constituição formada por um conjunto de regras sistematizadas e organizadas em um único documento.
	- Costumeira (não-escrita ou consuetudinária): seria aquela Constituição que não traz as regras em um único texto solene e codificado. A doutrina observa que \u201choje, contudo, mesmo a Inglaterra assenta princípios constitucionais em textos escritos. 
6.4.Quanto ao modo de elaboração: 
- Dogmáticas: sempre escritas. Consiste num documento escrito e sistematizado, elaborado por um órgão Constituinte em determinado momento da história político-constitucional de um País, a partir de dogmas ou ideias fundamentais da ciência política e do direito dominante na ocasião. 
- Históricas: constituem-se através de um lento e contínuo processo de formação. Ao longo do tempo, reunindo a história e as tradições de um povo. 
6.5. Quanto a estabilidade ou alterabilidade: 
- Rígidas: são aquelas Constituições que exigem, para sua alteração, um processo legislativo mais árduo, mais solene, mais dificultoso do que o processo de alteração das normas não constitucionais. 
- Flexível: é aquela Constituição que não possui um processo legislativo de alteração mais dificultoso do que o processo legislativo de alteração das normas infraconstitucionais. Neste caso, não existe hierarquia entre Constituição e lei infranconstitucional. 
- Semiflexível ou semi-rígida: é aquela Constituição que tanto é rígida como flexível, ou seja, algumas matérias exigem um processo de alteração mais dificultoso do que o exigido para alteração das leis infraconstitucionais, enquanto outras não requeram tal formalidade. 
- Imutáveis: seriam aquelas Constituições inalteráveis, verdadeiras relíquias históricas. 
6.6. Quanto a extensão: 
- Sintéticas: seriam aquelas veiculadoras apenas dos princípios fundamentais e estruturais do Estado. PINTO FERREIRA indica a Constituição de 1891 como sendo sintética. 
- Analíticas: são aquelas que abordam todos assuntos que os representantes do povo entenderam fundamentais. 
6.7. Quanto à finalidade:
	- Garantia (liberal, defensiva ou negativa): foi o paradigma adotado após as Revoluções do século XVIII para servir de instrumento de garantia das liberdades públicas individuais, visando limitar o poder. A finalidade maior dessa Constituição é garantir as liberdades públicas contra a arbitrariedade estatal. 
- Dirigente: conseqüência do constitucionalismo social do século XX. Segundo sua finalidade, a Constituição não basta ser ordem normativa de organização, em que se determinam vinculativamente as competências, formas e processos, para além disso, é preciso relacionar essas \u2018competências\u2019, \u2018formas\u2019 e \u2018processos\u2019 com determinados fins, pois só assim a Constituição alcançará a dignidade material. Tais Constituições tem como características as normas programáticas, normas que tem por fim dirigir a atividade e estrutura estatal. 
6.8. Quanto à ideologia:
- Ortodoxa: resulta da consagração de uma só ideologia.
- Eclética: é aquela que logra contemplar, plural e democraticamente, várias ideologias aparentemente contrapostas, conciliando as ideias que permearam as discussão na Assembléia Constituinte. 
7. CLASSIFICAÇÃO DA CONSTITUIÇÃO BRASILEIRA DE 1988:
A Constituição brasileira de 1988 é formal, promulgada, escrita, dogmática, rígida, analítica, dirigente e eclética.
8. ELEMENTOS DAS CONSTITUIÇÕES:
Orgânicos: contidos nas normas que regulam o Estado e o poder. Ex: títulos III e IV da CF/88.
Limitativos: correspondem às normas que formam o catálogo de direitos e garantias fundamentais, limitadoras do poder estatal. Ex: art. 5º da CF/88.
Sócio-ideológicos: relevam o comprometimento das Constituições modernas entre o Estado individual e o Estado social. Ex: os direitos sociais, ordem econômica e financeira e a ordem social. 
Estabilização constitucional: contêm-se nas normas que visam garantir a solução dos conflitos constitucionais, a defesa da Constituição, do Estado e das instituições democráticas. Ex: art. 34/36, art. 60, art. 102, I e arts. 136/137.
Formais de aplicabilidade: encontram-se nas normas que prescrevem regras de aplicação das Constituições. Ex: preâmbulo, as disposições transitórias e o §1º do art. 5º da CF/88. 
	
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Bibliografia utilizada:
BONAVIDES, Paulo. Curso de direito constitucional. 20ª Edição. São Paulo: Malheiros, 2007. 
BRANCO, Paulo Gustavo Gonet; COELHO, Inocêncio Mártires; MENDES, Gilmar Ferreira. Curso de Direito Constitucional. 4ª Edição. São Paulo: Saraiva, 2009. 
CANOTILHO, Joaquim José Gomes. Direito Constitucional e teoria da Constituição. 7ª Edição. Coimbra: Almedina, 2003. 
CUNHA JÚNIOR, Dirley da. Curso de Direito Constitucional. Salvador: Juspodivm, 2008. 
DANTAS, Ivo. Constituição e Processo. 2ª Edição. Curitiba: